sábado, 20 de julho de 2013

RITA MORAES DA BAHIA À NOVA IORQUE

JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SÁBADO, 06 DE MAIO DE 1978

A pintora Rita Moraes está agora na cidade do colonizado, e mais que de repente aparece numa rua movimentada de Nova Iorque, a grande metrópole e símbolo maior da sociedade capitalista.Passo os olhos em outras telas e vejo o silvícola, o nosso índio sofredor, desde que a tal nau do Cabral resolveu aportar por essas bandas. É uma viagem que faço em poucos minutos e começo a sentir a presença de Rita Moraes em todos os lugares, com seu corpo frágil e uma força interior indomável. Vejo a sua pintura como símbolo de uma inquietação onde as formas são deixadas de lado em prol de uma concepção artística regional em determinadas telas, mas que se propõe a ser universalista. Sim, porque o colonizado e o colonizador é uma presença em todas as metrópoles do Ocidente e do Oriente e mesmo naquelas sociedades carregadas de ismos.
Mas volto  a ver suas palavras e encontro esperança quando diz: Na esperança de ver brilhar a luz, além das montanhas. Uma luz esperança em todos os locais, por todas as pessoas. A busca de uma situação de fé e tranqüilidade. É uma esperança que pode até estar perto da alucinação, mas não importa. O que importa é também fazer e Rita está fazendo enquanto espera. O triste é o cruzar de abraços. O esperar por esperar. Sua pintura é isto.Um despertar de dor. E uso suas palavras exatamente para traduzir o que sentir quando estive em seu atelier.
Conversamos muito sobre o seu trabalho, seu modo de trabalhar, e as figuras que de quando em vez surgem espontâneamente dentro de uma tela. Ela não sabe e nem precisa explicar este aparecimento. O que é certo é que vibra com o que faz, em consciência e sabe manejar os pincéis e as tintas em busca de seleções plásticas admiráveis. Estamos vivendo numa cidade onde a cordialidade é a tônica. Isto já dizia há quatro décadas o historiador Sérgio Buarque de Holanda quando falava das nossas raízes...
Somos cordiais, capazes de dar um largo sorriso e um abraço apertado em alguém que nem conhecemos direito. Assim vejo os catálogos de artistas alguns de talento, outros nulos cheios de elogios, fruto desta cordialidade. Mas não é o caso de Rita Moraes. Sua obra pictórica, que já conheço de algum tempo, á ainda pequena porque tem poucos anos de profissionalismo. Porém das jovens artistas baianos é um dos mais promissores. Uma pintura que pode ser apresentada em qualquer mercado de arte do sul do país sem a preocupação do dengo baiano, isto é, sem a necessidade de vincular o seu trabalho com a Bahia, porque sua arte é universal. Só com a clareza de que esse sentimento de liberdade é também uma roda das máquinas.
Rita Moraes está expondo desde ontem na Galeria O Cavalete, na Rua Guedes Cabral, 167, Rio Vermelho, até o próximo dia 15.

