sábado, 28 de setembro de 2013

COMO UM TÍTULO DO IATE VIROU EXPOSIÇÃO DE ARTE

JORNAL A TARDE, SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA, 5 DE MAIO DE 1986

Expressões de protesto nas
 figuras disformes de Octaviano
Esta é a história de um título do Iate Clube da Bahia que virou exposição. Foi através da venda de um título deste clube que Octaviano conseguiu realizar sua primeira exposição individual. É o começo de um longo percurso que terá que caminhar sozinho, com suas próprias pernas e o seu talento. Dirão aqueles menos avisados que Octaviano está fazendo tipo o mesmo procurando uma forma de se promover. Posso assegurar que não é nada disto. Esta sua postura é fruto de suas experiências no exterior onde as pessoas, mesmo abastadas, muitas vezes enfrentam situações de dificuldades. Octaviano está obstinado a alçar seus vôos com a energia que dispõe sem o patrocínio da família. Está disposto a vivenciar dificuldades e saltar em busca de seus objetivos. Evidente que não se trata de um artista já burilado, mas é um jovem que tem talento, que busca acertar e sua primeira exposição, é um bom exemplo de que ele tem futuro. Não conhecia o Octaviano.
Mas, ninguém desta cidade desconhece o seu sobrenome (Moniz Barreto), que ele afirma ser muito pesado para carregar, principalmente “quando a gente quer vencer sem a ajuda dos pais”. E o exemplo de Octaviano deve ser visto com bons olhos. Ele poderia continuar com um ou vários títulos  do Iate Clube e fazer uma ou quantas exposições desejasse sob o patrocínio da família. Mas, preferiu seguir sozinho o seu próprio destino. Resolveu enfrentar as indiferenças e descrenças.
Estava trabalhando quando ele entrou acompanhado de uma jovem com ar de estrangeira. Traziam dois quadros debaixo dos braços. Notei que o rapaz estava um pouco nervoso e ficou surpreso quando o contínuo apontou indicando-me. Comecei a falar do seu projeto de vida, de sua estada em Londres, onde acompanhou os movimentos vanguardistas e esteve em outros países europeus, aproveitando para visitar muitos museus. Revelou que uma das razões que levou a despertar para a pintura foi uma exposição que teve oportunidade de visitar de Sante Scaldaferri, que considera um dos mais importantes artistas brasileiros.
Contou-me sobre a sua obstinação pela liberdade. “Esta minha exposição é um grito de liberdade.É um protesto contra a falta de liberdade, onde as pessoas seguem à risca tudo que está ali determinado até a hora da morte”.
A sua pintura gestual, solta e liberta, é exatamente um libelo pela liberdade, e as minhas ideias surgem do nada. Intitulei de Fabulário Geral do Delirium Cotidiano. Isto tudo é compreensível porque Octaviano tem apenas 22 anos de idade e está como que despertando contra o estabelecido. Este seu vigor combativo é um somatório de elementos positivos que estão refletidos nas suas figuras disformes e nos riscos que nos passam uma emoção de inconformismo. São gestos de liberdade refletidos em suas cores fortes.
Para os padrões leigos de beleza sua pintura pode parecer feia.
Octaviano e a  Crônica de Um Amor Louco
“Minha mãe e outras pessoas de minha família não vão realmente entender a minha arte. certamente vão achar meus quadros feios ou até, quem sabe, sem qualquer valor artístico. Mas eles são verdadeiros, são frutos da minha busca de liberdade”. Confessa embora seja de família conceituada e economicamente abastada, tem enfrentado algumas dificuldades. Não fui patrocinado (patrocínio do pai). Portanto, desfazendo as insinuações de alguns colegas de infância de que sua exposição teria sido financiada pelo próprio pai. Até a hora da gente morrer leva o nome da família e às vezes é muito pesado. Lembrou de outros jovens que iniciam a carreira artística e também sofrem esta cobrança interminável e esta falsa idéia do patrocínio.
O que importa é que Octaviano está aí apresentando suas inquietações e dispostos a continuar pintando. Acho a sua postura muito digna e acima de tudo uma demonstração de que as pessoas necessitam andar com suas próprias cabeças. Certamente Octaviano vai encontrar outras dificuldades maiores ou menores; espero que vença sozinho. Sei que em alguns momentos vai e deve solicitar ajuda de seus pais e amigos. Sim, porque esta sua busca de liberdade não significa um radicalismo ao ponto de se considerar um deserdado do carinho da sua família ou mesmo da sua condição econômica privilegiada. O que fica é o gesto de liberdade, o que fica é o desabrochar do seu talento, que deve ser incentivado por todos para que Octaviano possa brindar os baianos com outras exposições. Para que isto se torne realidade, só posso dizer a ele que continue pintando e pintando.
Sua exposição será aberta no próximo dia 20, ás 21 horas, e permanecerá até o final do mês no Hotel Meridien, no Rio Vermelho.

