sexta-feira, 17 de agosto de 2012

VISUAIS - TRIBUTO A PIERRE VERGER - 22 DE AGOSTO DE - 2000

JORNAL A TARDE SALVADOR, 22 DE AGOSTO DE 2000.

                     TRIBUTO A PIERRE FATUMBI VERGER

O artista afro-baiano Terciliano Jr. Está fazendo uma exposição em homenagem a Pierre Verger, um nome que é uma legenda e que durante grande parte de sua existência cultivou as raízes africanas e suas relações com o nosso País, especialmente a Bahia. Deixou a vida de empresário - Herdou uma fábrica de tradição centenária na França- para se dedicar ao estudo da cultura africana, da qual produziu obras que hoje são referências internacionais.
Falando de Pierre Verger ou de Fatumbi, como ele gostava de ser chamado, Terciliano, que tem produção calcada nas tradições afros escreveu no convite de sua mostra algumas palavras sobre esta figura inesquecível. Vejamos:
“Para mim, ele realmente cansou, ainda muito jovem, de uma vida de ostentação e brilho de uma família muito bem-sucedida e burguesa, e preferiu uma vida mais simples, porém verdadeira. Então, embarcou em um navio negreiro, onde a tripulação era, ora de deuses, ora de negros, ora de árvores e de plantas. Foi nessa tripulação que o jovem velho feiticeiro pegou o vírus do mundo mágico e místico do negro.
Eu estava nascendo e o futuro feiticeiro estava clicando Trotsky no México, com sua poderosa máquina da época.
Alguém disse que o jovem velho feiticeiro era uma ponte entre a África, Europa e o Brasil. Disseram também que o jovem velho feiticeiro saiu diversas vezes com  destino a mãe terra negra África e se infiltrava naquelas tribos, dormindo sobre folhas secas e comendo raízes para se fortalecer e se ambientar na vida e no cotidiano de um povo que o observava. E onde está o velho feiticeiro agora? Os deuses o transformaram, em algum lugar dos terreiros da Bahia (ou África), em árvore ou planta, num verdadeiro refluxo. “A minha bênção, Fatumbi, onde quer que esteja.” A mostra está aberta ao público, na Lasbonfim, que funciona no Terreiro de Jesus n11, até 17 de setembro próximo.
Acima reprodução da obra de Terciliano Jr que ilustra o catálogo da exposição.

                                     GIL MÁRIO EXPÕE NA ATRIVM

O artista feirense e animador cultural Gil Mário está expondo na Galeria Atrivm, no bairro do Rio Vermelho, seus mais recentes trabalhos, em que demonstra sua inquietação e evolução plástica com uma pintura bem mais solta. Esta ousadia é marca registrada de Gil Mário que inspirado na natureza vai criando suas composições com formas que nos arrematam as flores, folhas deste universo grandioso da floresta. Como vive na região do semi-árido, da caatinga rasteira que se acinzenta e enverdece todos os anos, Gil Mário deixa isso transparecer com os elementos que compõem as suas telas. Lembro, ainda, o lado batalhador deste sertanejo que teima em promover eventos de seus colegas e que se entrega de corpo e alma à arte. Como uma seriema, ágil e resistente, Gil Mário vai construindo o universo pictórico, enquanto luta para manter acesa a chama da arte em sua cidade, Feira de Santana.
Graças a ele e a outros abnegados feirenses, as obras da coleção inglesa do Museu Regional, doada por Chateaubriand, agora estão restauradas e localizadas num ambiente climatizado.
Reprodução da obra Sariema Camuflada , de Gil Mário.