sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

SÉRVULO ESMERALDO EXPÕE EM SALVADOR

São  mais de 50 anos de dedicação à arte. Um cearense que saiu de seu canto , a cidade do Crato ,e foi para a Europa onde passou boas temporadas trabalhando, aprendendo, mantendo contatos e amizades com artistas importantes.É um criador nato que pensa e elabora com cuidado quase científico o que vai resultar da sua ideia inicial. Desenha e imagina posições e os materiais que vai utilizar para concretizá-la. Neste seu processo criativo  nos apresenta uma série de volumes, que colocados em determinados locais nos leva a criar uma infinidade de imagens.São representações de papéis feitos de aço trefilado e outros metais que parecem voar nas paredes; são estruturas circulares dobradas ,côncavas ou convexas dispostas no chão, que nos dão a sensação de que podem ser manuseadas, criando pessoalmente outras possibilidades de composições;são junções de elementos que se lançam ao espaço em busca de altura; são volumes que se dobram e outros que deixam suas sombras como se fossem a continuidade da obra.

A vontade que a gente tem é de tocá-las e manuseá-las criando nossas próprias formas. É uma produção que prima pela racionalidade.Sua formação  certamente influencia na sua criação, embora a sensibilidade demonstrada na sua produção  foge um pouco do concretismo mais apurado.
Nascido no Crato, em 1929, Sérvulo Esmeraldo é escultor,gravador,ilustrador e pintor.Em sua biografia está registrado que começou como um artista dedicado à xilogravura. Em seguida foi residir em São Paulo,e logo depois fundou o Museu da Gravura em sua cidade natal.
Sua primeira viagem à Europa foi através uma bolsa do governo francês, onde foi estudar em Paris litografia na École Nacionale Supérieure des Beaux-Artes e, em seguida, inicia seu trabalho em metal.
Nos anos 60 participa do movimento cinético, quando cria obras movidas pela eletricidade estática.
Volta em 78 para Fortaleza e começa a trabalhar com chapas de aço produzindo suas esculturas com planos dobrados e pintados.Em 1986 organiza a 1ª Exposição de Escultura Efêmera de Fortaleza e passa a criar relevos que  sugestionam encontro de faces. 
Agora Sérvulo Esmeraldo com toda sua experiência com os materiais utiliza a geometria para suas construções e volumes vazados que são muito apropriadas para a gente observá-las no silêncio de uma tarde. Ai surgem diante de nós as possibilidades de girar, de dobrar, de mudar de lugar e assim vão surgindo em nossas viagens imaginárias novas obras. É como se fosse um exercício lúdico, um aprendizado inesgotável.
Sérvulo Esmeraldo ao centro ladeado por mim
e o pintor,italiano Gianfranco D'Andrea
 Estive presente na abertura da mostra na galeria Paulo Darzé oportunidade que troquei algumas poucas palavras com o artista. Embora em algumas fotos  apareça com o semblante fechado é uma pessoa de fácil acesso e cordial. Falou  de sua estadia na Europa e pouco lembrava que já foram realizadas aqui algumas exposições com suas obras. O que importa é que ele está ai firme produzindo e tendo a satisfação de ver e ouvir que sua obra está sendo apreciada por um público amplo.
Outro aspecto importante salientar é que embora já tenha mais de oitenta  anos de idade sua obra é de uma contemporaneidade ímpar. Pode figurar em qualquer museu ou coleção importante da arte contemporânea feita no mundo .Ele é um protagonista e um criador antenado com  o que acontece ao seu redor.




