domingo, 28 de julho de 2013

FALANDO BOBAGENS SOBRE O SALÃO UNIVERSITÁRIO

JORNAL A TARDE , SALVADOR, SÁBADO, 26 DE AGOSTO DE 1978

Fico realmente indignado com meias verdades e mentiras. Não que seja o dono da verdade, mas que é preciso que coloquemos as coisas em seu devido lugares. Refiro-me a umas declarações dadas por alguns alunos da Escola de Belas Artes. O Zivé, um tal de Jamir Teixeira e outro desconhecido chamado de Araripe. Foram reunidos para falar uma porção de bobagens. Falaram que o Salão não foi divulgado. Esta é a primeira mentira. O I Salão Universitário Baiano de Artes Visuais foi muito divulgado por todos os órgãos de imprensa da Capital. O que realmente acontece é que esses que fizeram críticas estão completamente alheios e desinformados com o que acontece e é publicado, porque simplesmente não assistem ou ouvem os órgãos eletrônicos (rádios e televisões) e muito menos são capazes de ler o que publicam jornais e revistas. Vivem num mundo irreal, como que voando, e discutem por ouvir alguém falar. Falta-lhes conteúdo e informação. São artistas ou futuros artistas, melhor dizendo, que sentem na própria pele a desinformação e não sabem ao menos onde buscá-las, tal a falta de conhecimento. Afirmaram, por exemplo, que Ivo Vellame participou do júri do salão. É uma inverdade. Sendo Coordenador do Salão, Ivo jamais poderia participar do júri. Fiz parte deste júri e presto este esclarecimento a esses poucos desinformados.
Quanto às críticas à Escola de Belas Artes devo dizer que nenhuma escola quer  de Belas Artes, Jornalismo ou mesmo Medicina faz um artista, um jornalista ou um médico. O papel da escola é informar e tudo mais pertence a individualidade. O indivíduo que quer ser artista, jornalista e médico tem certas potencialidades inatas. Cabe às escolas desenvolvê-las e é evidente que tudo depende de cada indivíduo. O que falta a esses que vivem nas esquinas e nos pátios das escolas falando bobagens é pegar o pincel, a espátula ou a goiva e trabalhar. O talento é sempre reconhecido quando a pessoa o tem. Quando não tem, termina um artista medíocre a falar em medalhões, que isto está errado, que fulano de tal é protegido etc. O que falaram foi uma porção de bobagens.

                  FORMANDOS DA ESCOLA DE BELAS ARTES 

Deste prédio já sairam muitos bons artistas
Antônio Pedra Braga, Cléia Maria Barreto Gomes, Ione Ferreira Passos, Lúcia Ribeiro da Silva, Maria Verônica Rohrs da Cunha, Norma Lúcia Góes Magalhães, Osvaldo de Cerqueira Filho, Rosa Virgínia Amoril Amaral, Rosândila Nunes Freitas, Roseni Dutra Nascimento, Sylvia Maria Rocha de Carvalho, Túlio Vasconcelos C. de Almeida, Valdeci Nogueira de Oliveira e Vera Lúcia Catramby são os novos formandos em Artes Plásticas da Escola de Belas Artes da UFba.
 Ana Cristina Lima Matos, Dilma Dias Valverde, Doralice Rosa de Faria, Édila Marta de Andrade Brito, Elíbia Pessoa de Almeida, Geiva Maria Dias da Silva, Guálter Araújo Costa Lima, Igayara Índio dos Reis, Lívia Bittencourt de Carvalho, Maria Hilda das Virgens, Reginalda Santos Mota, Suely Torres de Freitas e Termutes Bredo de Brito são os formandos em Licenciatura em Desenho e Plástica. A formatura ocorre hoje, às 10 horas, e tem como paraninfa a professora Maria das Graças Moreira Ramos.


                              UM OPERÁRIO DE TALENTO

Ele era ainda um garoto no Colégio Parker quando a professora Célia começou a lhe ensinar os primeiros rabiscos no papel desenho e a falta de recursos da família acabou o sonho infantil de Cosme do Carmo Nascimento, que vibrava com a ideia de um dia ser pintor. Teve mesmo foi que dar duro, ajudar no que podia nas despesas de casa.
Hoje, com 33 anos, Cosme é ajudante de cabista da Telebahia. Muita coisa se passou em sua vida durante todos estes anos, mas nada conseguiu afastar a sua sensibilidade para arte, nem mesmo o período em que esteve tão longe dela, durante os onze anos em que serviu à Polícia Militar. Acabou se afastando da corporação, indo para a condição de reformado, até que surgiu a oportunidade de mudar de profissão.
A VONTADE DE EXPOR
A vocação para arte, tão latente em Cosme do Carmo do Nascimento, acabou sendo mais forte. Hoje, pelo menos, já tem consciência de que não pode viver afastado dela.Está trabalhando em sua tela e tem vezes que nem janta e emenda direto até de madrugada, dependendo do estado de espírito. Ele já tem quase 80 quadros prontos e a sua maior vontade é mostrá-los numa exposição individual.
Cosme já teve alguns trabalhos expostos no Instituto Mauá, Galeria 13 e no Ira Atelier. Contudo, a exposição coletiva de maior expressão que participou foi no Icba, juntamente com o Núcleo de Pesquisas Afro-Brasileira, a convite de Mário Gusmão. Participou também de um leilão de arte no Iguatemi, mas o que quer mesmo é fazer uma exposição individual, onde a sua arte poderá ser melhor vista.
"Eu não tenho uma linha de trabalho definida, embora tenha mais inclinação pela pintura em alto-relevo. Posso dizer que me realizo, levando à tona os meus sentimentos, por isso acho que meus sentimentos, por isso acho que meus trabalhos são muito expressivos, revela Cosme. Ele diz que sente tanto amor pela arte que nunca  a vê como uma obra acabada. A pintura enquanto está em minha mão nunca está acabada, sempre há algo a fazer."
Cosme do Carmo Nascimento revela que gosta muito de sua profissão de ajudante de cabista, " porque para ser um cabista tem-se que ser também um artista, porque é um trabalho que exige sensibilidade e imaginação". Hoje, encontrando tempo ainda para cursar o 2º grau, à noite, no Colégio Caxiense, ele sentencia: o artista que não quer fazer arte comercial, como eu, tem que aparecer è aos poucos tempos mesmo. Eu faço arte ditada pelos sentimentos, para aqueles que apreciam a arte pura.

