terça-feira, 2 de julho de 2013

ILSE INFLUENCIADA PELA ARTE ETÍOPE

JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SÁBADO, 13 DE SETEMBRO DE 1975

Obra de Ilse com influência da arte tradicional etíope
 Vivendo inicialmente de restaurar imagens e outros objetos antigos Ilse acostumou-se com as expressões místicas nas igrejas da Alemanha. Uma tendência natural em desenhar e pintar arrastava, esta alemã-baiana, a visitar os museus de Humburgo e o atelier de um pintor que residia nas proximidades de sua casa. Lá num ambiente de criação e total liberdade, a jovem Ilse começou a esboçar e pintar seus primeiros trabalhos, os quais perderam-se com o tempo.
Quando Hansen esteve na Alemanha encontrou-se com Ilse e ensinou-lhe a xilogravura. No ano de 1963, seguiram para a Etíopia convite de Selassié para ensinar xilogravura na Escola de Belas Artes, em Adis Abeba. Lá , Ilse ajudava Hansen a ministrar as aulas traduzindo os ensinamentos do gravador aos alunos etíopes. Ao mesmo tempo fazia trabalhos na madeira em baixo relevo.Continuou trabalhando até que resolveu partir para a pintura, um trabalho mais leve,que não exige muito esforço físico.
Sua pintura lembra os trabalhos de Raimundo Oliveira.Ambos inspirados na arte tradicional da Etiópia que é feita nos conventos, pelos monges  que saem pelas ruas vendendo aos turistas. Uma diferença é que Ilse usa temas do Velho Testamento, enquanto Raimundo Oliveira usava como tema o Novo Testamento.Porém, não existe qualquer imitação proposital, porque Ilse já realizava seu trabalho na Etiópia e nunca tinha ouvido falar em Raimundo Oliveira e tampouco tivera a oportunidade de ver um trabalho deste artista , o que aconteceu quando chegou a Salvador em companhia de Hansen.
Sua pintura tem uma característica que é o uso de folhas de ouro dando uma maior beleza e lembrando pinturas antigas. As caras largas e os olhos grandes dos monges pintados por Ilse chamam logo a atenção.Todas as figuras apresentam um semblante místico como que estão contemplando o mundo conturbado que nos cerca.
Ilse quase não faz exposições porque trabalha relativamente pouco sem a preocupação de uma profissionalização imediata dos seus trabalhos, embora estejam bem cotados no mercado de arte baiano.
Conta Ilse que tudo que aprendeu deve a Hansen, a arte tradicional Etíope e  aos museus da Europa e do Oriente principalmente  onde viu as mais famosas obras de arte do mundo. Conta Ilse que na Etíopia as mulheres não têm acesso a alguns templos, somente as virgens, e os homens desfrutam deste direito. Daí ela resolveu vestir-se de homem para penetrar no templo.Arranjou paletó, gravata,calça e para completar um imenso chapéu.Ao chegar na porta do templo foi barrada por um monge que notou alguma coisa saliente em seu tórax. Porém, devido a interferência do Diretor da Escola de Belas Artes, onde Hansen lecionava, ela conseguiu visitar alguns templos em horários previamente estabelecidos. Conta este fato para mostrar o seu interesse  em conhecer de perto tudo que diz respeito a arte da Etiópia, principalmente em seus conventos e templos, onde é abundante a presença da arte tradicional daquele país.

             MUSEUS AMERICANOS ONDE SE APRENDE

A galeria central do Exploration Museum

Os museus norte-americanos estão se tornando, a arte e as ciências se transformam em algo de fácil assimilação. No gigantesco Exploratorium, de San Francisco, os visitantes deliciam-se com exposições que procuram romper as barreiras que separam as pessoas da ciência. Quase todas as 300 peças do museu foram confeccionadas para funcionar somente se houver uma interação com o visitante. Os jovens são convidados a participar de uma experiência de audição com um estereoscópico, que serve para provar a necessidade de ambos os ouvidos para se localizar a procedência dos sons. Em outra parte do museu, os visitantes observam uma corrente de ar que mantém uma bola em suspenso, numa demonstração de princípio do vôo do aeroplano.
Um outro grupo experimenta a vertiginosa sensação de ouvir vozes gravadas e reproduzidas com o atraso de um oitavo de segundo, transformando os sons em ruídos ininteligíveis.
As mostras do Exploratorium são divertidas e muitas vezes assumem a forma de quebra-cabeças ou mesmo jogos, mas seu verdadeiro objetivo é auxiliar crianças e adultos a descobrirem que a ciência pode ser tão divertida como educativa. O novo enfoque transforma os remotos e difíceis princípios da Física e da Química em elementos de fácil compreensão.