quarta-feira, 26 de novembro de 2014

AS EXPERIMENTAÇÕES DE JOSÉ BECHARA EM SALVADOR


O artista experimental carioca estará expondo em Salvador a partir  do próximo dia 31 na Paulo Darzé Galeria de Arte, na Vitória, com trabalhos onde utiliza materiais e métodos diversificados. Ele pertence a Geração 90,  frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage e partiu de uma produção pictórica para uma linguagem mais abrangente, onde seus trabalhos se transformaram em esculturas e instalações. Também, ainda desenha e pinta e "trava um diálogo com a arquitetura".
Afirma  Luis Camillo Osório no texto introdutório sobre Bechara para Fendas,no catálogo da exposição individual do artista no MAM em 2011: “A saturação das oxidações foi se acumulando, por pressão da própria maturação da poética do seu processo, na superfície das lonas e se projetando no espaço. Este jogo entre saturação e estruturação acompanha o desenrolar do trabalho. Ora predomina a densidade métrica, o acúmulo de elementos que se concentram e se expelem, ora sobressai o esforço estruturante, a grade geométrica e o desenho linear”.
Ele já expôs aqui em bienais e outros eventos importantes além de realizar várias individuais. Depois 
de quatro anos no Parque Lage ,integrou um ateliê coletivo na Lapa, no centro histórico do Rio de 
Janeiro com seus colegas Ângelo Venosa, Luiz Pizarro, Daniel Senise e Raul Mourão. Já em 1962 
inicia suas experimentações com suportes e técnicas diversas, característica que marca sua 
produção artística.Experimenta vários tipos de materiais como lona de caminhão usada e couro 
bovino, e também técnicas de oxidação do cobre e o ferro.
 "Em 2002, aos 45 anos, Bechara realizou sua primeira experiência escultórica com A casa, durante uma residência artística em Faxinal do Céu, Pinhão, Paraná, sob a curadoria de Agnaldo Farias e Fernando Bini, e a consultoria de Christian Viveros. A versão inicial deste projeto foi pensada a partir da casa que servia de habitação e ateliê para o artista durante a residência. A mobília da casa foi reorganizada, se projetando para fora pelas portas e janelas e a peça foi fotografada, dando origem a duas séries: Temporária Paisagem Doméstica ou Não Me Lembro Do Que Dissemos Ontem, que hoje integra coleções nacionais e internacionais, entre elas a  do Centro Pompidou , em Paris, França. Outros desdobramentos desse projeto são Área De Serviço, uma exposição no Paço Imperial do Rio de Janeiro, organizada no programa Atelier Finep em 2004, que mostra conjuntos de móveis domésticos organizados plasticamente; e algumas séries de trabalhos de experimentação gráfica como Externo e Interno.
Em 2004, uma exposição no MAM-Rio, intitulada A Casa, reuniu todo o processo até então desenvolvido além de uma peça escultórica de madeira em dois volumes com o mesmo título. Open House, uma série de esculturas em menor dimensão desenvolvida a partir de 2006, também trata o tema da casa simbólica e plasticamente. Em 2006 o artista fez a escultura Ok, Ok, Let’s Talk, uma instalação de mesas de jantar formando um plano irregular intercaladas por duas cadeiras. Esse trabalho foi exposto na Pinacoteca de São Paulo, assim como no Patio Herreriano, Museo de Arte Contemporáneo Español e na Galeria Mário Sequeira, com uma versão em madeira e uma versão em aço.
A Série Esculturas Gráficas, iniciada em 2009, representa bem a tensão que trabalha o artista entre o geométrico e o material. Obras dessa série foram expostas em importantes instituições como o MAM-Rio de Janeiro, o Instituto Tomie Ohtake e Carpe Diem Arte e Pesquisa, Lisboa. Em 2010, com a série Gelosia, Bechara começa a trabalhar com o vidro como suporte para suas obras. Placas de vidro com oxidação de aço, placas de fórmica e tinta acrílica constituem peças escultóricas que se apoiam contra a as paredes e quinas das salas de exposição." Wikipédia.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

MIGUEL CORDEIRO VAI EXPOR 60 OBRAS


 Obras em acrílica sobre tela, colagens, plotagens em fine art e intervenções com stencil de autoria do artista baiano Miguel Cordeiro serão apresentadas a partir do próximo dia 25, às 19 horas , no Palacete das Artes,que fica localizado no bairro da Graça.
Serão mostradas um total de 60 obras, quantidade suficiente para o visitante ter uma ideia aproximada do universo criativo deste artista que está no mercado há algumas décadas. Ele começou com incursões nos muros da cidade, ocasião em que fiz uma longa matéria para o jornal A Tarde, revelando para os baianos o autor de grafites que deixaram muita gente curiosa, especialmente com o personagem Faustino. Isto foi em março de 1985, quando escrevi na abertura da matéria:
"Trata-se daquele misterioso personagem que sai durante as madrugadas pichando com frases inteligentes os muros da cidade. Seu verdadeiro nome é Miguel Cordeiro, economista, e autor das célebres frases:Faustino ouve Júlio IglesiasFaustino mora com a tiaFaustino leva a Bahia a sério,Faustino parcelou uma excursão para Bariloche, e muitas outras. Agora o nosso Faustino vai expor. E, parafraseando o Miguel Cordeiro diria que Faustino expõe em Museu."

Miguel Cordeiro é um artista múltiplo e conectado com o que acontece no mundo .Suas intervenções sempre revelam  atualidade. É uma arte pensada e que instiga o espectador.o artista mostrará 60 obras em diversas técnicas : acrílica sobre tela, colagens, plotagens em fine art e intervenções com stencil.
Portanto, são impressões em fotografias, desenhos, pinturas e arte digital que ele faz através da dispersão da tinta e da escrita.
 Esta mostra atual permanecerá de 25 de novembro a 22 fevereiro 2015.

QUEM É 

Miguel Cordeiro nasceu na cidade de Salvador, Bahia, Brasil, no ano de 1956. Artista autodidata começou a realizar trabalhos com desenho, colagem e pintura a partir da primeira metade da década de 1970, com influências da Arte Pop, do Rock, das histórias em quadrinhos e livros de escritores ligados ao movimento da Contracultura. Reconhecido como um dos pioneiros do Graffiti e Street Art no Brasil, quando em 1979 criou o personagem Faustino ao retratar nos muros das cidades aspectos do comportamento humano em um mundo de permanente transformação. Participou de dezenas de exposições e mostras no circuito alternativo, e com o advento da Internet, dos Blogs, das redes sociais o seu trabalho adquire maior alcance fazendo com que sua arte seja analisada e compartilhada por diversos sites e revistas virtuais - nacionais e internacionais, que abordam a trajetória da cultura contemporânea.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

