sábado, 25 de agosto de 2012

CRÍTICOS DE ARTE FAZEM PROTESTO - 30 DE AGOSTO DE 1982.

JORNAL A TARDE SALVADOR, 30 DE AGOSTO DE 1982.

            CRÍTICOS DE ARTE FAZEM PROTESTO

Em nota oficial a  Associação Brasileira de Críticos de Arte está protestando contra os critérios adotados pelos organizadores do Salão Nacional de Artes Plásticas e do 6º Salão Carioca de Arte. Eis a nota na íntegra:
“A Associação Brasileira de Críticos de Arte, seção nacional da Association Internationale des Critiques d’Art, vem a público manifestar sua inteira desaprovação contra os critérios adotados pelos organizadores do Salão Nacional de Artes Plásticas, da Funarte, e do 6º Salão Carioca de Arte, do Instituto Municipal de Arte e Cultura, no tocante à formação de comissões julgadores designadas para ambas às promoções, majoritariamente integrada por artistas plásticos. Retroagimos por assim dizer à sombria época do primado absoluto da poderosa Academia Imperial de Belas Artes, quando artistas referendados pelo poder arrogavam-se o direito de julgar com parcialidade a produção de seus colegas, manifestando a prevalência de facções e tendências antagônicas.
Jamais havia ocorrido com tal radicalismo o fenômeno da constituição de comissões julgadoras de exposições de arte nas quais inexiste representatividade efetiva de setores profissionalmente habilitados ao exercício da crítica de arte. Não se discute, em caráter particularizado, a competência individual das pessoas que aceitaram fazer parte destas comissões, no campo de suas atividades específicas, mas sim o fato de as habilitações que possuem não se aplicarem à tarefa que aceitaram realizar.
Assim, a ABCA, entidade de vinculação internacional à prática profissional da crítica de arte, que congrega a maioria dos críticos de artes atuantes no Brasil, vem publicamente registrar sua apreensão quanto aos critérios adotados este ano, tanto no Salão Nacional de Artes Plásticas quanto no 6º Salão Carioca de Arte. Aproveita ainda para alertar os artistas da inconveniência de terem sua produção avaliada, julgada, selecionada ou considerada para premiação por júris que não possuem qualificação específica do exercício da crítica de arte profissional. “É tempo de eliminar no Brasil, ao menos no setor da produção estética, o privilégio da prevalência de critérios amadorísticos e adventícios do mérito profissional alheio”. A Diretoria.

           JOSÉ MÁRIO PREPARA UMA NOVA EXPOSIÇÃO

No bairro de Mont Serrat, num ambiente de praia, velhos casarões, procissões, festas de largo e carnaval, nasceu e se criou o pintor José Mário. Todas estas manifestações tiveram influência marcante em sua arte, que teve início quando ainda era adolescente, e conseguia um bom conceito nos trabalhos escolares. Foi quando a consciência da profissão já estava semeada e latente em seu espírito e ele começou a transferir para as telas “todos os anseios, visões e sonhos de um mundo de fantasia e realidade.
Em paralelo ao desenvolvimento do trabalho artístico, José Mário estudava mecânica, diplomando-se em 1967. O seu envolvimento com máquinas e motores se deu pelo contacto direto com a mecânica e pelo fascínio que as engrenagens e seus desenhos desempenhavam. No ano de 1975 o artista já havia participado de diversas exposições em salões. Em 1977 foi convidado para trabalhar na Ceramus Bahia, em Camaçari, aonde chegou a ser supervisor de montagem do forno rotativo. A experiência despertou no jovem artista plástico, o paralelo entre a arte mecânica, entre os grandes engenhos e a quietude da cidade pequena. E agora José Mário está preparando uma nova exposição, a qual ainda não tem local definido.

