sexta-feira, 26 de julho de 2013

O FOGO NO MAM-RIO MOBILIZA ARTISTAS

JORNAL A TARDE ,SALVADOR, SÁBADO, 22 DE JULHO DE 1978

Foto da grande tragédia que foi o incêndio no MAM-Rio
O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro pegou fogo e os artistas estão na chamada fase da ebulição. Listas e ofícios choveram no MAM. Choros e lágrimas derramadas pelo irrecuperável. Como a festa e o fogo eram cariocas não faltaram os desfiles das escolas de samba com suas passistas carregando alegorias, que deveriam também ter sido ofertadas como prova de solidariedade. Tudo isto é muito brasileiro. Porém, tudo o que está sendo feito vem com atraso de 10 anos. É como diz o povo brasileiro só fecha a porta depois de roubado.
Como fruto da luta entre o descaso, a destruição e a inoperância dos diretores de nossos museus, estamos assistindo o desaparecimento de acervos não apenas consumidos pelo fogo, mas também levados por misteriosos colecionadores e também pelas traças, pela maresia ou pela umidade. É uma vergonha nacional. As diretorias de museus são escolhidas por apadrinhamento e realmente você pode apontar poucos profissionais de respeito, a exemplo do professor Bardi, de São Paulo. Vemos é diretores arranjados de última hora, que não conhecem coisa alguma. Falam grosso e são caluniáveis. Aqui na Bahia por exemplo, gostaria que alguém me informasse se adquiriram neste últimos cinco anos algumas peças para os acervos. Nada. Se houve alguma doação particular o que não acredito ninguém tomou conhecimento. O que sei é que estão cuidando de pequenas exposições. Basta dizer que tinha desaparecido misteriosamente os cadastros do acervo do MAM , não acharam o livro de tombo onde deveriam estar anotados todos os detalhes do seu acervo. Fizeram um novo levantamento, tenho notícias que existiam no acervo do Museu de Arte Moderna da Bahia duas telas de Pancetti e agora só tem uma.
Você realmente não vê exposições dos acervos dos nossos museus, cujos trabalhos estão sofrendo o ataque da maresia e umidade. A sede do MAM é inadequada, a beira mar, num velho casarão, que inicialmente foi idealizado para o Museu de Arte Popular. Este também já terminou e ninguém fez listas para que fosse reaberto.
Enquanto isto não vem, vamos nas feiras livres do interior que lá está a arte popular. Paciência. É o que nos resta, enquanto os diretores de nossas fundações e museus estão nos banquetes. Esta solidariedade ao MAM do Rio de Janeiro é plausível. Mas também é bom que atentem para a necessidade, não de reconstrução, mas de construção de uma sede digna para o nosso Museu de Arte Moderna e uma conscientização para que seu acervo seja conservado e ampliado. As listas devem ser assinadas para doações MAM do Rio, e, também, para o nosso que é bem mais pobre em quantidade e qualidade de obras. Aliás, quase que não temos um museu. O que temos é um pequeno acervo que precisa ser ampliado. Vamos aproveitar a festa carioca, com as escolas de samba, para alertar sobre a importância de melhorar o nosso Museu e de exigir de seus dirigentes que saiam do imobilismo e encetem uma campanha pela construção de uma sede digna.

              RESPEITO A AGRIPINIANO DE BARROS
Esta foto está no Google. Falta uma letra no nome do 
homenageado e não tem nenhum registro sobre sua biografia.
 É preciso que o diretor ( a) corrija isto imediatamente.

Para homenagear a um dos seus mais antigos mestres, a Escola de Belas Artes da UFBa., através da sua direção promoveu a exposição de obras do pintor e desenhista Agripiniano de Barros, na Galeria Cañizares apresentando 56 trabalhos entre desenhos e pinturas. Paralelamente está sendo comemorado o 80º aniversário de nascimento do seu filho, o escultor Ismael de Barros, que durante muitos anos também lecionou nesta escola.
De origem humilde, o professor Agripiniano nasceu em Floresta, estado de Pernambuco, em 31 de janeiro de 1891 e ainda jovem veio morar na Bahia. Ao morrer em 6 de abril de 1933, deixou um acervo constituído de aproximadamente 200 obras a lápis grafite e crayon, bico-de-pena, aquarela, guache, pastel, desenho geométrico, entre outras técnicas, sem nunca ter feito uma exposição e nem ter vendido quadros.
Segundo seu filho, Ismael, ele preferia dar de presentes aos amigos. Ele costumava fazer trabalhos relativos a datas históricas e a campanhas de combate ao fumo e ao álcool e além disso fazia charges a bico-de-pena solicitadas pela imprensa, gratuitamente, afirmou.