LYGIA SAMPAIO EXPÕE AOS 86 ANOS DE IDADE

Lygia dando entrevista a uma
emissora de televisão na expo
.
Uma das primeiras  modernistas da Bahia , a artista Lygia Sampaio é hoje quase uma cult devido a sua vida pacata e ao afastamento do círculo cultural de nosso Estado. Aos 86 anos de idade ela volta a aparecer agora com uma exposição no Museu de Arte Sacra da UFBa ,o que é muito importante para as novas gerações conhecer esta artista de talento, mas, que não conseguiu ou não quis acompanhar de perto o movimento e a produção de arte. Talvez um pouco culpa do seu temperamento quieto ou mesmo por uma opção de ficar reclusa cuidando de sua vida como funcionária pública e doméstica.
Leonel Matos e Reynivaldo
Brito ao lado da artista
Porém, o que nos revela é que Lygia nunca deixou de pintar. É verdade que não é uma produção comum a um artista que esteja no mercado disputando o seu espaço. Porém, lhe permitiu  ficar com os  pincéis e outras ferramentas de trabalho expressando seus sentimentos através de sua arte.
Quando comecei a me interessar por arte já ouvia falar de Lygia Sampaio. Certo dia fui a uma exposição no antigo Desenbanco onde pude apreciar a qualidade, a expressividade  e a beleza de sua arte. Depois poucas vezes ouvi falar da artista, mesmo frequentando o círculo de arte e mantendo contatos com muitos artistas. Como uma monge Lygia vivia recolhida no seu mundo particular , longe das vernissages e dos encontros de arte.

Cici e Vardete, óleo de Lygia,1949
Recentemente ela falou mais ou menos assim, com seu jeito cheio de simplicidade, que tinha feito umas santinhas e que as achava bonitinhas. Em seguida arrematou : não sei se estou fazendo isto porque já estou velha. Esta é a Lygia Sampaio, com seu corpo frágil, falando baixinho dando mais uma demonstração do seu temperamento humilde.

Não vejo  indiferença do meio artístico com relação a ela. Todas às vezes que ouvi alguém falar de Lygia Sampaio surgiram os elogios. O que deve ter acontecido é quando um artista se esconde, fica recluso ele está dando sinais ao mercado e aos colegas que não quer ser importunado.Ora, o mercado é dinâmico, a vida é dura pra ser tocada, então o recluso vai ficando naturalmente de lado. Este distanciamento muitas vezes funciona como um start e o artista passa a produzir mais e mais . Outras vezes, a falta de estímulo de colegas e do mercado fazem com que o artista produza muito pouco e não evolua.
Centro histórico pintado por Lygia há algumas décadas.


Lygia frequentou a Escola de Belas Artes, mas terminou abandonando devido aos horários que eram conflitantes com os da Prefeitura onde trabalhava. Ela lembrou também que quando estava estressada  no trabalho dava uma volta pelo centro histórico e fazia alguns desenhos . Naquela época esta região da cidade era tomada por prostitutas e malandros especialmente a área do Pelourinho. Portanto, de certa forma ela se arriscava para praticar a sua arte.
Estive na abertura da exposição de Lygia e fiquei realmente impressionado com os desenhos, as xilogravuras e os quadros a óleo que ela pintou durante seus 60 anos de arte. Sendo uma das pioneiras do modernismo baiano e brasileiro Lygia Sampaio precisa ser melhor avaliada e valorizada pela qualidade de sua arte e por este legado que deixa para a arte brasileira. 
Senti de perto que esta mulher valorosa, hoje, frágil, devido aos seus 86 anos de idade , tem uma história de vida dedicada à arte. 
Estava  feliz e rodeada de muitos amigos . Poucos artistas das  novas gerações estiveram presentes na vernissage. Isto é uma demonstração de desinteresse  em aprender, em melhorar a arte que produzem, com uma artista que verdadeiramente sabe pintar.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O PRETO NA PINTURA DE GIANFRANCO D'ANDREA



Ao chegar no espaço  do Restaurante Saúde Brasil, na Rua Humberto de Campos, no bairro da Graça, onde estava a exposição de Gianfranco D'Andrea chamou a minha atenção a cor preta, sempre presente em todos os quadros expostos. Não é um preto que encontramos constantemente na maioria das telas e outras manifestações visuais.Não, é um preto denso, onde seu olhar é deslocado e, em seguida passa a focar outros elementos da obra.
O preto dá uma dramaticidade inquietante. Em determinado momento, notamos que tem algo bem racional, que nos transporta à pintura de Francis Bacon, especialmente uma das obras,  que apresenta um homem sentado numa cadeira pisando numa mancha rósea.
Natural de Roma o pintor Gianfranco  observou que sua cidade veste-se de negro para aguentar o tráfego pesado do dia a dia em suas ruas e avenidas. É o preto do asfalto betuminoso que impede a penetração das águas das chuvas no solo e a deixa escorrer pelos esgotos, que vão poluir rios e mares. Enquanto os carros passam celeremente por cima do negro asfalto trazendo conforto a seus condutores e passageiros. 
Diante da sua reflexão o artista decidiu aplicar  o betume negro em suas telas dando-lhe um uso mais nobre para a contemplação daqueles que tem a sensibilidade de ver e refletir.


