quarta-feira, 10 de julho de 2013

ANTUNES NA GALERIA CÍRCULO

JORNAL A TARDE, SALVADOR, SÁBADO, 22 DE JUNHO DE 1974


 Trinta óleos do arquiteto e artista plástico paulista estão expostos na Galeria Círculo na Vitória desde o dia 21 próximo passado. Antunes, tem 36 anos e atualmente é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Ele pinta sobre madeira utilizando espátula e pincel, e sua exposição apresenta uma temática de paisagens baianas. Ele escolheu esta temática, segundo afirmou por amor à Bahia. "Meu namoro com esta terra é muito velho. Quando estudava arquitetura vim à Bahia numa excursão há cerca de vinte anos e depois passei a vir à Bahia constantemente. Todas as vezes procurei anotar graficamente as impressões que a arquitetura colonial da Bahia me causa. Estas anotações são roteiros de meus quadros."
Mas Antunes é categórico quando afirma que sua pintura não é documentária. E adianta "minha preocupação é de transmitir a imagem que capto. Vejo o casario e extraio o que posso da realidade visual através de minha linguagem criadora. Não me sinto um pintor baiano. Mas, mesmo morando numa cidade desumana como São Paulo consigo sintonizar o clima humanizado da Bahia."
Sua pintura é figurativa, mas não realista. As igrejas e os casarios de Antunes ganham universalidade quando passam de suas anotações para o trabalho plástico propriamente dito isto é, quando transformam-se em quadros a óleo.
Não é um autodidata e tem boa noção de desenho. Já frequentou vários cursos, que lhe proporcionaram uma boa formação. Participou também de um curso de gravura que foi ministrado pela Fundação Alves Penteado através da gravadora Renina Kartz. Além, disso seu affaire como arquiteto e paisagista leva Antunes diariamente ao desenho.
O artista é consciente daquilo que realiza e também da influência que sofre. Diz que certa vez esteve visitando uma exposição de Henrique Oswald na igreja do Unhão e que desde aquele dia sofre influência dos trabalhos de Oswald. Antunes é um artista com muita sensibilidade, ao ponto de abandonar a capital paulista quando sentiu que deveria refugiar-se num lugar tranquilo "para construir minha Bahia". Fugiu para Cotia onde vive em meio a muitas árvores pássaros e borboletas. Enfim, num contato direto e constante com a natureza.

INSTITUTO GOETHE

Dentro de sua programação cultural o Instituto Goethe está apresentando dois artistas plásticos: Ismael Caldas e Rodolfo Mesquita. Ambos já fizeram várias exposições. A vernissagem ocorreu no dia 17 ás 21 horas.

LUIZ FRANÇA


O primitivo Luiz França está preparando alguns trabalhos que serão mostrados em Brasília. Juntamente com seu colega Nivaldo a Bahia vai expor trabalhos inspirados em Alagados, velhos casarios baianos. Luiz utiliza cores fortes e seus casarios mostram uma profusão de cores fortes.