sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O FASCÍNIO DE MARCO AURÉLIO - 26 DE JULHO DE 1982.

JORNAL A TARDE ,TERÇA FEIRA , 26 DE JULHO DE I982.


O FASCÍNIO DE MARCO AURÉLIO NO HOTEL MÉRIDIEN
O Fascínio começou cedo. Seu primeiro trabalho foi uma gravura em tamanho natural da eterna Miss Brasil, a baiana Marta Rocha. Por volta de 1962, chegou a Salvador para curtir a paisagem tropical que tem direito. Reapareceu continuando a fascinar o público já conquistado em sua vida como modelo ajudando a vender perfumes, panos, camisas, saias e vestidos completos nos quais vinham pintados desenhos seus. A paisagens mais fascinantes, com sereias, pavões, fundo de mar, o azul do mar e as tonalidades do pôr do Sol visto do Porto da Barra.  Era a Bahia dando régua e compasso ao artista, segundo ele.
São vinte trabalhos que estarão sendo mostrados a partir do dia 30 no Hotel Méridien, lado a lado com as araras, uma feliz coincidência, porque as pessoas poderão confrontar o real com as fantasias. Certamente o ambiente estará mágico no dia da vernissage, com o artista revelando gostar de pintar a mulher, transformada em sereia, “ como se elas estivessem saindo da água”.
Quando um artista se dispõe a falar de outro, é porque no mínimo, reconhece valor no seu trabalho, gosta, aprecia ao ponto de recomendá-lo ao público e foi assim que o pintor baiano Carlos Bastos falou do emergente artista plástico macaeense Marco Aurélio.
“Não estou aqui para julgar o artista e sim para apontar no meio das artes plásticas locais sua aparição. O próprio pintor é naturalmente um denunciador da sua própria alma, da sua própria existência interior e Marco Aurélio se vê, através da sua multiplicidade, uma herança de vida cheia de herança prematura, uma vida sofrida em um ser alegre. As influências e os “ leit motives” herdados das suas experiências anteriores, tecidos, em movimento com a moda e conhecimento vasto da espécie humana.
Esta é a primeira apresentação de seu trabalho ao público e isto para todo artista é como encontrar-se em estranhos labirintos, do qual ele certamente encontrará saída no decorrer da sua própria carreira. Sua pintura, nem folclórica nem tropicalista, emana a alegria e a nostalgia carnavalesca, irreverente da nossa época e dos nossos jovens, como uma acrobacia circense de força alucinatória, criando fundos e cenários de folhinhas de calendário kitsch.
Julgar um artista é difícil para outro, especialmente quando se é confundido com a admiração pelo seu modo de viver e ser. Sua personalidade desengajada, livre, boêmia, sábia e inteligente.
Conheço-o há vários anos, nas noites do Rio, nos vôos internacionais de viagens de sonhos... me lembro uma vez, ouvi alguém me chamando em uma noite em Londres , há uns dez anos. Era ele saindo de um nevoeiro , fog, como um fantasma Apolínio no meio da noite sorridente. Como é cheio de surpresa, vivo, inteligente e curioso, se espera sempre que ela saía de repente de uma e entre em outra.Possa mudar totalmente o estilo, de forma e de desenho porque nele há este fogo na procura do saber, da liberdade de mudar quando quer e é preciso. Desta vontade frenética de transmitir o seu mundo e sua alma ao outro, ele é capaz de desagregar a ordem racional das coisas, das cores, e das formas convencionais. Aonde estava um olhar, já sobre uma dilatação fixa e estúpida pupila militante. Aonde está a cavidade de um olho há agora um arrepio de loucura, de doçura, de medo ou de amor, porque são agora: sereias, virgens ou mulheres, podem ser inconseqüentes demônios tentadores, envolvidos pela natureza irremediavelmente tropical.
Suas personagens se instalam provisoriamente entre frutos, flores, pavões, bicos e pássaros e paraísos e repousam no estado de alma atual. Sua fantasia não é gratuita.Ela é desejada, pura e autêntica. Por isso não podem julgá-lo apressadamente. É fascínio.(José Heraldo)
INFLAÇÃO GALOPANTE ATINGE MERCADO
DE ARTE ARGENTINO
 
Nos últimos dias foram registrados em Buenos Aires excepcionais operações no mercado de arte, tendo os principais lances triplicado frente às estimativas iniciais.
As quantias alcançadas por pinturas, pratarias antigas, moedas, antigos relógios de ouro e esmalte, jarros, tapetes, móveis, biombos pintados com miniaturas de paisagens e pássaros, e outros objetos artísticos raros superaram as espectativas mais otimistas dos vendedores, e causaram surpresa, mesmo que possa parecer que já não existe mais surpresas num país onde o dólar subiu 300 mil por cento desde 1948.
Os especialistas, àqueles que dizem entende  a kafkiana - mais que esotérica - economia argentina, acreditam que a incerteza no mercado financeiro habituais e expectativa de alta taxa de inflação constituem duas das principais causas do espetacular auge no mercado de obras de arte.
Estão reduzindo - senão desaparecendo -  as alternativas convencionais de investimentos, pelo que o argentino muito ávido de dólar se apressa em colocar seu dinheiro em outros meios de reprodução, já que não pode adquirir as verdes divisas norte americanas porque as agências de tropa proibem sua venda a particulares por decreto oficial.
Quem pode comprar dólar na Argentina, quando a mirífica moeda dos Estados Unidos acaba de bater todos os recordes de alta da história do país, colocando-se a 36 mil pesos com aumento de 300 mil por cento desde 1948, um e oitocentos por cento em um ano, 260 por cento em seis meses e 140 por cento em 48 horas?
Os argentinos - os que podem -  claro, estão se lançando à compra de terra, automóveis, quadros, jades,ou estatuetazinhas de Tânagra. A febre de investimento, de economizar, de capitalizar-se, está para substituir a febre do dólar, divisa a ponto de converter-se, agora mais que nunca, na essência da alma dos argentinos. Vamos às provas: em um primeiro leilão realizado recentemente na Naom , uma das mais tradicionais casas do ramo, algo assim como a Sotheby’s portenha foram pagos 3 mil dólares por uma mesa colonial de jacarandá, um trabalho criolo com românticas flores violetas. Outra mesa , esta no estilo Luiz XVI foi vendida exatamente pelo dobro, é importada, disse um entendido.
Mas o recorde de móveis foi batido por uma cômoda, também importada, francesa, estilo regence,por 10 mil dólares.
Em matéria de pinturas, as obras européias alcançaram os lances mais altos. Um Corost, por exemplo foi vendido por 8 mil dólares.O recorde local, rio-platense  pelo menos, foi estabelecido pelo uruguaio Carlos Gallero, que vendeu um óleo por 3.500 dólares.
Em outra sala pagaram 3.500 dólares por uma escultura de Rodin. Os especialistas do mercado de obras de arte sublinharam que os investidores estão retirando-se do sistema financeiro e atirando-se como o gavião sobre a pomba -  sobre bens poupáveis.
Destacaram , ainda, que nas últimas operações importantes a maioria dos compradores não era colecionadores conhecidos, nem mesmo afeiçoados à arte, mas pessoas mais ou menos jovens e mais ou menos ricas que queriam comprar para investir.
                                                      MURAL
ZÉ MARIA – Está expondo na Galeria O Cavalete o  pintor Zé Maria, ( não confundir com o outro das belas telas enfocando os canaviais pernambucanos). Este que expõe agora é natural de Conceição do Coité e ainda não tem a bagagem artística do xará. Fui à abertura de sua exposição que marcou a volta da Galeria O Cavalete a seu antigo lugar.Jacy conseguiu reunir muita gente que aprecia os quadros de Zé Maria. Ele mostra marinhas e casarios ( Foto1).
 ANA PINTO – está comunicando que continua escrevendo seu livro sobre cores onde colocará 2.500 tonalidades diferentes e fornecerá informações para os interessados conseguirem até 10 mil variações de cor. Quantos às críticas emitidas pela artista ao professor Israel Pedrosa e às pessoas que o convidaram a dar um curso na Bahia não procedem e não devem ter ressonância.
 RECICLAGEM – Com o objetivo de proporcionar especialização aos professores da área de Educação Artística da rede oficial de ensino o GT Art /  Fundação Cultural do Estado está realizando, no 3º andar da Biblioteca Central, o Curso de Reciclagem que se estende até o dia 6 de agosto com atividades práticas e teóricas diárias. O curso tem a participação de 30 professores que aprimoram seus conhecimentos em Teatro, com o professor Ilo  Krugli; Artes Plásticas , professor Waldir Sarubbi; Dança, professor Rolf Werner Gelewski;Redação Criativa, professora Ana Maria Soares Marinho; Cultura Popular – Música, professor Fernando Léleis e Metodologia do Ensino Criativo, que encerra as atividades do curso, será ministrado pela professora Fanny Abramovich.   Para Maria Mutti, coordenadora do curso. "É no aprimoramento do recurso humano que teremos de centrar nossas expectativas de uma reconstrução de arte / educação, como o estudo do homem através da arte. A Lei de Diretrizes e Base da Educação, de 20 de dezembro de 1961 , teria propiciado largas possibilidades de mudanças nos critérios do ensino de arte, se tivesse sido acompanhada de uma preocupação e de um instrumento eficaz para a formação de professores de arte. A ausência de uma política de formação e treinamento de recursos humanos impede a renovação, dando lugar apenas a uma mudança de rótulos”.
ROUBADO E RECUPERADO – O Frontal do altar todo em mármore do famoso escultor da Renascença italiano Andrea Della Robbia foi reoubado e agora recuperado pelos Carabineiros, do Departamento Tutela do Patrimônio Artístico. O precioso Tríptico mostra a figura de Jesus Cristo que sai do sepulcro, tendo ao lado  a Madonna de São João. Os ladrões roubaram a peça do Convento de Santa Maria das Graças de Arezazo, a qual está estimada em cerca de 2 bilhões de liras italianas ( Foto 2).
 MAGNÓLIA EXPÕE – A Fundação Museu da Cidade do Salvador, da Prefeitura, no Largo do Pelourinho, 3, reabre sua galeria com a exposição da artista plástica Magnólia Arnaut de Andrade, que dá continuidade ao projeto de Eco Museu criado em 1968 para promover os novos artistas baianos. Magnólia Arnaut, artista plástica, primitiva, expõe 28 telas sobre o tema Instante de Mim, que aborda motivos profanos e religiosos, transmitindo uma atmosfera de magia e descontração, aspectos típicos da art bruit.
A exposição pode ser visitada das 8 às 12 e das 14 às 18 horas, durante vinte dias. Além das telas de Magnólia, o público terá oportunidade de conhecer o variado acervo do Museu que apresenta a Bahia e principalmente a Cidade de Salvador em todos os     aspectos culturais.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

