sábado, 20 de julho de 2013

DESENHOS ANTÔNIO CARLOS RODRIGUES

JORNAL A TARDE, SALVADOR,SÁBADO, 8 DE ABRIL DE 1978


A Galeria O Cavalete está apresentando desenhos de Antônio Carlos Rodrigues. É um dublê de fotógrafo e desenhista que expõe em Salvador pela primeira vez. Recebi duas fotografias acompanhadas do curriculum de Antônio Carlos, que revelam certa qualidade técnica. Mas na verdade o desenho perde muito quando é fotografado e o essencial é examinar de perto. Ele enviou ainda algumas considerações de críticos do sul do país inclusive uma de Clarival Prado Valadares que diz em certo trecho "ser ele um artista plástico que ao invés de usar tintas, telas e pincéis usa de uma câmara e de um laboratório de fotografia a fim de atingir resultado comparáveis aos do desenho e da pintura." Certamente esta observação de Clarival revela as aptidões artísticas de Antônio Carlos, que ganhou em 1972 o título de melhor fotógrafo do ano, e que também é um desenhista.



O PRIMITIVO ZÉ CORDEIRO ESTÁ EXPONDO
Futebol, obra de Zé Cordeiro, 1987.

Até o próximo dia 19 de abril estará em exposição no saguão do anfiteatro Cacilda Becker (Paço Municipal) a mostra individual do artista plástico Zé Cordeiro. Esta exposição faz parte da Expo Circulante Interbibliotecas, promovida em São Bernardo do Campo pela Secretaria de Educação Cultural e Esportes, que estabeleceu um roteiro.
Falando sobre o artista e sua arte, o critico Paulo Menten disse que "os olhos sofisticados de muitos brasileiros voltam-se para as modas alienígenas, típicas de civilizações cansadas em fase de completa esclerose. Pregam a internacionalização da arte, mas o fazem facciosamente, acusando a tipicidade brasileira de ser nula como contribuição à modernidade esquecem-se da validade universal pela originalidade e qualidade da expressão característica ao Brasil. Há, em verdade, confusão entre primitivismo, primarismo e telurismo no que se refere à arte brasileira, sem se poder negar toda uma faixa, a mais larga delas, dentro das faixas do mosaico nacional, de artistas que executam uma arte paralela à cultura popular das múltiplas regiões brasileiras e que será, a despeito do profissionalismo estabelecido pelas premiações de salões, dos aconchavos, da política de grupo, toda a composição fundamental de uma cultura brasileira de projeção universal."
Zé Cordeiro é um artista mergulhado numa dessas regiões de multiplicidade geográfica deste país continente, representando através da sua tensão pessoal a cultura profunda e essencial da Bahia de Todos os Santos e de Todas as artes.

             ANTONETO NA KÁTIA GALERIA DE ARTE
O artista Antoneto trabalhando em seu atelier

As figuras que povoam as telas de Antoneto são ricas em emoções e as transmitem a todos nós que acompanhamos o seu trabalho. Antoneto é um batalhador, como o nordestino que rompe a madrugada e o sol com uma enxada nas mãos calejadas ele porta o pincel e cria suas figuras gordas e contemplativas.
São figuras que olham o amanhã e carregam também as interrogações. Cria cenas do dia a dia nordestino como uma mulher estendendo roupas ou garoto com uma gaita e outros de chapéus cobrindo parte do rosto. Tudo isto é resultado de uma viagem ao interior, às raízes.
Resultado de uma observação quase espontânea que faz ao interior do Brasil que tanto lhe sensibiliza. Agora Antoneto expõe na Kátia Galeria de Arte, no Salvador Praia Hotel. até o próximo dia 26 do corrente mês.

