domingo, 3 de setembro de 2017

EDMUNDO SIMAS É SEPULTADO

Foto recente de Edmundo Simas
no espaço de Leonel Mattos
Uma notícia triste. Foi sepultado  hoje pela manhã no cemitério de Brotas o artista Edmundo Simas, conhecido por Super Boy, que sempre estava circulando pelo centro histórico mantendo contatos com seus colegas de profissão daquela área. Era um artista talentoso e tinha uma facilidade enorme em desenhar , especialmente os heróis de Histórias em Quadrinhos. Com seu jeito extrovertido o Super Boy provocava alegria com suas tiradas desconcertantes e certeiras.
Seu nome completo era Edmundo Luiz da Silva Simas,nasceu Ubaitaba vindo depois pra Salvador no ano 1941,também chegou a morar em São Paulo.
Obra que atesta o talento
do Edmundo Simas
Conheci o artista  nos anos 70, na Galeria Rag, que ficava no bairro da Boca do Rio e  reunia muitos desses artistas que não tinham muitas oportunidades e até guarida em outras galerias. Esta galeria pertencia a uma figura inesquecível que chegou a Salvador vindo da cidade de Valença, e aqui se entusiasmou pelas artes plásticas, acumulando um imenso acervo. Gostaria de saber qual o destino que foi dado a tantas obras que ele guardava em sua galeria. 
Foi ali que Simas realizou uma exposição em 1976. Consta que antes  fez duas exposições na Biblioteca Pública  em 1969 e 1971.Participou de outras mostras coletivas e até de salões.Seu forte era desenhar figuras populares, orixás  e heróis em quadrinhos, inclusive chegou até a publicar o seu livro Espadachim. Seus heróis traziam a marca da tradição.Era amigos do pessoal do Grupo Novos Baianos e  participou  do filme.
Segundo seu colega e agitador cultural  Leonel Mattos - um artista compulsivo que desenhava onde estivesse.Não usava o azul em suas pinturas,dizia que vermelho era vida, o preto  sombra e o amarelo  a luz." Recentemente Edmundo , de camisa amarela,  e seu amigo Kahan, que aparecem na foto de mãos dadas ,  pintaram duas  portas de um velho casarão no Pelourinho  fechadas com  tijolos pelas autoridades encarregadas do patrimônio histórico.
Edmundo Simas vinha enfrentando um câncer muito agressivo, o qual terminou tirando sua vida na quinta-feira passada.Mesmo doente ainda continuava fazendo seus desenhos com certa dificuldade até que faleceu.


HOMENAGEM MERECIDA A MATILDE MATOS

Uma das grandes damas das artes
visuais em nossa Bahia
Fiquei contente quando recebi uma mensagem pelas redes sociais de Leonel Mattos que estaria sendo organizada uma homenagem a Matilde Matos, esta grande dama, que sempre prestigiou e enalteceu as artes plásticas e os artistas baianos. Foi ela que verbalizou em 1974 aquele projeto do Etsedron que tinha à frente o artista Edison da Luz e seus companheiros. Este projeto foi muito elogiado , destaque nas artes plásticas em todo o país e participou da Bienal Nacional de São Paulo onde recebeu o Grande Prêmio, sendo que o grupo acabou em 1979.
Matilde também sempre se destacou como uma crítica de qualidade, com seus textos  cheios de sabedoria e conhecimento. Quando falo em críticos me vem à mente Herbert Magalhães, além de Wilson Rocha e seu irmão Carlos Eduardo da Rocha e também, meu querido amigo Ivo Vellame, Aldo Tripodi  que se foram. Não lembro de terem feito homenagens quando estavam vivos pelo trabalho inesquecível que desempenharam e ajudaram a muitos artistas.
 Por isto, sou a favor e defendo que a gente deve homenagear as pessoas que merecem em vida, para que elas possam usufruir deste reconhecimento, que é verdadeiro e  importante .
Infelizmente, não fui ainda visitar a exposição porque estava fora, mas irei com muito prazer o mais breve possível.Para observar e usufruir também desta homenagem a Matilde Matos, que está no espaço  Leonel Mattos, no Shopping Salvador. 
A exposição tem o nome de 90 olhares  para Matilde, em comemoração aos seus 90 anos de idade completados em maio passado. Composta de 90 trabalhos nas diversas plataformas como pinturas, esculturas ,cerâmica,gravuras ,desenhos e outras que estão sendo comercializados a preços especiais ,cujo resultado será destinado à própria homenageada. A exposição conta com obras dos mais consagrados e importantes artistas baianos, principalmente os que ainda estão em atividade em nosso Estado.
Na realidade desde a década de 50 que Matilde Matos com seu jeito acolhedor sempre esteve à disposição dos artistas para opinar e até mesmo orientá-los sobre suas obras .Acompanhava de perto a produção das artes visuais não somente na Bahia, mas sempre antenada com o que era produzido no Brasil e fora de nossas fronteiras..
 A Homenageada
A crítica Matilde Augusta de Matos, é natural de Caicó, no Rio Grande do Norte, onde nasceu em 1927. Chega à Bahia em 1933, depois de morar no sertão baiano, exatamente na bela Serrinha e depois na Princesa do Sertão, a nossa vizinha Feira de Santana , para finalmente em 1943 fixar residência em Salvador.
Ela tem uma vasta obra de apresentações em catálogos,livros publicados e recentemente teve uma atitude digna de registro que foi a doação de 80 obras de sua coleção para o Estado da Bahia, as quais estão no acervo do Palacete das Artes, no bairro da Graça. Este gesto é mais uma demonstração do espírito aberto de Matilde Matos. 
Uma imagem da presença de artistas e convidados na abertura da mostra em homenagem a Matilde