SONHO E A REALIDADE DA COR INEXISTENTE

JORNAL A TARDE - SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 19 DE JULHO DE 1982.
                  SONHO E A REALIDADE DA COR INEXISTENTE
A exposição de Israel Pedrosa é composta de quarenta e dois trabalhos, sendo 13 serigrafias e 29 originais e fica aberta ao público no Museu de Arte Moderna até o próximo dia oito de agosto.
Lá você tem uma idéia perfeita da importância dos estudos teóricos deste artista que vive mergulhado nas variações da cor. Pude ver de perto, de lado e guardando uma distância significativa o que ele chama de A cor inexistente e que para alguns pode parecer apenas uma ilusão ótica.
Sobre a exposição, confesso que fiquei entusiasmado por ver ali representada a tese porque tanto se bate Israel Pedrosa.
Sua pintura é complexa porque traz em seu significado um fenômeno físico que precisa ser entendido através das tramas. Tive oportunidade de perceber os volumes, as fitas em movimento, tudo fruto de combinações, de figuras geométricas que seguem linhas retas, embora pareçam composições semicirculares. Israel Pedrosa brinca com a cor inexistente no seu mundo de sonhos e nos brinda com imagens multicoloridas através de suas figuras geométricas que dançam em nossos olhos como figuras cheias de vida. São mutações, vibrações e refrações numa combinação de luz e cor que enchem a visão de qualquer espectador. Noutros, as linhas retas multicoloridas parecem emitir harmoniosamente sons musicais que deleitam nossos ouvidos.
O artista vive assim mergulhado num universo de sons, luzes e cores que estão combinados numa linguagem perfeita. E, o poeta baiano Telmo Padilha quando em seu poema “Três motivos de Israel Pedrosa”, diz “porque o tom hesita / entre o negro e o verde / não é uma árvore que vejo”. Sim, não é uma árvore de verdade, daquelas que você pode descansar em sua sombra. Mas é uma árvore que dança e que tem vida. É exatamente nesta hesitação dos tons que Israel Pedrosa vive o seu sonho e concebe.
Com uma cor, por exemplo, o vermelho, Israel é capaz de criar um quadro com várias tonalidades de vermelho.
Basta olhar de vários ângulos e distâncias. Você é capaz de ficar horas a fio andando de um lado para outro, se aproximando e se afastando em busca de novas sensações. E neste exercício e neste sonho você fica feliz quando acorda e encontra a cor inexistente, que é a razão maior do trabalho de Israel Pedrosa.

                                      ATRAÇÃO PELA COR


O homem sempre sentiu uma grande atração pela cor. Nos momentos mais importantes de sua vida a cor está presente. Coloriu o corpo nu e quando resolveu protegê-lo também coloriu as vestes. Nas horas de alegria, euforia ou tristeza e cor tem excepcional distinção.
As festas e as danças sempre foram momentos para a presença das cores fortes.
Quando vai caçar ou guerrear e até mesmo a uma cerimônia fúnebre escolhe as cores de acordo com a ocasião. O branco que significa paz e o preto luto.
São elementos da linguagem simbólica universal. E, esta linguagem colorida está impregnada em tudo que o homem faz.

Se duvidar, destas afirmações lembre, dos sinais luminosos do trânsito, dos multicoloridos carros que correm pelas avenidas e das vitrines das lojas. E, neste festival de cores o homem sempre tem uma preferida. Uns gostam e se identificam com o vermelho, outros com o verde e existe até “quem goste do amarelo”. O processo de colorir se desenvolveu de tal sorte que existem milhares de cores. Foi por essa razão que as cores passaram a ser identificadas pelo cumprimento de suas ondas. Para falar de cor esteve em Salvador um estudioso do assunto que é o professor e pintor Israel Pedrosa. Ele realizou um curso e tem uma exposição no Museu de Arte Moderna da Bahia sobre “A cor inexistente”. Segundo ele, a cor inexistente é uma janela aberta para o sonho.
Ora, como vivemos num mundo que necessita cada vez mais de sonhos convido-os a sonhar.

                                A TEORIA E A PRÁTICA

 Encontrei o mestre Israel Pedrosa em nossa residência juntamente com a museóloga. Landa. Conversamos muito sobre suas realizações no campo da pintura, principalmente no domínio da teoria referente às variações da cor, com repercussões no cenário internacional.
Fiquei sabendo que Israel Pedrosa pinta desde os 10 anos e que seu contato com Cândido Portinari foi definitivo para que se apaixonasse pelo estudo da cor.
Esteve na França estudando e pintou muitos quadros históricos. Até 1963 foi figurativo e sempre saía para os subúrbios do Rio de Janeiro em busca de paisagens simples para retratá-las. Um caminho inclusive seguido por muitos pintores famosos e semelhante até ao caso do velho e sempre criativo Volpi, apaixonado pelos arredores de São Paulo.
Foi numa dessas andanças pelo subúrbio do Rio que num certo momento percebeu que uma lavadeira ao estender seus lençóis brancos na relva resultava num fenômeno que não era uma ilusão ótica. Os tons brancos, terras e amarelos queimados, que surgiram lhe impressionaram.
Foi o acaso que gerou o início de seu trabalho que já consumiu quase duas dezenas de sua existência. Um caminho que teve início com a simples observação espontânea e que depois, transformou-se em científica com um trabalho cuidadoso de laboratório com toda uma sustentação teórica. Para ele isto é um fenômeno físico que conseguiu reproduzi-lo em 1966 com a variação de muitas cores.

                                                       FALANTE

 Tal como pinta, Israel Pedrosa fala com muita fluência ao explicar suas pesquisas e descobertas. Nos últimos anos as formas geométricas surgiram em seu trabalho de pintor como uma explosão natural já que nessas formas é mais fácil provar a existência de “seu sonho” que é A cor inexistente. E tudo isto é feito dentro de uma harmonia cromática que para ele é tão presente com a harmonia musical.
Pedrosa observa que muitos pintores têm intuitivamente uma harmonia cromática muito grande e que isto ajuda muito na hora da criação. Mas ressalva que mesmo a pessoa que tem um conhecimento técnico da harmonia cromática não quer dizer que forçosamente seja um pintor de categoria.
Lembra a seguir que os nossos índios demonstram em suas indumentárias um conhecimento intuitivo muito profundo da harmonia cromática, e que pessoalmente, visitando um museu no exterior encontrou uma harmonia significativa em cocares feitos na cor amarela, em várias tonalidades, de uma tribo do Amazonas.

