domingo, 19 de agosto de 2012

ARTES VISUAIS - EXPOSIÇÃO DE POTY HOJE NO NÚCLEO DO DESENBANCO - 29 DE NOVEMBRO DE 1982

JORNAL A TARDE, TERÇA,FEIRA, 29 DE NOVEMBRO DE 1982.

EXPOSIÇÃO DE POTY HOJE NO NÚCLEO DO DESENBANCO

O Núcleo de Artes do Desenbanco inaugura hoje a sua Sala de Exposições Temporárias com a mostra de um dos artistas mais representativos no cenário nacional que é o curitibano Napoléon Potyguara Lazarrotto, mais conhecido por Poty.
Essa exposição ficará aberta ao público no "hall" do edifício sede do Desenbanco até  o dia 17 de dezembro com a promoção paralela na sala do Núcleo de Artes, de filmes e documentários sobre a vida e obra do artista.
Nascido a 29 de março de 1924, Poty começou a desenhar desde o cinco anos de idade, tendo em seu pai, Isaac , que também era "fundidor artístico", seu primeiro mestre, amigo e incentivador.
Wm 1945 formou-se no Rio de Janeiro pela Escola Nacional de Belas Artes; em 1946 recebeu uma bolsa do governo francês para se aperfeiçoar em paris. Em 1949 obteve a Medalha de Ouro e o Prêmio de Viagem ao País na Seção de Artes Gráficas no Salão nacional de Arte Moderna. Participou de exposições coletivas e individuais no Brasil e no exterior. Em 1950 Poty organizou o primeiro curso de gravura no Museu de Arte Moderna de São Paulo. De 1951 a 1954 ministrou cursos na Bahia, Recife e Curitiba.
Poty é um dos ilustradores mais solicitados pelos editores brasileiros. Obras de Guimarães Rosa, Jorge Amado, Gilberto Freyre, Graciliano Ramos, Gorki e muitos outros foram enriquecidos com capas ou desenhos de Poty. O Departamento de Cultura da Secretaria de Educação do Paraná, deu o nome de Poty Lazzaretto ao moderno Atelier Livre de Gravura inaugurado em 1968.
Em 1967 esteve no Xingu com os sertanistas Orlando Villasboas e Noel Nutels, ocasião em que fez cerca de 200 esboços sobre hábitos e costumes dos índios, material aproveitado posteriormente , para gravuras e desenhos. Com eles preparopu exposição em Bruxelas e Londres no ano seguinte. Em 1969 expõe em Washington D.C.. Entre as obras monumentais que Poty tem executado destacam-se as do Palácio Iguaçu ( madeira gravada), Aeroporto Afonso Pena e Hospital das Clínicas ( cerâmica); os imensos painéis do pavilhão do café e pórtico da Feira do Centenário do paraná; painel em azulejo no terraço do Banco do Brasil em Curitiba; painel em madeira na Casa do Brasil, Cité Universitaire, Paris;salões e dependências dos navios Ana Nery e Rosa da Fonseca ( madeira e gravura); saguão e bar do Continental palace Hotel, no Rio de Janeiro;painel para a sede do Bando do Desenvolvimento do Paraná, em Curitiba;para o Centro de Instrução Almirante Graça Aranha, no Rio de Janeiro;para a Assembléia Legislativa do Estado do paraná; o monumento de inauguração da Rodovia do Café ( concreto aparente, e os painéis em concreto da Praça 29 de Março.
A exposição de Poty no Desenbanco é a primeira de uma série a ser promovida pelo Núcleo de Artes, com artistas locais e nacionais de projeção no campo artístico e cultural.