  

25 ANOS DE CRÍTICA DE ARTE


JORNAL TRIBUNA DA BAHIA, SALVADOR , 07 DE DEZEMBRO DE 1999

Fernando Freitas Pinto
 O crítico de arte e jornalista, Reynivaldo Brito está completando 25 anos de crítica de arte através de sua coluna semanal no jornal A TARDE. São centenas de escritos e apreciações críticas de artistas plásticos brasileiros e internacionais. Reynivaldo começou sua carreira jornalística no jornal Correio da Manhã, no Rio de Janeiro e na Secretaria de Imprensa da Bahia. Em 1970 ingressou no jornal A TARDE como repórter, tendo como primeira tarefa, a entrevista com a cantora Maria Callas.
Nesse conceituado jornal, onde trabalha até hoje, ocupou os cargos de chefia de reportagem, editor geral e atualmente editoria o jornal dos domingos, além de escrever para a coluna de artes visuais, com a competência, a independência e a seriedade de sempre.
Reynivaldo, amante da arte contemporânea, vivenciou a xilogravura com Hansen Bahia na década de 70, quando descobriu seu potencial e sensibilidade para fazer artístico. Nesses 25 anos de crítica de arte, adquiriu o respeito e o conceito perante os artistas, marchands e demais segmentos das artes plásticas na Bahia, sem falar nas apresentações inteligentes dos catálogos de exposições dos principais artistas baianos a exemplo de: Jenner Augusto, Fernando Coelho, Caetano Dias, Bel Borba, Washington  Sales, Tati Moreno, Lígia Milton, Juarez Paraíso, Fernando Freitas Pinto, Calasans Neto, Leonel Matos, Fred Schaeppi, Sante Scaldaferri, Ailton Lima, Márcia Abreu, Carlos Bastos, Yeda Maria e mais uma plêiade incontável de nomes. Nascido em Jacobina, residiu em Ribeira do Pombal e aos 11 anos, passou a morar em Salvador, onde estudou no Salesiano, Colégio Antônio Vieira e Colégio Central.
Formou-se em jornalismo em 1967. Estudou Sociologia na antiga Escola de Sociologia e Política da Bahia, diplomando-se também em ciências Sociais, pela Faculdade de Filosofia da UFBA. Reynivaldo vivenciou vários museus e exposições de artes em suas viagens pela Alemanha, Itália, Áustria, Inglaterra, Suíça,
Xilogravura, 1970 de
Reynivaldo Brito
Canadá e Estados Unidos, onde foi uma das vezes a convite do governo americano, além de ter participado de salões de arte por todo o Brasil. O seu dinamismo o levou a ocupar vários cargos representativos, sendo correspondente da Revista Manchete por muitos anos, professor da Faculdade de Comunicação da UFBA, além de empresário nas áreas de comunicação e comércio. Atualmente Reynivaldo escreve também para a Revista Neon, onde comenta sobre arte e artistas. Dentre em breve um grupo de artistas plásticos baianos estará homenageando-o com uma grande e bela exposição coletiva. Há ainda um projeto de livro com suas principais apreciações críticas de artistas baianos e convite para participar do painel “Artista em Destaque”pesquisa na Centenária Escolas de Belas Artes da UFBA.


LEONEL BRAYNER COM PINTURAS E OBJETOS

JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SÁBADO, 18 DE FEVEREIRO DE 1978

Leonel trabalhando em seu atelier
 Fico contente quando chego no atelier de Leonel Brayner e sinto aquela liberdade e vontade de criar. Uma liberdade que contagia o visitante, o qual sente vontade também de manipular os materiais utilizados pelo artista na confecção de suas pinturas e objetos. Isto porque, além de um bom artista Leonel é um entusiasta, um homem capaz de vibrar com a espontaneidade de uma criança diante de um trabalho concluído. Percebo através de seus novos trabalhos e de suas palavras que muita coisa ainda estar por vir, e esta mostra que fará em Curitiba é o passo inicial para esta nova série de trabalhos, onde estão incluídos os objetos.
Tela-objeto de Leonel Bryner

Os objetos são resultado de um jogo de materiais, formas, e o próprio suporte que foi seccionado em vários tamanhos, variando tanto na espessura como no comprimento. As frutas coloridas também ganharam receptáculos, como cabaças de vários tamanhos e outras foram lançadas em espaços livres. Um trabalho de um artesão que trabalha com a consciência e dose de intelectualidade, o que permite a valorização do objeto de arte. Não confundir com uma peça simplesmente decorativa. Tudo que Leonel faz é com consciência e com a certeza de um resultado maior ou seja aquele que toca de perto a sensibilidade das pessoas. Isto porque ele vive jogando num campo onde cada movimento, cada cor ou forma, cada secção tem uma razão de ser dentro dos limites de seu espaço criativo.
É verdade que ele dá realce a alguns materiais de sua predileção, principalmente as frutas, que ora são vermelhas e grandes, ora verdes e pequenas, e assim por diante. Mas tudo isto é consequência de um trabalho que ele já vinha desenvolvendo desde quando passou a utilizar o suporte como elemento integrante de sua pintura.
Leonel cria uma atmosfera metafísica tendo como base aquela beleza revelada do objeto em repouso. É preciso parar para sentir esta beleza de formas e  cores. Leonel conseguiu captar esta beleza metafísica que tem os elementos em repouso e recriá-la em suas pinturas e objetos. Dizia um critico sulista que a tendência natural do artista era a escultura, mas ele faz questão de ressaltar que continua e continuará sendo um pintor.
Ganhei os espaços com esses novos objetos, mas não desejo partir para a escultura. Os espaços e as formas exercem sobre meu trabalho uma presença constante. Mas, não acabarei escultor, embora goste de mexer com lixas, colas, tornos, massaricos e outros instrumentos tão presentes na vida do escultor.

                MUSEU NACIONAL DE CINEMA

Através de um convênio assinado entre a Funarte e a Embrafilme, será instalado  Museu Nacional  com um acervo de sessenta peças de diferentes épocas doadas por   colecionadores particulares.
O museu sediado em uma  das galerias da Fundação Nacional de Arte, no Rio de Janeiro será aberto ao público com a finalidade de se formar uma autêntica fonte de pesquisa. A exposição em cinema brasileiro e montagens a evolução das técnicas empregadas acompanhada de um estatuto que funcionará como um auxiliar da bibliografia filmográfica Nacional.