AVERSÃO POLÍTICA

Obra de Agripiniano de Barros
Com uma vida inteiramente voltada para as artes e à família, o mestre Agripiniano tinha verdadeira aversão à política e a sua distração preferida era resolver álgebras no quadro-negro de sua casa aos sábados e domingos. Tocava flauta, cítara, piano, harmônio, tuba, oboé, fagote, trompa, violão e banjo e outros instrumentos, sem nunca haver freqüentado escolas para aprender música.
É um dos fundadores do Conservatório de Música, onde foi professor de teoria musical, solfejo e harmonia, por muito tempo.
Também lecionou Desenho e Arquitetura no antigo Liceu das Artes e Ofícios e além disso assumiu a direção de vários cursos no antigo Arsenal da Guerra, extinto em 1896, passando a ser adido ao Hospital Militar.
Veio para a Bahia ainda jovem, mas antes, em Floresta, já revelava sua tendência para as artes, nesse tempo, sem receber nenhuma orientação técnica.
Em Salvador, logo quando chegou foi trabalhar na área comercial e no ano de 1901 após ter desistido do Curso de Farmácia onde já tinha feito dois anos, matriculou-se na Escola de Belas Artes e depois da conclusão do Curso de Desenho, passou a ser professor da mesma, ministrando Desenho à Mão Livre. Desenho Geométrico e Arquitetônico. Na velha escola foi contemporâneo de Cañizares e Lopes Rodrigues.
Além disso, foi catedrático da Escola Complementar Anexa ao Instituto Normal, atual ICEIA, ensinando a disciplina Ciências Físicas e Naturais até o ano da sua morte.
Como músico participou de várias orquestras, destacando-se a do próprio Conservatório, atual Seminário de Música da UFba.
Casou com Arlinda Maria de Oliveira, e tiveram cinco filhos. Um deles morreu quando criança.
Outra, Georgina de Barros, faleceu aos 33 anos de idade. Continuaram vivos Stefânia de Barros, formada em enfermagem pela Escola Ana Nery do Rio de Janeiro e em Obstetrícia pela Faculdade de Medicina da Bahia; Álvaro de Barros, caricaturista, desenhista, residente em São Paulo e Ismael de Barros que seguiu a carreira do magistério e de escultor que já fez cerca de mil esculturas entre bustos e baixo-relevo.

DEDICAÇÃO À ESCULTURA

Desde criança Ismael gostava de fazer esculturas. Durante 36 anos foi professor da Escola Técnica e por 25 anos lecionou na Escola de Belas Artes, onde se formou em 1930. Atualmente está aposentado.
"Fiz retratos de todos os governadores da Bahia a partir de Juracy Magalhães, exceto do atual, que inclusive já tenho encomenda, Disse Ismael. No entanto nunca fez exposição individual", afirmou o artista..
Em coletiva já participou de várias, destacando-se o Salão Nacional do Rio e o Salão Nacional de São Paulo, ambos realizados na década de 50 tendo obtido nos mesmos, medalhas de bronze. Em Salvador também já fez diversas coletivas, sendo que a última na Galeria Cañizares em comemoração ao Centenário de fundação da Escola de Belas Artes, onde apresentou oito trabalhos.
Ele declarou que gostou muito dessa homenagem feita a seu pai. Sempre tive vontade de um dia ver expostos os trabalhos dele. Seu sonho foi realizado quando a direção da Escola de Belas Artes, nas comemorações do Centenário da escola, organizou uma exposição de obras dos antigos mestres, inclusive do professor Agripiniano, onde foram apresentados cindo dos seus trabalhos. Foi a partir daí que surgiu a ideia de se fazer esta exposição somente de obras do velho mestre. (Graça)

