sexta-feira, 5 de julho de 2013

VIDEO ART ESTADOS UNIDOS

JORNAL A TARDE SÁBADO, 1º DE NOVEMBRO DE 1975
 
Os americanos que vivem numa sociedade tecnologicamente muito à frente da nossa, estão mostrando uma arte eletrônica, ou melhor estão fazendo arte com a televisão, que normalmente é vista como um mercado.
Abandonaram a tradicional exposição de quadros ou objetos e partiram para o vídeo-tapes gravados por artistas plásticos, demonstrando uma grande versatilidade da tecnologia do vídeo na produção de efeitos especiais e distorções do sinal das estações de TV.
Numa rápida demonstração que foi realizada na USIS, em Salvador antes de minha viagem a São Paulo pude sentir de perto os efeitos extraordinários conseguidos no vídeo-tape pelos plásticos americanos.
Como explicou Jack Boulton, delegado dos Estados Unidos junto a Bienal o importante na videoarte é que a tecnologia está a serviço da arte, e não o contrário.


EM DUAS SALAS
Noutra dependência, foi instalado o Jardim do Vídeo idealizado por Nam June Paik, o precursor da vídeoarte. Trata-se de um salão iluminado unicamente por 20 aparelhos de televisão montados no solo, em meio a plantas de vários tipos. Você sente um grande efeito visual com todos os aparelhos transmitindo a mesma imagem, a qual é observada através de uma plataforma situada a mais de um metro acima do chão.
 COMO NASCEU
Jack Boulton responsável pela
Video Art Usa na Bienal paulista
 A curiosidade de alguns artistas em fazer experiências com videotapes terminou por criar uma nova concepção artística distinta do cinema e da televisão.Bastou alguns iniciarem a experiência que vários outros artistas se interessassem pela vídeoarte. Assim músicos, bailarinos, pintores, escultores e atores abraçaram esta nova forma de criação.
Entre os primeiros que decidiram dedicar-se à videoarte destaca-se Nam June Paik, Sul coreano de nascimento, Paik transferiu-se para os Estados Unidos, onde trabalhou nas televisões educativas de Boston e Nova Yorque, após ter estudado música eletrônica  com Stockhausen. Em longos trabalhos de pesquisa, Paik constatou que a instalação de eletromagnéticos em receptores de televisão provoca distorções de 
belo efeito plástico. Sua experiência foi bem sucedida que em 1970 ele inventou o sintetizador de vídeo. Essa descoberta permitiu a gravação de videotapes com imagens compostas, Paik chegou mesmo a sugerir a gravação de videotapes para fins educacionais, como por exemplo, na gravação de apresentação musicais, omitindo-se uma voz ou um instrumento de forma que o estudante de música possa sentir-se cantando ou tocando acompanhado de uma orquestra completa.
 PROMOVER
 Explica Jack Boulton, Diretor do Centro de Artes Contemporâneas de Cincinatti, Ohio, responsável pela mostra americana que Vídeo Arte USA não quer propriamente promover a referida tecnologia,  porém examinar as diversas maneiras em que é empregada por diferentes artistas; mostrar a variedade de opções exploradas pelos artistas que estão trabalhando com o vídeo e reconhecer a relação que existe entre esses depoimentos estéticos pessoais e o macrossistema gigantesco de televisão comercial.
"Embora adote um sistema coordenadas históricas, Vídeo Art USA pretende evitar qualquer conclusão taxativa da ordem histórica. Não passa na realidade, de uma resenha de 32 artistas, cujo denominador comum é uma mesma tecnologia."
O Jardim do Video, idealizado pelo coreano Nam June Paik

