terça-feira, 9 de julho de 2013

ABERTURA DA BIENAL

JORNAL A TARDE, SALVADOR, SÁBADO, 07 DE AGOSTO DE 1976



Visando uma participação maior, tanto na qualidade como na quantidade, o Conselho da Bienal de São Paulo acaba de transformá-la numa mostra que reunirá as expressões da arte latino americana. Esta decisão foi tomada pelo novo Conselho de Arte e Cultura da Fundação Bienal de São Paulo que é composto de Romeu Mindlin (presidente), Yolanda Mohalyi (vice), Alberto Buttenmuller (secretário), Clarival Prado Valadares, Maria Bonimi, Leopoldo Raimo e Flexa Ribeiro.
Maria Bonimi encarregada
de fazer convite aos artistas
O Regulamento já foi redigido pelos conselheiros e será divulgado em breve para todo o país. A proposta de uma bienal latino americana foi aceita por unanimidade e com isto será possível na opinião dos conselheiros salvar esta promoção que no decorrer dos anos vem sofrendo uma série de críticas negativas por seus critérios e objetivos considerados ultrapassados.
Esperamos que o novo conselho venha realmente indicar novos caminhos artísticos para o país principalmente apoiando novas correntes visuais.
Por outro lado, a gravadora Maria Bonimi foi indicada para manter os contatos internacionais necessários à realização de uma Bienal voltada para as proposições contemporâneas. Outra informação gratificante é que os conselheiros pretendem realizar vários debates durante a realização da mostra internacional, inclusive a questionar da existência para própria bienal.

              UMA EXPOSIÇÃO PROGRAMADA

O escultor e pintor Antônio Rebouças está trabalhando para a sua próxima exposição onde mostrará vários casarios com utilização de uma técnica própria. Desde a tinta e a preparação das telas é tudo feito por este artista, curioso e pesquisador incessante.
Ninguém melhor do que Rebouças para definir o seu trabalho. Diz ele: " o meu casario é diferente. As casas fitam o espectador com suas janelas parecendo olhos e suas portas como se fossem bocas a emitir sons, ora graves, ora agudos enchendo a paisagem de ecos. Esses ecos vão escapando no horizonte..."
As telas expressionistas de Antônio Rebouças são fortes sem deixar de ser líricas e belas. Elas serão vistas e também o espectador terá oportunidade de ouvir os sons imaginários de que fala o pintor. Uma pintura, sem dúvida, pesquisada e bem cuidada, onde as cores são jogadas com cuidado e equilíbrio.

A ARTE BRASILEIRA NA GALERIA GLOBAL
Obra o Mamoeiro, de Tarsila do Amaral

Pancetti, Di Cavalcanti, Lygia Clark, Milton de Costa, Frans Krajcerb que reside no município de Nova Viçosa, interior da Bahia, Hélio Oiticica, Djanira e Tarsila do Amaral estão reunidos numa importante exposição na Galeria Global em São Paulo. Uma exposição de caráter didático e histórico onde estão reunidos os principais expoentes de artes plásticas do país. Eles foram escolhidos pelos organizadores da exposição, de acordo com sua representatividade na história da arte brasileira no século XX. As telas forma escolhidas de acordo com a definição do estilo de cada um dos artistas participantes. São obras originais, entre pinturas, esculturas e relevos de vinte e dois artistas, pertencentes a museus, galerias e coleções particulares. São apresentados também filmes em 16 e 8 milímetros, audiovisuais e sequências de slides, também referentes aos expositores. Assim, o visitante terá uma visão dos principais caminhos percorridos pela arte brasileira neste século além da possibilidade de analisar suas tendências mais significativas., esta exposição que está sendo amplamente noticiada pelos jornais e estações de televisão do sul do País, poderá servir de exemplo para que os dirigentes da Fundação Cultural realizem em Salvador uma mostra coletiva dos principais expoentes das artes visuais em nossa terra. Uma mostra onde poderiam ser reunidos desde Presciliano Silva  a Mariozinho, uma exposição que mostrasse os caminhos percorridos pelos artistas baianos, o que já fizeram, o que estão fazendo e o que se propõem a fazer, este último através de palavras e debates informais.

                         PAINEL

GALERIA O CAVALETE- Adelson do Prado inaugurou exposição, ontem, na Galeria  O Cavalete, no Rio Vermelho e hoje transcrevo um trecho da crítica de Jaime Maurício: "O trabalho incessante e a liberdade temática em que se movimenta por todo o país, torna difícil acompanhar a pintura de Adelson do Prado nestes últimos 10 anos. É evidente porém, o progressivo desenvolvimento do ingênuo para o erudito, num processo quase sincrético, em sentido inverso. Da poética da natureza e do paisagismo da interpretação instintiva, o pintor caminhou para uma transfiguração mais apurada, sem perda de sua essência original." Quis propositadamente transcrever estas palavras do crítico sulista para entendermos melhor a importância deste artista, que saído do interior baiano, veio para Salvador e daqui para o sul do país e permanece fiel às suas origens, tratando os temas que instintivamente lhes inspiraram a pintar.
Hoje, embebido pela sociedade de consumo na metrópole ele continua fiel a sua terra e a sua gente, pintando com mais acuidade e responsabilidade.

CAÑIZARES- Está expondo na Galeria Cañizares Edson Barbosa que tem apresentação do professor Ivo Vellame, Diretor da Escola de Belas Artes.
É a sua segunda exposição individual onde expõe pastéis com a temática dunas, praias e barcos tratando-as com lirismo. Participou do Festival de Artes Contemporânea da Bahia, Exposição Itinerante de Artistas Baianos, promovido pelo MEC e outras mostras coletivas.

ALIANÇA FRANCESA- Outra exposição está acontecendo na Aliança Francesa, Ipanema, do artista baia no Fred Schaeppi. Nascido em 3 de agosto de 1950 em Salvador, este artista vem aos poucos percorrendo os caminhos do sucesso com várias exposições individuais coletivas.