domingo, 12 de agosto de 2012

VISUAIS - LUIZ FERRAZ - 22 DE OUTUBRO DE - 2002

JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 22 DE OUTUBRO DE 2002

                       LUIZ FERRAZ PRESENÇA DA FLORESTA


O pintor amazonense Luiz Ferraz, radicado atualmente em Mônaco, está realizando mais uma exposição, desta vez, numa galeria daquela cidade. Ele trabalha na Societé dês Bains de Mer, naquele principado. Antes, era diretor financeiro da cadeia de hotéis Meridien para a Europa e dividia esta atividade com a arte, sua paixão maior. Nascido em Manaus, em 1942, e há alguns anos residindo no exterior, o artista nunca perdeu o contato com sua terra e com a floresta, tão cobiçada por sua diversidade. Muitas de suas telas, embora abstratas, trazem elementos da floresta, com o azul das águas contrastando com o verde das matas. Também as queimadas, que tantos malefícios têm causado a esta grande riqueza tropical, considerada a maior reserva vegetal do planeta, além dos estragos que os rios, especialmente o Amazonas, causam, arrastando diariamente toneladas de areia, milhares de árvores, aumentando sua largura. Árvores imensas vagam nas correntezas, rumo ao oceano. Este movimento das águas é impossível de ser evitado, mas podemos combater as queimadas e a retirada indiscriminada de madeira, evitando a destruição desenfreada da floresta. O artista Luiz Ferraz preocupa-se com este quadro atual do Amazonas, e suas telas refletem isso, poeticamente, através das imagens abstratas. As cores fortes e vivas que ele utiliza são reflexos da vivência, obtida nas inúmeras viagens que realizou quando diretor do grupo Meridien. Sabemos que a criação é quase sempre um ato solitário. Pintar é uma necessidade intrínseca para muitos artistas. Vemos que, embora envolvido, por vários anos, com cálculos matemáticos, sistema financeiro, Ferraz não perdeu a sensibilidade e não abdicou da criatividade. Agora, livre dos números e trabalhando em outro setor, ele terá mais tempo de dedicar-se à arte.
Reprodução da foto do pintor amazonense Luiz Ferraz
                                           
                       AS FACES DA LOUCURA

A arte vem sendo, cada vez mais, utilizada como ferramenta para ajudar no tratamento de várias doenças e como terapia para pessoas portadoras de muitos tipos de deficiência. Visões do mundo a partir do universo da loucura integraram a exposição  Máscaras, promovida pela Casa de Saúde Santa Mônica, em parceria com o Shopping Piedade, reunindo trabalhos dos internos  do setor de terapia ocupacional. Todas as obras são um registro documental e artístico de como um espaço dedicado a um tipo de terapia alternativa, a arte-terapia, pode ajudar doentes psiquiátricos a exprimir seus dramas e sofrimento, a partir de símbolos do inconsciente. As máscaras são confeccionadas através da técnica papel-machê. Segundo a terapeuta ocupacional que orientou os trabalhos, Helena Pataro Chagas de Oliveira, a arte é um poderoso veículo de comunicação para os doentes mentais. “Expressar esses sentimentos não verbalizados tem efeito terapêutico sobre o paciente. Os trabalhos, além de ser um importante recurso de tratamento, resultaram em obras repletas de significados e que mostram um universo rico de muitas vivências”, afirma. O tratamento de loucos, a partir da expressão criativa e do contato afetivo do Brasil,começou a desenvolver-se com a psiquiatra alagoana Nise da Silveira, que, em 1946, fundou a Seção de Terapêutica Ocupacional no antigo Centro Psiquiátrico Nacional.
Na foto máscaras feitas por pacientes de hospital psiquiátrico.