sábado, 6 de julho de 2013

LEONARDO EXPÕE SUAS XILOS EM CURITIBA

JORNAL A TARDE, SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA, 27 DE MARÇO DE 1989

O artista Leonardo Alencar está expondo na Casa da Gravura no Solar do Barão, em Curitiba, uma série de xilos baseadas no poema Navio Negreiro, de Castro Alves. O artista foi convidado pela Fundação Cultural de Curitiba, após participar do Salão de Gravura.
Leonardo captou a essência
do poema
O poema épico Navio Negreiro, de
Castro Alves ,inspirou Leonardo
Sua exposição ficará aberta até o dia 9 de abril. Também participam mais três artistas do Sul do País, e, no próximo ano, Leonardo estará expondo novamente em Salvador, no mês de junho, na Galeria Época, comemorando seus 30 anos de arte com várias xilogravuras, desenhos de grandes dimensões e pinturas em mostra simultânea com a que será montada com outros trabalhos do artista na Galeria Krieger, em Curitiba, no Paraná.

          RETROSPECTIVA DE ANDY WARHOL

Nova Iorque (UPI)- A primeira grande retrospectiva de Andy Warhol desde a sua morte, há dois anos, foi inaugurada no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, e exalta mais  a importância do artista como historiador visual do que a imagem de um extraordinário gênio criativo.
Andy ainda jovem
Na opinião do historiador Robert Rosenblum, que ajudou a elaborar o catálogo da exposição (Bulfinchi-Little, Brown, 35 dólares, "a arte de Andy Warhol é tão instantânea quanto um noticiário de televisão."
Nada marca mais os anos de 1962 a 1987 do que a gigantesca mostra do gênio da pintura pop. Os historiadores e arqueólogos do futuro terão uma visão mais abrangente desta época para estudar do que qualquer outra oferecida por outro artista.
A exibição apresenta uma antologia pictórica de rostos célebres, desde Marilyn Monroe a Mao Tse-Tung, manchete de jornais, o assassinato do presidente Kennedy, distúrbios raciais, produtos comerciais com ênfase nos alimentos, publicidade, moedas, recortes de esportes e quadrinhos, os quais Warhol transformou na imagem típica norte-americana.
Também reflete sua particular preocupação com as penas capitais, o aumento da violência, a vulgarização da religião e a falta de moralidade. Entre a variedade de trabalhos de Warhol, nenhum se iguala a poderosa pintura de 1978, que mostra um crânio sobre um dos ombros do artista.
Autoretrato de Warhol
Warhol, uma pessoa muito complexa, deixou seu maior legado à arte contemporânea, rejeitando suas próprias preocupações e a direção interna do expressionismo abstrato que dominou o mercado de arte na década de 60. Sua lealdade à arte figurada foi considerada excêntrica para uma pessoa tão entusiasta quanto Warhol. A preferência de Warhol por objetos pop do dia a dia influenciaram os trabalhos de Jasper Johns, Robert Rauschenberg e de alguns outros artistas do pós-guerra, mas também houve uma certa procura pelos primeiros desenhos de moda comercial feitos por ele.
Esta exposição começa por algumas de suas obras comerciais da década de 50, incluindo uma vitrina da loja Bonwit Teller. Warhol mudou um pouco a maneira de vermos o mundo á nossa volta, comentou Kynaston McShin, que dirige a mostra. Também teve a inata habilidade de escolher as imagens certas, e que hoje em dia ainda são de grandes ressonâncias: grandes furos de jornais e revistas ou descobertas fotográficas. São imagens simples que, ao encontrarem seu caminho de destaque, tornaram-se imortais e signos potentes.
Para provar que o artista merece mais do que os 15 minutos proverbiais de celebridades, o Museu de Arte Moderna expôs mais de 300 trabalhos, pinturas, desenhos e fotografias e 12 vídeos sobre Nova Iorque e outros museus com obras de Warhol, além de algumas coleções particulares de nove países.
O dirigente chinês Mao Tse-Tung
A exibição poderá ser vista até o dia 2 de maio, depois seguirá para instituto de Arte de Chicago, e outras quatro cidades da Europa.
Espera-se uma grande afluência de público ao museu para apreciar as obras de Warhol, mas não será cobrado nenhum ingresso especial para assistir à exibição. O ingresso normal para visitar o Museu (US$6) dá direito a sala onde estão expostos os trabalhos de Warhol, que ocupam dois andares.
Existe uma variedade de exemplos de imagens bidimensionais na exibição-32 variedades de latas de sopa da marca Campbell desde a de camarão até a de carne, 192 notas de um dólar, 36 retratos da colecionador Ethel Scull e 16 de Jackie Onassis e 30 reproduções da Mona Lisa cujo título é Thirty is Better Than One.
Ele também tentou múltiplas imagens tridimensionais mediante a reprodução de caixas de embarque dos produtos Brillo e Del Monte, Heinz e Campbell, numa réplica de madeira.
Há uma infinidade de esboços em tinta, lápis e crayon, incluindo um grande estudo de um barco de lixo, que foram realizados em carvão e que mostram seu extraordinário talento. Um dos poucos trabalhos de grande impacto foi feito em 1962, que mostra um maço de notas de um dólar atados com uma fita cor-de-rosa, deixando claro o interesse de Warhol pelo dinheiro, e o que mais tarde se traduziria - em sua fortuna cerca de 50 milhões de dólares.
Uma parte da retrospectiva  foi dedicada a década de 1963-1972, durante o qual o artista se concentrou na produção de filmes; mas a década de 70 está fracamente representada.
Na década dos anos80, uma fase pouco conhecida, voltou ás imagens de serigrafia cobertas por desenhos de camuflagem militar e outros trabalhos de mestres como Edvard Munch, Giorgio de Chirico e Rafael.
As expressões de sua religiosidade anteriores á sua morte retrataram a sua preocupação com o consumismo e a degradação dos aspectos, algumas vezes sagrados, de sua vida.

