domingo, 12 de agosto de 2012

VISUAIS - RAÍZES DA ALMA DE MANOEL BONFIM - 12 DE NOVEMBRO DE - 2002


JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 12 DE NOVEMBRO DE 2002


                    RAÍZES DA ALMA DE MANOEL BONFIM

 O escultor Manoel Bonfim – um dos mais significativos representantes da arte baiana ligada às influências afros – está comemorando 50 anos de arte. O artista já fez monumentos em praças públicas e é o escultor da Iemanjá que todos os anos arrasta multidões para a Casa do Peso no Rio Vermelho. Ele faz questão de dizer que toda esta trajetória de vida deve ao Mestre Mendonça Filho, “que é o meu pai em tudo que sei hoje”. Também fala do professor Adolf Buck, da Escola de Belas Artes da Ufba, que ensinava modelagem. A mostra está na Galeria do Solar do Ferrão, no Pelourinho, a partir de amanhã, às 19 horas. Bonfim é um baiano de alma pura, alegre, bonachão, que abraça as pessoas com carinho natural, que hoje está cada vez mais raro. A simplicidade das palavras que ele coloca no convite desta exposição é um retrato de sua alma.
Reprodução da escultura que ilustra o catálogo da exposição de Manoel Bonfim.
Dá, ainda, uma demonstração de gratidão, coisa também muito rara, porque, no mundo de hoje, a criatura ( o ajudado) sempre está esquecendo ou magoando quem lhe deu a mão. Aguinaldo Silva, mestre Didi e Manoel Bonfim representam uma arte diretamente ligada aos preceitos do candomblé.

                                                   AS FEIRAS LIVRES

A quarta mostra individual do artista plástico Armando Seixas terminou ontem, no Museu da Cidade ( Largo do Pelourinho). Desta vez, Armando buscou inspiração nas feiras livres de São Joaquim, São Felipe, Monte Gordo e Rio de Contas, onde captou elementos típicos de aglomerações populares. “As feiras são locais de liberdade, e isso me fascina muito”, explicou o artista, que gosta de retratar cenas do cotidiano das pessoas. Usando cores fortes, Armando mostra com singularidade miríades de formas, cores e expressões humanas de rara beleza - o vaivém das pessoas, a abordagem do freguês pelos vendedores de frutas, a farinha e o dendê, óleo que dá um gosto e coloração peculiar à culinária baiana. Nas mais de 20 telas em acrílico que integraram a exposição Pinturas, o artista reafirma o seu trabalho figurativo, explorando outros temas, como marinha – que têm nas praias de Imbassaí e Mangue Seco as fontes de inspiração -, casarios e paisagens. Baiano de Salvador, Armando Seixas enveredou nas artes plásticas em 1983, na Panorama Galeria de Arte. Já participou de mais de uma dezena de coletivas e realizou três individuais: Minitelas (1998), Paisagens e Marinhas, Por Que Não? (1999) e Marinhas (2000).

                                                    EXPOSIÇÃO E LEILÃO

Obras de pintores brasileiros de diversas escolas e estilos integram a exposição e segunda edição do leilão da Roberto Alban Galeria de Arte. São 150 trabalhos de renomados artistas, entre eles, Di Cavalvanti , Portinari, Pancetti, Caribé, Djanira, Antônio Parreiras, Alberto Valença, Presciliano Silva, Siron Franco, Georgina de Albuquerque, Iberê Camargo, Floriano Teixeira e Mendonça Filho. As obras ficam em exposição de 21 a 24 deste mês, na Galeria Bahia Design Center ,Av. Contorno e serão leiloadas no dia 25, às 21 horas, no Bahia Othon Palace Hotel ,Ondina).
O evento volta acontecer depois da edição do ano passado, quando atraiu colecionadores e marchands do País inteiro, conquistando porta nacional já na estréia. Com a segunda edição, como analisa Roberto Alban, o leilão dá um passo seguro para entrar definitivamente na agenda das artes plásticas na Bahia. “Alcançamos porte  e respaldo nacional, o que nos estimula a fixar uma data no calendário anual ”, acredita o galerista e organizador do evento. “O leilão é a melhor forma de movimentar o mercado e possibilitar que surjam obras de qualidade, que muitas vezes não chegam às galerias. Em tempos de crise, é também uma oportunidade singular de negócios”, receita.