              OFICINA DE ARTE VAI REINICIAR ATIVIDADES

Serão reiniciadas em setembro próximo as atividades da Oficina de Arte em Série no Museu de Arte Moderna da Bahia com os cursos de xilogravura, gravura em metal e litogravura, as terças, quintas e sextas-feiras das 8 às 12 horas. Os cursos vão de setembro a novembro, sendo que haverá um curso extra de serigrafia programado para o mês de novembro, com carga horária a ser ainda estabelecida. O coordenador da Oficina é o professor Juarez Paraíso, sendo que xilogravura está sob a responsabilidade de Márcia Magno, litogravura com Paulo Rufino Mattos e gravura em metal com Yeda Maria.
A Oficina de Arte em Série do Museu de Arte Moderna da Bahia foi inaugurada em março de 1980, graças ao convênio firmado pela Funarte e a Fundação Cultural do Estado da Bahia – FCEBa. As atividades já desenvolvidas ampliaram sensivelmente a ação do Museu de Arte Moderna da Bahia no âmbito da informação e formação artística, servindo a centenas de jovens, sem os entraves do academicismo e do ensino formal.
A Oficina tem estimulado vários artistas emergentes, constituindo-se importante alternativa no ensino das artes plásticas e na comercialização da obra de arte. Independente de procurar motivar os artistas profissionais para a prática de gravura tem oferecido os seus cursos prioritariamente ao público de baixo poder aquisitivo. Os cursos são gratuitos e contam com o apoio de artistas-professores.
Já foram realizados 23 cursos beneficiando a uma clientela de centenas de pessoas que foram iniciadas às técnicas de Xilogravura, Litogravura, Gravura em Metal e Serigrafia.
Com cinco exposições já montadas com trabalhos de alunos, a oficina tem colaborado com o programa Museu-Escola Comunidade que já realizou atividades de apoio didático a um elevado número de estudantes de cursos profissionalizantes.
Na verdade, o programa cultural da Oficina de Arte em Série tem sido bastante diversificado e proveitoso destacando-se cursos especiais de Litogravura, Serigrafia, visitas a museus e exposições, palestras e feira de arte e assim dá-se continuidade ao ensino e à produção de gravura marcadamente desenvolvidos na Bahia a partir da década de 60 pela Escola de Belas Artes, da UFBA.

  DALI CONTESTA OBRA E PROCESSA EXPOSITOR

Perpinan, França - O pintor Salvador Dali, agora marquês de Pubol, graças ao título que lhe foi concedido no dia 26 de julho passado por decreto do rei Juan Carlos da Espanha, negou a autenticidade de 80 obras atualmente expostas em Perpinan como suas e apresentou queixa ao Tribunal da cidade por falsificação e roubo, no dia dois de agosto passado.
Além da queixa ao Tribunal de Perpinan, cidade ao sul da França próxima à fronteira com a Espanha Dali, requereu também a apreensão de 426 obras que incluem pinturas sobre telas, esboços e estudos apresentados na exposição “Dali” inaugurada no Palácio dos Reis de Maiorcas, em Perpinan, depois de terem sido expostas em Viena e Munique.
O proprietário destas obras e o Museu Perrot-Moore de Cadaques, Espanha, fundado pelo capitão Peter Moore, ex-secretário irlandês de Dali. Entre as obras suspeitas, Dali descobriu uma chamada “metafísica Cosmisca” que considerou indigna de seu gênio criador, assim como vários esboços ou pré-estudos, entre os quais dois desenhos intitulados “O hippie” e “Amanda”, que o pintor assegurou nunca ter vendido, assinado ou titulado.
“É difícil pronunciar-se sem realizar uma perícia das pinturas em telas e das assinaturas suspeitas”, declararam os meios artísticos, para os quais “o caso pode ser de falsificação mais também pode ser de usos abusivos de assinaturas autênticas da Dali”.
Salvador Dali, como muitos outros pintores, talvez tenha assinado muitas folhas em branco destinadas a uma tiragem posterior de litografias”, são os comentários mais comuns.
Por sua vez, o capitão Moore, em entrevista por telefone em entrevista ao telefone ao correspondente da France-Presse disse “lamento que ao envelhecer, Dali renegue uma parte de sua obra, e congratulo-me por poder apresentar este grande pintor em Perpinan, que é uma cidade que eu amo”.
O capitão Moore, que durante 14 anos fez parte do círculos íntimos do pintor, afirmou que comprou estas obras - depois de ter se afastado dele - de colecionadores particulares e garantiu que sua autenticidade não pode ser colocada em dúvida . “
“A Justiça deve decidir”, concluiu.

                         MURAL

CERAMISTA – O ceramista de Mundo Novo, Valtério ,está expondo no Museu da Cidade. A obra do artista interiorano mostra a sua presença dentro do que está acontecendo em sua própria realidade social. Esta escultura onde retrata a figura de Pelé com sua própria cabeça debaixo do braço com uma bola substituindo-a, demonstra muito senso crítico e nos leva a muitas outras considerações acerca do próprio futebol. No peito um formato do escudo da CBD e um cifrão que representa o dinheiro. Foto  ao lado.