AS PEÇAS

As peças que compõem o acervo do Museu Nacional do Cinema compreendem desde professores à manivela, microfones, câmeras, copiadoras, refletores, até fotos, cartazes, catálogos e programas de várias décadas.
Entre as peças mais importantes está uma mesa de montagem alemã marca Leica, manual, mais conhecida como Olho de Boi, antecessora das atuais moviolas. É um exemplar dos equipamentos fabricados no início dos anos 30 .Outra peça de grande valor histórico é a câmera Hermann a manivela alemã, para 60 metros equipamento da segunda década deste século, foi utilizado no Ciclo do Recife pelos cineastas J. Soares Dustan Maciel, Gentil Róis, Pedro Novas e Ary Severo.
Do acervo consta ainda um projetor Lucco (Italiano) também da segunda década à manivela e fixo. Foi adaptado posteriormente a filmes falados.

MONTAGEM

A montagem do Museu do Cinema está a cargo de uma museóloga, assessorada por um artista plástico e um arquiteto, funcionários da Funarte e da Embrafilme. A instalação obedecerá a diversas etapas: catalogação das peças, elaboração do livro de tempo do museu visualização de espaço e planejamento da exposição permanente.
De acordo com JurandYr Passos Noronha chefe da Divisão de Pesquisa e História de Cinema Brasileiro da Embrafilme. O Museu Nacional do Cinema foi pensado como elemento capar de contar a história de nosso cinema, aproveitando a oportunidade de mostrar a evolução do equipamento de filmagem, iluminação, revelação, copiagem, montagem e sonorização.
A mostra, reunindo mais de 60 peças, será completada por um catálogo editado pela Funarte, onde o visitante encontrará a história e a descrição de cada peça do acervo, servindo como uma fonte de pesquisa.

                  SALÃO NACIONAL DE ARTES PLÁSTICAS

O presidente da República usando das atribuições legais decretou que caberá a Fundação Nacional de Arte-Funarte organizar anualmente o Salão Nacional de Artes Plásticas, no Palácio da Cultura, no Rio de Janeiro, ou em outros locais a depender dos critérios da Comissão Nacional de Artes Plásticas.
O salão será sempre de âmbito nacional e destinado a exposição publicadas formas de arte plástica, sem privilégio de nenhuma de suas expressões tradicionais, das formas experimentais ou de produção e comportamento não tradicionais. Para isto no primeiro trimestre de cada ano o ministro da Educação nomeará pessoas de notório saber e experiência no campo das artes e das ciências para realização do referido Salão. Esta comissão será composta de nove membros, além do presidente da Funarte, seu membro nato, que presidirá com direito a voto de qualidade. Para integrar esta comissão poderão ser convidados, em todo país, autoridades e estudiosos das áreas de: ciências humanas e tecnológicas; artes plásticas e visuais, filosofia história da arte e crítica da arte, programação e comunicação visual, arquitetura, urbanismo e paisagismo. Todos receberão pro labore, a ser fixado anualmente pelo ministro da Educação.
A Comissão Nacional de Artes Plásticas poderá estabelecer temática ou tendência específica, convidando artistas representantes das mesmas para exposição em sala especial, de caráter histórico-didático cujo espaço físico não excederá a 1/ 3    da área total do Salão. Por outro lado, para os efeitos de seleção e premiação será constituída uma subcomissão composta de três membros eleitos pelos artistas inscritos no Salão, além do presidente da Funarte.
Um detalhe curioso é que ao se inscrever no Salão o candidato indicará na própria ficha de inscrição os nomes dos três membros para comporem a subcomissão e premiação. Outra curiosidade é que somente poderão concorrer os artistas que, no período de 10 anos até a data do respectivo Salão, tenham realizado pelo menos uma exposição individual ou participado de no mínimo duas exposições coletivas, estas devidamente comprovadas mediante catálogos.
Quanto aos prêmios serão de viagem no país ou ao exterior e de aquisição. Serão em número de oito sendo quatro ao exterior e quatro no país, e os de aquisição, até o máximo de cinco dependendo das disponibilidades financeiras, passando as obras adquiridas a integrar o patrimônio da Funarte. Os valores serão fixados anualmente pelo MEC e pagos de uma só vez em moeda nacional aos vencedores.

               NOVA GERAÇÃO DE ARTISTAS BAIANOS

Os artistas baianos da nova geração, Antenor Lago, Sinval Cunha, Edson Calmon, J. Cunha, Murilo, Renato da Silveira que se encontra em Paris, e Sônia Rangel estarão expondo seus trabalhos de pintura e escultura, num total de 48, no próximo dia 13 na Galeria Global ,de São Paulo, na exposição intitulada Arte Bahia Hoje. A mostra será patrocinada pela TV Aratu e tem como responsáveis pela seleção das obras o diretor da galeria, Franco Terra Nova, Silvio Robatto e Carlos Ramon, J. Cunha e Sônia Rangel ficaram incumbidos de preparar a exposição na capital paulista.

             LIBERDADE DO MESTRE OSWALDO GOELDI

A liberdade de um desenho simples haveria de caracterizar Oswaldo Goeldi como um artista perscrutador de seu mundo interior, e despreocupado com os caminhos dos centros artísticos.
Próximo do procedimento dos expressionistas do norte da Europa, com os quais tivera contato no início de sua formação artística em Berna, Genebra, Zurique de 1917 a 1919, Goeldi encontra em Kubin um legitimador de suas intenções pessoais, retornando em 1919 para o Brasil, depois de uma estada de quase 20 anos na Suíça, é na solidão de seu trabalho que reside o substrato de sua vida e de sua obra.
Entre a noite e o dia, entre a vida e a morte, move-se o poeta a desvelar um mundo extraordinário: dos pescadores silenciosos, dos ventos e sóis aos animais às plantas, todos seres engendrados por uma força inimiga. Partindo do observado em seu trajeto pela rua ou pelo cais particularmente sensível ás misérias humanas, Goeldi transfigura o  cotidiano em sua dimensão mais oculta, capaz de ultrapassar o factual e para atingir a condição de ser. Em 1924 passa a dedicar-se à xilogravura e do novo meio surge um desenho incisivo e mais definido: as figuras revelam-se pelos traços luminosos sulcados na superfície da madeira, qual superfície noturna, em contraste dramático.