                                                    PRÁTICA

 
Quando indaguei sobre as aplicações práticas de seus estudos sobre A Cor Inexistente Israel Pedrosa revelou que seu estudos serviram até para corrigir e selecionar imagens em busca de um padrão. Disse ter trabalhado com o pessoal da Globo num projeto visando melhorar o padrão da imagem da televisão evitando as misturas de cores que sempre resultavam em imagens distorcidas. “Hoje a Globo tem uma pureza cromática muito boa e até já faz parte do seu padrão que conhecemos por padrão global”. Também como pintor tenho usado esses efeitos que vão surgindo em sua preocupação cromática. E, para enriquecer seus conhecimentos sobre a cor sempre teve a ajuda e colaboração efetiva de seus colegas artistas e amigos. “Tudo que eles observavam me transmitiam e eu ia anotando e refletindo”.
Seus estudos tem muita aplicação na feitura de logotipos, módulos e num certo ano até na decoração do carnaval carioca. Mas, seus estudos ganharam tal presença em vários segmentos das artes, que hoje quase muita gente não percebe que é fruto do trabalho de Israel Pedrosa. Passou para o domínio público, que em sua opinião é exatamente este reconhecimento que mais enaltece o trabalho de qualquer pessoa. Tenho refletido sobre as coisas que passam para o domínio público, e a gente não sabe quem descobriu. Basta dizer que o liquidificador, às vezes até usado por pintores abstratos para misturar superficialmente as cores e depois lançá-las por sobre o suporte e que tem múltiplas utilidades ninguém sabe quem o descobriu. Sabemos que Santos Dumont inventou o avião. E a máquina de lavar? O fogão com raio laser? O computador? Enfim vivemos num mundo de descobertas tecnológicas em grande escala. A maioria desenvolvida em laboratórios das multinacionais por equipes, muitas vezes até separadas geograficamente embora desenvolvendo o mesmo projeto.

                                                   A CROMOTERAPIA

Outra aplicação importante da cor está sendo desenvolvida atualmente em vários centros de pesquisa no tratamento de doenças psicológicas. Consiste na utilização das cores em intensidade que variam de acordo com a situação psicológica de cada indivíduo.
Os banhos de infra e ultra vermelhos ou violetas usados agora mais intensamente em tratamentos de pacientes portadores de distorções psicológicas.
A Cromoterapia é utilizada acompanhada de ruídos especiais de acordo com a destinação. Por exemplo, ruídos quase imperceptíveis combinados com banhos de luz em azuis tênues levam o paciente a um estado de descanso e  posteriormente de sono. Focos de luz fortes com muitos ruídos a um estado de excitação.
Também na indústria as cores têm uma utilização importante. Os locais onde estão as máquinas que oferecem perigo aos operários são pintados de vermelho ou laranja, assim condiciona os reflexos de cuidado, de perigo. No resto do maquinário surgem as cores azuis e ou verde musgo. Quando pensamos num hospital lembramos-nos do branco dos lençóis, dos trajes do pessoal médico e paramédico. Além dos choques elétricos tão utilizados no passado para tratamento psiquiátrico e hoje, os tão comuns banhos de luz. Não custa salientar que luz é cor.

OBRA DE PICASSO ACHADA POR ACASO

Salvador, 29 de agosto de 2012.

OBRA DE PICASSO ENCONTRADA EM MUSEU

Uma equipe do Museu de Evansville, Indiana , nos Estados Unidos fichou uma obra de Picasso com o nome da técnica que foi usada pelo artista para a confecção da pintura sobre vidro. A obra mostra uma mulher sentada com um chapéu vermelho, e passou quase cinqüenta anos catalogada com o nome de um artista que não existe.

O nome que estava catalogado é Gemmaux, na verdade o nome dado  pela equipe do museu ao suposto autor é o plural de gemmail, termo francês para a técnica que Picasso usou na obra, uma espécie de colagem com pedaços de vidro.
Dizem os técnicos que a descobriram  que a mesma tem indícios claros de ser de autoria do pintor catalão , e que a representação simultânea do rosto de uma mulher de frente e de perfil , era o início do cubismo , além de trazer sua assinatura inconfundível.
Picasso aprendeu esta técnica com o escritor e artista Jean Cocteau e fez cerca de umas 50 obras utilizando esta técnica entre os anos de 1954 a 1956 que leva o nome de gemmail, que é a junção das palavras francesas para gema e esmalte, a qual foi desenvolvida nos anos 20.
A peça agora identificada é considerada rara , e foi doada ao museu pelo magnata Raymond Loewy ,em 1963. Agora, ela será leiloada em New York e, certamente ,alcançará um alto preço no mercado. Esta obra foi “ descoberta” por peritos da Guernsey’s, casa de leilões de New York, a qual estava guardada na reserva técnica do museu.
Segundo o presidente do conselho do museu do Evansville, Steve Krohn, a instituição não tem condições de exibir, armazenar e assegurar uma obra desse valor, daí a decisão de leiloar.
Disse Krohn que “ agora que temos um entendimento completo das necessidades e custos adicionais para exibir e preservar a obra de Picasso, ficou claro que seria um ônus proibitivo para o nosso museu e por estas razões temos que leiloá-la.”
Até  agora não foi divulgado o preço que a obra pode alcançar no leilão, mas todos sabem que Picasso é um dos artistas mais valorizados no mercado global. E com estas circunstâncias que envolvem esta obra certamente que o preço será muito alto.
Basta dizer que a tela “Nu, Folhas Verdes e Busto” foi arrematada por 106,5 milhões de dólares, e já perdeu este ano para a tela “O Grito”, de Munch, que foi vendida por 120 milhões de dólares, sendo portanto, a obra mais cara até agora.
Falando da obra do museu de Evansville John Streetman, diretor da instituição disse que “ ela brilha como uma jóia”, escreveu o jornal The Guadian. E concluiu “ sem dúvida , um conjunto único de circunstâncias levou à descoberta desse tesouro dentro de nosso museu”.
Este fato é uma demonstração da falta de informação e despreparo das pessoas responsáveis pela catalogação e mesmo direção daquele museu americano. Certamente, muitas obras importantes devem estar ai guardadas nos acervos técnicos por catalogação mal feitas ou mesmo pelo marasmo que acomete sobre muitos dos burocratas responsáveis por nossas instituições.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

CRISTINA SÁ APRESENTA PULSAÇÕES


CRISTINA SÁ MOSTRA 25 OBRAS NA PAULO DARZÉ GALERIA
Texto Reynivaldo Brito
Fotos Divulgação
Está aberta até o próximo dia 21 de setembro a mostra Pulsações da artista plástica Cristina Sá na  Paulo Darzé Galeria de Arte, no Corredor da Vitória,  composta de 25 obras em diferentes formatos, sendo 15 telas, 4 tridimensionais, 4 trabalhos em papel  sobre papel e  uma instalação, também, em papel. Vemos portanto, que na relação das obras que ela trabalhou com vários materiais e técnicas que vai da pintura, colagem, desenho, costura e monotipia. Olhando as reproduções dos seus trabalhos notamos que além de ser minuciosos tem uma forte influência oriental e nos transporta àquelas pinturas tão apreciadas no Japão, China e em outros países asíaticos. Ela inclusive utiliza papéis orientais, que diz terem sido trazidos em suas andanças por lá. São papéis variados como o washi e o chiyogami.
Como dizia um ex-presidente "ela tem um pé no Oriente", porque seu avô materno é chinês, portanto, é de certa forma natural que  tenha sofrido alguma influência e mesmo  uma certa admiração pela arte produzida naqueles países asíaticos. A artista mesmo revela que " a fusão Oriente-Ocidente é um dos eixos do meu trabalho. Tenho fascínio por forças opostas que convivem".
Além das telas a artista apresenta três móbiles tridimensionais com inúmeras mandalas fixadas delicadamente em fios tensionados, como observa o marchand  Paulo Darzé estão presos numa placa lisa de acrílico transparente, mas flutuantes . Adicionadas e costuradas uma a uma, as figuras redondas formam uma cascata saturada de cor, vazada à luz. ". Logo percebe-se ai que é uma arte que inspira momentos de tranquilidade, observação e meditação.
Ela fecha sua mostra com uma enorme instalação confeccionada em papel washi, que é leve e resistente,lembrando um pano branco.Com suas pinceladas o papel ganha as formas que ela desejava e os estende como se fossem largas ondas flutuantes. Para esta mostra trouxe três washis de tamanhos diversos.
                             A artista
Cristina Sá iniciou sua carreira artística em 1996 na cidade de São Paulo , onde tem realizado a maioria de suas exposições.Mas já expôs aqui, anteriormente;Rio de Janeiro, Búzios e até em Paris onde ganhou alguns prêmios.
Pintora e desenhista,foi aluna de Maciej Babinski e concluiu o curso de Arquitetura de Interiores e História da Arte pela Escola Panamericana de Artes. A partir de 1984 estudou pintura com Pedro Algaza, frequentou o atelier de Jorge Franco, durante oito anos. Aprendeu a trabalhar com aguadas, carvão e pastel com Philip Hallawell, e atualmente tem seu atelier localizado no bairro Real Parque, na capital paulista.