            LITOGRAFIAS DO MESTRE SALVADOR DALI

Esta é uma obra da série Floralies, de Dalí 
Pela primeira vez na Bahia está sendo realizada uma exposição de litogravura de Salvador Dali, artista espanhol radicado em Paris, considerado um dos gênios da pintura mundial. A amostra denomina-se Série Floralies, com um total de 15 quadros, pertencentes a Bernald Mirande,um francês, arquiteto de interiores, que se diz tê-los recebido das mãos do próprio Dali.As litogravuras ficaram em exposição pelo período de duas semanas.
A exposição foi realizada tendo em vista a inauguração da Quality Decorações.Apenas alguns quadros estão à venda, devido ao grande apego que Bernard tem por esta série, explica César Amaral.
Bernard Mirande, apesar de francês, reside já algum tempo em São Paulo. Segundo afirma, a maior importância desta coletânea, reside no fato de uma das poucas séries que Dali fez com um tema específico, no caso, as flores. "Esta série foi feita em 1974, especialmente para a inauguração da Galeria L’ Atelier, do próprio Dali. Logo depois da inauguração foi recolhida, por se constituir um dos temas preferidos do artista", esclarece Bernard.
A série foi dada a Bernard numa das vezes em que foi chamado por Dali para a realização de trabalhos de decoração. Ele diz-se "honrado com a distinção", pois segundo sua opinião, "Dali é um dos maiores gênios do mundo, uma pessoa muito excêntrica, que às vezes faz declarações que atinge brutalmente às pessoas, apenas porque estas não conseguem acompanhar a linha do seu pensamento."
No Brasil a litogravura na é muito acreditada como meio de se expressar a arte, devido ao preconceito que existe contra as formas de impressão artística no papel. Enquanto na Europa a litogravura, é, no momento, considerada o maior  meio de difusão da arte, no Brasil as pessoas só acreditam na arte se o desenho ou pintura vierem impressos em tela, revela o arquiteto francês. Ao fazer esta afirmativa Bernard ressalta a existência de grandes nomes na arte brasileira, que são mundialmente conhecidos como Portinari e outros, mas a litogravura ainda é considerada como sendo feita para grupos muitos reduzidos.

                          BOLSAS PARA ARTES

Até o dia 28 de abril próximo, no serviço de divulgação e relações culturais dos Estados Unidos da América, Av. Sete de Setembro, Edf. Casa Blanca, estarão abertas as inscrições para o programa de bolsas de estudo para pós-graduação pela Comissão Fulbright. Os candidatos que se apresentarem deverão possuir diploma universitário ou estar cursando o último ano da universidade: ter idade máxima de 35 anos; cidadania brasileira e preferência em inglês comprovada mediante teste. Terão prioridade aqueles que já tenham mestrado, e, que não tenham recebido bolsa de estudo para os EUA, anteriormente.
As bolsas serão oferecidas para as seguintes áreas: Humanidades-Estudos Americanos (Literatura, História, Cultura e Civilização); Teoria da Literatura, Crítica Literatura, Filosofia, História Comparativa, Lingüística, Museologia, Artes-Música, Teatro, Dança, Artes Gráficas, História da Arte, Sociologia da Arte, Desenho Industrial e Estética, Ciências Sociais, Comunicação (Teoria da Comunicação, Filosofia da Comunicação, Comunicação na Arte, Jornalismo, Cinema e Telecisão). Sociologia, Antropologia, Ciência Política e Relações Internacionais. Outras Áreas-Biblioteconomia, Administração Universitária, Direito(constitucional, comparado, comercial e internacional. A relação acima não é exaustiva. Candidatos de disciplinas relacionadas às áreas citadas também poderão se inscrever.

            SÉRIE ECOLÓGICA DE INÁCIO RODRIGUES

Uma litografia da sua fase Ecológica
Com novos trabalhos da série ecológica, o pintor Inácio Rodrigues expõe na Galeria Sérgio Milliet, da Funarte. Inácio que recentemente teve sala especial na Bienal de São Paulo, apresentará trinta trabalhos como denunciatórios da evolução cada vez maior da poluição. Nascido na cidade de Aracaju, Ceará, Inácio Rodrigues vive e trabalha no Rio de Janeiro desde 1966, já tendo participado dos mais importantes salões nacionais, em muitos dos quais conquistou premiações, inclusive viagem à Espanha no salão promovido pelo Clube Espanhol, em 1973. No catálogo de sua participação na XXIV Bienal de São Paulo, multicosmo, uma homenagem aos primeiros astronautas ou espermonautas na linguagem pictórica do pintor, assim também, como um artista integrado a seu tempo e á sua contemporaneidade, Inácio Rodrigues chegou  à natureza!"
Foto da época da exposição de Inácio Rodrigues
Geraldo Edson de Andrade assinala: "Por que o pintor, hoje, volta-se com tanto interesse para a natureza? Da mesma forma que anteriormente, o homem cercado em sua individualidade era a mensagem maior de sua obra, na qual figuras encarregadas, oprimidas pela habitação vertical a que foram confinadas pareciam nos culpar e agredir por aquela humilhante situação; da mesma forma que do homem agressivo, o artista passou para o espaço liberto, num misto de realidade e ficção científica, povoado por estranhos e fascinantes objetos-máquinas, perfeitamente identificáveis, passando pelo misterioso