Gravura Velhice, de autoria de Oswaldo Goeldi

Pela xilogravura Velhice é possível observar o gesto do artesão unido á intenção simbólica. Ao contraste mais rarefeito do branco com o cinza vem superpor-se o preto, a povoar a figura do velho, a constranger-lhe o espaço, afunilando-o.Do silêncio e da solidão monocromática surge um vermelho distante e poente. Inatingível por detrás do muro.
Goeldi utiliza a cor na gravura desde 37, quando busca da memória na infância vivida em Belém do Pará, em contato com a natureza, o motivo par a ilustração de Cobra Norato, de Raul Bopp.
O artista procura atingir a gravura concebida pela cor, ou seja, a cor gravada ao invés da cor superposta á gravura definida pelo desenho.
Em Jardim, a suavidade conseguida pela menor definição dos limites da cor, pelas suas variações sutis, e pelo uso de regiões claras, nem gravadas nem entintadas, constitui uma atmosfera de encanto e leveza na intimidade do cultivo de plantas. A flutuação do azul do céu resulta da superfície colorida desprendida da demarcação do traço gravado; a solução de rosados dá horizontalidade à casa. Embora o cuidado artesanal da tiragem possa ter permitido maior ou menor adensamento da cor nota-se que as variações são conseguidas através da escolha de valores diferentes no movimento da entintagem da madeira, como é o caso dos verdes das plantas, ou através da superposição de cores, como mostra a figura humana, na qual o castanho recebe por vezes, pretos mais ou menos diluídos.
Goeldi que expôs desde 1919, dedicou-se à ilustração de vários jornais e revistas, livros  e poemas, cabendo referências às xilos realizadas em 1940 para ilustrar Dostoiewsky. Sua atividade pioneira o situa como marco do florescimento da gravura moderna no Brasil, tendo influenciado seu posterior desenvolvimento.

                   UMA PAISAGEM DE BRASÍLIA

No próximo dia 5 de março será realizada em Brasília a 5ª. Gincana de Pintura promovida pela Associação dos Artistas Plásticos do Distrito Federal. A gincana será na Torre de Televisão e tem ainda o patrocínio da Secretaria Geral do Ministério da Educação e Cultura. Quem está coordenando os trabalhos é Roberto Lucena que afirma que poderão participar da gincana qualquer artista e serão conferidos quatro prêmios sendo que o colocado em 1º lugar receberá oito mil cruzeiros, o segundo lugar, quatro e, o terceiro apenas dois mil cruzeiros. O quarto colocado receberá um troféu da Associação dos Artistas Plásticos do Distrito Federal, categoria ouro.
Ao quadros premiados passarão para o acervo da AAP-DF e todos os candidatos deverão se apresentar à comissão julgadora no dia 5 de março para pintar uma paisagem de Brasília.Qualquer informação poderá ser conseguida com a pintora Nide, em Salvador.
Recentemente foi empossada a atual diretoria a atual diretoria da AAP-DF que tem como presidente Roberto Lucena, secretário José Maria Belo de Oliveira, Tesoureiro-Mauro Leão Martin.

OBRAS DE ELISEO VISCONTI EXPOSTAS EM SALVADOR

Em promoção conjunta da Fundação Cultural do Estado, Galeria de Arte Global e TV-Aratu, foi inaugurada no Museu de Arte Moderna da Bahia, a exposição itinerante de Eliseo Visconti que será apresentada nas principais capitais do Nordeste.
A mostra propõe-se a registrada, a nível de informação crítica e revisão, na área das artes plásticas, das principais escolas e tendências, a presença brasileira na pintura pós-impressionista, de que Visconti foi um dos nomes mais representativos.
O catálogo, confeccionado sob a responsabilidade da Galeria de Arte Global ,ao lado de reproduzir os principais momentos da pintura de Eliseu Visconti apresenta uma seleção de análises críticas sobre sua obra, assinadas por destacadas personalidades da vida cultural brasileira.

CALASANS NETO E SEU ALBUM DE JAZZ

JORNAL A TARDE , SALVADOR , 19 DE ABRIL DE 1975

Uma das gravuras 
do álbum  DoJazz
A Associação Cultural Brasil-Estados Unidos inaugurou na última quinta-feira a sua Mini-Galeria Acbeu; em sua sede própria, no corredor da Vitória, número 214, com o lançamento do álbum Do Jazz do gravador Calasans Neto. Este álbum é o resultado de uma viagem de estudos que fez recentemente o gravador a convite do Departamento de Estado norte-americano.
Tive a felicidade de conhecer alguns dos trabalhos que compõem o referido álbum antes do seu lançamento, naquele momento de criação quando Calasans Neto estava inteiramente voltado para sua execução. Daí poder afirmar que este álbum é resultado também de um trabalho cuidadoso e apurado onde ele retrata os grandes nomes os jazz americano. É um álbum de tiragem limitada (apenas 50 exemplares) onde Calá utilizou uma técnica conhecida por buril e ponta seca. Cada álbum traz cinco gravuras.
O artista justifica a escolha do tema afirmando que este trabalho é uma descrição sentimental de sua viagem pela região do Mississipe onde nasceu o movimento jazzista norte-americano. Assim King’s Oliver, Emma Barret, Papa Celestin, Bunk Johanson, Louis Armstrong e George Cullen aparecem em suas gravuras com seus respectivos instrumentos musicais.
Outro detalhe é que o mestre Calá deixou de lado, por pouco tempo, a madeira, matéria-prima preferida para a confecção e expansão do seu espírito criador para trabalhar com o frio metal. Mas a sua arte venceu mas de alto nível, com as figuras do jazz do Mississipi.
O texto do jornalista e estudioso do jazz norte-americano Luiz Orlando Carneiro veio enriquecer ainda mais o trabalho de Calasans Neto. Vejamos um pequeno trecho:
E foi por isto que um certo Calasans Neto, homem afeito a lida dura da madeira e do formato, afeiçoado a cabra, baleias e outros bichos, baiano de Itapuã, viu-se um dia de repente em Canal Street”.

