segunda-feira, 8 de julho de 2013

GALERIA O CAVALETE MOSTRARÁ OBRAS DE CARLO BARBOSA

JORNAL A TARDE, SALVADOR, SÁBADO, 27 DE MARÇO DE 1976

Obra do artista feirense Carlo Barbosa
Com  apresentação de Walmir Ayala, está expondo desde ontem na Galeria  O Cavalete o baiano Carlo Barbosa. Embora nascido na Bahia este artista  tem realizado grande parte de seu trabalho no sul do país. Tive oportunidade de examinar juntamente com Jacy Brito , na Galeria O Cavalete, alguns trabalhos do Carlo Barbosa. Notamos a segurança no traço e no uso das cores. Uma pintura limpa e agradável onde figuras de rostos triangulares e expressivas. A temática religiosa é certamente o centro do seu trabalho e alguns quadros mostram uma grande luminosidade espalhada por toda a tela. As figuras contemplativas e angelicais são concebidas com  utilização de cores quentes. Em alguns quadros notamos como que detalhes de grandes murais do barroco baiano que encontramos nos tetos e paredes de nossas igrejas. Talvez Carlo Barbosa tenha captado esta religiosidade dos seus trabalhos que lembram pedaços de mural. É evidente que o traço não lembra as figuras gordas, mas os movimentos sim, inclusive a própria disposição dentro dos espaços.

A TELA DOS INVENTORES
Esta tela foi concluída em 1862 e tem um título sugestivo. Homens do Progresso ou Inventores dos EUA. É de autoria do artista norte americano Christian Schussele 1824-1879 que passou cinco anos viajando pelo país a fim de retratar pessoalmente cada um inventores. A tela é encimada por uma pintura em que aparece Benjamin Franklin, um dos primeiros e mais conhecidos inventores americanos. Além dele podemos reconhecer Willian Morton (anestesia); James Borgarsus (primeiro edifício à prova de fogo); Samuel Colt (revólver), Cyrus McCormick (máquina de ceifar); Joseph Saxton (máquina elétrica de magneto); Charles Goodyear (processo de vulcanização da borracha), Peter Cooper (vários aparelhos de ferro); Jordan Mott (fogão a carvão); professor Joseph Henry ( motor elétrico e eletromagnético); Eliphalet Nott (sistemas de aquecimento); John Ericsson (navios oceânicos à prova de bala); Frederick Sickels (válvulas de máquina a vapor); Samuel Morse (Telégrafo) Henry Burden (máquina de fazer ferraduras); Richard Hoe (rotativa de imprensa); Erastus Bigelow (tear para tapetes)-Isaiah Jennings( instrumental odontológico); Thomás Blanchard (máquina de fazer pregos) e Elias Howe (máquina de costura). O interessante é que muitas coisas, máquinas e instrumentos que usamos diariamente desconhecemos os seus inventores. Esta tela além de seu valor técnico e artístico é didática porque mostra alguns desses inventores quase desconhecidos.

                        O CASARIO DE A.PALLES


De início autodidata e depois incentivado por amigos, José Raimundo A. Palles resolveu freqüentar a Escola de Belas Artes onde atualmente está cursando um dos últimos semestres. Apresentou seus primeiros trabalhos numa exposição realizada em 1974 na Galeria Cañizares, local apropriado para um estreante e acima de tudo um estudante. Ali com seus professores e colegas ele pode aprender os ensinamentos, e ouvir as críticas necessárias e construtivas. De lá percorreu outras galerias, inclusive fora do Estado.
O trabalho de Palles pode ser visto como uma extensão de sua personalidade extrovertida. Reflete alegria e os casarios apresentam boa qualidade, principalmente quando o artista trabalha com a preocupação em criar uma textura apropriada.
Quanto às marinhas, confesso que Palles ainda não encontrou o ponto ideal, ou seja ainda está necessitando de certo esmero no jogo das cores e mesmo na composição como um todo. No desenho, mesmo quando faz marinha ele demonstra uma segurança que certamente é um grande suporte para todo aquele que envereda pelo caminho das artes visuais.

A MULHER COMO TEMA DE MULHER

Rosa Cabral e um dos seus trabalhos expostos
Por ocasião da Semana de Integração que foi organizada pelos alunos do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia a artista Rosa Cabral apresentou um trabalho de pesquisa utilizando um sincretismo de linguagem onde foram integrados o corpo humano, o som a luz e a falta como forma superior de comunicação.
É uma participação integrada que esta artista objetiva juntamente com seus colegas, hoje, classificados na chamada área V pela reforma do ensino universitário no Brasil, Rosa Cabral já vem de algum tempo estudando materiais e jogando-os nos espaços com grandes e pequenos movimentos com a utilização da luz, sombra e da própria energia humana. Assim ela conseguiu uma maior dinamização nos métodos de ensino da perspectiva ganhando o seu trabalho além da conotação artística propriamente dita uma importância maior no campo da didática.
Para isto lançou mão de outros recursos como a fotografia, que auxiliava o compasso e o esquadro.
O seu trabalho é feito com a ajuda de colegas de salas de aula de colegas de salas de aula e mesmo artistas de outros campos como da Dança, da Música, etc. essas pesquisas são desenvolvidas em aula, num trabalho paralelo às tarefas dos programas curriculares, o que demonstra a sua inquietude e vontade de acrescentar.
Em outras palavras Rosa Cabral deu uma aula utilizando um audiovisual ao ar livre acompanhada da explanação sobre todo o processo de elaboração, desenvolvimento e conclusão, terminando com o debate entre os participantes. Quanto á presença do problema da mulher, é quase uma necessidade desta jovem artista que não aceita a marginalidade de seu sexo por mecanismos da sociedade ocidental contestando através de documentação que permite uma conceituação rápida com a visualização.

PAPITO NA CAÑIZARES
Visões psicodélicas lembram, à primeira vista, os quadros de Papito que agora expõe na Galeria Cañízares. O colorido tropical talvez tenha influenciado inconscientemente ou mesmo conscientemente esse artista que brinca com as cores e os espaços.
Os traços firmes e acompanhados de grandes movimentos proporcionam uma composição plástica equilibrada. Verdadeiras silhuetas demonstravam a presença urbana.

CURSO PARA CRIANÇAS
A Direção da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, está comunicando a abertura do Curso de Iniciação às Artes Plásticas para crianças de 9 a 14 anos de idade. O curso será ministrado pela Professora Dagmar Souza Pessoa, e tem como objetivo proporcionar ao adolescente o conhecimento de técnicas, visando estimular a criatividade e desenvolver a percepção visual no campo das Artes Plásticas. Uma ideia louvável a Diretoria da Escola em proporcionar esta oportunidade às crianças com tendências ás artes plásticas.