A artista Cristina Sá trabalhando na instalação site-specific de 600x500x160cm.
Como podemos perceber é uma artista que está sempre buscando novas técnicas e materiais para apresentar seus trabalhos. Isto revela um ponto muito positivo, porque é esta busca que faz o profissional crescer na medida em que tem diante de si um leque de opções para prosseguir sua estrada em busca de uma produção profícua e diversificada.
A curadora da mostra é Denise Mattar diz que "Cristina Sá começou por uma busca intimista na qual as questões que a sensibilizavam eram afeitas à imagem e a construção do plano. .... As aguadas leves, que evocam carícias, as folhagens e bambus, sempre presentes, receberam um novo alento com a introdução do papel washi"
É uma pintura leve com as cores suaves,mas as vezes contrasta com o fundo vermelho forte. Este traço oriental está presente nas reproduções das obras que chegaram às minhas mãos. É um trabalho que me agrada e tem além do valor artístico e bom efeito decorativo.
Falando de seu processo criativo Cristina Sá  observa que  os papéis orientais são muito fibrosos  e têm uma característica é que se unem com facilidade   entre si ou com o linho da tela dando a idéia de um corpo único. De repente não dá mais para  saber onde começa e termina, tudo se funde . Daí esta variedade de composições que consegue neste jogo com os materiais que utiliza, entrando ai também  as tintas em cores variadas  e o nanquim.
 Salvador 28 de agosto de 2012.

MUSEU DE ARTE FUNCIONARÁ NO PRÓXIMO MÊS NA VITÓRIA - 9 DE AGOSTO DE 1982.

JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA 09 DE AGOSTO DE 1982

MUSEU DE ARTE FUNCIONARÁ NO PRÓXIMO
MÊS NA VITÓRIA


No próximo mês o Museu de Arte da Bahia mais conhecido como Museu do Estado estará em suas novas instalações, no solar onde funcionou a Secretária de Saúde, uma construção do século XIX, no Corredor da Vitória. O presidente da Fundação Cultural, Geraldo Machado, assegura que o solar é o local ideal para o acervo do museu, constituído de pinturas, pratarias, porcelanas, mobiliários, objetos de adornos, “uma parcela importante da história da Bahia dos séculos XVII, XVIII e XIX, que estava sendo muito mal-exposta no prédio de Nazaré por falta de espaço”.

Foto do imponente solar onde funciona o Museu de Arte da Bahia, no Corredor da Vitória.

Ele ressaltou a nova localização do Museu do Estado e elogiou a escolha do local, porque “a Vitória está se transformando em eixo cultural importante na cidade”. Na Vitória e imediações está o Teatro Castro Alves, o Instituto Cultural Brasil-Alemanha, o Museu Carlos Costa Pinto. Lá serão instalados o teatro da Acbeu e o Museu de Geologia.“Esta concentração de equipamentos culturais proporcionará uma racionalização do fluxo de visitantes ao Museu do Estado”, garante.
                                                                   ESPAÇOS
 No novo Museu de Arte da Bahia a exposição do acervo ocupará parte do segundo pavimento do casarão onde as peças arrumadas de acordo com temas, épocas etc. Haverá espaços para exposições temporárias.
O projeto do Novo Museu de Arte da Bahia prevê a implantação de oficinas destinadas a preservar o artesanato de prata e cristal, entre outros, cujos mestres estão desempregados. Nas oficinas, eles terão oportunidades de transmitir sua habilidade a alunos que preservarão a arte.
“Um espaço anexo ao museu explicou Geraldo Machado está sendo preparado para abrigar um mercado informal de objetos antigos”.
                                                               BIBLIOTECA
 A Biblioteca do Museu, especializada em arte, ficará no subsolo do casarão, onde há lugar para seus mais de oito mil volumes. Segundo Geraldo Machado há a intenção de melhorar o acervo da biblioteca, que já é um dos mais completos do país. O museu terá ainda guarda-volumes, loja e um auditório. A mudança do museu para a Vitória foi também uma oportunidade para fazer-se um trabalho inédito: pela primeira vez na Bahia é feita a restauração de todas as peças de um museu. A Fundação Cultural reuniu uma equipe de restauradores que funcionará como a central de manutenção do Museu de Arte da Bahia.
O ALEMÃO FRANZ MOSTRA TRABALHOS EM MADEIRA
 Um tipo inédito de se trabalhar em madeira, denominado serra-gravura, está sendo apresentado na Galeria de Arte Raimundo Oliveira, no Instituto Mauá, em exposição que permanece aberta ao público.
“Baiana com fundos de casas”, “Pescador”, “Sermão aos Pássaros”, “Cristo Carregando a Cruz”, são algumas das serra-gravuras de Franz Erwin Schitker, cujos preços variam de 5 a 68 mil e tem atraído um enorme público ao instituto.
Dentre os 20 quadros expostos, 5 possuem motivos sacros e embaixo de cada um está presente uma frase referente ao motivo pintado. Como é o caso da “Baiana”, um quadro em homenagem a mulher que nasceu nessa terra maravilhosa, disse Franz e abaixo do quadro pode-se ler o seguinte: A Baiana conquistou a simpatia do homem muito além das fronteiras da Bahia. Ela é quase um símbolo brasileiro. Vários quadros já foram vendidos. Ele comentou que aceitação dessa nova técnica está surpreendendo até ele próprio, apesar dessa ser a segunda exposição em que participa. A primeira foi em 1980, durante a VI Feira de Artesanato do Teatro Castro Alves, promovida pela Setrabes, onde houve a participação de muitos artesãos.
Morando ha 21 anos no Brasil e há 15 em Salvador, o alemão Franz disse que desde pequeno já fazia trabalhos com madeira, que era um de seus passatempos preferidos, principalmente durante o inverno, pois sua cidade natal, Benteler, na Alemanha Ocidental, era muito fria. E quando chegou ao Brasil começou a desenvolver com mais afinco essa técnica.
Dentre os quadros expostos, o mais caros 68 mil e o mais trabalhoso é o de São Francisco de Assis, todo feito em pedaços de madeira, tipo mosaico. Ressaltou Franz, que nesse quadro ele usou as mais diversas tonalidades de madeira para conseguir o efeito desejado, pois as madeiras usadas, como jacarandá, violeta, mogmo e pinho alemão são difíceis de se conseguir, daí a razão dele não jogar fora nenhum pedaço de madeira por menor que seja.
Todos esses trabalhos de Franz poderão ser vistos e o público que deseja encontrar o próprio Franz, deverá fazê-lo na parte da tarde.
                                      A ARTE DE FABRICAR PAPÉIS
 Fazer do próprio papel um objeto de arte, através de interferência no seu processo artesanal de fabricação, é a proposta do artista plástico brasileiro Otávio Roth, na mostra “Criando Papéis” que esteve aberta ao público no Museu de Arte de São Paulo.
Gravurista de renome internacional, Otávio iniciou suas pesquisas sobre as possibilidades do papel enquanto linguagem artística há cerca de oito anos, na Europa. Sua intenção era estabelecer uma relação indissolúvel entre o papel até então usado como suporte e a imagem, misturando formas, linhas e cores. Segundo o crítico Márcio Doctors, esse tipo de trabalho resultou numa trama, ao mesmo tempo aparente presente. “E é esta trama que nos encanta, que nos remete a uma certa transparência, que mistura os limites que tentamos impor às coisas”, diz ele. A arte de fazer papel à mão, revivida por Otávio, foi inventada pelos chineses no início da era Cristã, sendo introduzida na Europa no Século XII. Hoje, o papel fabricado manualmente é utilizado somente para fins artísticos, face sua qualidade e seu elevado custo.
Otávio Roth, que acaba de retornar de Nova York onde é professor do Center for the Books Arts, afirma que seu compromisso é com o passado e com o futuro. “Sou e quero continuar sendo um criador de papéis, contribuindo com alguns de meus anos à longa história do papel”, esclarece
Para tanto, ministrará um curso sobre a fabricação artesanal do papel o primeiro a ocorrer no Brasil durante a exposição no MASP.
Através de farta documentação e de amostras de papéis artesanais de diversas partes do mundo, a história universal do papel inclusive a do nosso país também se fará presente na mostra “Criando Papéis”.
        QUADROS DE CIENTISTA E PRÍNCIPE, VENDIDOS
Um enorme quadro, a óleo pintado por Samuel F. B. Morse em 1832, pouco tempo antes de inventar o telégrafo e o Código Morse, foi vendido pela quantia de 3,25 milhões de dólares, o preço mais alto jamais pago por uma pintura norte-americana.
O comprador foi Daniel J. Terra, de 71 anos, um executivo aposentado de uma firma de produtos químicos de Chicago e que exerce a função de embaixador de boa vontade para assuntos culturais do presidente Ronald Reagan
A pintura, é intitulada “Galeria do Louvre” e mostra várias personalidades norte-americanas da época no famoso museu parisiense contemplado o quadro “Mona Lisa”, de Leonardo da Vinci. Durante a vida de Morse, o quadro, que nunca conheceu a celebridade, permanecerá num dos salões da Universidade de Siracusa, no Estado de Nova York. Terra planeja expô-lo no museu que fundou em Evanston, lllinois.
                        QUADRO DO PRÍNCIPE
 Num leilão de caridade, os colecionadores esnobaram um quadro pintado pelo príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth.
O quadro, uma paisagem da Nova Zelândia pintada há anos, foi recolhido pelo leiloeiro na brigada de ambulâncias Saint John, porque os lances não alcançaram o preço mínimo de 10 mil libras (3,1 milhões de cruzeiros). O lance maior não chegou a 5 mil libras. Segundo o palácio de Bukingham, o príncipe Philip, que pinta, regularmente em suas horas de folga, deu várias de suas telas ao marquês de Abergavenny, que pediu permissão para doar uma delas para o leilão de caridade.
                                EXPOSIÇÃO SOBRE O FOLCLORE
 Dia 24 de agosto de 1982 (Dia internacional do Folclore) às 20h00minh acontecerá na Genaro Galeria de Arte o coquetel de abertura da exposição “O Folclore nas Artes Plásticas” da qual participarão os artistas: Floriano Teixeira, Capelotti, Maria Muhana, Beto Santiago, Albano Neves e Souza, J. Arthur, Nilza Barude, Miguel Najar, Maria Sampaio, Manoel Jerônimo, Eduardo Carvalho, Juarez Paraíso dentre outros.
Um tema rico, principalmente na Bahia, foi escolhido pela direção da Genaro Galeria de Arte dando continuidade a seqüência de exposições temáticas iniciadas com a realizada a 13 de maio intitulada “Mês de Maio, Mês de Maria”.
                                                        FOTOS
A Petroquímica do Nordeste S.A. (Copene) está promovendo, com o apoio da Funarte e da Fundação Cultural do Estado da Bahia o Concurso Copene de Fotografia, com o objetivo de selecionar 12 fotos para ilustração do calendário da empresa para i próximo ano.
Fotografe o Nordeste é o tema do concurso que permite escolha livre de assuntos, dentro da paisagem geográfica e cultural dos estados, da Bahia ao Maranhão.
                      OBJETOS E TAPEÇARIAS NO MAMB
O Museu de Arte Moderna da Bahia inaugura nesta terça-feira dia 10, às 21 horas, no Solar do Unhão, uma exposição coletiva de trabalhos de três artistas radicados no Rio de Janeiro, conhecidos pelas suas criações expressivas: Anderson Medeiros, que trabalha com ex-votos, e Vivian Silva e François Gallé, tapeçarias.
A mostra fica em cartaz até o dia 28, com visitas de terça a sexta das 10 às 12 e das 14 às 18 horas e sábados, domingos e feriados das 14h30min às 18h30min.
 Reprodução de Objeto de Aderson Medeiros
Presentes na exposição, além das suas tapeçarias de fibras diversas, quatro quadros da artista francesa residente no Rio Françoise Gallé. Ela já fez várias exposições na Europa e Brasil e seu currículo revela uma intensa atividade e a participação em momentos importantes das propostas têxteis. Apresenta trabalhos que refletem a nova tendência da tapecaria artística, com base nos estudos de pintura, escultura e desenho que teve na Academia de Belas-Artes de Paris.

