segunda-feira, 8 de julho de 2013

OTTONI ZORLINI E A NATUREZA

JORNAL A TARDE SALVADOR SÁBADO, 15 DE MAIO DE 1976

O artista Ottone Zorlini ao lado de uma escultura
Falecido em 1967 o pintor e escultor Otonne Zorlini está sendo homenageado postumamente pela A Galeria, de São Paulo com uma exposição de seus trabalhos. Dedicou 40 anos de sua vida à arte brasileira, embora seja italiano de nascença. A natureza foi seu grande tema e não vivia preocupado com a arte de vanguarda. Seus casarios, retratos e paisagens são suficientes para atestar o que afirmo. Retratava a realidade despreocupadamente, sem pensar em composições com acréscimos imaginativos.
Nasceu em Treviso em 1891 e já aos 15 anos freqüentava a Academia de Belas Artes de Veneza. Serviu na Guerra de 14, como soldado. Não morreu na Guerra, mas em compensação perdeu quatro preciosos anos de vida inutilmente, porque não podia pintar, ficar ao lado da arte, declarava pouco antes de morrer.
Em 1924 uma escultura de sua autoria figurava no catálogo da Bienal de Veneza, realizando exposições em várias regiões da Itália.
Em 1927 descobriu o Brasil através de seus compatriotas e veio enfrentando uma série de dificuldades para sobreviver na nova pátria.
Em 1936 conseguiu depois de muita labuta realizar sua primeira exposição individual em São Paulo, numa galeria na Rua José Bonifácio, hoje desaparecida. Continuou trabalhando, participando de salões oficiais nas capitais paulista e carioca.
Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico, fica no
Autodrómo de Interlagos, em São Paulo

No Salão do IV Centenário de São Paulo sua obra foi premiada pelo Governo do Estado. Morreu aos 76 anos, artista já conhecido pois seus trabalhos passaram a ser solicitados por museus, colecionadores brasileiros e estrangeiros.
O que vale destacar na obra de Ottone Zorlini é a perfeição do desenho de um homem que gostava e amava a natureza e assim posse a retratá-la com toda a força de sua mente. Assim figuras humanas, sendo a mulata uma de suas predileções e também de aves e outros animais passaram a fazer parte da obra de Zorlini. Sem dúvida que esta exposição de A Galeria vem justamente atender uma dívida do País para com este italiano, como grandes outros mestres que deixaram a Itália e aqui se fixaram pintando e esculpindo coisas no Brasil.

                   DOIS ARTISTAS EM SELOS DOS CORREIOS

José Tarcísio e Pietrina Checcaci foram escolhidos pela Empresa Brasileira de Correios através do lançamento de dois selos da série Artes Plásticas no Brasil de Hoje.
Tarcísio para ilustrar o selo retirou da paisagem alguns elementos utilizou um regador, usou fios de aço cromado significando a água e pedras naturais sobre base de madeira e tampo de aço inoxidável.
Já Pietrina Checcaci escolheu dedos e fitas como temática, exprimindo os dedos que manobram, dobram, dirigem fitas às quais talvez estejam amarradas marionetes da vida. Simboliza os mandantes e mandados. O círculo da vida, onde na medida em que conquistamos somos conquistados.
Portanto dois artistas escolheram temas atuais.
Dramas vividos por homens e animais de modo geral. A destruição gradativa da natureza ou dos elementos da natureza, tão simbolizado por Tarcísio e o Mando, esta vontade, esta sina da humanidade aliás não somente em liderar. Também os irracionais batem-se pela liderança, e os dedos soltos e presos estão sempre presente.

DADOS SOBRE O ARTISTA- José Tarcísio nasceu em Fortaleza, Ceará, em 1941.
Selo de José Tarcísio
Em 1961 transfere-se para o Rio de Janeiro e quatro anos mais tarde inicia-se profissionalmente nas artes plásticas. Desde então, vem realizando exposições individuais em várias cidades do Brasil. No decorrer de sua carreira artística obteve os seguintes prêmios:1967-Prêmio de Aquisição da IX Bienal de São Paulo; 1972-Certificado de Isenção de Júri no setor de escultura no XXI Salão Nacional de Arte Moderna; 1974- Prêmio de Viagem ao Exterior no XII Salão Nacional de Arte Moderna. O objeto exposto neste salão dói escolhido pela ECT para representar a escultura do século XX no Brasil.



O selo criado por Pietrina Checacci
DADOS SOBRE a ARTISTA- Pietrina Checcacci nasceu em Taranto, Itália, em 1941, vindo criança para o Brasil. Seus estudos foram feitos na Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, onde concluiu o curso de pintura. Realiza individuais a partir de  1961 em vários Estados brasileiros. Obtém prêmios em 1967 e 1969 no Salão de Arte Moderna do Paraná, em 1970 na I Bienal de Artes Visuais do Rio Grande do Sul e Salão de Arte Contemporânea de Belo Horizonte, em 1972 na I Mostra de Artes Visuais do Estado do Rio de Janeiro e em 1974 é prêmio de viagem ao estrangeiro pelo XXIII Salão Nacional de Arte Moderna.

GEZA HELLER NA QUADRANTE

Uma paisagem pintada pelo artista Geza Heller
Para o pintor Geza Heller, a paisagem pode incluir tudo o que tem de interesse na pintura: textura, composição, linha , cor, bem como absorver influências do expressionismo, impressionismo e abstracionismo.
"Porque a paisagem é uma pintura que não quer nem deseja retratar sofrimento. Não quer contar história. Na minha opinião, está na vanguarda. No meu caso especial, com a paisagem estou fazendo pintura pura, com recursos exclusivamente picturais."


HÚNGARO DE NASCIMENTO

Nascido na Hungria em 1902, Geza Eller cursou em Budapeste a Escola Superior de Arquitetura. No inicio da década de 30 transferiu-se para América do Sul e, depois de um período de 2 anos no Uruguai, escolheu o Brasil como sua segunda pátria, fixando-se no Rio de Janeiro.
Como arquiteto, tem seu nome ligado áàconstrução do Edifício da Estrada de Ferro Pedro II, na qual atuou como arquiteto-projetista.
O artista explica que os 33 quadros que compõem sua nova individual, 1º Galeria Irlandini foram realizadas em ter 1974-1975 e representam uma evolução cromática em relação á sua última mostra, na Galeria Domus.
                                                                      FIDELIDADE
Fazenda, acrílico sobre chapa industrializada
"Continuo fiel à paisagem, à marinha e aos casarios. Posso vê-los de mil maneiras diferentes, pois o que me interessa realmente é o espírito ou uma gama de cor proposta, já que isso é a própria finalidade da pintura."
Geza Heller começou a participar de salões nacionais  partir de 1939, ano no qual conquistou sua primeira medalha de prata em desenho. Entre 1942-1943, aperfeiçou-se em pintura com um dos grandes mestres da pintura brasileira, Alberto da Veiga Guignard  "com quem aprendi a amar as cidades do interior mineiro". Com 20 exposições individuais no inúmeras participações em ismos, mas os exercita na intimidade do seu atelier   trabalhos de pintor autêntico.