NO ITAIGARA - Iray, Ernesto Simões, Edson Cesário e C. Lauria continuam expondo seus trabalhos na Galeria de Arte Itaigara. E no catálogo tem algumas palavras de Lauria onde ele diz: “Poucas atividades humanas estão sujeitas a tantas interpretações diferentes como a arte, cuja significação varia de acordo com cada admirador e cada artista possui uma visão pessoal. Aspiro o belo e procuro transmiti-lo com a sensibilidade para dar evasão aos meus sentimentos...”

EL DORADO – A exposição El Dorado”, é um dos mais importantes acontecimentos culturais deste ano na Áustria. Os tesouros índios do Museu do Ouro do Banco da República de Bogotá, com os quais se constituiu uma exposição itinerante internacional que permanecerá até outubro no Museu de Etnologia de Viena. A população austríaca tem assim a oportunidade de conhecer estas preciosidades únicas da antiga arte índia da Colômbia e de contemplar o patrimônio cultural índio do período Pré-colombiano. Constitui ainda valioso complemento da exposição Ouro do Peru, tesouros artísticos dos períodos artísticos Inca e Pré-Inca”, apresentados há seis anos também no Museu de Etnologia. Foto 2


NOVA GALERIA – Durante todo o mês de setembro vindouro, a mini Galeria da Associação Atlética Banco do Brasil estará exibindo cerca de quarenta trabalhos  dos festejados artistas: Eckner, Edson Cesário, Edson Ramos, José Francisco de Souza, Júlio Araújo, Manoel Neto, Rosa Ramos e Theresinha Soriano, na Coletiva  da Independência. É sem dúvida mais uma realização da diretoria do Sr. Hilton Teixeira de Freitas que vem dinamizando também o setor artístico e cultural daquela tradicional associação dos funcionários do Banco do Brasil. A inauguração da galeria será no próximo dia 1º.

MORREU  HENRYK _- O pintor Jan Henryk de Rosen , autor de importantes afrescos religiosos realizados nos Estados Unidos e em vários pontos da Europa, faleceu em Washington aos 91 anos de idade no último dia 27. Filho de Jan de Rosen que fora pintor da corte dos Czares Alexander III e Nicolau II, já Herynk nasceu na Polônia mas educou-se na França. Depois de estudar em universidades de Paris e Lausane , na Suíça, participou da II Guerra Mundial servindo sucessivamente aos exércitos da França, Inglaterra e Polônia. Descobriu a pintura um pouco tarde aos 33 anos de idade, quando então fez uns afrescos para a catedral armênia de Llow, Polônia; e para a capela do Papa Pio XI, em Castel Gandolfo .
Em seguida fixou-se nos Estados Unidos onde seguiu sua carreira de pintor dentro da inspiração religiosa.
Em St. Louis , Missouri, realizou um dos maiores mosaicos do mundo para a cúpula da Catedral da Cidade.

TERCEIRA TRIENAL – Quem for ao MAM, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, até o dia 26 de setembro, irá presenciar uma das mais importantes mostras da arte da fibra. Trata-se da Terceira Trienal de Tapeçaria onde  48 artistas de todo o país, nomes de grandes destaques como Arlinda Volpato, Bia Vasconcelos, Carla Obino, Douchez, Eva Soban, Gilda Azevedo, Helô, Licier Husnsche, Juan Ojea, Norberto Nicola, Zorávia Bettiol e outros, irão expor trabalhos das mais diferentes tendências, onde a criatividade com a utilização da fibra varia desde o linho, o barbante e o cordão convencionais até a trama com madeira e arames.
Um júri de seleção composto por Norberto Nicola, também orientador da Comissão Organizadora, Juan Ojea, Eva Soban, o escultor Nicolas Vlavianos , o gravador Odetto Cuersoni, o critico de arte Alberto Beutenmüller, com a assessoria da assistente exe-cutiva do MAM Sema Petragnani , escolheu entre mais de 300 obras enviadas de diversos pontos do Brasil, oitenta trabalhos que estarão expostos durante este evento.
Além dos selecionados, também estarão presentes com suas obras, onze convidados, a maior parte deles já premiados em Trienais anteriores.
No sentido de melhor ilustrar e enriquecer a mostra , o artista Norberto Nicola, montou no recinto do MAM um pequeno setor didático com material cedido por colecionadores de tecidos pré-incaicos, em especial o Sr. E senhora Oscar Landmann,donos de uma das mais importantes coleções do pais.