ARQUITETURA NO BRASIL É TEMA DE CONCURSO DE MONOGRAFIAS

Com um prêmio de 50 mil cruzeiros para o primeiro colocado, além de duas menções honrosas, a Funarte e o Instituto de Arquitetos do Brasil instituíram um concurso de monografias de âmbito nacional intitulado Arquitetura Brasileira. As inscrições poderão ser feitas até dia 31 de agosto na sede da Funarte Rua Araújo Porto Alegre, 80, Rio, ou na sede do IAB, Rua Conde de Irará, 122, Botafogo, Rio.
Os concorrentes devem ser arquitetos brasileiros, natos ou naturalizados, que poderão escrever apenas um trabalho, com a condição expressa de ser inédito. O texto, de caráter monográfico, deverá possuir o mínimo de 90 páginas datilografadas em espaço dois, em cinco vias, sob pseudônimo, acompanhado de um envelope lacrado contendo o título do trabalho, nome e endereço completos do autor, assinatura e Xerox autenticado do registro no CREA.
Os trabalhos serão julgados por uma Comissão de cinco membros, sendo dois designados pela Funarte, dois pelo IAB e presidida pelo diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas da Funarte. Além da premiação estabelecida, o trabalho vencedor terá uma edição de 3 mil exemplares por conta da Funarte. Os resultados do concurso serão conhecidos um mês após o término das inscrições.

Concurso Nacional de Monografias sobre Arquitetura no Brasil a Fundação Nacional de Arte do Ministério da Educação e Cultura, Funarte, instituiu o presente concurso anual de Monografias, de âmbito nacional, sobre Arquitetura no Brasil, destinado a premiar trabalhos inéditos, elaborados por arquitetos brasileiros.O concurso ora instituído se regerá pelas seguintes normas:

DOS CONCORRENTES: Os concorrentes deverão ser brasileiros, natos ou naturalizados.
Os concorrentes poderão inscrever apenas um trabalho de sua autoria.

DOS TEXTOS considera-se inéditos para fins deste concurso, o texto não editado, no todo ou em parte em qualquer forma impressa. O texto, de caráter monográfico, deverá possuir extensão mínima de 90 (noventa) páginas datilografadas em espaço dois, folha tamanho A/4, sendo livre a parte iconográfica. O texto deverá ser apresentado sob pseudônimo e sem título, em número de cinco vias datilografadas, acompanhado de envelope lacrado contendo: a) título da monografia; b) pseudônimo usado pelo autor; c) nome, endereço completo, Xerox autenticado do registro do CREA e assinatura do autor.

DAS INSCRIÇÕES: As inscrições deverão ser realizadas diretamente mediante protocolo ou enviadas por via postal, sob registro, na ou para a sede da Funarte-Instituto Nacional de Artes Plásticas, á Rua Araújo Porto Alegre, nº80, Centro, Rio de Janeiro, ou na sede do Instituto de Arquitetos do Brasil, á Rua Conde de Irajá, nº122, Botafogo, Rio de Janeiro. O concorrente, ao se inscrever, concordará automaticamente com o direito de preferência da Funarte para editar seu trabalho, em edição de no máximo 3.000 Três mil exemplares, estando compreendido no pagamento do prêmio, a quitação dos direitos autorais dessa edição.

DA COMISSÃO JULGADORA: A Comissão Julgadora será composta de 5(cinco) membros, sendo 2 (dois) designados pela Funarte, 2(dois) pelo IAB e presidida pelo diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas, com direito a voto de qualidade e desempate. A decisão da Comissão Julgadora é Irrecorrível.

DA PREMIAÇÃO: Para a melhor monografia será atribuído um Prêmio no valor de CR$50.000,00 (cinqüenta mil cruzeiros). Além da premiação estabelecida do item anterior serão concedidas 2 (duas) Menções Honrosas. Além da vencedora, a Funarte poderá editar as duas monografias que obtiveram Menção Honrosa, pagando, neste caso, os direitos autorais correspondentes. A entrega dos prêmios será realizada em ato público, em data a ser fixada pela Funarte, de comum acordo com o Instituto de Arquitetos do Brasil.

DOS PRAZOS: As inscrições no local ou enviadas pelo Correio serão aceitas até o dia 31 de agosto de 1978. O prazo para julgamento, será de 30 (trinta) dias a partir do encerramento das inscrições, podendo, no entanto, ser prorrogado em função do número de originais ou qualquer outra razão de força maior plenamente justificada.

