quarta-feira, 10 de julho de 2013

GUEL E AS CORES SUAVES DE SUAS OBRAS

JORNAL A TARDE, SALVADOR, SÁBADO 17 DE JULHO DE 1976


Um trabalho cuidadoso e criativo do artista Guel. Às vezes incompreendido por utilizar materiais e instrumentos surgidos há pouco tempo. Como se o pincel fosse o único instrumento válido para um artista plástico. Na realidade um velho preconceito que aos poucos vai sumindo. E este artista certamente tem contribuído, aqui na Bahia, para dirimir certas dúvidas devido a qualidade do seu trabalho. "Em arte o importante não é o material e sim o resultado que se consegue", sentencia Guel. Realmente o resultado que ele vem conseguindo com a utilização de máscaras e spray está confirmando sua contundente afirmação.
Outro ponto a ser levantado é que a arte acompanha e deve acompanhar o desenvolvimento da tecnologia. As tintas surgem em outras tonalidades e com substâncias químicas que lhes dão mais brilho, maleabilidade, consistência e os pincéis são sofisticados. O gravador encontra dezenas de instrumentos que lhes permite elaborar melhor seus cortes retos e curvos. E Guel encontra o spray, desenha e constrói suas máscaras para elaborar belas e suaves telas onde o cuidado está presente ao lado da criação. É um artista preocupado em acertar, em fazer um trabalho digno de ser consumido e admirado.
Antes de fazer qualquer quadro Guel desenha e faz as máscaras as quais serão gravadas na tela com a utilização do spray. Usa o spray, o compressor, as máscaras e também o pincel.
Revela o artista :"Antes eu pinto a tela na cor desejada. Pego o spray e começo o meu trabalho. Acontece que ultimamente venho utilizando muito o pincel. Mas certamente ninguém consegue uma transparência maior a não ser com o spray."
Realmente Guel consegue com spray uma suavidade e uma beleza total em seus quadros, que sugerem figuras de aves, nuvens e mesmo geométricas. Seus quadros descansam as vistas do espectador acostumados a ver concreto e carros trafegando em velocidade. É uma pintura tranquila, equilibrada, o que revela de certa forma a sua personalidade. Você ao examinar um quadro do artista descobre figuras, coisas que vão se multiplicando à medida que seus olhos descansam com as tintas tênues e em perfeita harmonia.
Guel sempre parte da natureza, porque acredita que aí está toda a beleza da Terra. Parte portanto de uma figuração que se transforma em quase abstração. Não faz questão que seu trabalho seja figurativo ou que pertença a este ou aquele estilo. O que lhe interessa é criar, pintar e conseguir cada vez mais uma depuração.
Vem desenhando muito e isto de certa forma é revelado através do exame de alguns de seus trabalhos antigos em relação aos atuais.Nesses últimos notamos uma tendência maior ao figurativo, uma consequência do exercício da arte do desenho.
Para aqueles que não o conhecem, Guel é filho de Jenner Augusto o qual respeita e considera  como  colega de profissão.Tem admiração pelo trabalho de seu pai. Os pontos de vistas e os caminhos artísticos são percorridos paralelamente. Porém, individualmente. Seus (deles) trabalhos diferenciam-se na forma e no conteúdo. Um maduro outro jovem, porém, a identidade está no talento.