BUROCRATAS MUNICIPAIS NÃO RESPEITAM AS OBRAS DE ARTE - 6 DE SETEM,BRO DE 1982.

JORNAL A TARDE, TERÇA-FEIRA,  6 DE SETEMBRO DE 1982.
BUROCRATAS MUNICIPAIS NÃO RESPEITAM 
AS OBRAS DE ARTE
O pintor baiano Esperidião Mattos tem sido uma vítima constante de alguns órgãos públicos. basta dizer que já foi obrigado a mudar de residência duas vezes, e atualmente, está novamente sendo importunado por uma obra da Telebahia, que inclusive não lhe permite trabalhar com tranquilidade. Agora, chegou a vez da Prefeitura Municipal importuná-lo, aliás, de desrespeitar seu próprio trabalho artístico. Esperidião Mattos é autor de vários murais que existem na parte alta do Elevador Lacerda onde retrata pontos pitorescos da Cidade. Recentemente ele teve o cuidado de restaurar todos os murais para que o turista que nos visita tenha uma visão, mesmo que rápida, de nossa Salvador.
Estes anúncios indicam, no mínimo, o mal gosto do autor.
 Porém, os burocratas da Prefeitura , que certamente não gostam de arte, mandaram afixar alguns painéis eletrônicos com propagandas de gosto duvidoso, basta dizer que numa delas anuncia uma empresa  de limpa fossas. E, onde instalaram  os tais painéis de propaganda? Exatamente em cima das pinturas de Esperidião. É o caso da  Associação dos Artistas Plásticos da Bahia e outros órgãos ligados à cultura baiana protestarem junto à Prefeitura contra esta falta de respeito para com o artista. Aliás Esperidião não é a única vítima. O pintor Carlos Bastos já teve vários de seus murais e painéis destruídos ou danificados, e ele, também, pode atestar esta falta de sensibilidade que não está localizada apenas nos gabinetes das repartições públicas.
Os murais foram pintados em 1954 e a escolha da parte interna do Elevador Lacerda foi feita pela artista " porque por ali transita, diariamente, muita gente que visita a Bahia. Trabalhei durante dois meses e muitas vezes varei a noite em cima de andaimes retratando o Forte de Monte Serrat, Farol da Barra, São Francisco, a bela portada do Liceu de Artes e Ofícios, dentre outros. Alguns locais retratados já mudaram de feição devido a sanha do progresso que muitas vezes destrói. Aquilo que fiz é um pedaço da memória desta cidade que vem sofrendo e sendo descaracterizada com a febre imobiliária", diz Esperidião. Por ouro lado, lembra o artista que " os murais foram pintados por mim, mas custaram o dinheiro público, e é um patrimônio da Prefeitura que não se pode desprezar desta forma". Está ai o desabafo de um artista que pertence à escola do mestre Presciliano Silva e Mendonça Filho e que ama a sua cidade e merece respeito como pessoa humana e pela sua própria obra!

ARTISTAS FAZEM PAINEL EM HOMENAGEM A GLAUBER ROCHA
Mesmo com poucos recursos, vários artistas baianos trabalham  com afinco visando concluir, na próxima semana, o painel de 72 metros quadrados que aproveitará o espaço da lateral do Cine Glauber Rocha, como uma das atividades que integram a programação da Jornada de Curta-Metragem, a ser instalada no dia 8. O painel é uma justa homenagem ao mais inquieto e criador dos cineastas brasileiros, Glauber Rocha. Integrante da produção do painel Claudio Lius Pereira mostrou a importância de se ocupar um espaço vazio, com trabalhos de artistas baianos e, além da pintura, serão utilizados trabalhos em tecido, madeira e outros que comporão os cinco pedaços de parede branca, que serão vistos à distância devido a sua excelente localização.
Mesmo enfrentando dificuldades artistas trabalham no mural em homenagem a Glauber Rocha.
Entre os artistas , que participam do trabalho, estão Juarez Paraíso, Renato Viana, Renato da Silveira e Graça Ramos, dentre outros, todos empenhados em divulgar a mostra de cinema de curta-metragem, evento considerado dos mais importantes do setor. A ideia inicial seria a de que o mural fosse inaugurado na data da abertura da jornada, mas a chuva atrasou todo o trabalho, muito embora de qualquer forma, os artistas continuem se esforçando  na sua agilização.
Mesmo preferindo não comentar muito o assunto, os artistas estão utilizando unicamente verbas da jornada, já que não houve interesse por parte de patrocinadores. E o cálculo inicial é de que se gaste cerca de Cr&400 mil somente em material. A participação dos artistas tem se dado de forma gratuita, com o único objetivo de divulgar a arte.

                 ACERVO DO MUSEU DE MONTE SANTO
                 EXPOSTO NO DIA 10.