NÃO TEM PREÇO AS OBRAS PARA O GOVERNO DO ESTADO

O Governo do Estado não divulgou o montante de recursos que pretende aplicar para adquirir os projetos de peças de arte com as quais vai decorar as obras construídas na atual administração e que serão escolhidas em concurso público já com inscrições abertas na Fundação Cultural do Estado.
Os artistas baianos ou os que residam há cinco anos no Estado, que desejarem concorrer, no entanto, mesmo sem ideia dos recursos disponíveis terão que levar em conta o aspecto de economicidade, visibilidade de execução original e domínio da técnica quando forem  elaborar os seus projetos.
CRITÉRIOS
Isto, por que esses critérios serão levados e conta por um juiz constituído de cinco membros, escolhidos entre artistas e críticos de arte de renome nacional que será indicado pelo próprio governador, na primeira semana de julho, com a finalidade de escolher as melhores propostas seguindo informações de Sílvio Robatto, Diretor do Museu de Arte Moderna.
O concurso público escolherá sete esculturas que serão colocadas no Parque de Exposições, no Departamento de Polícia Técnica, Centro de Recuperação e Triagem, Parque Pituaçu (duas) e Delegacia Fiscal, do CIA.
Os murais serão colocados no Centro de Convenções e no Hospital Central, e o marco vencedor será reproduzido para ser colocados em todas as Obras do Governo.
Sílvio Robatto disse que a Fundação Cultural do Estado entregará aos candidatos as plantas das obras para que eles tenham condições de projetar melhor as peças de arte, levando em conta que para se credenciarem à concorrência terão que apresentar estudos de modelo da peça e estudo de ambientação do espaço em que ela será implantada e orçamento analítico.
As inscrições poderão ser feitas até o  dia 30 de junho, último dia para entrega de toda a documentação. As obras vencedoras deverão ser executadas até o próximo dia 31 de dezembro próximo.
Quanto à questão das características das obras, definição do tamanho, material, temática, Sílvio Robato falou:que isto deixamos em aberto para que o artista tenha plena liberdade de projetar sua criação. Esperamos que este concurso sirva ainda para permitir a revelação de valores emergentes do nosso universo artístico.

SOLIDARIEDADE  DE MÁRIO BARATA AOS MUSEOLÓGOS 

Professor Mário Barata
Todas as pessoas conscientes não podem deixar passar em branco a injustiça da Universidade Federal da Bahia para com os estudantes do Curso de Museologia. Porém, os alunos e ex-alunos estão lutando para que algo seja feito em seu favor e da própria cultura baiana. Assim eles estão pedindo o apoio do clero, dos jornalistas, dos intelectuais de modo geral e mesmo dos burocratas e executivos no sentido de uma união de vozes para a reabertura do Curso de Museologia. Agora foi a vez de Mário Barata, que levantou sua voz dizendo o seguinte:
"Senhores Alunos e Diplomados do Curso de Museologia da UFBa.
Na minha qualidade atual de Membro do Conselho da Associação dos Museus de Arte do Brasil e de Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, concordo plenamente com o movimento visando manter-se o referido Curso na Universidade Federal da Bahia com    abertura de inscrições no vestibular de 1979 e reformulação e ampliação do currículo e caga horária.
Nem mesmo na França, onde existem tantos museus, a famosa Escola do Louvre é mantida para dar carreira profissional a todos os seus diplomados. Estes são em números bem maior do que os que fazem concurso de ingresso nos serviços de museus. E isso não faz mal nenhum. Um dos objetivos dos estudos superiores é o de dar cultura especializada aprimorada. Essa necessidade dos países civilizados soma-se aos objetivos tão especificados no final do segundo parágrafo de memorial ou documento endereçado. Por alunos de Museologia, à Reitoria da UFBa, e à comunidade baiana, em novembro de 1977.
A memória nacional necessita de expansão da cultura obtida e difundida com seriedade. Cumpre, após a haver-se realizado o ensino, que se promova um maior aproveitamento do museólogos em muita função onde é indispensável o saber em História e Arte, através dos objetos, monumentos, museus, podendo os mesmos o exercer, eventualmente, em atividades afins e variadas.
Deve-se anotar o exemplo do Curso de Museologia do Rio de Janeiro, que é também de continuidade e persistência para ampliar os quadros preparados, destinados à preservação da memória nacional por meio de museólogos. Ele está atualmente incluído na Federação de Faculdades isoladas do estado do Rio de Janeiro, presidida pelo escritor e professor Guilherme de Figueiredo.
O respectivo diploma é superior e reconhecido desde antes de 1945.
Com grande apreço do Mário Barata."