Os Artistas
Estão participando da homenagem à Matilde Matos os artistas: Adenise Romana,Albina Sampaio,Álvaro Machado,André Dragão,André Fonseca,André Viana,Antônio Leal,Arthur Fraga,Ayrson Heráclito, Bel Borba,Bruno Ribeiro, Célia Mallett, César Romero,Chico Mazzoni,Darlene Bezerra,Davi Caramelo, David Glat,Diego Cardoso, Ducca Rios, Dulce Cardoso, Edison da Luz,Elenilson Café,Eliezer Nobre, Enock B. Silva,Fernando Freitas Pinto, Fernando Oberlaender, Filinto do Carmo, Gabriel Passos, Gabriela Joau, Giovana Dantas, Graça Ramos, Guache Marques, Gustavo Moreno, Hilda Salomão,Inda Brandão, Inês Vitória, Isa Oliveira, Isabel Gouveia, Jacira Gabriel,J. Cunha, José Henrique Barreto,Joselita Borges, Juarez Paraíso, Juraci Dórea, Justino Marinho,Kithi,Leonel Mattos, Lidia Sepúlveda, Ligia Aguiar,Lilian Moraes, Linda Cortes, Luiz Cláudio Campos, Márcia Magno, Marcos Buarque, Marcus Schaaf,Maria Luedy,Maria Nazaré Santos,Marizia,Maurício Calabrich,Maurício Requião,Mili Genestreti, Miriam Belo,Moema Gusmão,Murilo,Neide Cortizo,Neidja Bombola, Palmiro, Paulo Melo,Pedro Arcanjo,Quaresma,Raimundo Mudin,Ramon Rá,Ricardo Franco,Ricardo Sena, Rina Dalenca,Rodrigo Seixas,Roger Hale,Ruy Carvalho,Ruy Garcez,Sérgio D'Almeida,Sérgio Rabinovitz,Silvério, Tereza Mazzoli,Valéria Simões,Viga Gordilho,Waldo Robatto,Wilson Bernardo e Yuri Ferraz.


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

O MUNDO DE BRENNAND O MESTRE DOS SONHOS

                                                  foto Gogle e demais do autor do texto
'
O artista Francisco Brennand
Cerâmica vitrificada  "Ligia"
Estive visitando a exposição o Mestre dos Sonhos que homenageia os 90 anos do pernambucano Francisco Brennand, que hoje é o maior ceramista do nosso Continente. Ele tem uma obra vasta e rica com introdução de elementos grandiosos e oníricos, e encontra-se em plena atividade artística. A mostra está na Caixa Cultural, onde podemos apreciar desenhos, pinturas e cerâmicas de um  artista versátil , inclusive com belos textos explicativos e reproduções de obras, além de vídeos onde o visitante tem oportunidade de ver e ouvir as ideias do Brennad. A curadoria é de Rose Lima e a exposição fica em Salvador até o dia 1º de outubro.
Nesta mostra podemos ver que Francisco Brennand tem habilidade nas diversas técnicas e plataformas que utiliza para expressar sua arte focada nos mistérios da vida. Sua figura com aspecto messiânico combina com os temas que aborda e o visitante tem oportunidade de sentir isto observando as 31 esculturas que estão expostas, as quais vieram da Oficina Cerâmica Francisco Brennand, além das fotografias,textos , relatos de amigos e inclusive alguns fragmentos de seus diários escritos desde 1940.