Num dos quadros expostos senti a presença da bela e romântica Veneza. Com seu ambiente triste ao entardecer, muito bem lembrada por Charles Aznavour na canção " Come'e'Triste Venezia".
 Numa viagem que fiz à Europa desembarquei em Veneza exatamente ao entardecer. Senti a tristeza cantada pelo cancioneiro armênio-francês e agora lembrada neste quadro acima.
Muitos dos quadros presentes na exposição tem uma áurea de saudade, de uma tristeza da terra que ficou para trás, além da tranquilidade que perpassa o nosso espírito.
Suas pinceladas definem os volumes sem detalhar. Suas telas fascinam também, por transportar-nos à quietude , embora estejamos numa metrópole barulhenta.

domingo, 24 de agosto de 2014

AS ILUSÕES DO REAL DE HILDEBRANDO DE CASTRO

O pernambucano Hildebrando de Castro está expondo pela primeira vez em Salvador com a mostra intitulada Ilusões do Real, onde apresenta doze pinturas em acrílica sobre tela e placas de mdf, na Paulo Darzé Galeria de Arte, que fica numa rua transversal ao Corredor da Vitória.
Sem título. Acrílica sobre
tela de 100x100cm - 2014
Uma das características da produção de Hildebrando é que nos remete à arquitetura e certamente notamos um preciosismo na execução das obras. São traços firmes e bem definidos que retratam as lâminas dos chamados brise-soliels , que são aquelas lâminas , fixas ou móveis, que impedem o sol de incidir diretamente nas paredes ou nos ambientes,mas deixam o ar passar livremente. 
Ele encontrou estes elementos no prédio anexo da Câmara dos Deputados, em Brasília, mas você poderá encontrá-los aqui em alguns edifícios. Me parece que o da IBM, no Canela, possui alguns brise-soliels, parecidos com esses que o pernambucano pintou. O seu trabalho começa com a fotografia, pois ele passou algum tempo fotografando em Brasília e, em seguida,  estudando para realizar as suas pinturas com perfeição e mais próximas do real. Não vejo qualquer significado  filosófico . O que vejo é trabalho, sensibilidade de observação e habilidade em realizar o seu desejo. É um trabalho que tem uma elaboração bem próxima da arquitetura. Até mesmo a foto do artista trabalhando incluída no belo catálogo demonstra claramente o seu ofício ao traçar utilizando uma régua e lápis, ferramentas também ligadas ao dia a dia  arquitetônico.
Hildebrando concentrado em sua
arte limpa e geométrica
 Embora autodidata Hildebrando tem, ao reproduzir os brise-soliels um encontro com a arquitetura desde o momento que mira o majestoso prédio do anexo da Câmara Federal, seleciona e fotografa os elementos que lhe interessa e vai para seu atelier reproduzir na tela e nas placas de mdf. Evidente, que não é uma simples reprodução, porque esses elementos permitem ao artista um jogo livre de cor e sombra , que muda de acordo com a incidência de luz, e ai surgem as combinações infinitas. 
Neste conjunto de obra a figura humana está totalmente ausente e, o que interessa é o geometrismo, a cor e a sombra que incide sobre os elementos pintados. 
Diria que é um trabalho cerebral, pensado. Um trabalho onde o artista se predispõe sim, a reproduzir elementos da arquitetura, só que dando sua contribuição individual de sua habilidade, de seus gostos e desejos na escolha da cor e da incidência da luz. 
Objeto,acrílica sobre mdf de
80x80x7cm - 2011
Diz Hildebrando no texto distribuído pela galeria : "Me chamou a atenção sobretudo a situação rítmica que as lâminas verticais criavam, pois cada movimento singular de abrir ou fechar as janelas geravam uma nova composição com infinitos matizes e valores tonais em função da luz projetada nos elementos. Apenas recorto um detalhe da arquitetura, a composição geométrica".
O artista nasceu em Olinda em 1957 e passou sua infância e se desenvolver profissionalmente no Rio de Janeiro. Sua primeira individual foi no Museu Nacional de Belas Artes,em 1980.Morou durante onze anos em Paris e Nova York desde 2004 vive em São Paulo. 
Sempre trabalhou no terreno da representação figurativa, valendo-se da estratégia de empregar o enquadramento e a luz da fotografia como referência para construção de sua pintura. 
Vieram os primeiros trabalhos com pastel seco e ai suas experimentações pictóricas que o levaram ao domínio do óleo e da acrílica. Já nesta sua nova série agora mostra em Salvador, traz substrato para unir geometria e representação, e estabelecer vínculos com o construtivismo e suas vertentes.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

ESCULTURAS EM MADEIRA DE TON DIAS


Tenho recebido com certa frequência e-mails  sobre trabalhos de artistas de outros estados e entre esses um que me chamou a atenção foi o de Ton Dias , de Belo Horizonte, Minas Gerais, que trabalha com esculturas em madeira.
Ele se encanta com  as texturas de cada tipo de madeira , as quais interferem e influenciam em suas obras.As que mais tem utilizado são tauari branco, marupá,vinhático-do-campo, jequitibá, peroba, cedro , dentre outras,que lhes permitem um movimento espetacular nas suas esculturas de parede.
Começou fazendo guitarras especiais , onde permaneceu por uma década criando instrumentos personalizados com suas esculturas , em seguida, passou a fazer entalhes com tendência figurativa, quando apareceram os cavalos, aves , mulheres e outros seres e objetos. Atualmente, está trabalhando mais com esculturas abstratas, onde diz conseguir mais liberdade em seu processo de criação.
Tudo começa com um simples esboço e depois do contato com a madeira vai seguindo com certa liberdade aquele esboço que pode ser abandonado ou alterado de acordo com as texturas que vai encontrando com sua criatividade aguçada. 
Ton Dias não cursou nenhuma academia, tudo brota do universo que está ao seu redor que vai lhe influenciando. Veja que começou a fazer guitarras especiais em 2001 e permaneceu até 2010. Em 2011 iniciou suas esculturas figurativas e por incentivo de amigos passou também a criar esculturas abstratas. Portanto, seu caminho ainda tem muito a ser percorrido e, certamente, Ton Dias vai nos mostrar em breve esculturas em três dimensões para que possamos continuar acompanhando e apreciando a sua arte.
Ele  revela que o mercado de arte é muito competitivo e difícil, mas, que está ai lutando por seu espaço procurando cada vez mais aprimorar sua técnica escultórica.