O acervo do Museu de Monte Santo ou Museu do Sertão , que será inaugurado no dia 1º de novembro, em Monte Santo, ficará em exposição a partir do próximo dia 10, no Museu de Ciências e Tecnologia, de acordo com o convênio assinado com a Emtur - Empreendimentos Turísticos S/A, empresa subsidiária da Bahiatursa, visando a divulgação desse patrimônio junto à população de Salvador. O Museu do Sertão faz parte do Projeto Turístico de Canudos, desenvolvido para equipar a extensa área sertaneja entre Caldas do Jorro e Monte Santo. Durante o período de inauguração do museu, será realiza\do na região o I Encontro de Arte Sertaneja e apresentação de uma peça sobre a Guerra de Canudos. Foto do Museu do Sertão.
O grande enfoque da exposição do Museu da Ciência e Tecnologia, em Pituaçu, será o acervo dos ex-votos do sertão baiano, com cerca de 400 peças que serão apresentadas dentro de um estudo histórico confrontado com os ex-votos de outras regiões brasileiras, como Ceará e Minas Gerais. Ainda durante a exposição, haverá um painel de todo o acervo do Museu do Sertão, com uma apresentação de pequenas peças. Esta será a primeira de uma série de amostragens programadas para Salvador, em outros locais como o Centro de Exposições do CAB e a Universidade Federal da Bahia, antes do acervo seguir para Monte Santo.
NOVAS ATRAÇÕES
O prédio do Museu do Sertão foi doado pela prefeitura de Monte Santo através de convênio com a Emtur, que é responsável pelas obras de reforma do casarão e organização do acervo inicial. O investimento custou cerca de Cr$10 milhões, com recursos provenientes do governo do Estado, e da Sudene. O museu preservará a memória e a cultura popular de uma das mais notáveis regiões do sertão nordestino, constituindo-se em uma nova atração que, ainda aos aspectos culturais, será um grande reforço para o incremento do fluxo turístico.
O acervo inicial do Museu do Sertão é composto de ex-votos da região, principalmente de Monte Santo; reproduções fotográficas sobre Canudos - cópias do Museu da República, no Rio de Janeiro; aquarelas de Caribé sobre Usos e Costumes da Bahia, feitas em 1964 e editadas em 1982; reprodução fotográficas de gravuras do pintor Ib Andersen, que serviram de ilustrações para a edição dinamarquesa do livro Os Sertões; microfilmes de jornais da época sobre a Campanha de Canudos e um audiovisual de Mário Cravo, com música de Lindembergue Cardoso. O museu deverá também reunir peças de artesanato decorativo , utilitário e outros elementos da cultura regional.
O 1º Encontro de Arte Sertaneja será realizado nos dias 29,30 e 31 de outubro, em Caldas do Jorro. O encontro terá forma de uma grande feira, por ser este um evento característico do Nordeste, considerado local das grandes decisões entre o povo sertanejo. Vai reunir todas as manifestações da região, entre elas exposição de medicina popular, literatura de cordel, feira de artesanato artístico e utilitário, culinária, desafios, repentes,moda de viola, contadores de histórias, danças folclóricas, banda de pífanos com 16 componentes e atrações nacionais: Gereba e Capenga, Pedro Sertanejo, Oswaldinho e o poeta João Bá.
Os participantes do encontro são pessoas da região de Feira de Santana,Ichu,Serrinha,Tucano,Euclides da Cunha, Caldas do Jorro, Monte Santo, Nova Soure, Ribeira do Pombal, Cipó, Cícero Dantas e Jeremoabo. Dentro do programa de inauguração do Museu do Sertão haverá ainda a apresentação  da peça O Evangelho Segundo Zé Bedeu ou Vida, Paixão e Morte de Antônio Conselheiro, ou A Guerra de Canudos, no Santuário da Santa Cruz do Monte Santo, com texto de César Vieira, direção de Manoelito Guimarães e elenco da oficina de teatro do Sesi de Feira de Santana. O texto desta peça foi considerado pela Associação Paulista de Críticos de Arte , como melhor texto  brasileiro, em 1971 e o melhor espetáculo do Festival Mundial de Teatro em Nancy, França, e do Festival Mundial de Manizalles, na Colômbia, em 1973.Dentro da programação, haverá , ainda, na Praça de Monte Santo, apresentação de zabumba, violeiros, desafios, Gereba e Capenga, Pedro Sertanejo e Oswaldinho.


                          IGREJAS BAIANAS RETRATADAS

O pintor italiano Ilio Burruni , radicado no Brasil desde 1953, inaugura, dia 8 de setembro, às 21 horas, sua oitava exposição individual em nosso país, na Galeria de Arte Banerj, no Rio de Janeiro. As igrejas barrocas brasileiras, muitas das quais baianas, é o principal tema de sua pintura,que ele as evoca através de uma pintura chapada, cores suaves realçando o desenho arquitetural."! Estava acostumado àquele barroco da Europa, complicado, cheio", diz o artista referindo-se à descoberta do barroco no Brasil, "quando vi esse barroco de uma pureza, quase infantil, àquelas igrejas brancas, algumas, infelizmente, em ruínas, foi uma emoção muito grande. Nunca mais me libertei daquela impressão. Então, uma vez escolhido o tema, saí pesquisando esse assunto pelo qualquer já era fascinado". Ilio nasceu em 1917 na Sardenha, Itália. Formado em Direito pela Universidade de Siena , estudou pintura com o pintor Barone Mano. Aos 33 anos , chegou ao Brasil, após um breve período em Buenos Ayres. Até então expressionista, Burruñi aos poucos foi despojando o seu trabalho até simplificá-lo ao atual estágio. Foto da obra Igreja da Barroquinha.


sábado, 25 de agosto de 2012

CRÍTICOS DE ARTE FAZEM PROTESTO - 30 DE AGOSTO DE 1982.

JORNAL A TARDE SALVADOR, 30 DE AGOSTO DE 1982.

            CRÍTICOS DE ARTE FAZEM PROTESTO

Em nota oficial a  Associação Brasileira de Críticos de Arte está protestando contra os critérios adotados pelos organizadores do Salão Nacional de Artes Plásticas e do 6º Salão Carioca de Arte. Eis a nota na íntegra:
“A Associação Brasileira de Críticos de Arte, seção nacional da Association Internationale des Critiques d’Art, vem a público manifestar sua inteira desaprovação contra os critérios adotados pelos organizadores do Salão Nacional de Artes Plásticas, da Funarte, e do 6º Salão Carioca de Arte, do Instituto Municipal de Arte e Cultura, no tocante à formação de comissões julgadores designadas para ambas às promoções, majoritariamente integrada por artistas plásticos. Retroagimos por assim dizer à sombria época do primado absoluto da poderosa Academia Imperial de Belas Artes, quando artistas referendados pelo poder arrogavam-se o direito de julgar com parcialidade a produção de seus colegas, manifestando a prevalência de facções e tendências antagônicas.
Jamais havia ocorrido com tal radicalismo o fenômeno da constituição de comissões julgadoras de exposições de arte nas quais inexiste representatividade efetiva de setores profissionalmente habilitados ao exercício da crítica de arte. Não se discute, em caráter particularizado, a competência individual das pessoas que aceitaram fazer parte destas comissões, no campo de suas atividades específicas, mas sim o fato de as habilitações que possuem não se aplicarem à tarefa que aceitaram realizar.
Assim, a ABCA, entidade de vinculação internacional à prática profissional da crítica de arte, que congrega a maioria dos críticos de artes atuantes no Brasil, vem publicamente registrar sua apreensão quanto aos critérios adotados este ano, tanto no Salão Nacional de Artes Plásticas quanto no 6º Salão Carioca de Arte. Aproveita ainda para alertar os artistas da inconveniência de terem sua produção avaliada, julgada, selecionada ou considerada para premiação por júris que não possuem qualificação específica do exercício da crítica de arte profissional. “É tempo de eliminar no Brasil, ao menos no setor da produção estética, o privilégio da prevalência de critérios amadorísticos e adventícios do mérito profissional alheio”. A Diretoria.

           JOSÉ MÁRIO PREPARA UMA NOVA EXPOSIÇÃO

No bairro de Mont Serrat, num ambiente de praia, velhos casarões, procissões, festas de largo e carnaval, nasceu e se criou o pintor José Mário. Todas estas manifestações tiveram influência marcante em sua arte, que teve início quando ainda era adolescente, e conseguia um bom conceito nos trabalhos escolares. Foi quando a consciência da profissão já estava semeada e latente em seu espírito e ele começou a transferir para as telas “todos os anseios, visões e sonhos de um mundo de fantasia e realidade.
Em paralelo ao desenvolvimento do trabalho artístico, José Mário estudava mecânica, diplomando-se em 1967. O seu envolvimento com máquinas e motores se deu pelo contacto direto com a mecânica e pelo fascínio que as engrenagens e seus desenhos desempenhavam. No ano de 1975 o artista já havia participado de diversas exposições em salões. Em 1977 foi convidado para trabalhar na Ceramus Bahia, em Camaçari, aonde chegou a ser supervisor de montagem do forno rotativo. A experiência despertou no jovem artista plástico, o paralelo entre a arte mecânica, entre os grandes engenhos e a quietude da cidade pequena. E agora José Mário está preparando uma nova exposição, a qual ainda não tem local definido.

