sábado, 28 de setembro de 2013

CALASANS NETO E SEU ALBUM DE JAZZ

JORNAL A TARDE , SALVADOR , 19 DE ABRIL DE 1975

Uma das gravuras 
do álbum  DoJazz
A Associação Cultural Brasil-Estados Unidos inaugurou na última quinta-feira a sua Mini-Galeria Acbeu; em sua sede própria, no corredor da Vitória, número 214, com o lançamento do álbum Do Jazz do gravador Calasans Neto. Este álbum é o resultado de uma viagem de estudos que fez recentemente o gravador a convite do Departamento de Estado norte-americano.
Tive a felicidade de conhecer alguns dos trabalhos que compõem o referido álbum antes do seu lançamento, naquele momento de criação quando Calasans Neto estava inteiramente voltado para sua execução. Daí poder afirmar que este álbum é resultado também de um trabalho cuidadoso e apurado onde ele retrata os grandes nomes os jazz americano. É um álbum de tiragem limitada (apenas 50 exemplares) onde Calá utilizou uma técnica conhecida por buril e ponta seca. Cada álbum traz cinco gravuras.
O artista justifica a escolha do tema afirmando que este trabalho é uma descrição sentimental de sua viagem pela região do Mississipe onde nasceu o movimento jazzista norte-americano. Assim King’s Oliver, Emma Barret, Papa Celestin, Bunk Johanson, Louis Armstrong e George Cullen aparecem em suas gravuras com seus respectivos instrumentos musicais.
Outro detalhe é que o mestre Calá deixou de lado, por pouco tempo, a madeira, matéria-prima preferida para a confecção e expansão do seu espírito criador para trabalhar com o frio metal. Mas a sua arte venceu mas de alto nível, com as figuras do jazz do Mississipi.
O texto do jornalista e estudioso do jazz norte-americano Luiz Orlando Carneiro veio enriquecer ainda mais o trabalho de Calasans Neto. Vejamos um pequeno trecho:
E foi por isto que um certo Calasans Neto, homem afeito a lida dura da madeira e do formato, afeiçoado a cabra, baleias e outros bichos, baiano de Itapuã, viu-se um dia de repente em Canal Street”.

                                  A ARTE DE NIDE

Belas negras pintadas por Nide
O Pandeirista, 1975
A pintora Nide está trabalhando para sua próxima exposição que realizará em Brasília na Galeria do Eron Palace Hotel. Sua pintura apresenta um colorido e movimentação original. A maioria de seus trabalhos versa sobre o folclore baiano, onde negrinhos e negrinhas surgem com suas roupas tradicionais tocando pandeiros, vendendo acarajés, dançando sambas-de-roda ou maculelê. A figura humana é uma presença constante em seus quadros mesmo quando pinta casarios ou paisagens baianas. Ela tem um perfeito conhecido da harmonia das
cores e os tons mais vibrantes não chocam o espectador ao contrário dão alegria e um bonito cromatismo.
Nide começou a pintar ainda criança e sem ter passado por uma Escola de Belas Artes consegue criar trabalhos de nível. O que lhe interessa é pintar por uma necessidade intrínseca, por uma exigência espiritual.
Outro detalhe em sua pintura é o senso de humor das figuras que sempre estão rindo e brincando. O desenho é estilizado e muito pessoal, aliado a escolha perfeita das cores.

             COSTA LIMA VAI EXPOR NA GALERIA O CAVALETE

Uma obra mais recente do artista Costa Lima
O artista Costa Lima vai mostrar a partir do próximo dia 25 alguns trabalhos criados recentemente. Com apenas 28 anos de idade Costa Lima já nos apresenta bons trabalhos que certamente serão ainda mais aprimorados com o decorrer dos anos. Começou pintando paisagens e flores e hoje sua temática está voltada para o casario baiano onde consegue ser original, embora este tema seja constantemente explorado por artistas baianos. O interessante é que mesmo pintando casarios notamos a originalidade de sua pintura que difere de tudo que já foi feito. Sua pintura surgiu de uma espontaneidade criadora, pois Costa Lima nunca frequentou uma Escola de Belas Artes. Porém, o desenho é apurado, reflexo do curso de licenciatura em Desenho que ele faz em Universidade Federal da Bahia.
Destaca-se ainda o seu trabalho nos interiores onde as pinturas nos azulejos portugueses são retratados com perfeição. O jogo de luz e sombra. Os interiores no seu entender refletem o seu mundo, pois quase sempre está refugiado num canto de sua residência para criar. São trabalhos que inspiram calma naqueles que os observam.

        PRORROGADA A COLETIVA DA LE DOME

 A Le Dome  Galeria de Arte, prorrogou a  sua atual exposição até o dia 11 de maio próximo, tendo em vista o sucesso alcançado. Nesta coletiva estão expostos mais de 200 trabalhos de 36 artistas.da Le Dome Além de nos apresentar um grande número de trabalhos e participantes mostra como o movimento das artes plásticas na Bahia, especialmente em Salvador vem crescendo assustadoramente. O que é preciso é realização de muitas exposições e divulgação para que o grande público participe deste movimento. É preciso que as galerias de arte da Cidade não fiquem presas apenas a comercialização imediata dos trabalhos ali expostos. É preciso pensar mais longe. Sim, porque o estudante de hoje será o comerciante, o profissional liberal de amanhã e certamente se for alertado cedo para a importância do trabalho artístico, quando ele tiver poder aquisitivo passará a adquirir e prestigiar o movimento. Daí acreditar que as galerias de arte deveriam ser mais abertas, isto é, deveriam preocupar-se em levar arte ao povo, principalmente aos jovens estudantes. Que este papel não fique restrito apenas aos museus que vivem constantemente enfrentando problemas de ordem financeira. Este trabalho realizado também pela galeria de arte contribuiria em muito para que os artistas expositores ficassem conhecidos do grande público.