terça-feira, 29 de julho de 2014

SALÃO DE ARTE EM VITÓRIA DA CONQUISTA


Obra "Linha Fina" de Carla de  Carvalho
 As vinte e cinco obras selecionadas em Vitória da Conquista estão expostas no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima , desde o último dia 18 e ficarão até 31 de agosto. A  mostra poderá ser visitada diariamente, das 9 às 21 horas, com entrada gratuita. Na noite de abertura, com a presença dos artistas e demais convidados, um júri especializado concedeu prêmios de R$ 7 mil, cada um, para três trabalhos, assim como menções especiais, e houve também o Prêmio do Público, escolhido através do voto dos visitantes. O evento conta com o apoio da Diretoria de Espaços Culturais da SecultBA e da Prefeitura de Vitória da Conquista.

Foto "Réquiem Velha Bahia", de Flávio Lopes
O Salão em Vitória da Conquista apresenta  obras em diversos estilos e gêneros, com temática livre, de artistas não apenas de Conquista, mas também de Salvador, Juazeiro, Ilhéus, Lençóis, Araci, Seabra e Feira de Santana. A exposição finaliza a retomada da edição de 2013 do projeto, que foi suspenso no ano passado para a regularização de compromissos relacionados ao cumprimento aos Decretos nºs 14.682 e 14.710/2013, que determinaram o contingenciamento no orçamento das secretarias e órgãos estaduais. Antes, ainda em 2013, os Salões de Artes Visuais da Bahia haviam sido realizados em Feira de Santana e Teixeira de Freitas. Este ano, foi a vez de Barreiras, no Oeste, Lençóis, na Chapada Diamantina, e agora Vitória da Conquista.

Consolidados em 21 anos como um dos principais meios de incentivo à criação e difusão de produção artística e à dinamização dos espaços expositivos do interior do estado, os Salões de Artes Visuais da Bahia objetivam apresentar a diversidade da produção baiana em artes visuais, divulgar o trabalho dos artistas e estimular a reflexão sobre temas atuais da área. Na edição de 2013, houve um recorde de inscritos: das 463 propostas apresentadas, por meio de edital público, foram selecionadas 108 obras realizadas por 77 diferentes artistas.

OS PARTICIPANTES

Veja os nomes dos artistas participantes do salão: Alex Moreira, com a obra “Planta de Arte” (técnica mista - computação gráfica e impressão); Alex Oliveira, “Ritos de Passagem” (videoarte); Álvaro Villela, “Nós, os marcianos” (fotografia); André Souza, “Castelo” (impressão sobre papel fotográfico); Carla de Carvalho, “Fina Linha” (mista de prensagem das fibras da tala da folha do coqueiro da Bahia tingidas e ourivesaria em cobre e latão); Clara Domingas, “In memoriam” (pintura); Devarnier Hembadoom Apoema, “Vitória Régia, (fotografia); Fábio Duarte, “Série Salvador/Ruído e Desalinho em Tons Vibrantes” (fotografia de aparelho móvel); Fábio Gatti, “Eu Boneca” (instalação fotográfica); Fernando Gomes, “Reencontro A” (fotografia); Flávio Lopes, “Réquiem para a Velha Bahia” (Videoarte); Flos, “Grafiitti em mobiliário urbano” (intervenção); George Neri, “Pipa” (instalação); João Oliveira, “Ficções. Segmento do dorso” (gravura em metal – tríptico); Márcio Junqueira, “Self Portrait (2012)” (Videoarte – tríptico); Núbia Pinheiro, sem título (fotografia); Pablo Cordier, “Derradeiro ato; último aplauso (Desenho poliptico);Pedro Juarez, sem título (políptico de fotografia); Roberta Nascimento, “Reação em Cadeia: Agente se Liga em Você” (performance instalação); Rodrigo Freire, “Code” (intervenção); Rodrigo Wanderley, “Noites Interiores” (fotografia); Talitha Andrade, “Diário de Notícias” (intervenção urbana); Tina Melo, “Velados” (instalação); Wianey Santiago, “Corria, enquanto atravessava. Sweet para quando estiver pensando em você não marear” (instalação); Yúri Ferraz, “Instalação com 10 pinturas” (instalação). ( Informações de João Saldanha)



