sexta-feira, 10 de agosto de 2012

VISUAIS -O FOTÓGRAFO JUAREZ PARAÍSO - 21 DE MARÇO DE 2000


JORNAL A TARDE ,TERÇA-FEIRA , 21 DE MARÇO DE 2000


                                  O FOTÓGRAFO JUAREZ PARAÍSO
É sabido que a fotografia vem exercendo um fascínio entre os artistas plásticos, como uma importante ferramenta para suas criações. Por outro lado, como lembra Juarez Paraíso, os autores da fotografia pictórica no século XIX também almejavam ser  pintores imitando-os, com as composições que faziam para inserir os clientes. Neste século, os fatos mais marcantes têm sido registrados e veiculados nos mais distantes rincões da Terra e, agora , mais ainda, através da reprodução via Internet. A fotografia que fixa aquele momento, que aprisiona aquele instante, imediatamente é escaneada e jogada na tela do computador, ganhando ares universais.
Grandes nomes da fotografia também já figuram na Internet. Inclusive ,  temos um fotógrafo brasileiro, Sebastião Salgado, que tem feito importantes trabalhos, a exemplo do que focou as grandes migrações de populações, ocorridas recentemente. Um fato importante é que a fotografia se popularizou e, agora , só depende do querer fixar algum acontecimento, tendo, naquele instante, uma máquina ou um celular nas mãos. Até a técnica tem contribuído para melhorar a qualidade das fotos, até mesmo as caseiras, porque os novos equipamentos permitem que o autor escolha o melhor ângulo, sem se preocupar com a luz e outros detalhes, que são corrigidos pela máquina.
Conta Juarez Paraíso que as primeiras fotos foram feitas numa Canon e que nunca abriu mão do trabalho de laboratório, como uma extensão da criação, pois permite melhor qualificação e  prolonga a identidade e a autoria da foto. Em 1970, já trabalhava com foto 6 x 6, com uma Rolleiflex , e, depois com uma Hasselblad  500c/M. Realizou fotomontagens, com predominância de técnicas de laboratório, com a impressão de dois ou mais negativos. A partir deste ano, a fotografia dele interage com outras técnicas.
Juarez Paraíso está expondo fotografias na Galeria da Fotografia, recém-inaugurada e exclusivamente dedicada à arte fotográfica. A iniciativa de Fernando Oliveira,  Beto e irmãos vem suprir uma das deficiências de Salvador nessa área. A produção fotográfica de Juarez Paraíso vem desde a década de 1960 e pode ser classificada em fases bem distintas. São fotografias sem nenhum tipo de manipulação, valorizando a composição, o corte, as angulações e os contrastes de cor, de luz e de sombra mais expressivos, a fotomontagem com a superposição de negativos previamente elaborados, a fotomontagem mesclada com desenhos Fotodesign, uma espécie mais sofisticada de fotomontagem, com imagens relacionadas pela justaposição e com designs pré-definidos. Com a Fotodesign, a imagem final é de maior impacto gráfico e todos os contrastes são obtidos com recursos fotográficos.
Finalmente, em 1990, Juarez começa o trabalho com a fotografia digital, dispondo do computador e seus softwares. Vale salientar que, a partir de 1970, Juarez Paraíso incorpora a experiência fotográfica nas experiências de artista plástico, notadamente na xilogravura, litogravura em metal, pintura e desenho. A sua experiência com a fotografia estende-se, também, a outras áreas, tendo sido membro do júri, por várias oportunidades, de mostras e salões de fotografia, desde 1968, quando fez parte do 1º Salão Baiano de Fotografia Contemporânea, juntamente com Walter da Silveira, Silvio Robatto, Leão Rozemberg e Carlos Alberto Gaudenzi ( Kabá). Já escreveu vários ensaios sobre fotografia e organizou várias mostras, como a de Fernando Goldgaber, na Galeria Convivium, em 1966, uma das primeiras individuais de fotografia em Salvador. Organizou também os quatro Salões Nacionais de Fotografia, promovidos pela Escola de Belas Artes , no período de 1992 a 1995.