segunda-feira, 20 de agosto de 2012

ARTES VISUAIS - CARTUNISTAS BAIANOS NO SALÃO DE HUMOR DO CANADÁ - 22 DE NOVEMBRO DE1982

JORNAL A TARDE, TERÇA-FEIRA, 22 DE NOVEMBRO DE 1982.

CARTUNISTAS BAIANOS NO SALÃO DE HUMOR DO CANADÁ

O Salão Internacional de Caricatura que há 19 anos vem sendo realizado em Montreal, no Canadá,  contou com a participação de 50 países na área do Cartoon,43 na área do humor propriamente dito, e 31 nas chamadas tiras diárias  ( Bande dessonnée). O tema preferido pelos cartunistas de todo o mundo foi a violência e o perigo de uma guerra nuclear que venha a exterminar grande parte da humanidade. Isto demonstra que as acusações e ameaças entre as grandes potências estão realmente a preocupar todos aqueles que acompanham o desenrolar dos acontecimentos, especialmente aqueles capazes de analisar com mais profundidade a insensatez que gera o poder.
Sempre tenho dito que o poder tem seu ponto central na autoridade, que via de regra vira autoritarismo. No Brasil temos exemplos marcantes de mandatários que primam por uma postura autoritária e intimidativa. Portanto, esta preocupação com ameaças, guerras e outras perturbações de calibre menor ganha espaço em todo o mundo.
Mas o que interessa é que o Brasil esteve bem representado por sete profissionais da área do cartoon ( charges publicadas  em jornais e revistas) e, entre eles está o baiano Serra, com um trabalho publicado exatamente nesta coluna.Na área do desenho de humor o Brasil foi representado por 11 colunistas e aí encontramos outro baiano Nildão. Também, quatro outros brasileiros participaram com suas tiras cômicas.
Os baianos Serra e Nildão integram pela segunda vez este importante Salão canadense, que realmente aglutina o que de mais importante e significativo está sendo produzido nesta área. Além de tudo eles divulgam anualmente um grosso catálogo com obras de todos os artistas . Basta dizer que o deste ano tem mais de oitocentas páginas.
Reprodução do cartoon de Cobar, Neil foi o grande vencedor do Salão do Canadá.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A VOLTA DE JUSTINO MARINHO


Ele abandonou o engajamento ideológico , deixando de lado a preocupação com a opressão no sentido mais terrível, a tortura, que denunciou através de seus trabalhos expostos na Galeria Acbeu. Era sua primeira exposição individual. Agora, o artista retorna como que voltando de uma viagem. Arriou as malas, arrumou os pincéis e tintas num quarto de seu apartamento e voltou-se para uma temática menos engajada.
Não concordo com aquelas que afirmam que a arte é atemporal. Pelo contrário, acho que os trabalhos de Justino têm uma conotação muito significativa com seu próprio momento histórico-vivencial. Suas criaturas misteriosas devem ser vistas como um retorno de seu autor a uma planície onde desapareceram as contestações e até mesmo as denúncias de abuso de poder.É uma demonstração de que os tempos são outros. Passou a preocupação maior,sinal de que os tempos melhoraram. Ou vão melhorar.
A meu ver o que deixaram de perceber algumas pessoas é o próprio vivencial, a própria postura do artista que talvez não tenha uma identificação mais profunda com o que ele criou ou expôs na Acbeu ou estava muito mais próximo dessas novas criaturas que povoam o seu universo misterioso.
Não é preciso usar citações de Klimt e Redon para entender o seu trabalho. É bastante fixar um pouco na própria habilidade do artista em construir suas tramas, que seremos levados a refletir sobre cada trabalho exposto.
Não gosto muito das maquinações dialéticas de mostrar saber,porque muitas vezes não refletem o próprio nível de conhecimento, mas somente, conseguem enganar àqueles , que no decorrer da vida ainda não acumularam informações e ficam embevecidos com essas maquinações. Prefiro a objetividade dos fatos, prefiro a emoção que cada trabalho de arte me transfere, porque ai serei capaz de entendê-lo e dar uma interpretação mais perto da verdade, do entendimento e da autenticidade.
Esta exposição de Justino Marinho demonstra não apenas uma mudança de temática como também não apresenta uma evolução ou uma nova busca em termos de técnica. Achou aquele filão e continua a explorar até que tudo se esgote e caia na repetição. Os anos vão passando e é preciso que a própria inquietação , que deve ser uma marca do criador procure outros caminhos, outras formas mostrando uma evolução consciente e buscada. As rápidas transformações sociais ,estão a exigir do artista que as acompanhe, que não busque esconder a cabeça como um avestruz, enquanto a tempestade sacode suas penas e os gritos de dor não conseguem penetrar em seus ouvidos impermeáveis. Não defendo uma arte totalmente afastada da realidade. O artista por ser criador, é um inovador, um homem que rompe com padrões estabelecidos. A arte deve inovar.
O que vemos nos museus, guardados há séculos , inovaram e emocionaram no passado. Hoje, continuam emocionando e podemos fazer a correlação de sua inovação em termos passados com os de hoje.