                             PAINEL

MUDANÇA- O pintor Luíz Jasmin está preocupado em mudar a imagem que criaram em torno dele. É um artista de talento e tem razão quando procura neste momento mostrar o conteúdo e a qualidade de seu trabalho em detrimento de sua beleza física tão explorada nos encontros sociais e outros locais dedicado às futilidades. Jasmim trabalha sem parar para sua próxima exposição em São Paulo. O painel que fez para Barreto de Araújo constata o seu talento.

SÉRGIO VELOSO- O artista Sérgio Veloso continua trabalhando em seu atelier ao pé da Igreja do Bonfim. Um jovem artista que vê demonstrando uma evolução qualitativa.

SELECIONAR- os donos de nossas galerias estão promovendo algumas exposições de artistas menores. Muitos gozam apenas de prestígio na alta sociedade e por esta razão são motivo de atração e faturamento. Isto é falta de critério e escrúpulo.

GRAVURA- Quarenta e sete gravuras de artistas dinamarqueses estão expostas no MAM- Rio numa mostra intitulada Arte Gráfica na Dinamarca promovida pelo Consulado Geral da Dinamarca reunindo trabalhos de Robert Jacobsen, Jane Muus, Soren Hjorth Nielsen, dentre outros.
Esperamos que esta mostra chegue até a Bahia.

IVO NETO- Com apenas 18 anos e realizando sua primeira individual este jovem tem muito que aprender. Aliás é seu desejo fazer um curso na Escola de Belas Artes.
Ele está expondo no Margot. Atelier, na Rua do Paço.
JARRO DO NAZISTA- Com a assinatura A. Hitler esta tela com flores dentro de um jarro é o retrato de uma primavera vista por Hitler. É uma aquarela e foi vendida por 4 mil 500 dólares em Nova Iorque .Mais uma extravagância de um capitalista americano. Foto
W.F.LARA – Estive com este artista mineiro que pretende expor em Salvador no segundo semestre deste ano. Já está mantendo contato com o meio artístico e pretende expor na Galeria Panorama.


FACA NO BEZERRO– Um homem praticamente destruiu a tela A Adoração ao Bezerro de Ouro, do pintor francês Nicholas Poussin .( Foto ao lado) A tela de 150 x 240 cm mostra os israelitas adorando o Bezerro de Ouro. Seria um atentado político?

Bezerro de ouro (no hebraico עגל הזהב) é o ídolo que, de acordo com a tradição judaico-cristã, foi criado por Aarão quando Moisés havia subido o monte Sinai para receber os mandamentos de Deus. O povo de Israel então forçara Aarão a criar um ídolo que os reconduzisse ao Egito onde haviam sido escravos.Este incidente é conhecido em hebraico como Khet ha'Egel (חטא העגל) ou O pecado do bezerro e é descrito na Bíblia, no livro de Shemot(Êxodo 32:1-8). O bezerro de ouro também é referido em outra passagem da Bíblia, em I Reis 12:28-32 quando o reino de Israel é dividido e o reiJeroboão, que fica com uma parte do reino sem ser de descendência real, cria dois bezerros para o povo adorar, e esquecer do Deus da linhagem Real.Na linguagem corrente, a expressão "bezerro de ouro" tornou-se sinônimo de um falso ídolo, ou de um falso deus.

MARIA ADAIR – Trabalhando para sua próxima exposição no interior de São Paulo.