  INFLUÊNCIA DA CULTURA NEGRA NO FOLCLORE

Faz noventa anos que a escravidão acabou no Brasil. Para comemorar, dezessete orixás do terreiro, manaquis em tamanho natural estarão na Galeria Rodrigo M.F. de Andrade da Funarte, durante a exposição sobre a Contribuição do Negro ao Folclore Brasileiro, a ser inaugurada pela Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro conjunto de atividades integradas que tem por objetivo mostrar as múltiplas influências das culturas negras africanas na formação do patrimônio cultural e folclórico do Brasil de hoje.
O projeto se inicia no dia 8 de maio, com abertura, pelo diretor do Departamento de Assuntos Culturais do MEC ,Manoel Diegues, de um ciclo de conferências franqueadas ao público na sala da Funarte, e irá até o dia 2 de junho. Haverá, além das conferências, exibição de filmes e grupos folclóricos e religiosos, e também a exposição Contribuição do Negro ao Folclore Brasileiro.
A EXPOSIÇÃO
Inaugurando-se dia 12 de maio, com a apresentação do grupo Samba de Caboclo a exposição permanecerá até o dia 2 de junho, sempre das 10 às 18 horas. Na Galeria Rodrigo M.F. de Andrade-Funarte, Rua Araújo Porto Alegre 80, Rio.
Os dezessete orixás no terreiro estarão presentes, através de manequins de tamanho natural reproduzido a postura de cada entidade, vestidos com as roupas específicas e as ferramentas de culto feitas em artesanato: metais, palhas da costa, búzios. Seus nomes: Ogum, Oxossi, Logum, Osanha, Omolu, Xangô, Oxum, Xangô, Iansã, Obá Eua, Ireco Iemanjá, Nana, Oxumaré, Oxanguiã, Oxalufã. Todos eles entidades dos rituais Ioruba, neaKeto.
Também será mostrada uma completa iconografia dos terreiros de vários Estados brasileiros: objetos de cerâmica, fios, gulas, contas, oferendas, adereços. Lá estarão os Panos da Costa, feitos na Nigéria, e seus congêneres produzidos por artesãs baianas. Serão exibidas também esculturas e máscaras da África Ocidental, principalmente Nigéria e Benin.
Do Recife virá a coleção completa de peças que compõem o Maracatu de Dona Santa: calungas, cetros coroas e o estandarte. Tudo original. Através deste acervo o visitante poderá fazer uma viagem pela cultura negra africana, desde os tempos da longínqua África até os dias de hoje, e descobrir as identidades e adaptações pelas quais esta cultura passou.

                               PAINEL

BENEDITO- Vinte e cinco óleos de Benedito Barreto estão expostos no Museu da Cidade, no Pelourinho. Já falei! Certa vez sobre a arte de Benedito Barreto que já expôs em algumas galerias de Salvador. Sempre a sua temática é a flora, fauna, o gado e as pastagens.
Uma busca constante de concepções plásticas em cima do real.

MISAEL- O artista Misael Santana apresenta marinhas na Le Dome Galeria de Arte com apresentação de Humberto Lyrio que diz Em suas magníficas marinhas, a cinética das ondas deixa-se fielmente reproduzir, como homenagem do oceano apenas concedida aos grandes pintores.

FALTA PESSOAL- Fernando, da Galeria Teresa está enfrentado dificuldades para colocar em funcionamento o Café Concerto por falta de pessoal. Uma explicação que merece registro, já que realmente é o cumprimento de sua  promessa. Diz ele que já comprou muita coisa e que só depende da gente. Vamos aguardar.

ANTUNES- No próximo dia 11, Antunes inaugura exposição na Galeria Teresa. Um retorno à Bahia já que sua primeira mostra foi em 1973 na Galeria Círculo; em 1975 fez uma individual, no Museu do Estado da Bahia e daí seguiu por outros estados e países. É paulista, arquiteto e tem belas paisagens. (Foto).



MONARQUIA NO SOLAR - Transferiram a monarquia da arte baiana para o Solar do Unhão. Vamos aguardar novas eras...