terça-feira, 16 de julho de 2013

EXPOSIÇÃO GRANDIOSA DA ESCOLA DE BELAS ARTES - UFBA

JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SÁBADO, 14 DE JANEIRO DE 1978
Lei Áurea, de Cañizares

Todos que tem comparecido ao Solar do Unhão ficam admirados da grandiosidade da exposição, que está aberta ao público, comemorativa do Centenário da Escola de Belas Artes. Grandiosa não somente pelo número e tamanho dos trabalhos, mas sobretudo, pela qualidade e confronto entre os vários artistas acadêmicos e de outras correntes, todos convivendo num mesmo ambiente.
Estudo de Nu, de
RaymundoAguiar
Uma exposição didática, a qual não pode deixar de ser vista por todos aqueles que gostam das artes.Em primeiro lugar, é bom lembrar a presença de trabalhos de Miguel Navarro Y Cañizares, o espanhol que fundou a Escola de Belas Artes, e que é um nome que figura em todos os compêndios ou retrospectivas que foram ou venham a ser feitas sobre as artes plásticas na Bahia.
Vaqueiro Encouraçado,
 de Emídio Magalhães
Sei das dificuldades que enfrenta Ivo Vellame, diretor da Escola, para fazer alguma coisa por seus alunos, porque estamos vivendo um momento histórico onde as artes e as ciências humanas foram relegadas a segundo ou terceiro planos, em benefício da área tecnológica, que vem atender o florescente desenvolvimento do capitalismo industrial.
Mas, certamente, o que a atual diretoria da Escola vem reclamando é o mínimo de condições, como por exemplo, um laboratório fotográfico digno, para que aqueles alunos que gostam da fotografia possam exercitar. Não podemos continuar ministrando aulas teóricas, principalmente, quando falamos de arte.
Obra de Manoel Inácio
A arte exige criação, uma criação orientada onde o professor possa mostrar ao aluno o que ele fez analisando e aceitando as novas proposições.
Obra de Oscar Caetano
Lembro agora, do susto que tomamos quando da inauguração do Salão Universitário, também comemorativo dos 100 anos da Escola quando um barracão onde estavam guardados os trabalhos que julgamos inadequados para participar da mostra, foram totalmente queimados. Isto porque a velha e gloriosa Escola de Belas Artes tem seu corpo principal restrito a um velho casarão inadequado, e, o restante em improvisados e desconfortáveis barracões de madeira. Esses barracões refletem o descaso da em chamas. As queixas dos alunos e professores são várias, e todas fundamentadas.
Universidade Federal da Bahia para o setor de artes e são verdadeiras fogueiras, que a qualquer momento podem arder
Já pensou no professor de escultura ensinando seus alunos a soldar num barraco de madeira? Um verdadeiro perigo. Somado à falta de condições das instalações, vem o problema da falta constante de materiais necessários ao aprendizado.

|Obra de Manuel Lopes
Rodrigues
Mas esta exposição, é um cartão para que os responsáveis pela política cultural, e também, pelo aprendizado a nível universitário, meditem pelo que pode ser feito por uma Escola, que não se propõe a ser acadêmica. Explico. Seu corpo docente não pretende e não deseja formaruniversitário. A criação não deve e nunca poderá ser esbarrada por propostas e pensamentos rígidos. E os que atacam a Escola, são exatamente aqueles que não conseguiram superar suas dificuldades pessoais e se rotulam de autodidatas. São gênios de ponta de rua. A grandiosidade do ensino universitário estará exatamente na abertura que os mestres dão. Todos compreendem que um estudante, principalmente  do setor da arte não deve aceitar imposições, apenas orientações, que venham enriquecer suas técnicas.
acadêmicos, expressionistas ou integrantes de qualquer uma corrente determinada. Os professores desejam que os alunos criem livremente, recebendo apenas a orientação das técnicas. Não é verdade que a Escola de Belas Artes não acrescenta nada. Isto é conversa de pessoas incapazes de aprender, incapazes compreender o papel de uma escola de nível
Quadro de João Carrera
Tela de Henrique Oswald
Voltando à exposição encontramos trabalhos de Cañizares, de Oscar Caetano, João Francisco Lopes Rodrigues, Manoel Lopes Rodrigues, Raymundo Aguiar (vivo e forte com mais de 80 anos), Presciliano Silva, Jaime Barros, Alberto Valença, Mendonça Filho e muitos outros. Dos novos, Sílvio Robatto, Juarez Paraíso, Graça Ramos, Zélia Maria, Diógenes Rebouças, Hilda Oliveira, Calasans Neto e muitos outros que direta ou indiretamente estão ou estiveram ligados à velha e gloriosa Escola de Belas Artes.