              OS BONECOS DE ECKENBERGER

O argentino Eckenberger está expondo na capela do Solar do Unhão seus bonecos, e, muitos que lá estão indo são perfeitamente identificados com alguns deles. E uma recriação que parte do lixo da civilização ocidental. Muitos materiais utilizados pelo artista são envelhecidos propositadamente. Para quem não está acostumado a acompanhar o desenvolvimento do seu trabalho os bonecos sentados, deitados e contemplativos, chegam a tocar principalmente quando o visitante atenta para o fundo musical na base de música eletrônica escolhido por Sílvio Robatto. Esta exposição de Eckenberger é gratificante e não podemos esquecer os desenhos e os assemblages onde elementos da cidade como as igrejas servem de motivos para belos trabalhos.

            ASSOCIAÇÃO FAZ QUATRO ANOS E PROMOVE SALÃO

Para comemorar o seu quarto ano de existência, a Associação dos Artistas Plásticos de Judiaí irá inaugurar no dia 14 de outubro o seu 3º Salão de Arte Contemporânea, que aceitará trabalhos de artistas de todo o Brasil no período de 23 de setembro a 7 de outubro, podendo as  inscrições serem efetuadas das 13 às 18 horas no Centro Cultural Bandeirantes, à Rua dos Bandeirantes, 108, Jundiaí.
Para efetuar as inscrições, os artistas devem preencher uma ficha à disposição  no Centro Cultural Bandeirantes e pagar a importância de 100 cruzeiros para cada categoria de obras pintura, desenho, gravura, escultura, fotografia, podendo inscrever em cada uma delas até um total de três.
As obras serão selecionadas e julgadas por uma comissão formada por três críticos, e aquela que for considerada a melhor do certame será adquirida, assim como a melhor de expositor jundiaiense,.O patrocínio do 3º Salão de Arte Contemporânea da AAPJ é da Secretaria de Educação, Cultura, Esportes e Turismo de Jundiaí, que se encarregará da premiação oficial, sendo que poderão ser ofertados outros prêmios-aquisição não oficiais. A mostra ficará aberta à visitação pública no Centro Cultural Bandeirantes até o dia 28 de outubro, e os prêmios serão entregues na abertura do salão.

                ANÍSIO DANTAS NA GALERIA O CAVALETE

O artista Anísio Dantas na Galeria O Cavalete
Os espaços fascinam o pintor Anísio Dantas que os preenche com paisagens, formas geometrizadas e abstratas e com uma preocupação em mostrar tudo dentro de uma certa perspectiva. "No meu trabalho atual uso a paisagem como uma base, um apoio. A estrutura básica dos quadros é formada pelas linhas que determinam a perspectiva. Mesmo nas áreas em que uso uma técnica mais livre, quase abstrata, a perspectiva está sempre presente."
O objetivo do artista é obter e transmitir para o público a dinâmica dos espaços e o que existe neles. Para equilibrar o efeito visual gerado por esta dinâmica espacial, principalmente quando trabalha com abstrações, ele as enquadra em verdadeiras molduras que estão bem próximas do design. Essas molduras sustentam os balões, papagaios e os astros insólitos que povoam suas telas.
Diz Anísio que "antes trabalhava uma paisagem construída apenas de elementos geométricos." Após algumas observações pessoais descobriu em Londres as paisagens de Turner, que me impressionaram bastante, causando como que uma libertação em meu trabalho do rompimento com o geométrico.

Nesta série de trabalhos que apresentada desde ontem , na nova Galeria O Cavalete ,na Rua Bartolomeu Gusmão, 86, no Rio Vermelho, Anísio demonstra uma influência das cores tropicais desta terra, principalmente quando mostra as cores do pôr-do-sol; que para ele é um desafio aos pintores. "Não me sinto um pintor, mas sim, um pesquisador que quer conceituar o espaço com seus elementos e sua dinâmica, abrindo ao espectador uma janela, ou melhor, dando um veículo que o levará a um outro universo. A Bahia é um manancial de elementos, sinto-me feliz em estar aqui e ter oportunidade de pesquisá-los." Esta é a primeira individual de Anísio Dantas em Salvador, que também é químico e trabalha no Pólo de Camaçari. Porém, nem as máquinas e as válvulas que lançam gases tóxicos conseguiram apagar o seu pincel e a força do seu trabalho, que revela em seu bojo, quer na mistura das tintas, quer na técnica, uma arte ligada à tecnologia.