                                                                    FORTE EXPRESSÃO
São Franscisco,
tela do MAM-Ba

Ao visitar a exposição de  Brennand você  entra  numa nuvem de sonhos. O visitante é  transportado para locais oníricos onde pode sentir a força e  a poesia de suas esculturas. Estes seres imaginários de Brennand não assustam, ao contrário eles nos transmitem um clima de contemplação e perplexidade. O que levou o artista a criar estas obras como a A fonte do Desejo, Ligia,Torre de Babel dentre outras? Só vendo , contemplando e sonhando junto com ele para entendermos todos os enigmas.
Nossa Senhora, da série
Auto da Compadecida,
desenho
O impacto é forte quando você começa a ficar diante das grandes esculturas de FranciscoGosto muito da obra São Francisco, uma pintura a óleo sobre tela com 2,03 x 1,22 cm, que pertence ao acervo do MAM baiano. Outra obra que me chamou a atenção foi um desenho em nanquim e lápis aquarelado intitulado "Nossa Senhora " da série que ele fez para o seu amigo Ariano Suassuna para o Auto da Compadecida.
Temos ainda oportunidade de saber que ele vem de uma família de empresários .Ele nasceu em Recife em 1927 e foi batizado com o nome de Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand .
Obra Joana D'arc Guerreira
Instalou o seu primeiro ateliê aos 19 anos.Em 1947 recebeu seu primeiro prêmio na 6º Salão de Arte do Museu do Estado de Pernambuco. Em 1949 foi para a França ,sendo amigo de Cícero Dias, também grande pintor pernambucano.
Foi em Paris que impressionou-se com a cerâmica, através uma exposição de Picasso ,e assim abandonou o preconceito que tinha acerca da arte da cerâmica, que veio a abraçar para o resto da sua vida.
Na década de 50 ainda fez alguns desenhos, mas de volta ao Brasil escolheu o barro e o forno para criar suas obras que hoje são reconhecidas e apreciadas em todo o mundo. Em 1960 ele expôs no foyer do Teatro Castro Alves ,que era o local do Museu de Arte Moderna da Bahia, antes de se instalar no Solar do Unhão, onde se encontra atualmente.
Em 1971 instalou-se nas ruínas da Cerâmica São João iniciando a recuperação do espaço,enquanto produzia suas obras.
De lá pra cá tem produzido sem parar. São obras de todos os tamanhos, algumas monumentais para gosto e apreciação de todos àqueles que amam a arte e em particular a arte cerâmica.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

MORREU O ARTISTA REINALDO ECKENBERGER

                                                                                                                                       Fotos Google
Reinaldo Eckeberger em sua casa atelier no
 Santo Antônio Além do Carmo.
O artista plástico argentino radicado na Bahia Reinaldo Eckenberger, 77, comemorou este ano 50 anos de trajetória profissional  com uma instalação cheia de criatividade mostrando suas pinturas, desenhos, assemblagens - colagens com objetos tridimensionais - , objetos, esculturas e as inconfundíveis bonecas de panos na Caixa Cultural, na rua Carlos Gomes. Ontem, ele veio a falecer vítima de um infarte fulminante deixando mais uma importante lacuna nas artes plásticas baianas.
Figura esguia e seu sotaque marcavam sua presença onde chegasse. Seu sobrenome estrangeiro dava uma dimensão imediata que este cidadão era um estrangeiro, mesmo já estando morando por décadas em nossa cidade. Era um cara doce, que inspirava humildade ,e assim Eckenberger vivia em sua casa atelier em Santo Antônio Além do Carmo, na zona do Pelourinho.
Lembro que ficava curioso e ao mesmo tempo fascinado com as figuras deste multi artista ao olhar uma aquarela, uma cerâmica, e principalmente suas bonecas que nos transportam a um mundo fantasmagórico e fantástico. 
Uma visão parcial de sua última exposição
na Caixa Cultural
As formas de colocar suas bonecas, as mutilações e as desarticulações feitas propositadamente para mexer com nossos sentimentos e ao mesmo tempo nos fazer enxergar ali a presença do humano. Também, trazia algumas obras com temática erótica. Sempre dizia orgulhoso ser de Escorpião e gostar de sexo.