                                  A ARTE DE NIDE

Belas negras pintadas por Nide
O Pandeirista, 1975
A pintora Nide está trabalhando para sua próxima exposição que realizará em Brasília na Galeria do Eron Palace Hotel. Sua pintura apresenta um colorido e movimentação original. A maioria de seus trabalhos versa sobre o folclore baiano, onde negrinhos e negrinhas surgem com suas roupas tradicionais tocando pandeiros, vendendo acarajés, dançando sambas-de-roda ou maculelê. A figura humana é uma presença constante em seus quadros mesmo quando pinta casarios ou paisagens baianas. Ela tem um perfeito conhecido da harmonia das
cores e os tons mais vibrantes não chocam o espectador ao contrário dão alegria e um bonito cromatismo.
Nide começou a pintar ainda criança e sem ter passado por uma Escola de Belas Artes consegue criar trabalhos de nível. O que lhe interessa é pintar por uma necessidade intrínseca, por uma exigência espiritual.
Outro detalhe em sua pintura é o senso de humor das figuras que sempre estão rindo e brincando. O desenho é estilizado e muito pessoal, aliado a escolha perfeita das cores.

             COSTA LIMA VAI EXPOR NA GALERIA O CAVALETE

Uma obra mais recente do artista Costa Lima
O artista Costa Lima vai mostrar a partir do próximo dia 25 alguns trabalhos criados recentemente. Com apenas 28 anos de idade Costa Lima já nos apresenta bons trabalhos que certamente serão ainda mais aprimorados com o decorrer dos anos. Começou pintando paisagens e flores e hoje sua temática está voltada para o casario baiano onde consegue ser original, embora este tema seja constantemente explorado por artistas baianos. O interessante é que mesmo pintando casarios notamos a originalidade de sua pintura que difere de tudo que já foi feito. Sua pintura surgiu de uma espontaneidade criadora, pois Costa Lima nunca frequentou uma Escola de Belas Artes. Porém, o desenho é apurado, reflexo do curso de licenciatura em Desenho que ele faz em Universidade Federal da Bahia.
Destaca-se ainda o seu trabalho nos interiores onde as pinturas nos azulejos portugueses são retratados com perfeição. O jogo de luz e sombra. Os interiores no seu entender refletem o seu mundo, pois quase sempre está refugiado num canto de sua residência para criar. São trabalhos que inspiram calma naqueles que os observam.

        PRORROGADA A COLETIVA DA LE DOME

 A Le Dome  Galeria de Arte, prorrogou a  sua atual exposição até o dia 11 de maio próximo, tendo em vista o sucesso alcançado. Nesta coletiva estão expostos mais de 200 trabalhos de 36 artistas.da Le Dome Além de nos apresentar um grande número de trabalhos e participantes mostra como o movimento das artes plásticas na Bahia, especialmente em Salvador vem crescendo assustadoramente. O que é preciso é realização de muitas exposições e divulgação para que o grande público participe deste movimento. É preciso que as galerias de arte da Cidade não fiquem presas apenas a comercialização imediata dos trabalhos ali expostos. É preciso pensar mais longe. Sim, porque o estudante de hoje será o comerciante, o profissional liberal de amanhã e certamente se for alertado cedo para a importância do trabalho artístico, quando ele tiver poder aquisitivo passará a adquirir e prestigiar o movimento. Daí acreditar que as galerias de arte deveriam ser mais abertas, isto é, deveriam preocupar-se em levar arte ao povo, principalmente aos jovens estudantes. Que este papel não fique restrito apenas aos museus que vivem constantemente enfrentando problemas de ordem financeira. Este trabalho realizado também pela galeria de arte contribuiria em muito para que os artistas expositores ficassem conhecidos do grande público.


