domingo, 28 de julho de 2013

A ARTE DE ROQUE BRAMONT

JORNAL A TARDE,SALVADOR,  SÁBADO, 05 DE AGOSTO DE 1978

Pouca gente sabe, que no bairro da Liberdade, mora Roque Bramont, um baiano de Nazaré das Farinhas que há muito tempo se dedica à arte da pirogravura cuja técnica, talvez por exigir muita paciência e perspicácia, quase não é desenvolvida em nosso estado, tão cheio de artistas.
Um autodidata, pois nunca frequentou qualquer curso de Belas Artes, Roque Bramont, 58 anos, vem se dedicando ao desenho desde criança, influenciado, principalmente, pelo seu pai, Durval César Bramont, um nazareno que, nas 5 primeiras décadas deste século, era tido com o mais importante artista de Nazaré, seus trabalhos eram disputados pela nobreza e intelectuais da época.
OBRA DO ACASO
Apesar de sua forte inclinação para as artes plásticas, principalmente o desenho, Roque Bramont considera a sua dedicação à pirogravura desenho a fogo, como uma obra do acaso, uma vez que, antes de se dedicar somente a ela, jamais viu qualquer trabalho elaborado com essa técnica. Ele mesmo é quem conta a sua descoberta, afirmando que nunca tinha visto antes um trabalho em pirogravura.
Roque Bramont, contou como começou a se dedicar à pirogravura. Veio de Nazaré das Farinhas para Salvador, em 1941 e, embora já pintasse há muito tempo por uma série de razões, que ele não chegou a definir, havia resolvido não se dedicar á pintura aqui na capital, optando por outros tipos de atividades embora não se afastasse da arte, pois durante alguns anos, foi decorador de vitrinas das lojas da Avenida Sete e Relógio de São Pedro.
Já na década de 50, o artista que hoje se encontra casado e, cujos filhos seguem o mesmo caminho, pois dois deles são desenhistas de grandes firmas baianas, resolveu trabalhar com inscrições a fogo em madeira, tendo, em 1958 adquirido o pirógrafo, um aparelho elétrico que facilita maior desenvolvimento na técnica da pirografia.
EXPOSIÇÃO
Os trabalhos de Roque Bramont, conforme ele mesmo diz, têm como principal objetivo mostrar a perfeição da técnica da pirogravura, apesar de também, não se distanciar da evolução da pintura amadorística, que há vários anos, é preocupação da maioria dos artistas baianos. Os seus quadros retratam, geralmente, paisagens, casarões coloniais, interior dos grandes monumentos arquitetônicos, principalmente, velhas fortalezas e conventos, figuras humanas, embarcações marinhas e vistas panorâmicas, com uma preocupação de mostrar, com perfeição o motivo do que está sendo desenhado. Os desenhos, geralmente, são feitos em madeiras de compensado dos mais variados tamanhos, que antes de receberem qualquer figura, é tratada com todo o cuidado pelo artista, que processa a imunização da tábua, para evitar a destruição por parte de cupins e outros insetos.
Cada um dos quadros de Roque Bramont é feito com muito trabalho, chegando ao ponto de levar, até três dias, para concluir a gravação de uma simples nuvem, quando ele está trabalhando, por exemplo, em uma paisagem. Vinte quadros já estão prontos em seu atelier, e espera apresentar, pelo menos, 40 trabalhos na sua primeira exposição, que até agora, ainda não está exatamente definida e vai depender de contatos a serem mantidos com donos de galerias da cidade.
A ideia da exposição, segundo as afirmações do artista, nasceu depois que dois paulistas foram em sua casa e começaram a incentivar, no sentido de mostrar a um público maior a obra que realiza e mesmo, para dar maior divulgação à técnica da pirogravura, muito pouco divulgada aqui em Salvador.
Eu vivia muito desgostoso com a arte, diante de tanta coisa que acontece mas, os meus amigos paulistas, me deram uma injeção de ânimo, então resolvi atendê-los e estou trabalhando para expor os meus trabalhos. Segundo Roque, talvez até o final deste ano, poderá realizar a sua exposição. Tudo vai depender dos contatos que mantiver com as Secretarias da Educação do Estado ou do Município, na tentativa de conseguir o patrocínio necessário para mostrar aos baianos a sua arte realiza.

