terça-feira, 9 de julho de 2013

CALDER SEMPRE VIVERÁ

JORNAL A TARDE ,SALVADOR, SÁBADO,  20 DE NOVEMBRO DE 1976.

Fotos Google
Alexander Calder brinca com
um móbile de sua autori
a
Nunca é tarde para falar de Alexander Calder, este grande artista que faleceu recentemente. Calder foi o responsável pela ideia de dar movimento as esculturas.Era um inquieto por natureza e dificilmente ia ao cinema porque assim teria que ficar parado. Gostava de movimento, e, foi dentro desta filosofia de vida que criou os móbiles, os stabiles e pintou os aviões de uma empresa comercial de aviação, considerando as aeronaves como esculturas voadoras.
Ele faleceu em Nova Iorque aos 78 anos de idade e morreu vítima de enfarte.
Calder voltou da França para Nova Iorque em setembro do ano passado para inaugurar uma retrospectiva de meio século de suas obras. A exposição retrospctiva tinha o nome de O Universo de Calder e foi apresentada no Whitney Museum Of Art.
Calder ganhou fama internacional há uns 40 anos atrás principalmente por suas monumentais esculturas de aço, chamadas por ele mobiles e stabiles.
Nascido em Filadélfia, Calder tinha a arte da escultura no próprio sangue. Era filho do escultor Alexander Stirling Calder, conhecido por seu monumento de William Penn na municipalidade de Filadélfia, e neto de Alexander Milne Calder, outro escultor nascido na Escócia.
Recentemente, uma companhia aérea contratou o artista para decorar seus aviões. Calder concebeu e dirigiu a pintura de diversos aviões, convertendo-os em obras de arte voadora, com suas brilhantes e vivas cores.
Quando tinha apenas cinco anos de idade, o artista começou a desenhar jóias e a fazer figuras em arames e pedaços de madeira para a boneca de sua irmã, o que já era um verdadeiro protótipo das miniaturas de arame, exóticas ouriversarias em metal que seriam a característica de um faceta menor em sua produção como artista adulto.
Calder estudou no Instituto Tecnológico onde seu interesse foi estimulado antes de viajar para o centro artístico mundial que era Paris de 1922, local em que recebeu a influência de Piet Mondrian, Jean Miró e outros.
Logo no início de sua carreira concebeu a ideia de criar seu próprio universo, programa que seguiu toda sua vida depois de escolher em 1931 a abstração como seu meio de expressão.
Dentro deste universo eram importantes as esferas e os círculos e o dinamismo no movimento foi também  traço essencial de sua arte, o que o levou a construir blocos esculpidos tão delicadamente unidos com tal equilíbrio, que podem se mover com uma leve corrente de ar.
Uma obra instigante de Calder
A arte de Calder pode definir-se como enciclopédica e o humor não esteve ausente em sua obra, desde as miniaturas circenses que iniciou em Paris até seus recentes e não concluídos vitrais.
Foi um mestre na criação de quinquilharias caprichosas, pinturas, desenhos em tapetes e almofadas, jóias, esculturas, trabalhos em bronze madeira e aço. Quanto ás suas obras monumentais, elas decoram lugares públicos e praças em Nova Iorque, Los Angeles, Gotemburgo (Suécia), Spoleto (Itália), Montreal, Cambridge Grand  Rapids (Michigan) México e Chicago.
Calder era um homem extremamente simples e dotado de um gênio do qual não fazia ostentação, afável mas bem pouco comunicativo com estranhos.
Em seus últimos anos adquiriu uma presença e patriarca ou de avó de todos, bonachão e vestido informalmente.