E prosseguiu, " historicamente a primeira vez que o vídeo foi apresentado no contexto das belas artes foi como escultura. Duas instalações esculturais foram incluídas na presente exposição. Uma é de autoria de Nam June Paik, a figura ancestral da Arte do vídeo. Ela incorpora o vídeotape num contexto escultural enaltecendo, de maneira superlativa, a capacidade que o vídeo tem de fundir culturas e povos diferentes numa aldeia global. A outra é de autoria de Peter Campus, escultor do período pós-arte mínima, o qual se utiliza do vídeo como instrumento de uma exploração altamente sofisticada e cerebral na natureza da percepção. São três tipos de vídeotapes incluídos na exposição aqueles da orientação sociológica, que documentam ou revelam certos aspectos de nossa vida nacional, os quais são ignorados ou tocados apenas superficialmente pela televisão comercial; aqueles que se concentram na pesquisa e manipulação das complexidades do potencial eletrônico do meio, e finalmente, Aqueles refletindo o período pós-arte mínima, os quais são utilizados pelos artistas para explorar ou transmitir preocupações estéticas de um teor mais amplo. Esperamos que, graças ao uso do projetor do vídeo Advent, grupos numerosos de pessoas que visitarem a Bienal possam ter uma idéia da grande variedade de trabalhos apresentados na exposição.

FRACASSO DA BIENAL

De nada valeram os esforços dos organizadores da XIII Bienal de São Paulo para salvá-la da decadência. Uma decadência que paradoxalmente vem crescendo gradativamente. Trabalhos sem qualquer nível – a não ser com o propósito de descaracterizá-la – são mostrados. Alguns expositores apresentam trabalhos que fazem há trinta ou mais anos, indo de encontro ao objetivo da mostra que é de dar guarida aos movimentos de vanguarda.
Estive visitando durante dois dias a XIII Bienal a convite do Serviço de Divulgação e Relações Culturais dos Estados Unidos, e lá pude sentir a reação do público que realmente está cheio de tanta descompostura. Algumas representações é que salvam a Bienal de uma total visão negativista: a americana, a espanhola, chilena e poucas outras.
A maioria das representações oferece ao público obras sem qualquer inovação ou pura apelação com utilização de materiais sofisticados, mas que na realidade pouca coisa de conteúdo trazem em termos artísticos.
CRISTO PARA PAULO VI

O artista pernambucano Daniel é o autor de escultura em madeira representando Cristo, que foi presenteada ao Papa Paulo VI no último dia 29, pelo Chanceler Azeredo da Silveira. A peça com 1,50 metros de altura, seguiu para Roma desde a semana passada. Ela estava á venda a seis meses numa loja de arte popular, no Pátio de São Pedro, em Recife.

ADERBAL RODRIGUES
 
Yemanjá, o orixá das águas foi violentada por seu filho Orugan (Oxumaré).De seus seios jorraram lágrimas. Daí nasceram os oceanos e mais uma dezena de deuses. Yemanjá, como é mais conhecida, é também chamada Princesa do Mar, Princesa do Aioka, Janaína e Sereia do Mar.
O orixá das contas transparentes de cristal, que come ebó de milho branco com azeite e sal, veste-se de azul bem claro e usa coroa, abebé (leque) braceletes, dois peixes com  correiras e uma corrente de balangandans. Dança como as ondulações do mar.
Toda a beleza de Yemanjá será levada hoje pelo pintor Aderbal Rodrigues para sua exposição no Salvador Praia Hotel. É um jovem pintor que tem muito a percorrer. Já tive a oportunidade de ver alguns de seus trabalho. Acredito que dentro em pouco Aderbal será um artista conceituado.
De nada valeram os esforços dos organizadores da XIII Bienal de São Paulo para salvá-la da decadência. Uma decadência que paradoxalmente vem crescendo gradativamente. Trabalhos sem qualquer nível – a não ser com o propósito de descaracterizá-la – são mostrados. Alguns expositores apresentam trabalhos que fazem há trinta ou mais anos, indo de encontro ao objetivo da mostra que é de dar guarida aos movimentos de vanguarda.
Estive visitando durante dois dias a XIII Bienal a convite do Serviço de Divulgação e Relações Culturais dos Estados Unidos, e lá pude sentir a reação do público que realmente está cheio de tanta descompostura. Algumas representações é que salvam a Bienal de uma total visão negativista: a americana, a espanhola, chilena e poucas outras.
A maioria das representações oferece ao público obras sem qualquer inovação ou pura apelação com utilização de materiais sofisticados, mas que na realidade pouca coisa de conteúdo trazem em termos artísticos.