ENTALHADOR BATISTA 

Autor de uma grande peça de entalhe em madeira trabalhada existente no Salão Nobre do Aeroporto Internacional do Galeão, que tem 23 metros de comprimento. Batista, que foi marchand e ator de cinema e de teatro, entre outras coisas, disse, antes de retornar ao Rio de Janeiro, que a luta do artista brasileiro é muito dura e bastante difícil, sobretudo para que possa atingir o mercado internacional e, conseqüentemente, fazer nome fora do seu país.
Batista que se tornou entalhador acidentalmente, e que a partir de 67 passou a trabalhar junto com sua mulher Mady, que é poetisa e pintora ela é autora de um livro que tem o prefácio de Jorge Amado confessou que nunca teve problemas com a censura pois não faz arte de contestação. "A minha arte e de minha mulher, explicou, tem procurado refletir muito as coisas do Brasil vistas através dos nossos olhos." Disse que a Bahia tem bons artistas, citando, Jenner Augusto, Emanoel Araújo e Caribé.
OLHAR PEÇAS
Depois de ir a Recife, para rever Olinda, sua terra natal o entalhador Batista, que mora no Rio de Janeiro há 35 anos, onde tem um studio, disse que veio a Salvador para olhar as peças entalhes feitos por ele que fazem parte da decoração do Meridien Bahia, o superior e o inferior mede, cada um, 16 metros de comprimento e começam com Gabriela, Cravo e Canela e terminam com Yemanjá. Batista acha que as peças estão crescendo de uma melhor iluminação.
O entalhador Batista já participou de inúmeras exposições no exterior - Paris, Londres, Tel Aviv, Hamburgo, Bonn, Genebra etc, de salões internacionais famosos como os de Washington e Genebra e tem trabalhos em mãos de colecionadores e museus internacionais.

EXPOSIÇÃO PROCURA PÚBLICO JOVEM QUE NÃO SE LIGA NA ARTE

Com propostas inteiramente diferenciadas, seis artistas plásticos estão expondo seus trabalhos, na Lambe-Lambe Galeria de Arte, na Barra Avenida. A coletiva apresenta artistas conhecidos do público com Mário Cravo Neto e Gilson Rodrigues trazendo também novas figuras como José João, Pedro Pituassu e o japonês Wataru, residente nos Estados Unidos. A exposição é uma tentativa de aproximação com o público jovem da Barra, que vive completamente distanciado aos acontecimentos culturais, pois segundo Sérgio Maciel, dono da galeria, a juventude não tem nenhum contato com a arte. As discotecas, curtidas atualmente, não funciona como objetivo de cultura, pois não são dirigidas nesse sentido, através de trabalhos a nível artístico, em uma linguagem que se comunique com a nova geração. A galeria pretende reativar seu funcionamento, inclusive já vem mantendo contato com galerias de outros países, a fim  de criar um intercâmbio entre artistas de fora e daqui.
Paralelamente à exposição coletiva, Wataru, estará mostrando desenhos, onde utiliza uma técnica japonesa, com nanquim e pincel de bambu. Pedro Pituassu considerado primitivo, acha que artista é pra tudo que é natural, pra tudo que é significante e insignificante. Tudo que está dentro e fora.
Mariozinho mostra trabalhos feitos em Nova Iorque, antigos, mas que nunca foram expostos ao público.
Gilson Rodrigues, almofadas impressas. José João vai mostrar seus desenhos e, Antenor Lago, além dos quadros, um objeto, As sandálias do pescador.