              O MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA

São Paulo já conta com mais um centro cultural. No dia 18 de março passado, foi inaugurado junto á estação Barra Funda do metrô, o Memorial da América Latina, pelo governador do estado de São Paulo, Orestes Quércia, em presença de muitos convidados.
Uma foto na entrada do Memorial da América Latina,obra de Niemeyer
Segundo o arquiteto Oscar Niemeyer, responsável pelo projeto arquitetônico, o memorial da América Latina representa um ato de fé e solidariedade continental. Um gesto de grandeza e aproximação, um apelo a essa unidade política que nela há muito deveria estar estabelecida.
A primeira preocupação de Niemeyer foi a de inserir suas idéias acima mencionadas na arquitetura da obra, no arrojo de suas estruturas, concomitantemente ousadas e simples, onde predominam o apuro técnico e a forma inovadora na sua plástica.
Clara, simples e diferente, o Memorial da América Latina apresenta arquitetura reduzida a dois ou três elementos, com vigas de 90 a 60m, que sustentam as placas curvas pré-fabricadas. Para Niemeyer é a procura da beleza nas suas superfícies curvas e sensuais, nas espessuras de suas lages e apoio.
O professor e antropólogo Darcy Ribeiro, responsável pelo projeto cultural da obra, afirma que é necessário que se promova uma integração da cultura latino-americana no Brasil, em São Paulo, a fim de que ela torne mais abrangente o universo de referência e de informações da nossa juventude, tornando-se capaz de fazer suas opções culturais mais conscientemente, mais dentro da realidade em que se vive.
Para tentar aproximar os 400 milhões de vizinhos do continente, que há cerca de 500 anos mal se falam, 20 mil metros cúbicos de concreto e 2.200 toneladas de aço foram usadas nos 20 mil metros quadrados de área construída, que compõe os diversos blocos do memorial, localizado num terreno de 78 mil metros quadrados, na Barra Funda, bairro central de São Paulo.
Pela primeira vez o Brasil toma a iniciativa de promover em grande escala, um projeto de aproximação continental que contará com uma Praça Cívica, a Biblioteca das Américas, um auditório, um pavilhão de criatividade para exposição de artesanato latino americano e o Salão de Atos que conta com painéis dos povos indígenas, afros, dos iberos, dos imigrantes, dos libertadores e dos edificadores.
O Memorial, na palavra de seus criadores é uma proposta muito ambiciosa, com traços de grande ousadia; na verdade um gigantesco centro de difusão cultural.