sábado, 25 de agosto de 2012

LOUVRE COMPLETA 778 ANOS E TEM A EXPOSIÇÃO INÉDITA

JORNAL A TARDE, SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 20 DE SETEMBRO DE 1982.

LOUVRE COMPLETA 778 ANOS E TEM  EXPOSIÇÃO INÉDITA

Domínio do único fantasma de sua história na época de Catarina de Médicis, hoje patrimônio histórico mundial, o Louvre de Paris – que - nunca foi chamado de “Palácio”, pela antiga monarquia - completa atualmente seu 778º aniversário e é motivo de uma retrospectiva na prefeitura do primeiro distrito da cidade.
Do Louvre, cidadela que Felipe Augusto mandou construir em 1204, nas margens do Rio Sena, hoje não resta mais do que uma sala abobadada e cinco mísulas de pedra que serviam de luminárias, descobertas no século passado. Seiscentos e sessenta anos se passaram para que pudesse realizar o “grande designo” dos Valois e dos Bourbons-Louvre e as tulheiras reunidos, jardins e arcos de triunfo para ser finalmente incendiado em 26 de março de 1871, pelos combatentes da Comuna de Paris. 
Fachada do Museu do Louvre, em Paris,  um patrimônio universal.
Muito antes, durante a Guerra dos Cem Anos e a ocupação inglesa de Paris (1420/1436) o Louvre foi residência de Henrique VI, da Inglaterra e também do regente do reino dos Lises, enquanto Henrique VI de Windsor era coroado aos dez anos de idade rei da França e da Inglaterra na Catedral de Notre Dâme de Paris.
O estudo arquitetônico dos 778 anos da vida do segundo palácio real da França - o primeiro foi dos Merovíngios (primeira dinastia dos reis da França, terceira geração na ilha de La Cite - resume de fato em onze quadros toda sua agitada história: a da época medieval, guerras de religião e absolutismo e da corte do Rei Sol por ocasião de seu rompimento com o povo de Paris Luís XVI, que morreu guilhotinado.
Francisco I é quem iniciou a transformação de velha fortaleza gótica de Felipe Augusto num moderno palácio de estilo renascentista e dá ao Louvre seu aspecto de residência real, até então desprezado pelos reis da França que preferiam o Palácio de Tournelles e os castelos do Loire.
A Tuleries surgirá em meados do século XVI com a Florentina Catarina de Médicis, viúva do filho de Francisco I, que segundo a lenda, um dia abandonou seus aposentos para sempre, assustada com as aparições do fantasma de Juan, o desolador, a quem mandou matar.
Henrique IV, rei popular com grandes meios financeiros, se torna, finalmente, o verdadeiro autor do “Grande Designo” arquitetônica da época unir o Louvre e as Tuleries e fazer do todo um conjunto principesco digno de seu século, o que só foi conseguido 200 anos depois com Napoleão.
A revolução de 1789 é para o Louvre e as Tuleries a hora da grande mudança. Luis XVI e a família real são retirados à força de Versailhes por uma multidão armada de paus e pedras e levados às Tuleries. “Festa cívica e saturnal” comentou um jornal da época falando de seu desfecho: o uso macabro da máquina infernal inventada por Monsieur Guillotin
Refúgios de pintores, literatos e homens da ciência que desde o reinado de Henrique VI se beneficiavam com as mordomias reais e que abandonado pela realeza no século das luzes em troca de Versalhes - o Louvre e a Tuleries se transformavam sucessivamente na sede da Academia Francesa, da Ópera - depois do incêndio da sala do Palácio Real chamado oportunamente de Palácio Cardeal e até da Comédia Francesa, que se instalou na sala das máquinas, onde Voltaire viveu sua famosa “Apoteose” enterrado por um sudário de flores e coroas três meses antes de sua morte.
Símbolo da beleza feminina, a Vênus de Milo,obra do acervo do Louvre.
Três séculos de trabalhos pesados que três dias e três noites de violento incêndio reduziram a cinzas há pouco mais de cem anos e sepultaram na eternidade.
Desde página da história francesa fica hoje o Louvre, grandiosa pinacoteca e museu universal, cujos muros abrigam a Igreja Real de Saint-Germain L’Auxerrois, a mesma que com seus sinos anunciam estrondosamente, ao povo de Paris o massacre dos protestantes na noite de São Bartolomeu.

NOVAS PROPOSTAS PARA DINAMIZAR A FOTOGRAFIA

Preservação da memória, apoio efetivo do Estado à produção, regulamentação da profissão, direito autoral e incremento das atividades nas associações da classe foram os principais temas debatidos da 1ª Semana da Fotografia que reuniu, durante três dias seguidos, representantes de onze estados no Núcleo de Fotografia da Funarte.
O maior saldo do encontro foi à dedicação desses profissionais que conseguiram compor um painel da fotografia de Norte a Sul do país, descobrindo que seus interesses e preocupações estão sendo compartilhados pelo Núcleo. Participaram da Semana os fotógrafos: Milton Guran, de Brasília; José Albano, do Ceará; Gustavo Moura, da Paraíba; Waldir Afonso, de Pernambuco; Bené Fonteles, do Mato Grosso; Cláudio Versiani, de Minas Gerais; Pedro Vasquez, do Rio de Janeiro; Nair Banedicto, de São Paulo; Orlando Azevedo, do Paraná e Luiz Carlos Felizardo, do Rio Grande do Sul; e ninguém da Bahia!