EM WASHINGTON

Museu de História Natural, em Wasghinton
Dois acréscimos extremamente populares foram incorporados à Instituição Smithsoniana, em Washington: O Salão de Descobertas, no Museu de História Natural e o Salão de Exploração, na Coleção Nacional de Belas Artes.O Salão de Descobertas permite aos visitantes manusearem uma presa  de elefante ou colocarem os dedos dentro da boca de um crocodilo mumificado.
No Salão de Exploração, o visitante é induzido a envolver-se com a arte. Exposições delicadas, embora não possam ser tocadas, são colocadas numa altura acessível às crianças. Uma galeria de máscaras, pinturas e retratos parece sempre fascinar seus pequenos descobridores. Há uma noção de movimento, luz, forma e cor e o contato mais íntimo das crianças com as pinturas e esculturas imprime um novo significado a realidade da arte.

EM NOVA YORK

No Museu Metropolitano de Nova Yorque os visitantes podem examinar uma variedade de objetos tais como um cravo do século XVII ou uma flauta antiga, enquanto ouvem por meio de fones individuais a música que produzem.
Em Boston, Massachusents, os diretores do Museu de Ciências também dispensam ênfase ao envolvimento e participação do visitante.
Estudantes universitários muitas vezes passam pelo museu para resolverem seus problemas de Matemática com o auxílio de um calculador eletrônico especial, que se encontra exposto, mas também à disposição dos visitantes que desejarem saber como funciona.
Já o Museu Artrain (Trem a composição ferroviária, o de Arte), tendo como sede , o Museu percorre todos os Estados Unidos levando a arte até o povo. Foi criado pelo Conselho Artístico de Michigan, com uma dotação da Fundação Norte-Americana para as Artes, a composição de seis carros apresenta trabalhos artísticos autênticos de vários períodos da História, inclusive uma armadura antiga, fotografias contemporâneas da natureza,  e arte típica do oeste Norte-americanos.
A maioria dos museus norte-americanos ainda é regida pelas palavras pede-se não tocar, mas um número cada vez maior vem reconhecendo a necessidade básica a todo ser humano de aprender e explorar o mundo em que vive pela investigação e descoberta próprias. Os do Brasil nem se fala, principalmente os da Bahia, que funcionam como verdadeiros depósitos de arte. Lá são guardadas as obras que ficam a mercê dos cupins, da poeira e principalmente do desleixo.Raramente vemos uma exposição, uma promoção de expositores nesses museus.Todos possuem seus diretores, mas estão ocupados com outros negócios.

           BEL BORBA NA GALERIA CAÑIZARES

Ele começou a lidar com as tintas muito cedo. Hoje, com apenas 19 anos de idade Bel Borba conseguiu mostrar ao público baiano alunos trabalhos de nível, todos simbolizando os conflitos internos e externos que atormentam o homem moderno. Ele faz entalhes, desenhos e principalmente pintura sobre eucatex utilizando o spray. Seus trabalhos estão na Galeria Cañizares.

             TAPEÇARIAS COLORIDAS. SÓ !

Duas exposições de tapetes estão sendo realizadas esta semana: uma do Museu do Carmo, do artista Juarez Maranhão, a qual permanecerá até o próximo dia 18, e outra, do artista Eduardo de Carvalho, no Museu do Unhão.
Ambos dominam com certa propriedade os pontos e as cores, mas certamente não apresentam nada de novo. São simplesmente tapetes decorativos para serem colocados em amplas e abastadas salas.
O tapeceiro Juarez Maranhão mostra vários trabalhos inspirados na fauna e flora marítimas. Assim, peixinhos despretenciosos desfilam coloridos.  Nem mesmo a presença de cavalos-marinhos transportaram o artista para pontos mais aprazíveis, que lhe inspirassem melhor. Quanto às estrelinhas do mar, não brilharam como deviam.
O Sr. Eduardo de Carvalho mostra alguns tapetes utilizando a surrada temática de orixás, barquinhos e coisas deste tipo.