domingo, 19 de agosto de 2012

ARTES VISUAIS - A VOLTA POR CIMA DE LEONARDO ALENCAR - 15 DE NOVEMBRO DE - 1982.


JORNAL A TARDE, TERÇA-FEIRA, DIA 15 DE NOVEMBRO DE 1982.

A VOLTA POR CIMA DE LEONARDO ALENCAR 

Estava envolvido em meu árduo trabalho de estruturar a cobertura das eleições, quando Cosme colocou sobre a mesa alguns envelopes com minha correspondência diária. Como estava muito atarefado resolvi deixar tudo de lado, para um momento mais oportuno. Não imaginava que estava perdendo alguns minutos de alegria e felicidade. Sim, porque num daqueles envelopes estava uma correspondência de grande revelação: “Irmão Reynivaldo: Esta vitória também é sua. Um abração do Leonardo.”

Reprodução de um desenho  onde com poucos traços Leonardo consegue grande expressividade.
Leonardo é uma dessas grandes figuras que Sergipe já exportou para a Bahia. Aqui foi recebida de braços abertos, devido principalmente a sua grande capacidade de fazer amigos, mas acima de tudo de reconhecimento ao seu talento. Foram anos de profícua criação. Até que um dia Leonardo desceu de seus cavalos alados, abandonou os peixes que saciam a fome de tanta gente, e rumou por uma estrada tortuosa, inacessível.
Tentei por duas vezes mostrar a Leonardo que aquela estrada era perigosa, mas foi tudo em vão. Leonardo abandonara sua arte e outras coisas que lhe eram tão caras e tão importantes. Os amigos sumiram. Ninguém quase sabia informar do artista e de seus cavalos alados, e dos peixes e das expressivas gravuras, que integram esta plêiade de gravadores em nosso país.
Porém, para a felicidade da arte brasileira, Leonardo deu a volta por cima e surge com os pincéis nas mãos galgando espaços limpos e retos em seus cavalos alados e trazendo, de quebra, seus peixes e pássaros. Chega com uma determinação própria do sertanejo. Isto pode ser comprovado nas frases objetivas, captadas por Elson Melo e publicadas em A Tarde, do último dia 8 de novembro, edição de Aracaju. Vejamos:
Não fecho contratos com galerias que durem mais que uma exposição; não de meus quadros serem falsificados; creio que é possível viver de arte; e, finalmente, “não estabeleço o tema, em outras palavras, não trabalho por encomenda”.
Nessas frases pronunciadas com segurança está a experiência de um mestre do pincel. De um artista que, embora ainda jovem na idade, tem sido um influenciador de novos talentos. Sua arte é fruto de uma longa paciência, e posso dizer como testemunha, que Leonardo é um daqueles artistas raros que realmente busca pesquisa e questiona. Não é daqueles que falam em pesquisa numa tentativa vã de valorizar o que não merece atenção.
É preciso que os colecionadores, os estudiosos da arte em nosso país reflitam sobre a obra de Leonardo Alencar.
Os artistas Leonardo Alencar e J. Inácio,também sergipano.
“Um quadro deve mostrar, além da paisagem, a inteligência de quem o concebeu’. Uma frase a ser considerada e lembrada pela sua sensatez.
-Acrescento à necessidade de identificação entre o espectador e o quadro. A obra de arte deve emocionar. A emoção é que transcende a sua importância, e um exemplo maior é Guernica, de Picasso; a Mona Lisa, de Da Vinci, e muitos outros admirados através dos séculos.
Faço votos e torço, com muita esperança, para que os cavalos alados levem Leonardo Alencar para espaços tranqüilos, onde ele possa continuar pintando seus peixes e pássaros. Onde a emoção e sua sensibilidade surjam com a força de milhares de cavalos e transforme tudo isto em criatividade.
Sua exposição está aberta desde sábado último no Iate Clube de Aracaju e tem o patrocínio do Governo do estado de Sergipe, através sua Subsecretaria de Cultura e Arte.
Ao término de sua exposição, em Sergipe, é preciso que as pessoas ligadas aos museus baianos promovam uma exposição de Leonardo aqui, para que possamos apreciar mais uma vez o trabalho deste grande artista.

       MILTON DEVE RETOCAR O SEU MURAL

Localizar o pintor, que ele conhece apenas por Milton, autor do mural pintado há mais de cinco anos – é o grande desejo de Edísio dos Santos Menezes, proprietário do Bar Quente Paca, localizados na Avenida Bairro Reis. Edísio gosta tanto do mural, que não admite que outro pintor recupere a obra de arte, a não ser o seu autor.
Edísio comprou o pequeno bar há mais de quatro anos, e lá já existia o mural de aproximadamente seis metros por 1,80m ocupando a metade de uma das paredes do imóvel. “Adoro a obra, que me dá idéia de um infinito, de um presídio com várias celas, onde apenas uma porta deixa passar a luz, como se simbolizasse a esperança de libertação”, explica.
Reprodução da foto do mural de Milton que precisa ser recuperado por seu autor, que está sumido.