      SANDUARTE VAI À BRASÍLIA

Estive esta semana na Cidade de Juazeiro, quando da realização do I Seminário da Bacia do São Francisco e lá fiquei sabendo que o artista Sanduarte está trabalhando sem parar para sua próxima exposição que será em Brasília. O artista possui uma técnica a bico de pena que é considerada por muitos como uma das mais importantes do País.
Além disto, é também, conceituado no retratar personalidades, e pelas paisagens da região sanfranciscana.
Sanduarte não é um artista de vanguarda, nem tampouco um conformista. Sua arte reflete acima de tudo as coisas e a gente da beira do rio, tem cheiro de brisa do São Francisco. Os peixes em fartura, as carrancas que espantam os maus espíritos, os barcos do velho pescador agora ameaçados de não navegar grande parte do rio, devido á construção da Barragem de Sobradinho são retratados com maestria por este pintor.

          EXPOSIÇÕES NO MAM DO RIO DE JANEIRO

1-PERCURSOS-INFORMAÇÕES- Estará aberta até o próximo dia 23 de novembro a exposição do francês Bernar Venet. É um dos mais conceituados artistas da França e segundo declara ao abandonar a pintura e a escultura em 1966, busco reconsiderar, de um lado, o conteúdo do quadro e, sobretudo, do código que o organiza. Minhas obras não estão mais sujeitas à representação do mundo exterior nem à expressão em si mesma, o que me limitaria a uma certa tradição de uma pintura abstrata expressionista, assim como não procuro uma pesquisa formal que, tendo alcançado o desenvolvimento considerável a partir do início do século, entrevi a possibilidade de renovar o conteúdo do quadro. Assim como seu código de significação, graças à apresentação de disciplinas estranhas ao domínio artístico."

2-REGISTRO FOTOGRÁFICOS AUDIOVIDUAIS- Outra mostra que ficará aberta até o dia 2 de novembro é de Gastão de Magalhães. Ele está apresentando uma seqüência de fotografias e três audiovisuais, que integram uma pesquisa por ele desenvolvida a partir de 1972. Mostra também em suas experiências a figura do artista e o seu relacionamento frente à arte e à sua desmistificação. Anteriormente, Gastão já expôs aqueles conceitos através do desenho de investigações no campo da arte conceitual, preocupando-se em comunicar ideias do seu engajamento com a realidade. Chegou inclusive a lidar com elementos primários da natureza como a terra, fogo, água.
Esta exposição é uma revisão dessas pesquisas... Gastão de Magalhães, é paulista, já tendo participado de inúmeros salões.

3-SITUAÇÕES- LIMITES (PASSAGENS)- Finalmente, a exposição de Anna Bella Geiger formada por vídeo-tapes e fotolinguagens.Os trabalhos realizados em 1972 e 1973 contavam de fotos e textos complementares onde já havia certos elementos de caráter antropológico. Na realidade desde 1969 que a artistas vem sadesenvolvendo em trabalhos experimentais uma pesquisa sobre o momento na arte, sempre com uma abordagem antropológica.

   BORTK NA GALERIA D’ART NO RIO DE JANEIRO

É um dos novos valores da arte fantástica brasileira.Uma tendência que nunca chegou a ser um movimento, ou mesmo impor-se como grupo, mas vem marcando momentos importantes da evolução da nossa arte desde a Semana de 1922.
Como, todo surrealista de modo geral destaca-se a técnica em pintar.