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

CENTENÁRIO DE GUSTAVE COURBET

JORNAL A TARDE , SALVADOR, 25 DE FEVEREIRO DE 1978

Mulher com Papagaio, de 1866, obra de Courbert
Os especialistas em arte estão fazendo uso de uma nova exposição para conferir a  Gustave Courbet o crédito pela maior parte do que convencionamos chamar de arte moderna.
“Courbet, afirmou o crítico Edward Mullins, “foi o primeiro artista a manter efetivamente que a arte é o que nós fazemos, o que vemos, o que sentimos”.
A maneira com que a figura de Courbet corresponde a essas afirmações pode ser vista na Real Academia de Londres na maior exibição de Courbet desde 1882.
Até 19 de março, a Academia exibirá 116 quadros e sete desenhos, em sua maioria exibida antes em Paris, reunidas de pequenas galerias de todo o mundo. Essa oportunidade de pesquisar uma espécie de avô da arte moderna está sendo considerada um grande acontecimento artístico.No entanto, Courbet não é muito conhecido.O contraste com sua vida de indiscrição não poderia ser maior.
“Nos últimos 10 ano, esse homem extraordinário causou mais sensação em Paris do que 20 celebridades variadas” escreveu um crítico em 1861.
“O mundo elegante afeta desprezá-lo, os críticos fazem-no em pedaços, os artistas caçoam dele, os cantores de variedades apresentam-no com a curiosidade para  audiência indolentes”
Na época de Courbet, a arte era de importância vital. Os novos quadros eram sujeitos a debates intensos. Os pintores eram caricaturados e satirizados, as teorias de arte discutidas apaixonadamente e os artistas propriamente ditos eram celebridades populares.
Courbet emergiu nesse cenário como um provinciano impetuoso e autodidata. Ele e seu trabalho provocaram sentimentos fortes entre todos os que eram alguém na Paris de meados do século XIX.
A resposta e Courbet foi de pintar o mundo da maneira que o via, não como as fórmulas acadêmicas o exigiam.
Pintou os funerais de seu avô, suas irmãs nas cenas do dia-a-dia, paisagens, trabalhadores suando.
Por isso, foi classificado de primeiro “Realista” título que jamais aceitou realmente. Seu objetivo, escreveu, era de “ser um homem como um pintor, em suma, criar a arte viva”
A Caçada,ele pintou muitos caçadores

O gigantesco ego de Courbet fez jus ao seu objetivo. Seu assunto predileto era ele mesmo.Uma grande sala na exposição londrina está com três quartos de suas dependências tomadas por auto-retratos. Courbet aparece como amante, como louco, como duelista ferido, como violoncelista, como fumador de cachimbo, usando simplesmente um cinto de couro.
Tinhas muitas amantes mas não uma esposa e adorava pintar as mulheres. Algumas das pinturas mais luxuosas constituem nus que, mesmo agora, sem falar na década de 1860, são ousadamente francos.
Courbet não se permitia domesticar-se. Recusou a medalha da Legião de Honra num ano e foi preso no ano seguinte, como oficial da Comuna Revolucionária de Paris.
A exposição demonstra que Courbet foi um pintor de mestria e incisivamente original.
Contudo, é difícil agora compartilhar a controvérsia borbulhante que provocou. Podemos agora apenas concordar em que Gustave Courbet foi o primeiro grande individualista da arte ocidental, o primeiro a fazer a reivindicação da arte moderna.

               OS ENTALHES DE MÁRIO AMERICANO

No ano de 1975 o artista plástico Mário Americano Júnior realizou a sua primeira exposição.
Agora, ele está mostrando pela segunda vez seus trabalhos aos baianos, no atelier Kennedy Bahia.
Nascido no Rio de Janeiro, Mário começou a se dedicar às artes no ano de 1972, quando fez seu primeiro quadro por hobby. Seis anos depois ele já pode ser considerado um artista profissional, e seus entalhes, em madeira pintada, são apreciados também pela  suavidade das cores.
Nesta segunda exposição, Mário mostra 25 trabalhos, em diversos tamanhos.

                      
                          A PROLIFERAÇÃO DOS MUSEUS

Museu da Chácara, na capital paulista
Há um relativo engano na proliferação de museus, todos eles sem recursos, sem condições de manutenção, sem recursos para adquirir obras de arte mas não quer dizer que não haja campo para o profissional de museologia, pelo contrário”. Assim justifica a sua posição contrária à extinção do Curso de Museologia da Ufba o professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade federal do Rio de Janeiro, Wladimir Alves de Souza.
Foi o responsável pela restauração do Museu de Arte Sacra da Bahia e do Museu Nacional do Rio tendo um vasto currículo em experiência no assunto.Também o projeto do  Museu da Chácara , em São Paulo foi encomendado ao arquiteto paraense Wladimir Alves de Souza, reproduz as linhas do Palácio Imperial de Petrópolis e tem clara influência da obra do italiano Andréa Palladio, veneziano que viveu no século XVI.
Segundo afirmou, há um engano nas deduções de que não existe mercado de trabalho para o museólogo porque se pensa estritamente em termos baianos, desde quando a situação deve ser mais encarada em termos brasileiros. Mesmo na Bahia o mercado existe desde quando estão sendo criados mais museus (existe atualmente 26). Além disso várias são as atividades que podem ser desenvolvidas dentro de um museu mas não apenas o da funcionária burocrática. A coisa pode alcançar um plano muito mais amplo com as diferentes especializações existentes, frisou.
Os museólogos poderão trabalhar no campo da história da arte e pesquisas de um modo geral, sendo que a restauração de pintura pode ser bastante aproveitado. Na sua opinião, é importante que a Bahia possa a vir a ser um centro de formação de museólogos de alto nível que poderá atender não só às  necessidades locais, mas de todo o País. Tal como se fez com a Escola de Arte criada pelo reitor e de onde saíram atores e músicos que participam de atividades não só da Bahia, mas fora dela, acentuou.
- O que a UFBa precisa fazer é incentivar o curso de Museologia, estimulá-lo, dotá-lo de bons professores e dá maior possibilidade de novos estudos, pesquisas porque a principal função do museólogo é não só a conservação pura e simples como também divulgação do que hoje  existe.

TRÊS ESCULTURAS ROUBADAS DO MUSEU DE ST. LOUIS

Três esculturas de bronze, obras do artista francês Auguste Rodin, foram roubadas do Museu de Arte de St. Louis. Este é o segundo roubo no museu em menos de um mês, informaram hoje as autoridades.
As esculturas roubadas são a Estátua de São Pedro, datada de 1886; Jean D’Aire, de 1886; e A Mão Fechada, de cerca de 1885.
Cada uma delas tem cerca de 458 mm de altura. A escultura da mão pesa cerca de 8,6 quilos.
Um porta-voz do museu esquivou-se a avaliar as esculturas, mas disse que valem mais que as quatro esculturas roubadas a 29 de janeiro, que foram avaliadas em cem mil dólares.
Os guardas do museu foram alertados pelo alarme anti-roubo, ontem à noite, e fizeram a Inspeção mais não deram pela falta das esculturas.
Um porta-voz contou que os ladrões entraram quebrando as portas de vidro instaladas recentemente. Os ladrões içaram no prédio apenas cerca de 60 segundos.