TRABALHOS DIDÁTICOS


Quarenta trabalhos didáticos do artista Sérgio Rabinovitz estão expostos no Museu de Arte Moderna da Bahia, Solar do Unhão. Sérgio é um jovem artista que ainda tem muitos caminhos a percorrer em sua trajetória na busca de um amadurecimento artístico. Basta dizer que sua carreira foi iniciada em 1971, quando trabalhou no atelier do gravador Calasans Neto de 1974 a 75 . Agora encontrei o Sérgio no atelier de Mário Cravo Júnior, fazendo uso dos equipamentos ale existentes, praticando a gravura. Em 1975 viajou para os Estados Unidos, depois de mostrar algumas gravuras na mini-galeria da Acbeu. Seguiu com bolsista do Governo americano para a Universidade de Wesleyan, no Estado de Connecticut, onde estudou e trabalhou pelo período de um ano no Departamento de Artes. Atualmente o artista está New York, trabalhando e estudando  na Cooper Union School of Arts, importante centro de arte contemporânea dos Estados Unidos.
Noto nos trabalhos de Sérgio Rabinovitz uma tendência natural do homem em gravar no papel ou na madeira utilizando instrumentos que lhes chegam às mãos com naturalidade. Esta necessidade inerente ao ser humano em marcar, em riscar sem uma preocupação com formas.Simplesmente riscar. Evidente que esta naturalização é feita com consciência, com um viver individual de um artista que deseja despojar-se de tudo aquilo que tem dentro de si para transmitir através dos seus traços, manchas e riscados que muitas vezes sugestionam involuntariamente formas geométricas.
É o exercitar para aprender e acrescentar. Não podemos considerá-lo um artista pronto, acabado ou mesmo maduro. Mas um jovem talentoso que faz força para dar o seu recado. Noto em alguns trabalhos certos descuidos, como manchas indevidas ou mesmo um certo desentrosamento no ritmo e na manipulação de instrumentos. Porém, o seu trabalho, que é didático deve ser visto por este prisma, é um jovem estudante que está num importante centro de arte contemporânea rompendo com o tradicionalismo da figura ou uso do pincel.
Você é capaz de notar a solidão de Sérgio em New York através dos expressivos trabalhos feitos por lá.
É a ligação com a Bahia, uma lembrança que atormenta a todos aqueles que deixam seus lares e vão enfrentar uma cidade como New York. Majestosa e desumana. Uma grande jaula. É neste ambiente que Sérgio procura expressar o seu inconformismo, a sua solidão e aí vai desenvolvendo a sua criatividade em busca da espontaneidade. Deixa a mão correr com um lápis ou outro qualquer instrumento a ferir o papel, a madeira ou o metal. Gostei do trabalho do Sérgio e acredito que tenha evoluído em relação à sua primeira exposição.
                    O VELHO CHICO NA TELA

Os homens estão mudando o curso do Velho Chico, os costumes dos barranqueiros e dos velhos pescadores. Em nome do progresso surgem barragens, hidroelétricas e imensos lagos que mais parecem mar. Mas os artistas estão aí para levar à tela os costumes desta gente e a sua identidade com seus instrumentos utilitários. É o caso de San  Duarte um autêntico barranqueiro que capta o essencial do povo da região sanfranciscana e leva para a tela. Agora ele está realizando mais uma exposição numa promoção da Prefeitura de Juazeiro, como parte dos 98 anos de sua emancipação política.

                              CRAVO NETO PREMIADO

Mais uma vez o artista premiado Mário Cravo Neto é premiado.Desta vez com o Coruja de Ouro devido as fotografias do filme A Lenda de Ubirajara, que foi dirigido também pelo baiano André Luís Oliveira. Todos consideram as fotografias de Mário de excelente qualidade além de um invejável clima poético.
Ele seguiu ontem, para São Paulo a fim de receber o prêmio e logo a seguir viajará para a Alemanha. É realmente um artista em ligeira ascensão.

                   PAINEL

ARTESÕES EM SERGIPE- A I Exposição do Artesanato Sergipano- Expoarte já conta com a participação assegurada de Carrapicho, o maior e mais importante artesão em cerâmica, com as bordadeiras de Japaratuba e de Propriá . A exposição está sendo promovida pela Empresa Sergipana de Turismo e será realizada de 19 a 29 do corrente mês na rua João Pessoa, tradicional ponto de encontro da intelectualidade sergipana.

CARL BRUSSEL - Foi inaugurada no último dia 16 a exposição de Carl Brussel na Galeria  O Cavalete, no Rio Vermelho. É um artista que vem trabalhando há vários anos, já tendo realizado algumas exposições e que agora mostra todo o desenvolvimento de uma técnica e sua arte.


HOMENAGEM A EULER PEREIRA- Sem dúvida Euler de Pereira Cardoso contribuiu para o desenvolvimento das artes plásticas na Bahia, através de um núcleo que fundou na antiga Galeria Panorama, hoje funcionando na Barra. Faleceu recentemente, e logo após a sua morte escrevi algumas palavras sobre o seu trabalho. Agora organizaram uma retrospectiva que está aberta na Galeria Panorama de óleos, guaches, bicos de pena de sua autoria.