                    ESCULTURAS VOADORAS

A tela para esta criação, na qual se fundem a arte e a funcionalidade, é uma aeronave a jato de grande porte.Segundo Hardling L. Lawrence, presidente da companhia, este trabalho está sendo visto por um maior número de pessoas do que qualquer outro trabalho artístico original, em toda a história da humanidade.
Aeronave pintada por Calder voou para a Cidade do Panamá, Guaiaquil e Lima, a 1º de novembro de 1975, regressando aos Estados Unidos no dia seguinte, via Quito, Cali e Cidade do Panamá. Depois visitou cidades latino-americanas incluídas na rota internacional da companhia aérea. A linha aérea serve também Bogotá, La Paz, Assunção, Santiago, Buenos Aires, São Paulo e Rio de Janeiro.
O famoso artista a incumbência de pintar a aeronave intitulada Cores Voadoras, para concentrar a atenção do público na América Latina, como uma região pata férias tão coloridas e empolgantes como a arte de Calder.
Para manter-se fiel à expressão artística do pintor, a aeronave não tem qualquer outra identificação além da gigantesca assinatura de Calder, em amarelo. Vermelhos, amarelos e azuis são as cores dominantes da fuselagem do avião, enquanto que nas asas predominam o verdadeiro azul e branco.
Jerry Cox, um dos diretores da companhia relembra o entusiasmo do pintor ao ser convidado para executar a tarefa, principalmente pelo fato de que a aeronave seria escalada para a rota da América Latina, região que lhe é muito cara.
Calder observando a paisagem do Rio de Janeiro
Calder já visitou três vezes a América Latina, inclusive o Brasil 1969, nos últimos 25 anos. A última vez foi em 1970, quando acompanhou uma exposição patrocinada pelo Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, denominada uma Saudação a Alexandre Calder.
Este museu possui uma das maiores coleções de seu trabalhos móbiles, stabiles e guaches.
Frank Stanton, presidente do Busines Committee for the Arts, integrado por 118 diretores de empresas norte-americanas, e cujo objetivo é incentivar um apoio maior ás artes por parte do mundo dos negócios, disse que a ideia de criar um mural voador que deverá contribuir para incentivar o envolvimento das artes nas corporações comerciais. O que a empresa fez ao contratar Calder, foi lembrar-nos da antiga associação entre a arte e a funcionalidade, da tradicional aliança entre o artista e o homem de negócios.
O grande artista aceitou a incumbência, apesar de seus 75 anos de idade e de se encontrar, na época, trabalhando em vários outros projetos em Detroit, Los Angeles, Fort Worth, Hartford, Chicago, Nova Iorque e Filadélfia, onde montou um móbile de mais de 42 metros de altura, o maior do mundo, no pátio interno do Banco da Reserva Federal.

                     EXPOSIÇÃO DE ROBERTO FRANCO

O artista Roberto Franco está expondo vinte desenhos da série alquímica na Sala de Exposição da Cultura Inglesa, no Rio de Janeiro. Este ano Roberto já se apresentou individualmente no Museu Nacional de Belas Artes. Nascido em Caracas, Venezuela, filho de brasileiro residiu durante muitos anos em Salvador, onde estudou na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia. Posteriormente, frequentou, em Paris, cursos livres de arte e literatura.
As diversificações da proposta anterior de Roberto Franco, vistas na sua individual no Museu Nacional de Belas Artes, cederam vez e uma louvável coerência temática. São imagens inusitadas, segundo Geraldo Edson de Andrade, as narrações gráficas de Roberto Franco, pelas quais procura interpretar e transmitir ceros aspectos da simbologia junguiana, seu atual interesse. Transferi-la para o papel, segundo o artista, significa não só a lenta aquisição de uma temática adequada como, sobretudo, uma constante vigilância moral.

                       PAINEL

JORGE BANDEIRA- Em 1975 fiz um comentário sobre o trabalho de Jorge Bandeira. Ele estava expondo no Praiamar Hotel. Naquela época escrevi : Um primitivo autêntico onde os traços simples e o colorido enchem a vista do espectador. As igrejinhas simples e o casario colonial em toda sua exuberância vão surgindo espontaneamente nos quadros de Jorge Bandeira. Ao fundo o colorido da vegetação tropical e bem á frente as figuras humanas a desfilar, com seus trajes sacros.
Essas foram algumas das palavras, que, agora, foram inseridas no catálogo de sua nova exposição que está acontecendo no Hotel Meridien.

A ESTÉTICA- A montagem do esqueleto de uma baleia na Alemanha transformou-se numa verdadeira obra de arte. Ele está exposta no Museu de Ciências Naturais, em Karisruhe. O esqueleto mede 13 metros e foi montado numa parede de tal forma que, as ligações metálicas, utilizadas normalmente devido ao peso dos ossos só o crânio pesa 600 quilos desapareceram por completo e dificilmente são visíveis. Um detalhe é que a montagem possibilitou o conhecimento dos contornos do corpo da baleia. Os desenhos expostos ao lado do esqueleto são de grande significado, sobretudo porque só de há pouco tempo para cá é possível fotografar debaixo d’água sem deformações de perspectivas esses mamíferos aquáticos. Foto.