                                   DESCENTRALIZAÇÃO

Terminado o Encontro os fotógrafos ainda continuaram trabalhando mais um dia na conclusão de um documento com sugestões a política geral do Núcleo, que é a de descentralizar sua atuação pelo Brasil. É o que já vem acontecendo, por exemplo, com as exposições programadas que circulam em rodízio por vinte e quatro estados.
Entre as sugestões apresentadas estão a  edição e divulgação dos debates realizados no encontro, a realização anual da Semana da Fotografia, exposições regionais com seleção pelos representantes locais e do Núcleo, publicação de catálogos desses mostras, co-edição de trabalhos fotográficos com instituições locais, maior aproveitamento da produção local no Projeto Itinerância do Núcleo, abertura de novos espaços para exposições, edição de um boletim informativo de distribuição nacional, realização de cursos e eventos para levantamento e preservação do acervo fotográfico nacional, apoio a todos os fotógrafos de todas as regiões, apoio a regulamentação da profissão e incremento das discussões nas associações da classe.

                                 MOBILIZAÇÕES DA CLASSE

O ponto forte do encontro foi constatar a mobilização da classe: a maioria dos fotógrafos ficou trabalhando mais um dia na redação da Carta da 1ª Semana da Fotografia que concluiu pela necessidade da divulgação do decreto-lei 5.988, que dispõe sobre direitos autorais, pelo respeito ao crédito obrigatório e toda e qualquer foto publicada, adoção de um contrato de licença de reprodução da obra fotográfica em substituição as sessões de direitos existente, denúncia e abolição de concursos fotográficos, cujo regulamento ficam o interesse da classe, formação da Associação dos Titulares de Direitos Autorais de Fotografia para controle e arrecadação dos direitos autorais, segundo resolução do Conselho Nacional de Direito Autoral, apoio efetivo do poder público a produção fotográfica nacional, implantação urgente de uma política nacional de preservação da Memória Fotográfica, restrição a utilização abusiva da fotografia estrangeira, regulamentação profissional que atenda às necessidades e anseios de toda a classe e rediscussão das atividades das associações existentes no país e criação de novas quando for necessário.
O quadro não se modifica muito na Bahia e em Minas Gerais, embora nesses dois estados aja um forte mercado publicitário, ficando o problema maior ainda por conta dos salários. Mas, os mineiros preparam um jornal de fotografia patrocinado por uma lavanderia. Na Bahia acredita-se que o marasmo é devido a falta de apoio cultural para exposições, o que já não acontece em Brasília, Curitiba e Porto Alegre, principalmente nestes dois últimos tradicionais centros culturais. Curitiba realizou 13 exposições somente este ano, possui 50 agências de publicidade, vários cursos, fácil acesso a compra de equipamentos e uma importante mostra anual, a 6ª Mostra de Fotojornalismo do Paraná.
Porto Alegre também se encontra no mesmo plano e na publicidade tem-se ali a sede de uma das maiores agências do país.
 O jornalismo oferece uma boa escola sobressaindo-se o trabalho realizado pelo Cool Jornal, agora com ritmo mais lento, mas que deu impulso a fotografia porto alegrense, após um período de grande expressão do Jornal Folha da Manhã.

                             MURAL

FOTOS DE MECENAS – No próximo dia 23 de setembro, Mecenas Salles inaugura a sua exposição de fotografias na Pousada do Carmo, às 21 horas. A mostra, denominada Momentos..., compõe-se de ampliações em cor, bem como retratos em preto-e-branco feito pelo autor. Mecenas foi um dos pioneiros da TV Itapoãn como apresentador e diretor de vários programas de sucesso: esta é a sua segunda mostra individual e representa uma homenagem à Bahia, de onde está ausente há 16 anos.
Suas fotos participaram de exposições em diversos países tendo recebido entre outros prêmios, Medalha de Prata, na Hungria; Medalha Fiap, Fedaration International D’Art; Photographique  e diversas medalhas de ouro no Brasil.
Seus trabalhos foram publicados em diversas revistas, inclusive na Revista Geográfica Universal. O tema desta exposição é sobre a natureza, onde as cores e formas são manipuladas por sua câmara, causando um agradável efeito visual, quer pela unidade dos trabalhos, quer pela  qualidade individual. Faz parte da mostra uma série de retratos de artistas baianos amigos seus de diversas épocas.
CARTUM – O Jornal Yomiuri Chimbun , de Tóquio, está promovendo um concurso internacional de cartum, aberto a participantes e profissionais de todas as idades. As inscrições podem ser feitas até 30 de outubro mediante o envio dos trabalhos para The International Cartoon Contest , Section, The Yomiuri Chimbon, 1-7-1 Otemachi ,Chiyoda-Ku, Tóquio-100. O concurso é dividido em dois temas, um livre e outro sobre heróis.
Cada trabalho não deverá ultrapassar a dimensão de 27,9cm por 42 cm. Há total liberdade quanto ao estilo e técnica, bastando que o trabalho tenha condições de permitir uma boa impressão. Uma boa oportunidade para os cartunistas  baianos que sempre reclamam de falta de promoções. Esta vem do Japão e é quente.

ARTE AFRICANA – O Centro de Estudos Afro-Orientais da Ufba está convidando para o Curso de Arte Africana Tradicional que começa hoje e vai até o dia 1º de outubro. O curso será ministrado pelo professor Nigeriano Babatundê Lawal às segundas, quartas e sextas-feiras sempre no horário das 16 horas. O Ceao fica na Avenida Leovigildo Filgueiras, 392, no bairro do Garcia. O curso será concentrado na arte yorubá, devido a sua presença e influência na arte feita no Brasil.O professor é Chefe do Departamento da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Ifé, Nigéria.

NOVA GALERIA – recebo informação da artista Norma Badaró que o novo espaço para a arte está a disposição dos artistas. Trata-se na Galeria Ecum ,que funciona na Rua Cônego José Loreto, nº 9, no Canela.