MUITO ADMIRADA

Na verdade, a obra de Milton é apreciada, segundo o dono do bar, por todas as pessoas que freqüentam o local, dentre estes, pessoas que entendem de arte. E, depois que um amigo dele, também artista, negou-se a fazer a recuperação do mural, ele só admite que o próprio Milton faça a recuperação da obra.
Todos os anos Edísio faz pintura do bar, mas toma cuidado com a obra de arte, que permanece e permanecerá, segundo ele, à espera do seu autor, para ser recuperada. A única conservação que ele faz, enquanto espera que Milton apareça é polir o mural com cera.
O mural mostra, em perspectiva, várias portas em linha reta, pintadas na cor verde, e paredes azuis, sugerindo celas de um convento ou de um presídio. Na medida em que se aproxima para o plano do fundo, o ambiente escurece característica que também se observa no piso do mural que começa na cor laranja, passa pelo marrom e termina no preto. No Ural apenas uma porta aparece aberta e deixa passar a luz do sol que reflete a sombra do piso.
Tão logo termine a eleição, Edísio vai pintar o seu bar, por isso gostaria muito que Milton aparecesse para recompor o mural, uma pintura a óleo bastante danificada com a ação do tempo e da poeira. O telefone do bar Quente Paca é o 233-4105 e, através deste, quem souber como localizar o artista pode informar a Edísio (Ana Maria).

CARTAZ JAPONÊS TEVE UMA EXPRESSIVA MOSTRA AQUI

O Consulado Geral do Japão, em colaboração com o Centro de Estudos Afro-Orientais da Ufba, promoveu de 9 a 12 do corrente, no saguão de acesso do Museu Afro-Brasileiro, no Terreiro de Jesus, a exposição Arte de Cartaz Moderno no Japão. A mostra contou com cerca de sessenta cartazes, de vários artistas japoneses nascidos depois de 1920.
Na opinião  de Kasumassa Nagai, diretor do Centro de Desenhos do Japão, e um dos participantes dessa exposição, o cartaz japonês expressa bem a sua longa história do Japão como um país relativamente isolado e de espírito homogêneo cujo povo se inclina para reagir mais fortemente, apelando mais para a sensibilidade do que a lógica. “A  tridimensional da arte européia, por exemplo – explica Nagai – se origina da teoria lógica de perspectiva, enquanto que a arte japonesa é bidimensional, buscando mais emoção do que a profunda ilustração”.
Considerado inicialmente como um efetivo meio de anúncio, o cartaz moderno do Japão sofreu um certo declínio com o desenvolvimento dos jornais e revistas e televisão. No entanto, tomou um novo impulso devido à crescente tecnologia do Japão, que hoje permite  uma boa qualidade de reprodução dos trabalhos, e também porque, ultimamente, este ramo vem obtendo uma grande popularidade entre os jovens.
Os cartazes que antes eram utilizados quase que exclusivamente para anunciar produtos, hoje, além disso, são pendurados pelos jovens nas paredes de seus quartos. Esta diversificação se deu,. Basicamente , a partir de 1964, quando Yusaku Kamekura despertou a atenção do povo japonês ao desenhar a obra “Trilogia”, especialmente para as Olimpíadas de Tóquio.
Os próprios desenhadores gráficos acharam que as formas e cores da arte do cartaz deram a eles uma nova liberdade na expressão de suas próprias idéias e experiências.

MUSEUS BAIANOS JÁ TÊM CATÁLOGOS DA BAHIATURSA

Em conjunto com a Embratur e contando com a colaboração da Fundação Cultural do Estado, a Bahiatursa acaba de editar um catálogo de museus da Bahia,em comemoração ao Dia da Cultura.
Ainda dentro da linha de divulgação dos museus baianos, a Bahiatursa lançou quando da inauguração do Memorial de Medicina, semana passada, um pôster alusivo ao evento e um outro do Museu Abelardo Rodrigues, no momento em que este festeja um ano de fundado.
O catálogo de museus, uma peça em policromia, retrata 32 museus de Salvador e do Recôncavo, explicando a importância, o histórico e o acervo de cada um, informando a localização para facilitar a visitação do público local e turistas além de despertar o interesse em conhecer nossos museus.
O pôster do memorial de Medicina destaca um detalhe do painel criado por Carlos Bastos, retratando o ato de criação da Escola de Medicina pelo reio Dom João VI, e o do Museu Abelardo Rodrigues, com fundo em prata, reproduz a figura de São Miguel Arcanjo, uma das peças mais representativas do museu.
Além do pôster, o museu Abelardo Rodrigues conta agora com um folheto de divulgação, também produzido pela Bahiatursa , com informações sobre o acervo e importância da criação do museu. No próximo mês, a Bahiatursa estará lançando o mapa animado de Salvador, que se encontra em quatro lâminas, com localização dos monumentos , atrações turísticas e informações sobre a Cidade do Salvador e Itaparica.