ABERTAS INSCRIÇÕES PARA SALÕES DE ARTES PLÁSTICAS

Estão abertas as inscrições para dois importantes salões de artes plásticas a serem realizados no Brasil, ambos com o patrocínio da Funarte: O III Salão Nacional Universitário de Artes Plásticas, a ser promovido em Vitória, no período de 2 a 31 de outubro, que dará 250 mil cruzeiros em prêmios, e o
II Salão Carioca de Arte que ai acontecer entre 2 a 30 de setembro na Galeria Funarte /Rodrigo M.F. de Andrade, no Rio, e distribuirá 120 mil cruzeiros em prêmios. Os dois salões tem objetivos semelhantes: incentivar os novos artistas, abrindo a eles a oportunidade de expor seus trabalhos, tornando-os conhecidos do público e da crítica especializada.
SALÃO UNIVERSITÁRIO
O III Salão Universitário de Artes Plásticas será realizado no campus da Universidade Federal do Espírito Santo, uma das entidades promotoras da mostra, e apresentará obra nas categorias Desenho, Escultura, Fotografia, Gravura, Pintura e Super-8
Podem participar do salão universitários de todo o Brasil, que deverão enviar trabalhos para todas as categorias, desde que sejam três trabalhos para cada uma. No caso de filmes Super-8, as películas deverão ter o tempo máximo de 12 minutos de projeção. Aos três trabalhos vencedores em cada modalidade serão concedidos prêmios no valor de 15 mil cruzeiros para o primeiro colocado, 10 mil para o segundo e 5 mil para o terceiro lugar.
Também serão concedidos o Grande Prêmio Governo do Estado, no valor de 30 mil cruzeiros, para o melhor conjunto de obras; o Prêmio Prefeitura Municipal de Vitória e o Prêmio Universidade Federal do Espírito Santo, ambos no valor de 20 mil cruzeiros, para obras escolhidas.
A Coordenação do Salão enviou fichas de inscrição para todas as universidade federais e particulares do País, fundações culturais e faculdades isoladas. No Rio, as inscrições podem ser feitas nas Universidade federais, na Puc, na Universidade Santa Úrsula, Gama Filho, Escola de Artes Visuais e Escola Nacional de Belas Artes.
As inscrições irão até o dia 15 de setembro.Maiores informações na Coordenação de Artes Plásticas da Sub-reitoria Comunitária Campus Universitário, UFES-Goiabeiras, Vitória, ES Tel. 3227-0187 e 3227-7131.
As inscrições para o II Salão Carioca de Arte estarão abertas até o dia 15 de agosto. O salão um promoção da Funarte.

             ARTE DA PINTORA ISRAELENSE  HEDVA MEGGED

Nascida em Israel, no Kibutz Hulda, Hedva Megged é um daqueles que ela própria denomina de privilegiados: "A tendência e a inclinação à arte é um privilégio. São poucos os escolhidos a serem artistas. Eles se destacam no meio ambiente pela grande sensibilidade."
Hedva Megged já realizou mostras de seus trabalhos em vários países, encontrando sempre a maior receptividade por parte da crítica e dos colecionadores. Aqui em Salvador ela mostrará trinta trabalhos recentes na Galeria de Arte da Associação Cultural Brasil-Estados Unidos, estando a vernissage marcada para as 21:00 horas do dia 11 de agosto, quando será oferecido um coquetel aos presentes.
Desde 1972 Hedva Megged está no Brasil, país que escolheu para residir e dar vazão a seu talento depois de ter estudado no México e retornado a Israel. Sobre ela muito já se tem dito, podendo ser sintetizado no fato de saber compor, desenhar e colocar as cores.
Quando de sua exposição no Museu de Arte de São Paulo, Hedva Megged mereceu do consagrado crítico Jacob Klintowitz a seguinte observação: "Ela optou por se expressar através da pintura e organizou o seu caminho dentro da tradição e do aprendizado progressivo. Por isso quem for conhecer o seu trabalho, não espere por improvisações geniais que independem da História da Arte. O seu caminho passa pelas grandes escolas e pretende ser uma continuação da cultura pictórica ocidental."