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sábado, 24 de janeiro de 2026

CRISTINA DAMASCENO E A FOTOGRAFIA INSERIDA NO MUNDO DA ARTE

A professora Cristina Damasceno durante
 nossa conversa na EBA.
A
fotógrafa e professora universitária baiana Telma Cristina Damasceno Silva Fath, que assina Cristina Damasceno , tem uma trajetória profissional que merece ser compartilhada. Foi minha aluna no Curso de Comunicação Social, da UFBA e do professor de Fotografia Oldemar Vitor, que na época trabalhava no jornal a Tribuna da Bahia, e veio a falecer em 2008. Foi ele quem a despertou para o mundo da Fotografia. Ainda jovem se destacou fazendo foto jornalismo, especialmente no setor cultural . Concluiu em 1986 o curso de 
Comunicação Social pela Universidade Federal da Bahia,  e atualmente é chefe do Departamento de Expressão Gráfica e Tridimensional da Escola de Belas Artes.  Possui mestrado e doutorado em Artes Visuais, pela Universidade Federal da Bahia e  especialização em Fotografia Técnica pela Staatliche Fachschule für Optik und Fototechnik Berlin (1993). Está desenvolvendo pesquisa sobre a História da Fotografia Artística na Bahia e é colunista no jornal A Tarde. As fotos que publico  abaixo foram feitas por Cristina Damasceno e publicadas em jornais e revistas de Berlim, na Alemanha.
Como todo jovem que tem suas inquietações e projetos logo depois de se graduar em Comunicação  viajou em 1987 para Inglaterra com o objetivo de estudar Inglês. Permaneceu naquele país durante um ano e meio . Lá tomou conhecimento que poderia ir para Israel morar num kibutz na qualidade de voluntária, mesmo não tendo descendência judaica. Foi assim que em 1988 partiu para Israel com destino à cidade de Éliat. Lá trabalhou numa fábrica de cordas de instrumentos musicais, colhendo melões e no processamento de tâmaras. A cidade de Éliat tem cerca de uns 49  mil habitantes fica
Cristina captou este momento onde os
bailarinos dançam com muita  plasticidade.
localizada mais ao sul de Israel. É um importante balneário turístico no extremo do deserto do Neguev, às margens do Mar Vermelho (Golfo de Aqaba), conhecida por suas praias, recifes de coral para mergulho, e perto da Jordânia. Nesta sua permanência em Israel conheceu uma pessoa com quem casou e decidiram ir morar em Berlim, que é uma das metrópoles onde a arte pulsa durante vinte e quatro horas. De 1993 a 2000, trabalhou em Berlim na agência de fotografia Wende. Permaneceu por lá mais de uma década quando o relacionamento terminou Telma Damasceno resolveu voltar ao Brasil. Por onde passou sempre esteve com sua máquina fotográfica nas mãos e foi   registrando o que lhe interessava.  Terminou se especializando em fotografar espetáculos culturais como a dança, cenas de teatro, shows musicais e exposições plásticas.

"Comovido até às  Lágrimas" - Peter Matic
rodeado por seus entes queridos
 Ao retornar a Salvador  foi fazer o Curso de Mestrado da Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia e sua tese foi A Fotografia Artística na Bahia e sua Inserção nos Salões Oficiais de ArteNas suas pesquisas  descobriu que “um dos primeiros fotógrafos baianos foi José Antônio da Cunha Couto, que possuía uma Galeria de Pintura e Fotografia, em 1873. 
Já o  estúdio “Photographia Artística”, no início do século XX, pertenceu aos professores do Liceu de Artes e Ofícios e da Escola de Belas Artes: Francisco Terêncio Vieira de Campos, Antônio Olavo Baptista e Oséas Santos. Eles utilizaram a fotografia como ferramenta de auxílio na realização de suas encomendas.” Destacou “ a entrada da fotografia no museu através da foto clubismo na Bahia, onde suas ações possibilitaram a organização dos primeiros salões de arte fotográfica no estado; como também, a Segunda Bienal de Artes da Bahia. Os Salões Nacionais de Arte Fotográfica realizados na Escola de Belas Artes, na década de 1990 foram de fundamental importância, no sentido de trazer para o estado o intercâmbio da produção fotográfica nacional. Assim como as Mostras de Fotografia Contemporânea da Bahia promoveram a fotografia local. A pesquisa revela que, durante 1991 a 2006, a Bienal do Recôncavo apresentou em relação ao Salão da Bahia um maior panorama acerca das tendências da produção artística na fotografia baiana.”