                                                         MURAL

PICASSO NA BAHIA - Vinte e seis trabalhos de Pablo Picasso serão expostos no Museu de Arte Moderna da Bahia, no Solar do Unhão, entre o final deste mês e o começo de dezembro numa promoção do Consulado da Espanha. O conjunto chama-se La Tauromaquia e foi organizado pelo Instituto de Cooperação  Ibero-americano . Picasso sempre foi um apaixonado pelas corridas de touros, pelas famosas touradas, quando o homem domina o boi.Confesso que não gosto e acho uma tremenda malvadez do homem para com o touro. Sou daquelas que torcem pelo boi. Mas o que interessa é que Picasso fez belos trabalhos mostrando as emoções das touradas. E,os dois pintores que trazem uma marca profunda da Espanha, Goya e Picasso produziram trabalhos de excepcional valor sobre as touradas. Aqui veremos os trabalhos produzidos por ele entre 1901 a 1934 em barcelona, quando várias vezes foi assistir o massacre dos touros.

EDUARDO PITHON - A Genaro Galeria de Arte realizou dia 11 de novembro de 1982 às 20 horas o coquetel de inauguração da exposição de Eduardo Pithon, jovem artista baiano formado pela Ufba, em Artes Plásticas e que retrata seus trabalhos em pastel, os negros e negras baianos.
Nascido em Itapetinga, Eduardo é sem dúvida uma revelação desta nova fase de jovens artistas baianos. 
Os trabalhos de Eduardo ficarão expostos até o dia 20 de novembro na Genaro |Galeria de Arte, na Avenida Manoel Dias da Silva, 1983, sede da Open Door.

PAUL MCCARTNEY -Gastou secretamente 23.630 dólares ( Cr$5,33 milhões)comprando fotografias feitas por sua mulher Linda , quando uma exposição de suas obras pareceu fadada ao fracasso, informou o Jornal The Sun.
Uma mostra de 52 fotos de Linda foi exposta no mês passado na Galeria Hamilton, em Londres,l a preços que variavam de 312 a 850 dólares ( Cr$70 a Cr$190mil).
" Não é de surpreender que, com esses preços, as vendas foram fracas", informou o jornal. "Apenas 15 das 52 fotos foram vendidas. No entanto, quando Linda ficou desmoralizada, Paul fez com que um agente comprasse discretamente tudo que havia em oferta", acrescentando que a galeria fez o possível para manter  o gesto romântico em segredo.
"Meu cliente não gostaria de ver seu nome divulgado na imprensa", disse um porta-voz da Galeria Hamilton a um repórter do The Sun.

FOI DE GARIBALDi - No âmbito da mostra do centenário de Giuseppe Garibaldi, foi inaugurada uma exposição em Aspromonte, na região da Calábria, Itália. Na foto , a bota do pé direito do "Herói dos dois Mundos", com o buraco provocado por uma bala que, durante o choque com as tropas monárquicas, ocorrido, em Aspromonte, no dia 29 de agosto de 1862, atingiu-lhe o tornozelo.
Como todos sabem Garibaldi foi um herói aventureiro que lutou em alguns países por causas que acreditava.



GERMANO BLUM- Recentemente premiado na Bienal do México, Germano Blum inaugurou sua sétima exposição individual, desta vez exclusivamente com desenhos. Artistas com atividade diversificada entre a pintura, o desenho e a cenografia, Germano Blum nasceu em Recife, Pernambuco, mas vive e trabalha no Rio de Janeiro, onde estudou na Escola Nacional de Belas Artes. Um dos integrantes do Grupo Diálogo, de efetiva atuação no Rio de Janeiro nos anos sessenta, e que se propôs a fazer uma revisão da arte brasileira pré e pós-Modernismo. Em 1981, expôs em Angola, sendo o primeiro artista brasileiro a fazer uma individual naquele país.
Como cenógrafo Germano Blum conquistou o Prêmio Molière de 1976m pelo espaço cênico criado para a peça de João das Neves " O último Carro", trabalho que posteriormente mereceria premiações na Bienal Internacional de São Paulo de 1977 e na Quadrienal de Praga em 1979.
Sobrem o seu trabalho atual, diz Germano Blum :"Mesmo quando faço pintura, sou um gráfico. Apesar da diferença de suporte, o meu comportamento foi sempre o de um desenhista. A necessidade de mexer com papel,com tintas, bico-de-pena já esta me perseguindo há bastante tempo. Considero essa exposição do Banerj muito oportuna,pois é o próprio espírito do desenho que encontro a grande oportunidade de me expressar. Essa exposição é uma prova de amor ao desenho e suas possibilidades." Na foto sua obra Devaneios.