DAS CONDIÇÕES GERAIS: Não poderão concorrer pessoas vinculadas ao Instituto Nacional de Artes Plásticas, e os que mantenham vínculo empregatício com a Funarte. Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Julgadora.
A inscrição no concurso implica na aceitação de todos os itens deste Edital.

                            PAINEL

ÂNGELA E BEL- Ângela Cunha e Bel Borba estão expondo no Berro D’água, na Rua Barão do Sergy, 27-A, na Barra. São gravuras e trabalhos feitos em spray com muita maestria.
Dois jovens artistas que vem apresentando uma produção regular e de qualidade.
Acabou, numa exposição da Fundação Museu da Cidade, esteve aberta ao público até o último dia 21 a exposição de Figueiredo (não confundir com o candidato à presidência. Natural de Maracás, Antonio Figueiredo estuda Licenciatura em Desenho e Plástica na Escola de Belas Artes da UFBA. Apresentou bons trabalhos em bico de pena.

LATINI- Nascido em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Anelio Latini Filho aprendeu a pintar com seu pai o mestre Anelio Latini. Aos vinte anos fez sua primeira individual. Percorreu diversos estados na coleta de material pictórico e cinematográfico. Em 1970 retomou a pintura com temas figurativos e na técnica espátula. Esta expondo na Signo até 11 de junho.

QUADRINHOS- Conhecido artista baiano está elaborando várias tiras com um personagem baiano o Zeferino Paraguaçu. Espera publicar em jornais da cidade. Aguardem.

IMPOSTO E ARTE - O paternalismo que buscam alguns querendo isenção total do imposto na está dando certo. Agora na Grã-Bretanha o Instituto Courtauld de Arte poderá perder uma coleção de quadros, incluindo obras de Michelangelo e Rubens avaliada em mais de 20 milhões de libras, que equivale a 672 milhões e oitocentos mil cruzeiros para pagar o imposto devido.

CADASTRAMENTO- O Instituto Nacional de Artes Plásticas da Funarte realiza a partir deste mês o cadastramento dos artistas plásticos profissionais residentes no Brasil, para fins de registro e memória. Para tanto confeccionou uma Ficha Cadastral de Artista Plástico Profissional, que já se encontra à disposição dos interessados na sede do órgão, Rua Araújo Porto Alegre, 80, Rio de Janeiro. Essas fichas serão enviadas para escolas, museus e instituições culturais nos respectivos estados. Procure quem estiver interessado.

VOLPI- O Museu de Arte de São Paulo está organizando um catálogo geral e raisonné da obra de Alfredo Volpi. Os proprietários dos Volpi podem-se dirigir ao IPHAN, Rua São Francisco, 32, tel 3243-8861 ou 3243-8403. No catálogo constgará o nome do proprietário da obra.

DEIXOU- Malba Vellame deixou a Galeria de Arte do Hotel Meridien , logo depois a galeria virou loja de artesanato. O afastamento da Malba quase põe fim a galeria.

FALECEU – George Stout, ex-Diretor do Museu Isabele Stewart Gardiner, de Boston. Foi o pioneiro da restauração de obras de arte danificadas durante a Segunda Grande Guerra. Morreu na Califórnia aos 80 anos.

CÉSANNE – Para quem pode pagar os 22 mil estão expostas no Grand Palais , em Paris, 60 pinturas e 40 aquarelas do grande mestre Césanne. Foi um trabalho duro reunir tantas obras e a ideia inicial é do Diretor do Museu de Arte Moderna da Nova Iorque. Aqui não tem disto não...A Busca da Sabedoria, obra de Paul Cézanne.

CRISTIANO – Um dos integrantes da nova geração de artistas mineiros, o Cristiano impressiona pela espontaneadade das pinceladas que fazem  brotar das manchas produzidas cavalos e pássaros em liberdade. São rápidas as pinceladas, co0mo os movimentos livres de suas figuras que percorrem os espaços sem empecilhos. A cada para em frente a uma de suas telas descubro uma nova figura que parece insistir pela liberdade. Aliás, tem muita gente por ai que precisa olhar os quadros do Cristiano que encontrará contemporaneidade. Foto