quinta-feira, 16 de agosto de 2012

ARTES VISUAIS - A ARTE DA FOTOGRAFIA - 15 DE AGOSTO DE - 1995

JORNAL A TARDE, TERÇA-FEIRA, 15 DE AGOSTO DE 1995.
                   
                  A ARTE DA FOTOGRAFIA

A arte da fotografia vem ganhando espaço nos museus e galerias de todo o mundo. Como pintores famosos, nomes de fotógrafos aparecem entre estrelas desde os clássicos Bresson, Erich Salomon, como outros mais recentes a exemplo do polêmico italiano Olivieri Toscani, os brasileiros Sebastião Salgado, Carlos Freire (radicado há 28 anos em Paris), Sebastião Barbosa, dentre outros. Para Barbosa “o fotógrafo está hoje num impasse que é o de ser um artista e realizador, ser um técnico ou um cara criativo”.
Entendo que o fotógrafo tem que ser artista sensível e saber a técnica da fotografia. Tenho convivido com bons fotógrafos nestes quase 30 anos de jornalismo e também com muitos batedores de chapa que se autodenominam fotógrafos.
Pegar uma máquina e conseguir ao acaso uma boa fotografia não significa que o cidadão é um fotógrafo. Muitas vezes foi sorte, acaso, e no decorrer dos dias sua incapacidade aflora.
Desde que em 1888 George Eastman criou sua primeira câmara caixote, que a fotografia se tornou uma das mais revolucionárias criações e invenções, gravando para sempre imagens românticas ou dramáticas do nosso tempo. Fixando no papel flagrantes incríveis que nos chocam, nos emocionam e nos fazem rir.
Ninguém fica estático diante de uma boa fotografia, que requer uma dose de oportunidade, e por que não dizer, de acaso. Muitas fotos falam por si mesmas, noutras ocasiões vêm complementar um texto apresentando os personagens de um ato qualquer. Este mundo fantástico da fotografia é inesgotável. Não tem limite para se conseguir uma boa imagem. Os caçadores de imagens sempre estão à espreita. Desde os terríveis e inconseqüentes paparazzi, que infernizam a vida dos artistas e celebridades, até o profissional do jornalismo moderno, que fica à espera de um momento, de desconcentração de uma autoridade, artista ou um homem do povo. Não importa. O que se busca é o flagrante dentro de um contexto para formar uma boa composição. Daí em diante, é fotografar e guardar para sempre a imagem.
Portanto, é com prazer que vejo boas fotos reunidas numa exposição. É sempre um momento para refletir como a vida passa como um rolo de filme numa câmera. Só que não podemos flagrar todos os nossos momentos que se vão e nem temos a oportunidade de eternizá-los num fotograma.

                        POLÊMICA DA INFÂNCIA PERVERSA

Trinta e cinco artistas contemporâneos brasileiros de outros países estão expondo no Museu de Arte Moderna, numa mostra itinerante patrocinada pelo programa AT&T New Art / New Visions intitulada Infância Perversa – fábulas sobre a memória do tempo. São pinturas, gravuras, desenhos e fotografias que tratam da essência do universo infantil. Coordenadas por Marcos Lontra, a mostra é resultado de um questionamento que ele tinha sobre os motivos que levam os artistas a mergulhar no universo infantil para dele retirar imagens de grande contundência e comunicabilidade imediata.
Daí uma equipe do MAM, do Rio de Janeiro, reuniu-se para dar a forma a esta idéia de Lontra. Como esta mostra despertou alguma polêmica quando foi montada no Sul do país, acredito que aqui também poderá gerar algumas controvérsias, especialmente com a afirmação da apropriação perversa do artista para conceber a obra de arte a partir de objetos da infância. Este discurso de ampliação do significado de perverso é insuficiente para explicar dentro da conceituação da mostra. A apropriação de objetos infantis ou qualquer outro objeto utilizado na sociedade de consumo, mesmo sendo do universo infantil, não é novidade, O novo está na concepção da obra e na denominação desta porção infantil, parodiando Gil quando falou da porção mulher. Acho que aí está a resposta, porque a memória infantil tem sempre a utopia, o romantismo, e outras imagens, mesmo negativas. Acredito que na maioria das pessoas consideradas “normais” as lembranças de infância são sempre românticas e repassadas como momentos inesquecíveis. Não esqueçamos daqueles que também têm marcas tristes e avassaladoras de sua infância. As brincadeiras, as traquinices, os sonhos, as compreensões utópicas das coisas e pessoas, enfim a ingenuidade.
Reprodução da obra Meninas, da artista Cristina Salgado.

RESTAURADA A IMAGEM DE NOSSA SENHORA DA PALMA

A imagem de Nossa Senhora da Palma, com 1,73m de altura, acaba de ser totalmente recuperada pela restauradora Clara Barros, o fotógrafo Félix Sampaio e o mestre em marcenaria Jeremias dos Santos, além dos auxiliares técnicos em restauração Ana Lúcia Rocha e Washington Costa Baracho, que trabalharam durante três meses. Datada do século XVII, a igreja da Palma é um monumento integrado ao sítio tombado pelo Patrimônio Histórico, possuindo um grande valor arquitetônico e cultural, porém, está fora do circuito turístico.
Esta imagem veio de Portugal a mando do Senhor Ventura Arraes e foi entronizada no altar-mor em 1670, segundo frei Agostinho de Santa Maria. Corroída pelo tempo, a imagem estava comprometida, com grandes áreas carcomidas pelos cupins, com fissuras verticais e repinturas. A restauradora removeu a terceira intervenção encontrada no véu, carnação, anjos, nuvens e base e duas repinturas de péssima qualidade sob o globo, que encobriu o douramento. Permaneceu a repintura sobre o panejamento que é de boa qualidade, mas a purpurina aplicada sobre o douramento foi removida. Foi ainda retirado gesso e substituído por pedaços de cedro, e cravos de metal oxidados também foram removidos e colocados outros de metal amarelo para evitar oxidação. Para comemorar a volta da imagem, foi realizada uma missa em Ação de Graças no último dia 12, com a presença de grande número de devotos da comunidade.
A restauradora Clara Barros ao lado da imagem de Nossa Senhora da Palma.