 " Linguagem Corporal que Faz Você Querer
Desviar o Olhar "- o Berliner Ensemble numa
 tentativa de retratar uma fantasia masculina
.
 Logo depois visando sua ascensão no magistério universitário fez o Doutorado, na Escola de Belas Artes, da UFBA, e sua tese foi “O Processo de Legitimação da Fotografia no Campo da Arte e sua Repercussão na Bahia”. Nas suas pesquisas Cristina Damasceno descobriu o caminho percorrido pelos baianos amantes da fotografia 
e escreveu: 
Professores e estudantes, oriundos da Academia de Belas Artes da Bahia, incluíram a fotografia dentre seus serviços artísticos. Nos anos de 1940, a atuação do Foto Cine Clube Bandeirante foi fundamental para a inserção da fotografia nos espaços legitimadores da arte, exercendo, também, influência no cenário foto clubista brasileiro. Na Bahia, nos anos de 1960, a fotografia adentrou o Museu de Arte Moderna e foi integrada em exposições de caráter nacional, como: 1° Salão Nacional de Arte Fotográfica da Bahia; Sala Especial de Fotografia, na II Bienal de Artes Plásticas da Bahia; II Salão Bahiano da Fotografia Contemporânea. Seguindo as tendências internacionais de renovação da arte moderna, a fotografia passou a ser assimilada de forma híbrida pelos artistas baianos: Lênio Braga, Juarez Paraiso, Jamison Pedra e Silvio Robatto, no projeto ambiental do grupo Etsedron, dentre outros." 
                                                        
                                                  TRAJETÓRIA
Nasceu em Salvador em vinte e dois de janeiro de 1974 e seu nome completo é Telma Cristina Damasceno Silva Fath. O seu pai Felizardo Alves da Silva era eletricista da Coelba, e sua mãe d. Creuza Damasceno da Silva que é professora de História, já aposentada. Fez o primário na Escola Moderna, que funcionava no bairro da Graça, em Salvador,  o ginásio no  Ginásio Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e o segundo grau no Colégio Salesiano de Salvador, que fica no bairro de Nazaré. Depois fez o vestibular para Comunicação Social, na Universidade Federal da Bahia e trabalhou de free lancer para o Jornal A Tarde fotografando eventos culturais.
Foto expressiva de um espetáculo de
dança em Berlim.
Viajou para Londres, na  Inglaterra em 1987 fez alguns cursos de fotografia inclusive tinha laboratório com câmara escura e se interessou pela parte técnica da fotografia. Seu objetivo principal era estudar a língua inglesa. Lembrou que nos bairros de Londres existiam locais onde as pessoas que gostavam de fotografia se reuniam e tinha todo equipamento disponível para revelar os filmes . Já os produtos químicos usados na revelação eram adquiridos pelos alunos.  Ela frequentou esses locais, e assim seu aprendizado foi se expandindo. Permaneceu por cerca de um ano e meio quando tomou conhecimento que havia um programa de voluntariado para Israel. Foi assim que terminou indo morar num kibutz e lá conheceu  um jovem alemão, que trabalhava com  editoração de livros e outras publicações. Se relacionaram e foram residir em Berlim. 