              OFICINA DE ARTE VAI REINICIAR ATIVIDADES

Serão reiniciadas em setembro próximo as atividades da Oficina de Arte em Série no Museu de Arte Moderna da Bahia com os cursos de xilogravura, gravura em metal e litogravura, as terças, quintas e sextas-feiras das 8 às 12 horas. Os cursos vão de setembro a novembro, sendo que haverá um curso extra de serigrafia programado para o mês de novembro, com carga horária a ser ainda estabelecida. O coordenador da Oficina é o professor Juarez Paraíso, sendo que xilogravura está sob a responsabilidade de Márcia Magno, litogravura com Paulo Rufino Mattos e gravura em metal com Yeda Maria.
A Oficina de Arte em Série do Museu de Arte Moderna da Bahia foi inaugurada em março de 1980, graças ao convênio firmado pela Funarte e a Fundação Cultural do Estado da Bahia – FCEBa. As atividades já desenvolvidas ampliaram sensivelmente a ação do Museu de Arte Moderna da Bahia no âmbito da informação e formação artística, servindo a centenas de jovens, sem os entraves do academicismo e do ensino formal.
A Oficina tem estimulado vários artistas emergentes, constituindo-se importante alternativa no ensino das artes plásticas e na comercialização da obra de arte. Independente de procurar motivar os artistas profissionais para a prática de gravura tem oferecido os seus cursos prioritariamente ao público de baixo poder aquisitivo. Os cursos são gratuitos e contam com o apoio de artistas-professores.
Já foram realizados 23 cursos beneficiando a uma clientela de centenas de pessoas que foram iniciadas às técnicas de Xilogravura, Litogravura, Gravura em Metal e Serigrafia.
Com cinco exposições já montadas com trabalhos de alunos, a oficina tem colaborado com o programa Museu-Escola Comunidade que já realizou atividades de apoio didático a um elevado número de estudantes de cursos profissionalizantes.
Na verdade, o programa cultural da Oficina de Arte em Série tem sido bastante diversificado e proveitoso destacando-se cursos especiais de Litogravura, Serigrafia, visitas a museus e exposições, palestras e feira de arte e assim dá-se continuidade ao ensino e à produção de gravura marcadamente desenvolvidos na Bahia a partir da década de 60 pela Escola de Belas Artes, da UFBA.

  DALI CONTESTA OBRA E PROCESSA EXPOSITOR

Perpinan, França - O pintor Salvador Dali, agora marquês de Pubol, graças ao título que lhe foi concedido no dia 26 de julho passado por decreto do rei Juan Carlos da Espanha, negou a autenticidade de 80 obras atualmente expostas em Perpinan como suas e apresentou queixa ao Tribunal da cidade por falsificação e roubo, no dia dois de agosto passado.
Além da queixa ao Tribunal de Perpinan, cidade ao sul da França próxima à fronteira com a Espanha Dali, requereu também a apreensão de 426 obras que incluem pinturas sobre telas, esboços e estudos apresentados na exposição “Dali” inaugurada no Palácio dos Reis de Maiorcas, em Perpinan, depois de terem sido expostas em Viena e Munique.
O proprietário destas obras e o Museu Perrot-Moore de Cadaques, Espanha, fundado pelo capitão Peter Moore, ex-secretário irlandês de Dali. Entre as obras suspeitas, Dali descobriu uma chamada “metafísica Cosmisca” que considerou indigna de seu gênio criador, assim como vários esboços ou pré-estudos, entre os quais dois desenhos intitulados “O hippie” e “Amanda”, que o pintor assegurou nunca ter vendido, assinado ou titulado.
“É difícil pronunciar-se sem realizar uma perícia das pinturas em telas e das assinaturas suspeitas”, declararam os meios artísticos, para os quais “o caso pode ser de falsificação mais também pode ser de usos abusivos de assinaturas autênticas da Dali”.
Salvador Dali, como muitos outros pintores, talvez tenha assinado muitas folhas em branco destinadas a uma tiragem posterior de litografias”, são os comentários mais comuns.
Por sua vez, o capitão Moore, em entrevista por telefone em entrevista ao telefone ao correspondente da France-Presse disse “lamento que ao envelhecer, Dali renegue uma parte de sua obra, e congratulo-me por poder apresentar este grande pintor em Perpinan, que é uma cidade que eu amo”.
O capitão Moore, que durante 14 anos fez parte do círculos íntimos do pintor, afirmou que comprou estas obras - depois de ter se afastado dele - de colecionadores particulares e garantiu que sua autenticidade não pode ser colocada em dúvida . “
“A Justiça deve decidir”, concluiu.

                         MURAL

CERAMISTA – O ceramista de Mundo Novo, Valtério ,está expondo no Museu da Cidade. A obra do artista interiorano mostra a sua presença dentro do que está acontecendo em sua própria realidade social. Esta escultura onde retrata a figura de Pelé com sua própria cabeça debaixo do braço com uma bola substituindo-a, demonstra muito senso crítico e nos leva a muitas outras considerações acerca do próprio futebol. No peito um formato do escudo da CBD e um cifrão que representa o dinheiro. Foto  ao lado.




NO ITAIGARA - Iray, Ernesto Simões, Edson Cesário e C. Lauria continuam expondo seus trabalhos na Galeria de Arte Itaigara. E no catálogo tem algumas palavras de Lauria onde ele diz: “Poucas atividades humanas estão sujeitas a tantas interpretações diferentes como a arte, cuja significação varia de acordo com cada admirador e cada artista possui uma visão pessoal. Aspiro o belo e procuro transmiti-lo com a sensibilidade para dar evasão aos meus sentimentos...”

EL DORADO – A exposição El Dorado”, é um dos mais importantes acontecimentos culturais deste ano na Áustria. Os tesouros índios do Museu do Ouro do Banco da República de Bogotá, com os quais se constituiu uma exposição itinerante internacional que permanecerá até outubro no Museu de Etnologia de Viena. A população austríaca tem assim a oportunidade de conhecer estas preciosidades únicas da antiga arte índia da Colômbia e de contemplar o patrimônio cultural índio do período Pré-colombiano. Constitui ainda valioso complemento da exposição Ouro do Peru, tesouros artísticos dos períodos artísticos Inca e Pré-Inca”, apresentados há seis anos também no Museu de Etnologia. Foto 2


NOVA GALERIA – Durante todo o mês de setembro vindouro, a mini Galeria da Associação Atlética Banco do Brasil estará exibindo cerca de quarenta trabalhos  dos festejados artistas: Eckner, Edson Cesário, Edson Ramos, José Francisco de Souza, Júlio Araújo, Manoel Neto, Rosa Ramos e Theresinha Soriano, na Coletiva  da Independência. É sem dúvida mais uma realização da diretoria do Sr. Hilton Teixeira de Freitas que vem dinamizando também o setor artístico e cultural daquela tradicional associação dos funcionários do Banco do Brasil. A inauguração da galeria será no próximo dia 1º.

MORREU  HENRYK _- O pintor Jan Henryk de Rosen , autor de importantes afrescos religiosos realizados nos Estados Unidos e em vários pontos da Europa, faleceu em Washington aos 91 anos de idade no último dia 27. Filho de Jan de Rosen que fora pintor da corte dos Czares Alexander III e Nicolau II, já Herynk nasceu na Polônia mas educou-se na França. Depois de estudar em universidades de Paris e Lausane , na Suíça, participou da II Guerra Mundial servindo sucessivamente aos exércitos da França, Inglaterra e Polônia. Descobriu a pintura um pouco tarde aos 33 anos de idade, quando então fez uns afrescos para a catedral armênia de Llow, Polônia; e para a capela do Papa Pio XI, em Castel Gandolfo .
Em seguida fixou-se nos Estados Unidos onde seguiu sua carreira de pintor dentro da inspiração religiosa.
Em St. Louis , Missouri, realizou um dos maiores mosaicos do mundo para a cúpula da Catedral da Cidade.

TERCEIRA TRIENAL – Quem for ao MAM, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, até o dia 26 de setembro, irá presenciar uma das mais importantes mostras da arte da fibra. Trata-se da Terceira Trienal de Tapeçaria onde  48 artistas de todo o país, nomes de grandes destaques como Arlinda Volpato, Bia Vasconcelos, Carla Obino, Douchez, Eva Soban, Gilda Azevedo, Helô, Licier Husnsche, Juan Ojea, Norberto Nicola, Zorávia Bettiol e outros, irão expor trabalhos das mais diferentes tendências, onde a criatividade com a utilização da fibra varia desde o linho, o barbante e o cordão convencionais até a trama com madeira e arames.
Um júri de seleção composto por Norberto Nicola, também orientador da Comissão Organizadora, Juan Ojea, Eva Soban, o escultor Nicolas Vlavianos , o gravador Odetto Cuersoni, o critico de arte Alberto Beutenmüller, com a assessoria da assistente exe-cutiva do MAM Sema Petragnani , escolheu entre mais de 300 obras enviadas de diversos pontos do Brasil, oitenta trabalhos que estarão expostos durante este evento.
Além dos selecionados, também estarão presentes com suas obras, onze convidados, a maior parte deles já premiados em Trienais anteriores.
No sentido de melhor ilustrar e enriquecer a mostra , o artista Norberto Nicola, montou no recinto do MAM um pequeno setor didático com material cedido por colecionadores de tecidos pré-incaicos, em especial o Sr. E senhora Oscar Landmann,donos de uma das mais importantes coleções do pais.