    VAMOS AGUARDAR UMA MELHOR ATUAÇÃO DO TCA

Proporcionar uma abertura a todas as tendências estéticas e incentivar o teatro amador, são algumas das metas do novo diretor de Teatro Castro Alves, José Augusto Burity, cujo nome foi homologado por unanimidade, na última reunião ordinária do Conselho da Fundação Cultural, presidida pelo secretário da Educação, Carlos Santana.
José Augusto será assessorado por Teodomiro Ramos Queiroz, que atualmente desenvolve atividades no Teatro Municipal de São Paulo. Eles pretendem aproveitar ao máximo a Concha Acústica com apresentação de espetáculos teatrais e shows musicais com atores e recursos locais.
PROJETO PIXINGUINHA
O imponente Teatro Castro Alves, em Salvador
Ao ser indagado sobre a possibilidade do TCA deixar de ser o grande “elefante branco”,  José Augusto respondeu que “não depende apenas do diretor, mas também do baiano”, que deverá se voltar para o teatro. E ele espera conseguir essa participação popular com a apresentação em junho próximo do Projeto Pixinguinha que permanecerá por um período de dois meses e meio diariamente no horário das 18h 30min, custando Cr$ 15 o ingresso.
A Bahia será o primeiro Estado do Norte/Nordeste onde o projeto se apresentará e esse horário fixado no sul do país deverá ser aceito pelo público, depois de se tentar uma sensibilização para isto. A criação do horário por iniciativa do idealizador do projeto Hermínio Belo de Carvalho, teve como objetivos a estipulação de um novo horário que não o habitual para espetáculos e sobretudo facilitar a participação de pessoas que trabalham no comércio, universitários e que diante dos problemas enfrentados na hora do “rush” poderão se deslocar para o teatro como uma alternativa.
Em vista disso, o pessoal do projeto não vê falta de êxito a exemplo de outros Estados principalmente porque “Nordeste é Brasil e Salvador tem tradição em música popular brasileira”.
Sobre a burocracia que sempre foi o grande problema dos direitos para desenvolver um trabalho necessário no TCA, José Augusto afirmou que levou o assunto ao conhecimento do diretor da Fundação Cultural, mostrando a necessidade de se encontrar uma solução prática para o problema e no decorrer da gestão nós vamos chegar à alguma. A burocracia entrava muito, mas não se pode evitá-la, mas  o que interessa é que p TCA tem que funcionar.
O TCA também não poderá deixar de funcionar com a realização de convenções, simpósios e atividades afins, como assegurou o diretor, sendo que a situação existe inclusive em outros Estados, mas ele, pretende, gradativamente, ir modificando a situação transferindo atividades desse tipo para outros locais, o que por si será resolvido com a conclusão do Centro de Convenções.

              O MUSEU DO HOMEM EM BELO HORIZONTE

Através de um convênio realizado entre a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep) de Minas Gerais e a Funarte, no valor de CR$ 650 mil, está em andamento o projeto de pesquisa denominado “Manifestações Etnomusicais da Região Grande Belo Horizonte”, visando subsidiar a implantação do Museu do Homem naquela capital.
Foto Google.
 Fachada do Museu do Homem Brasileiro,BH
A pesquisa, que integra o Projeto Universidade da Funarte, está sendo executada por uma equipe de professores e estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais. Além do objetivo principal de criar um acervo etnomusicológico para o Museu do Homem, o trabalho visa produzir um calendário dessas manifestações na grande BH, divulgar o material recolhido e utilizá-lo didaticamente nas escolas de 1º e 2º graus, enriquecendo o ensino de Música.
A PESQUISA
A necessidade dessa pesquisa provém do fato de que, até o momento, não se fez nenhum estudo aprofundado e sistemático das manifestações etno musicais-música folclórica, música ágrafa (dos índios) e música popular dos grupos humanos que vivem na região da Grande BH.
Por outro lado, o Museu do Homem, criado em 77 dentro do campus da Ufmg, com objetivo de recolher, estudar, expor e difundir as expressões mais significativas da criatividade cultural das populações que viveram ou vivem em território nacional, poderá absorver todos os resultados do projeto. Esse acervo terá também importância, na medida em que será aberto ao público para um contato com as manifestações populares, mais especialmente com a Música Folclórica e a Música Popular.
A pesquisa será executada por técnicos e especialistas vinculados à Ufmg e auxiliares de pesquisa selecionados entre os alunos da Escola de Música, Comunicação e Belas Artes daquela Universidade, coordenados pelo musicólogo José Adolfo Moura, com a consultoria científica de Cristina de Miranda Mata Machado.
O trabalho obedecerá a diversas etapas: levantamento panorâmico das manifestações musicais folclóricas e populares da Região da Grande BH, pesquisa bibliográfica e de campo, análise e interpretação dos dados e divulgação e desdobramento.