quarta-feira, 23 de julho de 2014

CONCURSO DE FOTOS EM CONTAGEM

Revelar as belezas e as peculiaridades da cidade de Contagem  e de seu patrimônio é o objetivo da Prefeitura, por meio da Fundação Cultural de Contagem (Fundac), na realização do sexto concurso de fotografia "Revelando Contagem". O concurso faz parte do calendário oficial de eventos do município e teve início em 2009. Podem participar do concurso, fotógrafos amadores ou profissionais de todo o Estado.
Com o tema "Essa Gente de Contagem", o concurso será realizado no período de 30 de junho a 29 de agosto. Nesta edição do Revelando Contagem, a Fundac busca fomentar as produções fotográficas que revelarão a beleza das pessoas, por meio das festas e manifestações. O concurso visa registrar o cotidiano das pessoas, seus hábitos, as particularidades étnicas, a origem da população, a religiosidade, o lazer, o transporte, a formação familiar, retratando o dia a dia das pessoas.
A presidente da Fundac, Renata Lima, convida os participantes a viajarem por Contagem. "O sentimento de pertencimento a esta cidade e o orgulho de ser contagense se estampa nos rostos e nos gestos das pessoas que nasceram, trabalham ou simplesmente visitam nossa cidade para participar dos festejos e tradições. Que seu olhar seja compartilhado conosco e com toda a cidade, desejo sucesso aos participantes", incentiva Renata Lima.
Inscrições
As inscrições para a 6ª edição do concurso Revelando Contagem estão abertas até o dia 8 de agosto. As fotografias, acompanhadas da Ficha de Inscrição (Anexo I) e das cópias dos documentos de identidade e CPF, devidamente preenchida e assinada pelo autor, bem como a declaração, se houver, da participação de menor (Anexo II), e a Autorização de Uso de Imagem (Anexo III), deverão ser enviadas para o e-mail revelandocontagem@gmail.com, ou entregues na sede da Fundac, pessoalmente ou  por meio de Sedex, com postagem até a data limite prevista no item 5.1, no endereço localizado a rua Doutor Cassiano, 120, Centro, Contagem. CEP: 32.017-230.
Premiação
A 6ª edição do evento conta com apoio e patrocínio do Big Shopping. As três melhores fotos e seus respectivos autores serão conhecidos no dia 29 de agosto de 2014 e receberão a premiação: 1º prêmio: R$ 3.000,00 ; 2º prêmio: R$ 2.000,00  e 3º prêmio: R$ 1.000,00.
(Texto AI)

domingo, 6 de julho de 2014

PERFORMANCE CARIMBA A 3a. BIENAL DA BAHIA

Foto Google
A performance da artista portuguesa  na 3ª Bienal da Bahia
Após 46 anos a Bienal da Bahia iniciou sua 3ª edição (dia 29 maio de 2014 ) marcada pela performance da artista portuguesa Luisa Mota, que em forma de um cortejo ou procissão, como querem alguns , levou 70 pessoas, divididas em dois grupos, a desfilarem do Solar do Unhão até o Passeio Público. Algumas completamente nuas e outras vestidas com um papel laminado. Evidente que as pessoas desfilando sem roupas chamaram a atenção e provocaram até protestos dispersos de  espectadores  pegos de surpresa.
Para uma integrante do grupo que desfilou nua sua presença ali foi uma forma de protesto, porque em sua opinião o artista não pode ficar preso a dogmas. Outro disse que esta performance serve para abrir a mente das pessoas. Entendo, que servindo de protesto ou mesmo para abrir a mente das pessoas foi a performance que carimbou esta Bienal e, assim ficará registrada para sempre.
Aprecio quando a arte sai dos espaços limitados de uma galeria e ganha as ruas e os parques para que um número maior de pessoas veja e se expresse diante do que está sendo apresentado, quer seja através uma performance ou mesmo em presença de uma escultura ou outro objeto de arte.
Acho importante que após mais de quatro décadas a Bienal da Bahia seja retomada e todos os envolvidos merecem aplausos, porque sei que o esforço foi grande para reunir todo este pessoal e colocar em prática este evento. Porém, defendo que a nossa Cidade tem carências extraordinárias e a primeira delas é a falta de um imóvel apropriado e moderno para abrigar grandes mostras de arte .Com estes R$7 milhões gastos com a Bienal poderia ter sido construído um prédio que ficaria ai por muitos e muitos anos servindo a bienais, mostras grandiosas, performances e todo tipo de manifestação artística, a exemplo do que acontece no Ibirapuera, em São Paulo e, em outras cidades.Agora mesmo a cidade de Campina Grande, na Paraíba, está edificando um prédio para um museu regional. O nosso Museu de Arte Moderna precisa de um espaço mais adequado. O prédio centenário e majestoso  do Solar do Unhão é inadequado, apesar dos esforços de climatização.
Reconheço e tenho convicção que esta Bienal vem resgatar a posição da Bahia no cenário da arte nacional e mexe com a consciência e comportamento das pessoas. Ainda devemos registrar que não deixou de fora artistas que há anos vêm contribuindo com a  arte baiana entre eles Juarez Paraíso e Sante Scaldaferri. É claro que não são os únicos, mas temos que entender que a limitação física e financeira são algumas determinantes quando vai se realizar um evento.Outro aspecto considerável é que retoma as duas bienais anteriores, servindo para informar aos jovens artistas ou não e, deixar registradas como essas manifestações anteriores foram mostradas em nossa Cidade.
Mas, como dizia Drummond : "No meio do caminho tinha uma pedra".Um dos convidados, o artista português Antonio Manuel recusou participar e protestou considerando que "Reencenar essa exposição é uma loucura. Estão fazendo isso sem considerar o que aconteceu naquele ano de 1968.Temo muito pela coisa".
Ele participou da 2ª Bienal da Bahia com um painel de 4 metros chamado "Repressão Outra Vez," onde enfocava a  violência nas ruas entre policiais e estudantes. Seu painel desapareceu e dizem que teria sido queimado pela repressão.
Devido a este fato Antonio Manuel , que é um premiadíssimo cineasta, e atualmente mora no Rio de Janeiro, disse que a 3ª Bienal da Bahia " não respeita esse clima", referindo-se a violência da ditadura. E, acrescentou: "Eles assumem com esse nome o passivo da memória da ditadura, da violência. Estou indignado com essa história, com essa tentativa de criar algo político sem dar a mínima satisfação aos artistas. Espero que não copiem nem encenem o meu trabalho".
Os curadores têm tentado convencer com explicações, às vezes não convincentes, recolocar a memória e um deles chega a afirmar que " não é um remake "  e, sim que, " queriam reencenar uma luta."
 Ora, remake significa reefilmagem, reepresentação, reedição, reencenação, etc..Portanto, Antonio Manuel tem razão no seu protesto. Acrescento também  que não sabemos  como reagiriam a este remake de R$7 milhões os artistas  participantes da 2ª Bienal , já falecidos.
Vamos aguardar a segunda etapa!


