domingo, 12 de agosto de 2012

VISUAIS - AS MULHERES SENSUAIS DE NIDE - 13 DE MARÇO DE - 2001


JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 13/03/2001
        
                   AS MULHERES SENSUAIS DE NIDE


Falar da sensualidade da mulher brasileira é cair no lugar comum. Mas não posso deixar de falar da sensualidade que Nide consegue transmitir nas negras que ela pinta enaltecendo a beleza da raça dessas mulheres, que no seu mundo onírico povoam as suas telas.
Reprodução da obra que ilustra o catálogo. Está perfeita...
Segundo a artista, as negras escravas utilizavam a sensualidade para conquistar os amos e muitas conseguiram posições privilegiadas com esse artifício. Verdade ou não, o que observamos nas figuras pintadas por Nide são mulheres belas e muito sensuais, com olhares fortes, penetrantes e corpos perfeitos. Os seios parecem furar as vestes e quando estão desnudos mostram rigidez e plasticidade. Atualmente, ninguém na Bahia pinta tão bem as mulatas e negras como a artista Nide.
Ela tem muita sensibilidade, e a leveza de traço permite detalhar ao limite as rendas utilizadas por suas personagens.
O jogo que faz com a indumentária das mulheres, os belos e coloridos torços com movimentos múltiplos contribuem para dar às composições maior beleza. Vale a pena visitar a exposição de Nide, que está na Casa do Comércio, na Avenida Tancredo Neves, até 25 do corrente.

                                     INTERMÉDIO, DE MAXIM MALHADO

O artista plástico Maxim Malhado está apresentando até 18 de abril, no Instituto Cultural Brasil Alemanha, mostra que tem como título Intermédio. É composta de três obras dispostas da seguinte forma: na sala 1 está a instalação Procuro um Texto Azul, resultado de uma pesquisa que o artista vem desenvolvendo há algum tempo, que tem como ponto de partida uma observação a respeito do grafismo que ele mesmo divide e de certa forma faz um confronto psicológico, social e antropológico entre o que ele chama de Grafismo Urbano e Grafismo Rural. Apropriando-se das paredes da galeria, Maxim desenha e escreve textos de sua autoria, repetindo dessa forma o mesmo gesto feito pelos grafiteiros, refletindo questões do próprio cotidiano.
Segundo o artista, no grafismo Urbano a necessidade é de existência, ou seja, o grafiteiro quer dizer “eu existo”, enquanto q      eu no grafismo Rural a necessidade é de expressar e de tornar real a idéia e a própria vida, no qual quer dizer “eu vivo”. A segunda obra- Intermédio- parte do princípio construtivo da própria linha, debruçado, sobre a ação dos lenhadores do Recôncavo. Já na terceira- Sobressalto-, ele utiliza ripas, barrotes, sarrafos de madeira, em que amplia o próprio gesto e dá continuidade à construção da linha.

                                                  MOSTRA DE ROSA CRAVO

Será no próximo dia 20 a abertura da exposição de Rosa Cravo, a qual permanecerá até o dia 31 na Galeria Panorama, no Rio Vermelho. Nascida em 1926, portanto com 75 anos, em Aracajú, Sergipe, porém a maior parte de sua existência viveu e ainda vive em Salvador, onde está passando atualmente por uma fase repleta de criatividade e de vontade de se expressar. As suas aptidões para a pintura foram reveladas em 1972, quando Rosa começou a pintar na  Panorama, com o professor Euler de Pereira Cardoso. Para a artista, foi Euler o responsável pelas primeiras lições sobre a pintura e quem a despertou para as artes. Em 1974, Rosa Cravo Guimarães fez sua primeira exposição individual, na mesma galeria, e após todos estes anos em que pintou, esporadicamente, com o objetivo de presentear os filhos, afilhados e parentes, ela resolveu mostrar ao público o resultado de sua persistência.