PICASSO TEM EXPOSIÇÃO NO SOLAR DO UNHÃO

Uma oportunidade incomum para o espectador brasileiro captar a admiração de Picasso pelas touradas. Na capela do Solar do Unhão, nesta quarta-feira, dia 1º. o Museu de Arte Moderna da Bahia e o Consulado da Espanha inauguram às 21 horas a exposição "  La Tauromaquia", uma impressionante sensação de movimento, agilidade, alegria e dramaticidade que consegue desprender das gravuras de Pablo Picasso.
É uma série de 26 água-tintas onde o pintor, mediante uma hábil técnica de silhuetas e manchas, recolhe todos os movimentos da corrida apresentado ao picador, ao banderillero e ao toureiro nos momentos mais decisivos. "É um balé que só precisa de música para iniciar a dança".
Sobre as tauromaquias, pode dizer-se que Goya as inventou e Picasso atualizou-as . Em ambos os casos existe uma lembrança pessoal, vivências apaixonadas nas quais o odor do cigarro e multidão se misturam com o ambiente festivo da praça e com o grito de horror pela colhida ou a visão do cavalo destripado pela certeira chifrada do touro.
 Na Tauromaquia Picasso " encontrava a simbologia de um maniqueismo elementar e vigoroso pelo touro, cabendo ao cavalo, aberto a chifradas, representar a inocência". ( Cirici Pellicer, crítico de arte espanhol).
A exposição é composta das seguintes obras: Frontispício, A Los Toros, Paseo De Cuadrillas, Surte Llamada De Don Tancredo, El Toro Sale Del Toril, Citando Al Toro Con La Capa, Toreando A La Veronica, Salto Con La Garrocha,Los Cabexestros Retiran Al Toro Manso, Suerte De Varas, Echan Perros Al Toro, El Picador Obrigando El Toro Con Su Pica,Citando A Banderillas, Citando Al Toro A Banderillas Sentado En Su Silla, El Matador Brinda La Muerte Del Toro,Suerte De Muleta,La Cogida,Citando A Matar, La Estocada, Después De La Estocada El Torero Señala La Muerte Del Toro, Muerte Del Toro, El Arrastre, El Torero Sale En Hombros De Los Aficcionados, Citando Al Toro Con El Rejón e Alanceando A Um Toro.

   TRÊS EXPERIÊNCIAS EXPOSTAS NO MAMB

Imagens do Carnaval , de viagem e futebol reúnem Três Fotógrafos: Edson Meirelles, Roberto Faissal e Rogério Reis, no Museu de Arte Moderna da Bahia, no Solar do Unhão. A mostra foi apresentada originalmente em outubro de 1981, na Suécia e tem caráter itinerante na tentativa de abrir um espaço melhor de aproximação entre a fotografia que se faz no eixo Rio-São Paulo e na Bahia.
A exposição oferece a possibilidade de você confrontar as cores quentes e harmônicas da fotos de Meirelles, à sensualidade das imagens de futebol de Rogério com a visão romântica e pessoal dos momentos captados pela câmera de Roberto. Com esta mostra, que foi bem recebida pelos suecos, estes três fotógrafos unem aos poucos seus trabalhos na Escandinávia. 
Reprodução de foto de Roberto Faissal, atestado de sua  sensibilidade.
As fotos de Meirelles são essencialmente gráficas e ele usa a cor como uma linguagem própria que o faz um fotógrafo hábil e criativo. Seu trabalho é plástico e gráfico - "basicamente é a essência gráfica do Carnaval". Nestas fotos, Meirelles fugiu às grandes imagens do Carnaval, que são feitas de uma visão turística e às vezes superficial.
Sua curiosidade pelos pequenos planos, conduz a uma proximidade com o objeto fotografado, característica que valoriza seu trabalho.

Já o Roberto Faissal morou seis anos na Suécia, por isso seu trabalho traz a marca da cultura nórdica. Carregado de limpeza e muita técnica, "mas cheio de calor humano". Nesta exposição ele usa basicamente material de viagem que fez à Grécia, Suécia,Tchecoslováquia e e no Deserto do Saara.Nesta foto aparecem os Três Fotógrafos.
Outro grande momento desta exposição fica por conta das fotografias de Rogério reis. Ele é jornalista e seu trabalho é visto todos os dias nas páginas do Jornal do Brasil. O que valoriza suas fotos é a ausência do dia-a-dia do seu trabalho de jornal, pois ela consegue captar o não percebido pelo espectador comum ou amador. Ele mostra imagens de um futebol-arte, cheio de sensualidade, momentos de forças que transcendem o conceito de esporte. Rogério consegue nas imagens uma relação e destrói o ser humano. Numa foto , Zico,por exemplo, o fotógrafo transforma o líder, o craque, num ser humano carregado de suas fraquezas e inquietações.
Três Fotógrafos foi mostrada também no Rio de Janeiro, em junho deste ano e depois da Bahia há planos de ser levada para Curitiba. Falando sobre esta exposição , Edson Meirelles disse que a tentativa de circular mostrando estes trabalhos que se baseia na necessidade de criar um meio de comunicação e informação entre a produção fotográfica  do Rio de Janeiro e São Paulo e outros estados. Na Bahia , a exposição fica até o dia 5 de dezembro.