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A professora Cristina Damasceno durante nossa conversa na EBA. |
A fotógrafa e professora universitária baiana Telma Cristina Damasceno
Silva Fath, que assina Cristina Damasceno , tem uma trajetória profissional que
merece ser compartilhada. Foi minha aluna no Curso de Comunicação Social,
da UFBA e do professor de Fotografia Oldemar Vitor, que na época
trabalhava no jornal a Tribuna da Bahia, e veio a falecer em 2008. Foi ele
quem a despertou para o mundo da Fotografia. Ainda jovem se destacou fazendo foto
jornalismo, especialmente no setor cultural . Concluiu em 1986 o curso de Comunicação Social pela Universidade Federal da Bahia, e atualmente é chefe do Departamento de Expressão Gráfica e Tridimensional da Escola de Belas Artes. Possui mestrado e doutorado em Artes Visuais, pela Universidade Federal da Bahia e especialização em Fotografia Técnica pela Staatliche Fachschule für Optik und Fototechnik Berlin (1993). Está desenvolvendo pesquisa sobre a História da Fotografia Artística na Bahia e é colunista no jornal A Tarde. As fotos que publico abaixo foram feitas por Cristina Damasceno e publicadas em jornais e revistas de Berlim, na Alemanha.Como todo jovem que tem suas inquietações e projetos logo depois de se graduar em Comunicação viajou
em 1987 para Inglaterra com o objetivo de estudar Inglês. Permaneceu naquele
país durante um ano e meio . Lá tomou conhecimento que poderia ir para Israel morar
num kibutz na qualidade de voluntária, mesmo não tendo descendência
judaica. Foi assim que em 1988 partiu para Israel com destino à cidade de Éliat.
Lá trabalhou numa fábrica de cordas de instrumentos musicais, colhendo melões e
no processamento de tâmaras. A cidade de Éliat tem cerca de uns 49 mil habitantes fica
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Cristina captou este momento onde os bailarinos dançam com muita plasticidade. |
localizada mais ao sul de
Israel. É um importante balneário turístico no extremo do deserto do
Neguev, às margens do Mar Vermelho (Golfo de Aqaba), conhecida por
suas praias, recifes de coral para mergulho, e perto da Jordânia. Nesta sua
permanência em Israel conheceu uma pessoa com quem casou e decidiram ir morar
em Berlim, que é uma das metrópoles onde a arte pulsa durante vinte e quatro
horas. De 1993 a 2000, trabalhou em Berlim na agência de
fotografia Wende. Permaneceu por lá mais de uma década quando o
relacionamento terminou Telma Damasceno resolveu voltar ao Brasil. Por onde
passou sempre esteve com sua máquina fotográfica nas mãos e foi registrando o que lhe interessava. Terminou se
especializando em fotografar espetáculos culturais como a dança, cenas de
teatro, shows musicais e exposições plásticas.
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"Comovido até às Lágrimas" - Peter Matic rodeado por seus entes queridos. |
Ao retornar a Salvador foi fazer o
Curso de Mestrado da Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia e
sua tese foi A Fotografia Artística na Bahia e sua Inserção nos Salões
Oficiais de Arte. Nas suas
pesquisas descobriu que “um dos
primeiros fotógrafos baianos foi José Antônio da Cunha Couto, que possuía uma
Galeria de Pintura e Fotografia, em 1873.
Já o estúdio “Photographia Artística”,
no início do século XX, pertenceu aos professores do Liceu de Artes e Ofícios e
da Escola de Belas Artes: Francisco Terêncio Vieira de Campos, Antônio Olavo
Baptista e Oséas Santos. Eles utilizaram a fotografia como ferramenta de
auxílio na realização de suas encomendas.” Destacou “ a entrada da fotografia
no museu através da foto clubismo na Bahia, onde suas ações possibilitaram a
organização dos primeiros salões de arte fotográfica no estado; como também, a
Segunda Bienal de Artes da Bahia. Os Salões Nacionais de Arte Fotográfica
realizados na Escola de Belas Artes, na década de 1990 foram de fundamental
importância, no sentido de trazer para o estado o intercâmbio da produção
fotográfica nacional. Assim como as Mostras de Fotografia Contemporânea da
Bahia promoveram a fotografia local. A pesquisa revela que, durante 1991 a
2006, a Bienal do Recôncavo apresentou em relação ao Salão da Bahia um maior
panorama acerca das tendências da produção artística na fotografia baiana.”