Estudiosa da obra de Reinaldo Eckenberger a baiana Luciana Accioly lembra a presença em suas obras nas várias plataformasde cenas de sexo oral, perversão, carícias , e os fetiches com pênis,língua estirada,o nariz em forma de falo e os olhos salientes .

O artista nasceu em Buenos Aires, em 1938, estudou arquitetura, optando depois pelas artes plásticas: faz o curso da Escola Superior de Belas Artes e o curso de Cenografia no Teatro Colón. Em 1958 realizou sua primeira mostra individual em Buenos Aires. Depois de ter viajado pela Europa, veio ao Brasil, conhecer a Bahia. Não resistindo aos encantos, aqui ficou.
Foi o ganhador do Primeiro Prêmio Estadual de Pintura da 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas. Aqui realizou dezenas  de exposições, como também em alguns estados brasileiros.

domingo, 4 de junho de 2017

SEGUNDA GRANDE EXPOSIÇÃO DE BURLE MARX EM NEW YORK


Republicado de IstoÉ Independente
Crédito: Tyba
PINTURA ABSTRATA Roberto Burle Marx em seu ateliê, nos anos 1980. Os azulejos que decoram as paredes também são de sua autoria (Crédito: Tyba)


Roberto Burle Marx – Brazilian Modernist/ The Jewish Museum, NY/ até 18/9








PAISAGISMO URBANO Vista do Biscayne Boulevard (acima), em Miami, cujo pavimento foi desenhado por Burle Marx em 1988
PAISAGISMO URBANO
Vista do Biscayne Boulevard (acima), em Miami, cujo pavimento foi desenhado por Burle Marx em 1988 (Crédito:Burle Marx& Cia Ltda)

Paulistano, e “naturalizado” carioca, Roberto Burle Marx atuou desde o final dos anos 20 até sua morte, em 1994. Nesse arco de quase 70 anos de trabalho, desenvolveu uma obra multidisciplinar, “tão variada quanto fascinante”, segundo Jens Hoffman, o curador da grande retrospectiva de sua obra, organizada no The Jewish Museum. Esta é sua segunda exposição individual em Nova York. A primeira foi no MoMA-NY, em 1991, o primeiro solo dedicado a um arquiteto paisagista jamais realizado no museu nova-iorquino. Pintura, escultura, arquitetura, mosaico, cerâmica, gravura, design de joias, figurino de teatro, colecionismo e até culinária estão entre as suas habilidades, evocadas pela nova exposição, que apresenta um criador muito além dos importantes jardins tropicais que o consagraram no Brasil. “Um homem renascentista no século 20”, define o curador.
Ainda assim, o paisagismo é de fato sua marca distintiva. “O brasileiro é indiscutivelmente um dos mais influentes arquitetos paisagistas do século 20”, destaca Hoffman. Ele criou cerca de 2 mil jardins – em parte, nunca realizados – e descobriu cerca de 50 espécies de plantas. Antes de Burle Marx, os jardins brasileiros seguiam o padrão francês, valorizando as simetrias e a flora importada. Ele quebrou a regra, ao se interessar e valorizar a natureza local, nativa da Amazônia, da Mata Atlântica e da caatinga, tida então como “incivilizada”. Ao levantar a bandeira da brasilidade, Burle Marx está para o paisagismo assim como Villa-Lobos está para a música erudita, Tarsila do Amaral para a pintura e a poesia Pau-Brasil de Oswald de Andrade para a literatura.