"Os Rapazes de Syracuse"- Os
dois calouros - Tilman von
Blomberg e Torsten Bjorn 
Aí a Cristina Damasceno interrompe e diz – “Eu assisti a queda do Muro de Berlim!” Realmente merece ser citado porque foi um marco importante na História da civilização ocidental. Ocorreu em nove de novembro de 1989, reunificou a Alemanha e  marcou a queda Cortina de Ferro e o início da democratização na Europa Oriental. 
Também fez curso de especialização em Ótica e Fototécnica numa escola  ligada atualmente a Universidade Livre de Berlim. Quando esteve por lá era  patrocinada pela Agfa - Gevaert que é uma multinacional belga líder em tecnologias de imagens principalmente nos setores de impressão gráfica oferecendo  produtos analógicos e digitais. Tem inclusive fábrica no Brasil. Aprendeu a revelar filmes em PB e colorido, comparava os filmes com os reveladores de vários fabricantes e fazia os gráficos para avaliar, aprendeu a fotografar pelo microscópio e teve acesso a câmeras especiais.  Quando saiu foi trabalhar no laboratório da agência Wende especializada em fotografias de esportes. Mas, a Cristina Damasceno não se identificava com este trabalho ligado às atividades esportivas. Isto aconteceu em  meados de 90 quando começaram a surgir as primeiras câmeras digitais . Saiu e foi trabalhar em uma associação ligada aos museus de Brandemburgo que tinha como objetivo ensinar Fotografia a adolescentes. Os administradores  queriam que entre os instrutores estivessem alguns estrangeiros, porque assim os adolescentes teriam contato com  estrangeiros e iam perdendo o preconceito. O trabalho também era de laboratório.  Paralelamente,  começou a fotografar peças de teatro, de dança e Ópera. Se cadastrou na maioria dos teatros, e assim recebia com  antecedência  a programação das peças e óperas que seriam apresentadas. É costume por lá que dois dias antes da estreia os diretores  fazem  um ensaio geral para a
"O Estupro" - Martin Reinke (de óculos)
sobre Bruno Winzen.
imprensa. "A gente fotografava e levava para os jornais que escolhiam as melhores fotos e publicavam. Inicialmente eles não se importavam com minhas  fotos." Mas, ela insistiu, e assim devagar alguns jornais começaram a publicar e isto veio a facilitar o seu trabalho a exemplo do Der Spiegel e a revista cultural Zitty. Disse que a crítica tem um papel importante na Alemanha , e se a peça não receber boa avaliação dos críticos  não se sustenta e pode até sair de programação. Eles trabalham com free lancer, não tinham fotógrafos fixos, os editores compram as imagens de profissionais diversos. Mergulhou culturalmente e teve a  oportunidade de fotografar uma peça de dança coreografada por Mikhail Baryshnikov , o famoso dançarino russo.

Quando voltou em 2001 para Salvador trabalhou como fotógrafa free lancer na Gazeta Mercantil e também como assessora de imprensa. Como tinha esta experiência na Fotografia foi convidada a ensinar na Faculdade da Cidade, no curso de jornalismo, em Salvador.  Foi neste período que passou a estudar e pesquisar e viu que quase tudo que imaginava fazer  já havia sido feito por grandes profissionais no decorrer do tempo. Então  passou a refletir quanto difícil seria tentar fazer algo diferente, e  optou por estudar com afinco a História da Fotografia. Em seguida  se  matriculou no Mestrado e depois no Doutorado na EBA  e continuou pesquisando os antigos fotógrafos baianos . Durante suas pesquisas descobriu que foi Lina Bo Bardi que reuniu pela primeira vez na Bahia fotografias e levou para o museu alçando a  fotografia como arte. 

Ao final da nossa conversa Cristina Damasceno  disse que "no meu  processo de pesquisa  tenho uma coisa que quero registrar. As colunas que você escreveu desde a década de 70 encontrei muitas informações que usei nas minhas dissertações do Mestrado e do Doutorado. Isto aconteceu em minhas idas para a Biblioteca Central pesquisar, e ao manusear os jornais encontrei muitas informações sobre a fotografia como arte em suas colunas,” .



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