quarta-feira, 14 de maio de 2014

EXPOSIÇÃO DE MÁRIO CRAVO DIA 30 DE MAIO



Nuvens, escultura em latão com 70 cm X 108 cm ,
datada de 2013.
Aos 91 anos de idade o artista Mário Cravo é um exemplo de  homem que ainda tem disposição para fazer exposição,continuar trabalhando  com sua sabedoria e inquietude criativa.Sabemos que é um dos pioneiros do movimento da arte moderna em nosso Estado e, sem qualquer dúvida, integra a galeria dos  mais importantes  artistas brasileiros do século XX .
O artista vai apresentar esculturas inéditas ,sendo que as obras a serem mostradas são feitas de aço,cobre,bronze e ferro,totalizando 41 trabalhos em tamanhos variados, a partir do dia 30 deste mês na Paulo Darzé Galeria de Arte.
Mário Cravo Júnior é natural de Salvador, Bahia . Veio ao mundo no dia 13 de abril de 1923. Estudou nos Estados Unidos, Universidade de Syracuse, trabalhou em Nova Iorque, viveu e realizou exposições na Alemanha, como Artists in Residence , pela Ford Foundation, ganhou prêmio na I Bienal de São Paulo, participou da XXVI Bienal de Veneza, da IV Exposição Internacional de Escultura Contemporânea no Museu Rodin, Paris, 1ª Exposição Bienal Internacional de Gravura de Tóquio, da I Bienal Nacional de Artes Plásticas, em Salvador, com sete esculturas criadas na proporção do claustro do Convento do Carmo, formulação até aquele momento inovador em conceito e forma, nas suas peças medindo de três a sete metros de altura.
Expôs pela primeira vez  individualmente em 1947 -Mario Cravo Júnior Expõe,no Edifício Oceania em  Salvador/BA e Mario Cravo Esculturas e Desenhos na Associação de Cultura Brasil-Estados Unidos -ACBEU, também em Salvador/BA, e coletivamente em 1943 no VII Salão ALA, na Biblioteca Pública, Salvador/BA. Realizou na sua trajetória mostras em galerias de várias cidades brasileiras e do exterior entre as quais em New York, Washington DC, Minneapolis,  San Francisco, Colorado, St. Louis, nos Estados Unidos; Berlim, Munchen, Bonn, na Alemanha; Zurique, Berna, Neuchâtel, na Suiça; Santiago, Chile; Paris, França; Tokio, Japão; Madri, Espanha; Oshogbo, Lagos, Nigéria; Castellanza, Itália; Lisboa e Guimarães, Portugal; Macau, China; Buenos Aires, Argentina; Panamá, Costa Rica, Guatemala, México e Cuba, e desde o início vem realizando exposições e tem trabalhos em locais públicos, experimentando um contato direto da arte com o homem urbano.
Máscara,escultura em aço Inox com
 59 x 47 x 37 cm, de 2014
 
 As suas obras estão espalhadas por vários países nos acervos dos museus de Arte Moderna de Nova Iorque, Jerusalém, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Pampulha (em Minas Gerais); Museu de Arte de Jerusalém, Rio Grande do Sul, Bahia, Feira de Santana, São Paulo; Pinacoteca do Estado de São Paulo; Museu Afro Brasil; Fundação Armando Alvarez Penteado; Museu Chácara do Céu – Fundação Raymundo de Castro Maya; Museu de Arte Sacra da Bahia; Museu da Cidade do Salvador; Museu de Antropologia da Bahia; Núcleo de Artes da Desenbahia; Walker Art Center; e ainda nos Museu Hermitage (Rússia), Walker Art Center (Minneapolis/Estados Unidos). Entre as suas premiações temos: 2º Prêmio do 3º Salão Baiano de Belas Artes (1951); 3º Prêmio da 1ª Bienal de São Paulo/1951; 1º Prêmio do 2º Salão de Arte Paulista de Arte Moderna/1952; 2º Prêmio da 3ª Bienal de São Paulo/1955; 2º Prêmio da 1ª Exposição de Arte Sacra da Pontifícia Universidade Católica do Brasil, Rio de Janeiro/1956.
A exposição ficará aberta até 20 de junho e  está aberta a visitação pública  gratuita de segunda a sexta, das 9 às 19 horas, e sábados das 9 às 13 horas, na Rua Chrysippo de Aguiar,nº 8, Corredor da Vitória, Salvador, Bahia .