MUDANÇAS E DESCASO - JORNAL A TARDE ,5 DE JULHO DE 1982.

JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 05 DE JULHO DE 1982.

                  MUDANÇAS E DESCASO COM ABAETÉ




Esta é a segunda vez desde que escrevo Artes Visuais que trato de grandiosidade e do descaso das autoridades baianas com relação à Lagoa de Abaeté.
A primeira, vez denunciei, a construção de um espigão nas imediações da lagoa que agride a paisagem. O espigão é hoje um hotel de muitas “estrelas”, e sua estrutura de concreto parece uma lança ferindo o verde da paisagem. Contra este progresso desenfreado e da febre imobiliária que atinge os grandes aglomerados urbanos, quase não existe remédio. Seus autores são fortes e muitas vezes calcados em razões irremovíveis.
Porém, de lá para cá aconteceu o pior.
Uma favela incrustou-se ao local onde criaram o Parque Metropolitano de Abaeté, que não saiu do papel, embora já tenham passado pela Comuna nada menos que três prefeitos. A favela cresce e com ela a sujeira, o desmatamento da área e conseqüentemente o empobrecimento da Lagoa do Abaeté. Diria que no Abaeté tem uma lagoa escura arrodeada de areia suja, parodiando a música de Caymmi, que fala de areia branca. O lixo e os detritos ainda não acabaram totalmente com o mistério deste local onde estão os encantados.
Como afirmou recentemente Calazans Neto, numa entrevista a este jornal:
“Abaeté era um homem muito bonito e cobiçado pelas mulheres, e a lagoa era azul”. Ele diz que Abaeté ainda guarda a magia desta época e uma prova disto é esta foto de Renato Almeida que mostra uma Yao à beira da lagoa onde foi com sua orientadora espiritual prestar uma homenagem a Oxum. A presença das pessoas de candomblé e das lavadeiras demonstra ainda o mistério que envolve aquela porção de água escura arrodeada de areia suja.
É verdade que tudo na sociedade sofre mudanças. A própria sociedade é dinâmica com seus valores, os mais distintos. Mas, as mudanças devem ser acompanhadas de aspectos positivos e preservando aquilo que de mais importante, do ponto de vista cultural, existe.
E Abaeté é um caso típico, é um cartão-postal da Bahia, é um local que merece ser preservado.
Porém, dentro desta necessidade de mudar, estamos hoje com um novo logotipo desta coluna. O autor do logotipo é Reinaldo, companheiro de A Tarde, que sempre está brindando os leitores com suas charges inteligentes.
Este é o quinto logotipo que apresento, dando a cada dia um novo visual a esta coluna. Também a diagramação, depois de uma experiência na horizontal, retorna agora à sua antiga postura porque descobrimos que permanecer na vertical é muito melhor!

SÔNIA RANGEL MOSTRA SUAS FLÂMULAS NA CAÑIZARES

A artista Sônia Rangel vai realizar uma nova exposição a partir de sexta-feira na Galeria Cañizares, que reabre suas portas depois de alguns meses sem uma atividade digna de registro. Esta exposição de Sônia, que além de trabalhar individualmente integra o Grupo Posição, revela alguns traços marcantes de sua busca constante em utilizar vários tipos de materiais para expressar sua arte. Sônia Rangel com alguns trabalhos.
Depois de Márcia Magno ter trabalhado com as arraias ou pipas, agora Sônia nos chega com suas flâmulas.
Uma apropriação com certa semelhança. Mas, que certamente, não tira a sua importância e credibilidade.
Como estamos na época do futebol, quando explodem as emoções contidas, é bom lembrar a pipa do marinheiro do “Custódio de Melo”. Ele encantou a nós todos que torcíamos pela Seleção Brasileira com os voleios de sua pipa quando do jogo Brasil e Nova Zelândia.
Portanto, as pipas sempre estão presentes, quer nos morros cariocas, quer nos momentos de emoção e alegria.Também é o caso das bandeiras e das flâmulas. Como a bandeira, a flâmula marcam e simbolizam uma comemoração.Uma data ou uma competição. E não é a toa que o nosso capitão Sócrates entrega a flâmula da nossa Seleção todas as vezes que vai enfrentar um adversário e recebe outra de volta. Hoje, por exemplo, será o dia de entregar a da canarinho e receber uma da Itália. Neste gesto de cortesia que marca a civilidade que deve reinar numa competição esportiva, a flâmula é um símbolo de extremo valor.
Ela mesma diz ser muito difícil falar de uma coisa cuja existência é plástica.
Mas a flâmula não tem apenas significado plástico. Como símbolo que é, ultrapassa o limite do plástico para ter outra conotação de grande importância. A flâmula é um símbolo, ou seja, aquilo que, por sua forma ou sua natureza, evoca, representa ou substitui um determinado contexto, algo abstrato ou ausente. Na linguagem simbólica sabemos que não existe qualquer relação entre o símbolo e a coisa simbolizada.
Mas é preciso que exista um consenso para que a mensagem codificada, isto é, simbolizada, seja codificada pelos que se destina. Esta apropriação da flâmula, portanto, transcende a sua plasticidade, por utilizar um elemento que tem outra função dentro de sua conotação de representatividade.
Concordo com Sônia que diz que um quadro não é um. São tantos quantas olhadas você der para ele. E isto se faz presente principalmente na relação indivíduo-conhecimento.
A manipulação de elementos de uma cultura permite visões as mais variadas a depender do nível de conhecimento. Aí entre a relação de entendimento e me faz lembrar o abstrato, quando as pessoas são inquiridas a dizer ou responder: Entendeu? E quase as respostas são variantes e até desconcertantes.
Sônia Rangel é, sem dúvida, uma artista contemporânea, interessada em tudo que acontece no setor das artes e tem uma participação efetiva nos movimentos culturais aqui realizados. Carioca de nascimento, mas desde 1970 está em Salvador, portanto, são 12 anos de vivência baiana.

ISRAEL PEDROSA FALARÁ DA TEORIA DA COR INEXISTENTE

O artista Israel Pedrosa, ( Foto) conhecido por desenvolver a teoria da cor inexistente, estará em Salvador, amanhã, para ministrar um curso intensivo das oficinas no Museu de Arte Moderna da Bahia sobre a História da Cor: da Pré-História à Cor Inexistente. O curso é destinado não só aos artistas plásticos, mas aos arquitetos, professores de arte, psicólogos ou qualquer pessoa interessada em conhecer esse fenômeno cromático.
O diretor do MAMB, Chico Liberato, considera este curso como uma ótima oportunidade não só para esclarecer questões teóricas como se adquirir conhecimentos práticos, adquirir experiência pessoal, a partir dos ensinamentos do autor do livro: “Uma história da cor a cor inexistente”. O curso vai até o dia 17, diariamente, das 9 as 12 e das 14h30min às 17h30min.
Sobre Israel Pedrosa, diz o crítico Jacob Klintowitz: “É um homem de aparência muito simples que abriu os caminhos da arte para o futuro, revelando através de uma extraordinária intuição e de um trabalho que lhe consumiu toda a vida, as possibilidades secretas das cores e foi capaz de pintar com a própria radiação. É o primeiro pintor que conseguiu dominar e utilizar na sua obra a própria luz”.

                                                         A COR INEXISTENTE

“Cor inexistente. Nome dado pelo pintor brasileiro, Israel Pedrosa, à aplicação objetiva que fez, em trabalhos mostrados em setembro e outubro de 1967, do efeito da percepção visual de cores denominadas “cores de contraste pela Commission internationale de L’ Eclairage. O elemento novo é a possibilidade de controlar tecnicamente o fenômeno e enquadrá-lo em bases práticas, de acordo com a distância em que se coloque o observador e os vários tons de cor primária da pintura observada, a qual deve também obedecer a padrões de forma preestabelecidos” (Grande Enciclopédia Delta Larousse).
Em 1967, depois de 16 anos de estudos, Israel Pedrosa, nascido em Alto Jequitibá, Minas, aluno de Portinari, “pôde afirmar que não é apenas pintor, mas que possui a cor. Ou mais que isso, ele possui a cor invisível ou inexistente (por surgir no quadro em áreas desprovidas de cor-pigmento)”. Assim, o crítico e professor Fernando Morais se refere ao pintor da cor inexistente.
Reprodução de obra de Israel Pedrosa.
Sobre sua tese. Pedrosa fez uma palestra em 1967, no Liceu Nilo Peçanha, de Niterói, a partir da qual assunto passou a ser amplamente divulgado por jornais e revistas. Ele escreveu um livro sobre a cor, onde resume toda sua vivência a experiência artística. Pelo capítulo em que demonstra a influência da teoria das cores de Goethe, conquistou láurea no Prêmio Thomas Mann, instituído pela Embaixada da República Federal da Alemanha, viajando na Europa como hóspede do governo alemão, quando realizou conferências e demonstrou seu trabalho na Bélgica e Alemanha.