terça-feira, 30 de julho de 2013

UMA AGRESSÃO À PAISAGEM

JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SÁBADO, 23 DE SETEMBRO DE 1978

É necessário que a Bahia cresça e se desenvolva. É necessário que seja aumentado o número de empregos, que o turismo cresça. Enfim, a Bahia tem que acompanhar o desenvolvimento do país.Mas, também é necessário que não seja permitida mais agressões e descaracterização.
O fato é que subi com um grupo de amigos para observar a paisagem da Lagoa do Abaeté do mirante Dorival Caymmi que foi construído a poucos anos e, é desconhecido de muitos. Tão logo cheguei ao mirante tive uma desagradável surpresa. Um prédio feio agredia a paisagem. Ele aparece altaneiro por entre a vegetação rasteira das dunas brancas. Um verdadeiro monstro que deixaram construir por essas e outras razões que ninguém sabe explicar. O pior é que o tal prédio, ainda inacabado, é um hotel de uma grande empresa. Ora vejam só que aberração! O turista vai ter um contato direto com a agressão.
Quero daqui chamar a atenção do Oceplan e de outros órgãos da Prefeitura responsáveis pela concessão de alvarás e licenças para construção, que é preciso maior critério, que a cidade merece respeito, que Salvador é um patrimônio não dos burocratas, mas de todos os brasileiros. Todos ficam tristes com a descaracterização desenfreada e reclamam daqueles que podem falar, escrever e formar uma posição. É dentro desta visão que daqui faço este apelo, publicando esta foto que fala por si.

           UM TORTURADOR NA JORNADA DE CINEMA

A tesoura ( arma do crime) e o periquito morto
Volto a falar sobre a VII Jornada de Curta Metragem. Desta vez para denunciar um torturador. Chama-se Fernando Beléns que realizou a tortura de um pobre periquito. Este indivíduo que deveria estar internado numa clínica psiquiátrica resolveu denunciar a tortura, que tantas vítimas tem feito na América Latina, torturando e matando um inofensivo periquito que teve seu bico e pernas queimados por um cigarro e depois o pescoço cortado por uma tesoura. O filme chama-se Experiência 1 e foi muito discutido por todos aqueles que tem sensibilidade e não aceitam tal prática assassina.
Sentado no Teatro do ICBA ele tomou a postura de um grande cineasta se negando a responder algumas questões, e agressivo, quando os debatedores não concordavam com sua tortura. A meu ver este indivíduo deve sofrer de alguma distorção mental e não tem nada de gênio. É um doente e como tal deve ser tratado, porque  como torturou e matou um periquito é capaz de fazer com uma pessoa na sua próxima experiência. Esta posição de torturar para denunciar é insólita, despropositada, danosa e acima de tudo criminosa. Não entendo como os responsáveis pela Jornada deixaram exibir tal filme. Um detalhe é que ele está talvez influenciado por grupos que filmam cenas e encontros eróticos e depois aniquilam alguns dos participantes, o que foi motivo de uma matéria no Pasquim. Todos condenam tal atitude e quem sabe, em vez do periquito o Sr. Fernando Beléns poderia assumir a posição de torturado porque assim estaríamos livres de outra possível agressão, e outros animais irracionais estariam salvos de sua tara

            FOTOBAHIA 78 REÚNE 50 FOTÓGRAFOS

Foto de Agliberto integrante da Fotobahia 78
Na próxima terça-feira, dia 26, cinquenta fotógrafos estarão expondo no foyer do Teatro Castro Alves, um total de 250 fotografias em preto e branco.
A maioria enfoca o homem dentro de seu contexto social, embora a mostra não tenha um tema definido e assim o público terá oportunidade de sentir melhor a capacidade de captação das imagens.
São jovens fotógrafos que de câmara em punho  que fixaram na película cenas que normalmente as pessoas apressadas, que andam pelas ruas deixam passar despercebidas. São flagrantes do cotidiano da Grande Cidade que encanta muitos e atormenta outros. Esta mostra serve também para uma troca de experiências entre os fotógrafos que dispõem das mais variadas informações e visões acerca de problemas vividos por nós.
Nos dias 29 e 30 do corrente haverão dois seminários sobre o tema Perspectiva Cultural e Profissional do Fotógrafo na Bahia, e que serão coordenados por Mário Cravo Neto, Oldemar Victor, Vito Diniz, Sílvio Robatto,constando com a participação de muitos convidados, inclusive representantes das duas associações de fotógrafos profissionais existentes na Bahia.
A mostra deverá ser levada também para Recife onde os pernambucanos terão oportunidade de ver os trabalhos dos fotógrafos baianos, além de arquitetura, da gente e costumes e as tendências da fotografia em nosso estado. Também será editado um catálogo, um total de mil exemplares constando pelo menos duas fotografias de cada concorrente. A Fotobahia 78 é coordenada pelo fotógrafo Aristides Alves e patrocinada pelo Teatro Castro Alves, Fundação Cultural da Bahia (Coordenação da Imagem e do Som) contando ainda com a colaboração da Bahiatursa, Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, do jornal A Tarde e Gráfica Universitária.