     BOLSAS PARA ALUNOS DA UNIVERSIDADE / BA

Estudantes de todas as áreas da UFBA, independente do curso em que esteja matriculados, poderão candidatar-se à Bolsa de Trabalho/Arte, no valor aproximado de Cr$850, e que terá vigência a partir de março próximo. Esse programa começou na UFBA em 1977, através de convênios com o MEC/DAC/DAE, e será renovado, graças ao pleno êxito alcançado, segundo informou o Assessor para Assuntos de Extensão, professor Hélio Augusto Ribeiro.
Pelo Programa Bolsa de Trabalho/Arte, a UFBA terá um mínimo de 50 bolsas, no valor aproximado de Cr$850  mensais. Segundo explicou o professor Hélio Ribeiro, poderão participar estudantes de todas as áreas, desde que tenham interesse em atividades artísticas,
Comentou ele que, quando o Programa começou, no ano passado, muitos estudantes entenderam que as bolsas somente se destinavam aos da Área de Artes. Porém por essa razão, praticamente não surgiram candidatos de outras áreas, mas agora, as explicações estão sendo dadas com maior ênfase, a fim de que o Programa possa alcançar candidatos de todas as outras áreas.
A condição é apenas a de que o estudante realmente tenha interesse em desenvolver um trabalho artístico, e ao se candidatar à bolsa ele deverá comprovar a maneira como se dedicará a isto. As instruções básicas do Programa foram incluídas no Manual do Estudante, que se encontra à disposição de todos. Acrescentou, ainda, o Assessor para Assuntos de Extensão da UFBA que tão logo seja assinado o novo convênio com o MEC para as bolsas de 1978, serão dadas maiores informações.

           ANTÔNIO MAIA FAZ EXPOPSIÇÃO EM BANGKOK
 Maia presença na Tailândia com suas obras

Bangkok - Inaugurou-se no Hotel Oriental desta cidade, uma exposição de pintura do artista brasileiro Antônio Maia.A mostra, que veio revelar a arte brasileira de hoje ao povo tailandês, tem o patrocínio da Princesa Real Chumbhot de Nagor Svarga, que compareceu a vernissage e recebeu junto com o Embaixador Ovídio Melo os trezentos convidados presentes à festa
O estilo da pintura de Antônio Maia provocou muitos comentários na imprensa de Bangkok. Dos vinte e um quadros mostrados, mais da metade foi adquirida no dia da inauguração. Todos os quadros da mostra foram pintados por Antônio Maia, em Bangkok. O fato de em geral não ter quadros disponíveis, no Brasil, onde sua produção costuma ter saída imediata, bem como problemas de transporte, levaram o artista a preferir aceitar o oferecimento da Embaixada para que chegasse a Bangkok dois meses antes da exposição e pudesse, assim pintar mesmo em Bangkok os trabalhos necessários.
Cercado pelo ambiente tailandês, os temas de Antônio Maia continuaram sendo os do Brasil, com suas figuras de ex-votos e os símbolos mais recentes de sua obra - cogumelos e borboletas, por exemplo- formando o motivo principal dos quadros
 Falando sobre sua estréia na Ásia, disse Antônio Maia: "Foi importante para mim ter vindo aqui ter pintando aqui e ter mostrado aqui minha pintura.Um povo alegre e feliz como o tailandês lembra muito o do nosso nordeste, com o ambiente físico plantas, flores, frutos, coqueiros, mangueiras também parecidos.
Sou gratíssimo ao Itamaraty por me ter proporcionado a oportunidade da exposição e pelo modo como me estimulou a trabalhar pelo Brasil num ponto do globo tão distante do nosso."

            MARIA LUIZA SERTÓRIO NA GALERIA BONINO

Maria  Sertório e grandes manchas equilibradas
A artista Maria Luiza Sertório fez sua última exposição em dezembro, na Galeria Bonino. Uma artista que vem conquistando o mercado em todo o País pela sua criação, onde aparecem grandes formas sugerindo afloramentos de metais ou mesmo pedaços de vegetais selecionados e coloridos. São amplas telas de cores quentes, que nos permitem observar que esta artista precisava do momento exato para eclodir, para mostrar o que vinha carregando dentro de si. Sua primeira mostra foi surpresa para muita gente, e logo a seguir, todos passaram a admirar seus trabalhos. Sertório figura entre a ala de mulheres que hoje traz um traço ou a pincelada marcante de abertura, da busca de novos horizontes, e concorre em pé de igualdade com seus colegas do sexo masculino. É uma artista perfeitamente integrada com seu trabalho, uma artista que observa, capta e transmite através de seus trabalhos a beleza extraída da natureza que nos cerca.