Tapeçaria criada para a Prefeitura de Santo André, em exibição no The Jewish Museum
Tapeçaria criada para a Prefeitura de Santo André, em exibição no The Jewish Museum (Crédito:Paula Alzugaray)

Embora tenha iniciado a carreira como pintor figurativo, investindo em retratos e naturezas mortas – Burle Marx foi assistente de Portinari no final dos anos 1930 –, a exposição mostra como o criador abraça a abstração como princípio guia de seu design e paisagismo urbano. Com o partido geométrico, Burle Marx pode ser considerado um precursor dos movimentos de abstração geométrica que surgem na Venezuela e no Brasil, como o Concretismo e Neoconcretismo. O artista foi um pioneiro principalmente porque sua geometria desafiava categorias e buscava “o equilíbrio no desequilíbrio”.
Isso se reflete diretamente nos primeiros jardins, desenhados já no início dos anos 1930, sob influência da Bauhaus; em sua primeira obra pública comissionada pelo governo brasileiro, o jardim do edifício do Ministério da Educação e Saúde, no Rio, – um ícone da arquitetura moderna brasileira –, em 1937. Mas se consagra no design de pavimentos de parques e avenidas como o calçadão de Copacabana, hoje o símbolo máximo da cidade.
Acompanhada de uma publicação de 210 páginas, a exposição reúne peças – entre elas a tapeçaria criada em 1969 para a Prefeitura de Santo André (SP) –, esmiúça projetos e atualiza a influência do artista no mundo de hoje, ao apresentar trabalhos de artistas contemporâneos. Integram a mostra a francesa Dominique Gonzalez-Foerster, as brasileiras Paloma Bosquê e Beatriz Milhazes – que mostra no saguão do museu a instalação “Gamboa” (2013), composta por móbiles feitos de flores artificiais – e o compositor Arto Lindsay, autor da paisagem sonora “Butterflies, Molasses” (2016), especialmente composta para a exibição.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

MASO MOSTRA DETALHE DO NU FEMININO

Obra do conjunto que chama de Backsides , composto de
31 unidades
Está expondo no Palácio das Artes, na Avenida Euclides da Cuinha, na Graça, o artista paulista Maso que morou alguns anos em Salvador, e foi um dos participantes da exposição Geração 70, que realizei no Museu de Arte da Bahia. Agora, Maso expõe 31 obras da série Backsides onde nos apresenta uma temática que ele vem trabalhando há muito tempo que é o nu feminino.
Desta vez ele focou na bunda, uma parte do corpo feminino que exerce atração e tem apelo sexual dos brasileiros em particular. Só que em suas obras Maso apenas nos leva a fazer um pequeno exercício, principalmente em algumas delas, para desvendar esta parte do corpo feminino já que não estão explícitas com imagem. Ele consegue criar um clima mágico onde o expectador fica procurando os detalhes dos traços envolvidos por camadas tênues de tinta.
Vista parcial no dia da abertura da exposição
no Palácio das Artes
Ele trabalhou com carvão, pastel seco e acrílico, além de verniz para fixar. Usou um suporte não muito comum nas obras de arte que foi o cartonado duro , normalmente utilizado no dia-a-dia pelos sapateiros. Um detalhe interessante que ao cortar o cartonado este material tende a apresentar uma ligeira curvatura, que deu mais graça aos trabalhos do Maso.
Também, ele trouxe algumas obras formando séries intituladas de Inventários  do Cotidiano, são polípticos com cenas que  vivenciou no seu dia a dia.
Detalhe de um políptico autoria de Maso
O formato é quadrado os quais foram juntados lado a lado. Os cartões que pintou estão envolvidos em caixinhas de acrílico de cds . Assim  dá uma falsa ideia de que as caixinhas foram pintadas, quando na verdade elas estão servindo apenas de suporte dos cartões. 
Ambos os conjuntos de obras  expostas por Maso integram a série O Eterno Feminino, que na realidade é uma temática que permeou toda sua trajetória pictórica que foi o nu feminino.

No convite, a historiadora e crítica de arte Elvira Vernaschi, escreveu : Nota-se neste conjunto sua preocupação com as possibilidades que a figura humana e, essencialmente a feminina, podem sempre desenvolver na perspectiva de estudos e detalhamento de cada trabalho, bem como em vencer dificuldades que a matéria possa oferecer e que às vezes surpreende no resultado final. Sua obra fica então no limite entre uma realidade que já quase não se percebe, e a profundeza e suavidade de formas e cores que o aproxima e ao observador de novos valores estéticos".