          A NATUREZA NA OBRA DE GILBERTO SALVADOR

O paulista Gilberto Salvador está expondo na Galeria O Cavalete alguns desenhos e pinturas com uma temática ligada a preservação da natureza, ao índio sofrido e espoliado de nosso país. Porém, sua obra é forte e tem uma conotação de latino-americanidade. Forte e simples com seus traços gestuais e o uso equilibrados dos espaços e movimentos. Gilberto é um artista criterioso e consciente que maneja com visão da realidade as tintas, os pincéis e os lápis.
Tem consciência da mutilação de nossa paisagem, da flora e da fauna e principalmente não concorda com estas e outras aberrações.
Faz algum tempo que não  tenho visto um trabalho tão forte e que tenha me emocionado. Os elementos simples ação jogados de tal forma que fornecem uma visão plástica que transporta do suporte e chega a provocar emoções de tristeza, de revolta e até alegria. É um trabalho que fala a todos aqueles que tem sensibilidade para decodificar sua mensagem transmitida às vezes através de um desenho ou pintura, onde estão presentes as linhas acadêmicas e que são cercadas por traços e formas gestuais.
A tua na área de artes plásticas desde 1964 em exposições individuais e coletivas. Já representou o Brasil em diversas bienais e salões, assim como em mostras no exterior. É detentor de alguns prêmios oficiais obtidos em salões, e está preparando alguns trabalhos para a próxima Bienal Latino-Americana.

EXPOSIÇÃO NA CAÑIZARES DOS INTEGRANTES DO 
GRUPO OPUS QUAVRO

Os artistas Quaresma, Pedro Roberto, Juracy Dórea e Antônio Brasileiro integrantes do Grupo Opus Quavro, estão expondo na Galeria Cañizares até o dia 4 de outubro.
Os participantes de Opus Quavro são artistas experimentados e conhecidos do público baiano, Juracy Dórea, por exemplo, é poeta e escritor já com livros editados, arquiteto, pesquisador das artes e das letras, já fez três exposições individuais e tem participado de inúmeras coletivas aqui em Salvador, Feira de Santana e até no Paraná.Pedro Roberto artista plástico também com inúmeras exposições entre individuais e coletivas, com desenho a bico-de-pena. Quaresma com trabalhos estruturados, geométricos, inseridos numa conotação aproximada do suprematismo, estilo metafísico, e Antônio Brasileiro poeta e escritor musicista participa de Fraxem e outras exposições coletivas no Estado da Bahia.
Sobre os artistas de Opus Quavro    o professor Ivo Vellame, Diretor da Escola de Belas Artes, acentua  
" a constante participação desses talentosos jovens no setor plástico/visual e em outras manifestações culturais nas principais cidades do interior baiano é prova inequívoca de que a cultura tem resposta em nível de contemporaneidade, quando nessas cidades existem fortes personalidades, cujas luzes de metrópoles jamais poderão ofuscá-las. Quatro artistas fazem parte de Opus Quavro: O jovem Quaresma que em 1975 chamou a atenção do público e dos críticos baianos com a sua pintura neo-surrealista; Pedro Roberto é de uma extraordinária ordem técnica em bico-de-pena; Juracy Dórea tem forte ligação com a realidade que o cerca, nos seus escudos/couros de ousada riqueza formal, ele registra a sua escrita plástica signográfica, esquematizações de todo um complexo cultural, cujo principal fator de civilização foi a criação do gato; e Antônio Brasileiro, talentoso expressionista/abstrato."