terça-feira, 14 de agosto de 2012

ARTES VISUAIS - TATAU BUSCA CORES FORTES - 19 DE SETEMBRO DE - 1995

JORNAL A TARDE, TERÇA-FEIRA, 19 DE SETEMBRO DE 1995.
TATAU BUSCA CORES FORTES
Buscando a vida é o nome da exposição que Tatau vai abrir, no Escritório de Arte da Bahia. Conhecido por sua extrema capacidade de realizar, procurar movimentar o ambiente artístico, ele agora se lança para mostrar sua recente produção marcada pelas tonalidades vibrantes. As emoções estampadas em seu rosto jovem, a inquietude própria de sua juventude podem ser captadas nos movimentos das manchas que se entrecruzam. Os tons alegres de alma tropical.
Composição em Vermelho e Branco, acrílica sobre tela de Tatau.
Na realidade este pintor que veste também a camisa de animador cultural tem contribuído para que o movimento artístico baiano, especialmente dos jovens pintores, saia de quando em vez do marasmo. Sua galeria no Pelourinho é um ponto de referência para os jovens artistas, inclusive lá são realizados cursos, palestras, encontros e outros eventos ligados à arte baiana.
                                                A ARTE EM PADEIRA DE PEPE
Bonitas bengalas talhas, oratórios, móveis são alguns dos objetos esculpidos pelo dublê de artista e comerciante José Rivas. Evidente que a atividade comercial está intimamente ligada à arte, já comercializa joias, muitas delas trabalhadas com maestria por anônimos artesãos. Agora, este galiciano-baiano resolveu apresentar as suas obras, sem qualquer preocupação com vendas. Vale pelo prazer de mostrar a seus amigos e convidados este seu lado artístico, esta sua vontade de expressar através das esculturas que é capaz de fazer.
O artista José Rivas Quinteiro é mais conhecido como o Pepe da Primavera, natural de Outerelo, paróquia de Lougares, em Mondariz, província de Pontevedra, como a maioria dos galegos que aqui chegaram, constituíram famílias e são também responsáveis pelo desenvolvimento do nosso estado, especialmente de Salvador. Ele vai expor de 22 a 30 deste mês no salão Carlos Lopez Muniz, da Sociedade Cultural Caballeros de Santiago, no bairro do Rio Vermelho. Além de esculpir a madeira, Pepe faz peças incrustações de ossos, pedras preciosas e metais de valor, dando maior requinte aos objetos, especialmente às bengalas. Antigamente estas incrustações marcavam para a sociedade a importância do cidadão que as conduziam. Era mais um símbolo de elegância e poder. E, agora Pepe nos reporta a estes tempos com suas bengalas com belas formas e incrustações.
“METRÓPOLIS’, DE ROGÉRIO GOMES
O artista Rogério Gomes realizou recentemente, uma nova exposição, sendo desta vez em São Paulo, que, segundo me afirmou, representou uma síntese evolutiva do seu trabalho. A mostra ficou na estação Ana Rosa, do Metrô paulista, e recebeu o nome de Metrópolis. Ele tem consciência do seu papel de artista e, escreveu no catálogo/ convite que “pintar implica em lento e racional processo. A elaboração de uma ideia, cuja conclusão resulta em objeto, reflete meu ofício. O curioso nesta fascinante ação do fazer é o momento em que a manifestação rápida da ideia preexiste ao gesto de desenhar, de construir naqueles, de dimensionar o projeto, de escolher suporte e, finalmente, pintar”.
Reprodução em detalhe de obra de autoria de Rogério Gomes.
É claro que estas afirmações acima de Rogério são recheadas de pura consciência, porque sua arte é muito racional, limpa e pensada. Entretanto, muitos artistas pintam ao sabor das emoções, deixando fluir o pincel sobre uma tela ou uma folha de papel. Voltando à obra de Rogério Gomes, ele escolheu expor numa estação de metrô porque este equipamento de transporte urbano é presença forte nas metrópoles, como São Paulo. “Ambiente público, lúdico, democrático, aproximações, indiferenças e passos se entrecruzam. Rede de linhas retas, diagonais e oblíquas, interrompidas pelos trens deslizando sobre paralelas. Antagonicamente, tem-se a verticalidade instigante da cidade espargindo-se sobre a horizontalidade insinuante do metrô”. Portanto, as obras de Rogério Gomes encontraram um local adequado para serem vistas pelos usuários do metrô que passam apressados e que encontraram nelas um instante para quebrar a ansiedade do dia-a-dia.
                                                    ARTISTAS ILUSTRAM POEMAS
Na próxima quinta-feira, dia 21, quem for ao lançamento do livro de Sérgio Mattos, Estandarte, na NR Galeria de Artes, no Shopping Iguatemi, terá a oportunidade de apreciar seus poemas ilustrados por vários artistas baianos. Dentre os ilustradores estão nomes como Floriano Teixeira, J. Arthur, Fernando Freitas Pinto, Gentil, Roberval Marinho, Reinaldo Gonzaga, Carlos França, Paulo Soares, Núbia Cerqueira, Jorge Silva, Ruy Carvalho e outros. Estandarte, é editado pelas Edições GRD, é o sexto livro individual do poeta e jornalista Sérgio Mattos, que, com este lançamento, comemora trinta anos de criação.