domingo, 12 de agosto de 2012

VISUAIS - 50 ANOS DA BIENAL PAULISTA - 22 DE MAIO DE - 2001



JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 22 DE MAIO DE 2001

                  50 ANOS DA BIENAL PAULISTA


Acabo de receber o convite para a abertura da exposição Bienal 50 anos.
-Uma homenagem a Ciccillo Matarazzo, que será aberta amanhã, a partir das 19 horas, no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, portões 2 e 3, em São Paulo. O convite é de Carlos Bratke, presidente da Fundação Bienal de São Paulo. Como sabemos o industrial Ciccillo foi um dos grandes mecenas deste País, ajudou muitos artistas brasileiros, especialmente os imigrantes, que residiam em São Paulo, e foi o fundador da Bienal paulista. Portanto, uma homenagem mais do que justa.

                         UNIVERSO EM CORES DE M. NONATO

O multifacetado M. Nonato ou Nonato, como é mais conhecido, está expondo, até o próximo dia 3 de junho, na Rua da Fonte, Aeroclube Plaza Show, reunindo 30 trabalhos em acrílico sobre tela, que ele denominou de universo das cores II. Uma produção em que a emoção dá lugar à técnica, e o êxtase extrapola os limites da consciência. A tela recebe grande carga emotiva, registrando, como num flagrante de uma câmara fotográfica, aos instantes da criação. Na verdade, ele não tem o pincel como instrumento de ação na busca de sua expressão e na configuração dos traços e manchas que enchem de cores as telas.
Reprodução da foto de Nonato, com o instrumento que pouco usou para pintar as telas desta exposição.
Ali está registrada a expressão dos seus sentimentos que parecem emergir de um mundo em permanente espaço de ebulição. Está preso- como  acontece com a maioria dos novos  pintores, embora ele tenha 54 anos - a influência de Jackson Pollock, o que não o que não é nenhum demérito, mas é preciso soltar estas amarras e prosseguir navegando no mar azul, em busca de um porto. Ousar é preciso, ao artista que se propõe a ter a obra reconhecida com de qualidade. Tendo iniciado a carreira artística: aos 50 anos, Nonato é uma autodidata e teve seu primeiro contato com a arte ainda na infância acompanhando seu pai, que trabalhava como santeiro. Cearense da Cidade de Crato, Raimundo Nonato Marques, ou M. Nonato, nasceu em 30 de maio de 1945. Em apenas quatro anos produziu mais de mil telas, mantendo um acervo particular com cerca de 200 quadros. Desde 1976, reside na Bahia, onde vem descobrindo o dom artístico.

                         ITALIANO QUER PINTAR NA BAHIA

Ele vem de uma família de artistas e está em Salvador procurando um espaço para desenvolver sua arte. A exemplo de outros turistas, está encantado com a cidade e insiste em vencer os obstáculos para produzir a arte nos trópicos. Trata-se do pintor e escultor italiano Angelman, 39 anos.
Ele está expondo várias peças na Akitem, na Estrada do Coco, e residindo, provisoriamente, na Cidade Baixa.
Vem ainda mostrando alguns trabalhos em galerias da cidade tentando agendar uma exposição. Tem enfrentado algumas dificuldades. A arte dele merece ser olhada, porque o artista tem uma boa técnica e produz uma arte sintonizada com o seu tempo. Talvez esteja angustiado, porque o mercado de arte baiano vem enfrentando altos e baixos, devido à instabilidade na economia. Com os salários achatados e engessados, a classe média fica impossibilitada de consumir obra de arte e, com isso o mercado estreita-se. Chamaram-me a atenção, particularmente, as cores fortes- talvez aí já esteja inconscientemente presente a influência desta luz intensa de nossa  cidade- e também as peças grandes de cerâmica, esculturas que necessitam de um espaço ao ar livre.