domingo, 14 de julho de 2013

HAMILTON FERREIRA E SEUS ORIXÁS

JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SÁBADO 21 DE SETEMBRO DE 1974


Hamilton Ferreira com o casario e os orixás
 Para Hamilton Ferreira "a arte não é só fazer. Ela exige uma ideia que deve ser amadurecida. Tudo nasce de um sonho e quando estou sonhando pego no pincel e começo a pintar sem parar. Tudo tem que ser espontâneo e não adianta a gente sentar para pintar se não está com vontade ou mesmo com inspiração para criar. Os trabalhos realizados sem vocação de artista geralmente tornam-se vazios, por si só." Assim é a pintura de Hamilton Ferreira um retrato de sua ingenuidade e de sua pureza no criar.
Hamilton Ferreira era barbeiro de profissão e de repente sentiu uma grande vontade em pintar. Comprou algumas telas e pincéis e começou a desenhar seus Orixás. Hoje é um artista consagrado e um dos mais procurados primitivos.
Os colecionadores e amantes das Artes Plásticas sempre o procuram para saber o que ele está realizando de novo. Diz Hamilton que "o princípio de tudo, foi em São Gonçalo dos Campos onde aprendi a manejar a navalha e daí passei a trabalhar na Rua da Ajuda.Depois resolvi largar a navalha pelo pincel que é mais manso e criativo."
Ele já expôs individualmente em várias galerias da cidade e até em outros estados. Agora está preparando uma série de trabalhos que foram adquiridos por um desses hotéis ora em construção.Sua pintura ingênua apresenta uma boa composição plástica com grande movimento, principalmente nos trabalhos onde ele retrata todos os Orixás dos candomblés da Bahia.
Sua pintura é sofrida e vivida, pois Hamilton Ferreira sofreu muito durante sua infância, juventude e mesmo já adulto.Daí o grande apego e valorização que ele dá a seu trabalho.
Uma das características do trabalho deste artista é a presença de tintas dourada nas armas e objetos sagrados usados pelos Orixás. Suas cores são primitivas mais suaves. Não chocam. Convidam o espectador de seus trabalhos a procurar admirar todos os detalhes que foram uma composição de grande efeito plástico.

MUSEU DIDACTA

Com a exposição de 70 quadros e 20 esculturas do Museu Didacta foi realizada na cidade de Cruz das Almas, a I Jornada Cultural que foi promovida pela Fundação Cultural com o objetivo de formar grupos de estudo clubes e associações de interesse artístico e cultural.

Obra de Josè Joaquim
            GRAVURAS E MATRIZES

Já foram localizadas no Museu da Inconfidência, de Ouro Preto e no Arquivo Público Mineiro as gravuras e as matrizes do padre José Joaquim Viegas de Menezes,( Foto) o primeiro gravador nascido no Brasil, em 1778. Seu trabalho mais célebre data retrata o governador de Minas Gerais, Pedro Maria Xavier de Athaíde e Mello e a Viscondessa  sua esposa, além de um poema escrito por Diogo Pereira Ribeiro de Vasconcelos.
Esta gravura tem grande valor histórico pois ao ver o poema em sua honra, o governador quis ver impresso o trabalho, mesmo sabendo que isto era um crime punido severamente desde a Carta-Régia de junho de 1974, proibindo o uso da imprensa no Brasil.







                                           ARTE BAIANA EM MOSCOU



Em Brasília, visitando a Exposição Kennedy-Bahia, realizada no Brasília Palace Hotel a embaixatriz soviética Nina Jukova convidou a Galeria do Jardim dos Namorados a fazer uma exposição na União Soviética, o que foi aceito. A mostra de arte baiana será feita em Moscou, em maio de 1975, quando cerca de cinqüenta obras, entre óleos e tapeçarias, serão acompanhadas pelos artistas locais e por um representante da Embaixada do Brasil na capital da URSS. O convite compreendeu transporte e hospedagem para os brasileiros e mais quatro pessoas.