segunda-feira, 28 de abril de 2014

FLORESTABILIDADE DE GIL MÁRIO EM ARACAJU

Esta obra  será exposta por Gil Mário em Aracaju
O artista feirense Gil Mário está comemorando 40 anos de arte com uma  exposição na cidade de Aracaju, Sergipe, na Galeria de Arte Jenner  Augusto, da Sociedade Semear. Seus trabalhos versam sobre a natureza com o sugestivo título de Florestabilidade.
Lembro que na década de 70 o artista pintava muitos pássaros, especialmente garças e, agora nos apresenta as folhagens das nossas florestas exuberantes que são focadas com maestria pelos seus pincéis. Ele mostra uma boa técnica com movimentos sinuosos e uma plasticidade interessante.
A folhagem das árvores e arbustos que cobrem nosso território tem uma variedade incrível de formas e cores e isto possibilita a Gil Mário criar novas formas diferenciadas e brincar com as texturas e tonalidades.
Como podemos deduzir Gil Mário tem uma preocupação constante com a preservação da natureza e, assim se expressa em suas obras sempre pintando aves e plantas e, com isto nos apresenta e defende a necessidade de cuidarmos melhor da natureza. As florestas devem ser utilizadas com critério e responsabilidade.
Recebi pelo e-mail o convite de sua próxima exposição que será aberta no dia 6 de maio e permanecerá até 7 de junho, portanto, uma ótima oportunidade para os sergipanos que gostam de arte compartilhar este momento com um artista incansável que ao longo de quatro décadas vem se dedicando ao seu ofício.
A exposição é composta de onze trabalhos em acrílica sobre tela nas dimensões 100 x 100 cm e dez infogravuras sobre placa de PVC. A curadoria da mostra é de Lígia Motta, com coordenação geral de Cita Domingos.
Ele ficou meio surpreso quando respondi o seu e-mail, já que estamos há alguns anos sem qualquer contato. Porém, digo a Gil Mário e outras pessoas que nos lêem no blog reynivaldobritoartesvisuais@blogspot.com.br que estou sempre à disposição para receber sugestões, solicitações e mesmo críticas, quando não concordar com algumas palavras que escrevo. 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

CARETAS E BAIANOS

Os caretas brincando durante  o Carnaval de Maragogipe
 Dois belos livros de fotografias me chegaram às mãos: Careta, Quem é Você - Carnaval de Maragogipe, de Álvaro Villela, e Baianos, de  Manu Dias. São trabalhos que engrandecem a fotografia em nosso estado e revelam a capacidade e, principalmente, a sensibilidade, além é claro, da técnica apurada , desses dois profissionais da fotografia.
Para surpresa minha, os livros me foram presenteados por uma pessoa querida que sabe do meu interesse pela arte da fotografia, inclusive tenho feito algumas fotos ao longo de minha carreira de jornalista. Feito não apenas fotos de reportagem, mas também, de assuntos que causam algum interesse do meu olhar.
O Carnaval de Maragogipe foi tombado como patrimônio imaterial pela sua singularidade, participação e espontaneidade de todos àqueles que curtem a festa nesta pequena cidade do Recôncavo Baiano. Além dos famosos caretas  ainda  tem uma entidade  chamada de Bloco das Almas, que sempre sai a partir da meia-noite assombrando as crianças do local.
Portanto, foi exatamente este Carnaval que o fotógrafo Álvaro Villela, natural de Sergipe, mas residente  em Salvador, resolveu focar com suas lentes. Ele nos brinda com fotos sensacionais, revelando nas páginas do seu livro Caretas a simplicidade desta gente e sua forma alegre de brincar o Carnaval.
Sempre tive uma curiosidade sobre os caretas solitários, que surgem nos becos, nas ruas e procuram a todo custo esconder suas identidades. Mas, desde o tempo de criança observava que meus colegas saíam acompanhando os caretas em Ribeira do Pombal , querendo saber quem eram. Já adulto, morando em Salvador, no bairro do Tororó, notei que acontecia este mesmo comportamento durante o Carnaval, com as crianças seguindo os caretas  com o objetivo de identificá-los, mesmo quando o careta utilizava recursos para modificar o jeito de andar, engrossar ou afinar a voz, para disfarçar.  Quando conseguiam identificar algum careta de pronto as crianças  saiam gritando o seu nome  e este  tratava de sumir daquele local o mais breve possível.
Álvaro passou sete anos fotografando os caretas e diz no seu livro que descobriu por acaso quando viu crianças brincando com as máscaras. Essas máscaras, em sua maioria feitas artesanalmente possibilitou ao fotógrafo fazer uma narrativa visual e documental de fazer inveja.
Já Manu Dias focou, em suas viagens pelo interior, pessoas  de vários tons de pele, religiões e sotaques. Mostra o grande mosaico do que é constituído o povo baiano. Fotografou desde as crianças com sua alegria e ingenuidade, aos garotos e garotas das fanfarras com suas roupas de gala, gente do candomblé, índios  e os valorosos vaqueiros do sertão.
O valoroso vaqueiro na missa celebrada em Curaçá-Bahia
Este livro mostra exatamente através das imagens como nosso estado é formado por uma população multirracial composta de índios, negros, brancos, mulatos, sararás, pardos, enfim, por indivíduos   que se misturam e se completam em todos os níveis imaginados. Pessoas que transmitem em seus rostos e olhares a generosidade desta gente, muitas vezes sofrida, mas que vai em frente acreditando sempre em dias melhores.
Portanto, o Manu Dias também está de parabéns por seu livro Baianos, contribuição importante, documentando com suas imagens, estes rostos de uma expressividade ímpar para que possamos compreender quem somos e o que significa viver num estado composto de uma variedade fantástica de indivíduos de diferentes matizes de cor de pele, religião e nível social.