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" Linguagem Corporal que Faz Você Querer Desviar o Olhar "- o Berliner Ensemble numa tentativa de retratar uma fantasia masculina. |
Logo depois visando sua ascensão no magistério
universitário fez o Doutorado, na Escola de Belas Artes, da UFBA, e sua tese foi
“O Processo de Legitimação da Fotografia no Campo da Arte e sua Repercussão na
Bahia”. Nas suas pesquisas Cristina Damasceno descobriu o caminho percorrido
pelos baianos amantes da fotografia e escreveu: “Professores e
estudantes, oriundos da Academia de Belas Artes da Bahia, incluíram a
fotografia dentre seus serviços artísticos. Nos anos de 1940, a atuação do Foto
Cine Clube Bandeirante foi fundamental para a inserção da fotografia nos
espaços legitimadores da arte, exercendo, também, influência no cenário foto
clubista brasileiro. Na Bahia, nos anos de 1960, a fotografia adentrou o Museu
de Arte Moderna e foi integrada em exposições de caráter nacional, como: 1°
Salão Nacional de Arte Fotográfica da Bahia; Sala Especial de Fotografia, na II
Bienal de Artes Plásticas da Bahia; II Salão Bahiano da Fotografia
Contemporânea. Seguindo as tendências internacionais de renovação da arte
moderna, a fotografia passou a ser assimilada de forma híbrida pelos artistas
baianos: Lênio Braga, Juarez Paraiso, Jamison Pedra e Silvio Robatto, no
projeto ambiental do grupo Etsedron, dentre outros."
TRAJETÓRIA
Nasceu em Salvador em vinte e dois de janeiro
de 1974 e seu nome completo é Telma Cristina Damasceno Silva Fath. O seu pai
Felizardo Alves da Silva era eletricista da Coelba, e sua mãe d. Creuza
Damasceno da Silva que é professora de História, já aposentada. Fez o primário na Escola Moderna, que
funcionava no bairro da Graça, em Salvador, o ginásio no Ginásio Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e o segundo
grau no Colégio Salesiano de Salvador, que fica no bairro de Nazaré. Depois fez
o vestibular para Comunicação Social, na Universidade Federal da Bahia e
trabalhou de free lancer para o Jornal A Tarde fotografando eventos culturais.
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Foto expressiva de um espetáculo de dança em Berlim. |
Viajou para Londres, na Inglaterra em 1987 fez alguns cursos de
fotografia inclusive tinha laboratório com câmara escura e se interessou pela
parte técnica da fotografia. Seu objetivo principal era estudar a língua
inglesa. Lembrou que nos bairros de Londres existiam locais onde as pessoas que gostavam
de fotografia se reuniam e tinha todo equipamento disponível para revelar os
filmes . Já os produtos químicos usados na revelação eram adquiridos pelos alunos. Ela
frequentou esses locais, e assim seu aprendizado foi se expandindo. Permaneceu por
cerca de um ano e meio quando tomou conhecimento que havia um programa de
voluntariado para Israel. Foi assim que terminou indo morar num kibutz e lá
conheceu um jovem alemão, que trabalhava com editoração de livros e outras publicações. Se
relacionaram e foram residir em Berlim.
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"Os
Rapazes de Syracuse"- Os dois calouros - Tilman von Blomberg e Torsten Bjorn |
Aí a Cristina Damasceno interrompe e
diz – “Eu assisti a queda do Muro de Berlim!” Realmente merece ser citado
porque foi um marco importante na História da civilização ocidental. Ocorreu em
nove de novembro de 1989, reunificou a Alemanha e marcou a queda Cortina de Ferro e o início da democratização
na Europa Oriental.