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

MORRE O ARTISTA CEARENSE SÉRVULO ESMERALDO

Sérvulo foi um dos pioneiros da arte cinética
Morreu ontem , dia 1º,aos 87 anos, o artista cearense Sérvulo Esmeraldo, depois de sofrer um acidente vascular cerebral ( AVC).Estive com ele na sua última exposição aqui em Salvador, na Galeria Paulo Darzé quando  mostrou suas belas esculturas. Conhecido como  "o poeta das linhas "vai deixar mais uma laguna no mundo das artes que sempre registra perdas ,mas sua obra permanecerá para sempre nos museus, nas coleções públicas ou particulares.Veja a matéria que escrevi em 5 de dezembro de 2014,sobre a exposição do Sérvulo Esmeraldo:
SÉRVULO ESMERALDO EXPÕE EM SALVADOR
São  mais de 50 anos de dedicação à arte. Um cearense que saiu de seu canto , a cidade do Crato ,e foi para a Europa onde passou boas temporadas trabalhando, aprendendo, mantendo contatos e amizades com artistas importantes.É um criador nato que pensa e elabora com cuidado quase científico o que vai resultar da sua ideia inicial. Desenha e imagina posições e os materiais que vai utilizar para concretizá-la. Neste seu processo criativo  nos apresenta uma série de volumes, que colocados em determinados locais nos leva a criar uma infinidade de imagens.São representações de papéis feitos de aço trefilado e outros metais que parecem voar nas paredes; são estruturas circulares dobradas ,côncavas ou convexas dispostas no chão, que nos dão a sensação de que podem ser manuseadas, criando pessoalmente outras possibilidades de composições;são junções de elementos que se lançam ao espaço em busca de altura; são volumes que se dobram e outros que deixam suas sombras como se fossem a continuidade da obra.

A vontade que a gente tem é de tocá-las e manuseá-las criando nossas próprias formas. É uma produção que prima pela racionalidade.Sua formação  certamente influencia na sua criação, embora a sensibilidade demonstrada na sua produção  foge um pouco do concretismo mais apurado.
Nascido no Crato, em 1929, Sérvulo Esmeraldo é escultor,gravador,ilustrador e pintor.Em sua biografia está registrado que começou como um artista dedicado à xilogravura. Em seguida foi residir em São Paulo,e logo depois fundou o Museu da Gravura em sua cidade natal.
Sua primeira viagem à Europa foi através uma bolsa do governo francês, onde foi estudar em Paris litografia na École Nacionale Supérieure des Beaux-Artes e, em seguida, inicia seu trabalho em metal.
Nos anos 60 participa do movimento cinético, quando cria obras movidas pela eletricidade estática.
Volta em 78 para Fortaleza e começa a trabalhar com chapas de aço produzindo suas esculturas com planos dobrados e pintados.Em 1986 organiza a 1ª Exposição de Escultura Efêmera de Fortaleza e passa a criar relevos que  sugestionam encontro de faces. 
Agora Sérvulo Esmeraldo com toda sua experiência com os materiais utiliza a geometria para suas construções e volumes vazados que são muito apropriadas para a gente observá-las no silêncio de uma tarde. Ai surgem diante de nós as possibilidades de girar, de dobrar, de mudar de lugar e assim vão surgindo em nossas viagens imaginárias novas obras. É como se fosse um exercício lúdico, um aprendizado inesgotável.
Sérvulo Esmeraldo ao centro ladeado por mim
e o pintor,italiano Gianfranco D'Andrea
 Estive presente na abertura da mostra na galeria Paulo Darzé oportunidade que troquei algumas poucas palavras com o artista. Embora em algumas fotos  apareça com o semblante fechado é uma pessoa de fácil acesso e cordial. Falou  de sua estadia na Europa e pouco lembrava que já foram realizadas aqui algumas exposições com suas obras. O que importa é que ele está ai firme produzindo e tendo a satisfação de ver e ouvir que sua obra está sendo apreciada por um público amplo.
Outro aspecto importante salientar é que embora já tenha mais de oitenta  anos de idade sua obra é de uma contemporaneidade ímpar. Pode figurar em qualquer museu ou coleção importante da arte contemporânea feita no mundo .Ele é um protagonista e um criador antenado com  o que acontece ao seu redor.