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

GALERIA EM NEW YORK DIVULGA BRASILEIROS



Uma visão parcial da Galeria Nasse, em New York
Duas artistas me escrevem do exterior.Uma baiana que reside na Noruega, a Elisabeth Johansen e, agora Leda Maria Prado, de New York, falando da Galeria Ward-Nasse, que fica no Soho, a qual não tem fins lucrativos e recebe a arte alternativa. Muitos brasileiros já estiveram por lá e Ieda está empenhada em divulgar a nossa arte. Veja o que ela escreveu no e-mail que me enviou:

"Li a matéria no seu blog hoje sobre a Bete artista baiana que vive na Noruega, eu sou brasileira e moro nos EUA fazem 10 anos, sou artista também , e trabalho como curadora de artes numa galeria no Soho, envio abaixo as paginas para que você faça um review do meu trabalho e se puder divulgar a galeria também, pois está de portas abertas aos artistas de todos os cantos do mundo, e existe no Soho há 43 anos, o dono é um artista sonhador como todos nós e tem divulgado muito nós brasileiros."

História Ward-Nasse

Harry Nasse e Leda

A Galeria Ward-Nasse, fundada por Harry Nasse, abriu pela primeira vez como uma galeria de arte comercial em Boston durante o início da década de sessenta. Quando Harry Nasse mudou-se para Nova York em 1970, ele decidiu também mudar a relação com os artistas implantando um sistema de cooperação entre a galeria e o autor. Todos as formas de arte contemporânea estão expostas, a partir de obras tradicionalmente executados até as  formas de arte mais experimentais .
Artistas de todas as partes dos Estados Unidos estão expondo juntamente com artistas da Europa, Ásia e América do Sul, inclusive do Brasil.
The Ward-Nasse Gallery realiza principalmente exposições coletivas há mais de 43 anos de funcionamento e, a lista completa dos artistas que se apresentaram é bastante extensa.
Veja os nomes de alguns artistas da cidade de New York que começaram suas carreiras ou que continuam a expor na Ward-Nasse :Truman Eagleston, Neil Janney, Laurie Anderson, o artista performático Gary Aagaard, Antanas Andomaitis, Patricia Azoni, Bayo, Michele Bruniera, Veronique Bensacon, Marilda Dib, Dan Darling, Rolland Dufault, Nathalie Freniere, João Fucci, Gary Jurista, Eva Lewarne, Dinah Cruz James, Marie Josée Leroux, Juh Leidl, Leda Maria, Taís Melilo, Maria Fatjó Pares, Jim Pescott, Paul Poliquin, Drica Queiroz, Joanne Savoie, Ilya Schar, Mauro Soares, Mark Tomczak, Stephanie Wallace e Adina Worcman.

domingo, 8 de setembro de 2013

ESCULTURAS DE RICHARD WAGNER



Wagner e uma de suas esculturas
Depois de mais de 20 anos reencontro o velho amigo Richard Wagner.Com este nome, de grande compositor clássico, ele percorreu vários países morando inclusive  na Austrália e Inglaterra  terminou por se fixar nos arredores de Ilhéus, já que é natural de Itabuna.Wagner, como normalmente o chamo, é um artista plástico inquieto que mexe com todo tipo de material que lhe chega as mãos.
Em Ilhéus e Itabuna fez algumas esculturas públicas, construiu casas com características  de sustentabilidade,  fabricou alguns elementos para a construção civil, a exemplo de tijolos coloridos, de rara beleza.
Atualmente, sob a influência do mar, pois mora num condomínio que fica debruçado na orla marítima  próxima de Ilhéus, está fazendo esculturas que lembram os corais, local onde muitos animais marítimos vivem e se reproduzem.
Suas esculturas apresentam muitas reentrâncias  lembrando os buracos que servem de esconderijo para pequenos peixes e moluscos.As obras são feitas de  cimento com uma mistura especial e, em seguida consegue dar um colorido especial,  com um toque alaranjado através de fundição e, com o uso de fogo.
Wagner deseja realizar uma exposição em Salvador para mostrar seus novos trabalhos, os quais na realidade são diferenciados de muitos que já vimos por ai. O fato de ter se fixado em Ilhéus falta-lhe o conhecimento de galeristas  em Salvador e pessoas que possam agenciar as suas obras.

BAIANA ELIZABETH JOHANSEN EXPÕE NA NORUEGA

Esta é a artista Elisabeth
Tenho recebido, através da internet, alguns trabalhos da baiana Elisabeth Lopes Johansen que atualmente reside na cidade de Bjorn Nordland, na Noruega. Ela é baiana de Salvador, estudou no Colégio Estadual Alípio Franca e casou-se com um norueguês indo residir por lá.
Seus trabalhos tem um belo colorido e um clima de suavidade que remete a grandes mestres com suas temáticas românticas, outros nos transportam a uma arte mais ingênua com as figuras sem uma perspectiva muito definida. Mas, todos agradam pela forma e as cores .
Vejam a beleza que emana deste quadro onde um casal está com uma bicicleta. O azul claro domina todo o espaço , mas as figuras não deixam de sobressair apresentando um semblante quase angelical.
Elisabeth está tão afastada de nosso país, que já está confundindo várias palavras da nossa língua. Isto porque, talvez não tenha com quem praticar o português na cidade onde está residindo. Ela tem feito várias exposições e me informa que suas obras estão com boa aceitação.
Já este gato de olhar triste está nos fixando como a revelar um desejo de retorno, um desejo latente de alguém que precisa buscar forças em suas raízes. Eu particularmente não sou muito chegado a gatos. Prefiro cachorros e pássaros.Mas, plasticamente os gatos pintados ou desenhados são muito apreciados e dão um toque especial de esperteza.
Finalmente, quero dizer daqui de sua terra natal Salvador, que Elizabeth está de parabéns por manter vida a sua criatividade , mesmo nesta terra gélida e longe de suas raízes tropicais.Elisabeth Lopes Johansen, nascida em Salvador mora atualmente Bjorn Nordland, na Noruega, casada com  Agnar Joahansen.
Ela sempre está viajando e incorporando novas ideias que naturalmente surgem do contato com outras culturas.