Também fez curso de especialização em Ótica e Fototécnica
numa escola ligada atualmente a Universidade Livre de Berlim. Quando esteve por lá era patrocinada pela Agfa - Gevaert que é uma
multinacional belga líder em tecnologias de imagens principalmente nos setores
de impressão gráfica oferecendo produtos
analógicos e digitais. Tem inclusive fábrica no Brasil. Aprendeu a revelar
filmes em PB e colorido, comparava os filmes com os reveladores de vários fabricantes e fazia os
gráficos para avaliar, aprendeu a fotografar pelo microscópio e teve acesso a câmeras
especiais. Quando saiu foi trabalhar no laboratório da agência Wende especializada em fotografias de esportes. Mas, a Cristina Damasceno não se identificava com
este trabalho ligado às atividades esportivas. Isto aconteceu em meados de 90 quando começaram a surgir as primeiras câmeras
digitais . Saiu e foi trabalhar em uma associação ligada aos museus de
Brandemburgo que tinha como objetivo ensinar Fotografia a adolescentes. Os administradores queriam
que entre os instrutores estivessem alguns estrangeiros, porque assim os adolescentes teriam contato com estrangeiros e iam perdendo o preconceito. O trabalho
também era de laboratório. Paralelamente, começou a fotografar peças de teatro, de dança e Ópera. Se cadastrou na maioria dos
teatros, e assim recebia com antecedência a programação das peças e óperas que seriam
apresentadas. É costume por lá que dois dias antes da estreia os diretores fazem um ensaio geral para a
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"O Estupro" - Martin Reinke (de óculos) sobre Bruno Winzen. |
imprensa. "A gente fotografava e levava para os jornais que escolhiam as
melhores fotos e publicavam. Inicialmente eles não se importavam com minhas fotos." Mas, ela insistiu, e assim devagar alguns jornais começaram a publicar e isto veio a
facilitar o seu trabalho a exemplo do Der Spiegel e a revista cultural Zitty. Disse
que a crítica tem um papel importante na Alemanha , e se a peça não receber boa avaliação dos
críticos não se sustenta e pode até sair de programação. Eles trabalham com free lancer, não tinham
fotógrafos fixos, os editores compram as imagens de profissionais diversos.
Mergulhou culturalmente e teve a oportunidade de fotografar uma peça de dança
coreografada por Mikhail
Baryshnikov , o famoso dançarino russo.
Quando voltou em 2001 para Salvador trabalhou como fotógrafa free lancer na
Gazeta Mercantil e também como assessora de imprensa. Como tinha esta experiência na Fotografia foi convidada a
ensinar na Faculdade da Cidade, no curso de jornalismo, em Salvador. Foi neste
período que passou a estudar e pesquisar e viu que quase tudo que imaginava fazer já
havia sido feito por grandes profissionais no decorrer do tempo. Então passou a
refletir quanto difícil seria tentar fazer algo diferente, e optou por estudar com afinco a História da
Fotografia. Em seguida se matriculou no Mestrado e depois no Doutorado
na EBA e continuou pesquisando os antigos fotógrafos
baianos . Durante suas pesquisas descobriu que foi Lina Bo Bardi que reuniu pela primeira vez na Bahia fotografias e levou para o
museu alçando a fotografia como arte.
Ao final da nossa conversa Cristina Damasceno disse que "no meu processo de pesquisa tenho uma coisa
que quero registrar. As colunas que você escreveu desde a década de 70 encontrei muitas informações que usei nas minhas dissertações do Mestrado e do Doutorado. Isto aconteceu em minhas idas para a Biblioteca Central pesquisar, e ao manusear os jornais encontrei muitas
informações sobre a fotografia como arte em suas colunas,” .
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