sábado, 6 de julho de 2013

LEONARDO ALENCAR EM LONDRES

JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SÁBADO, 29 DE NOVEMBRO DE 1975

Cavalos, óleo sobre tela de Leonardo 
Uma exposição permanente está sendo realizada em Londres no restaurante Paulus, de Paulo Ritori, em Greyhound Road, composta de 25 grandes telas a óleo, as quais foram executadas em Londres, Paris e Salvador. O encarregado da montagem da exposição foi o tapeceiro paulista Gilberto Pereira, que atualmente está residindo na capital da Inglaterra. Os contatos para a concretização da mostra foram feitos pelo escritor Antônio Olinto, o mesmo que escreveu o romance Copacabana, no qual Leonardo Alencar figura como um dos principais personagens.
Esta exposição de Leonardo Alencar em Londres representa o início de uma longa caminhada que o artista fará em várias galerias européias, localizadas nas cidades de Viena, Hamburgo, Frankfurt e Roma.
Por outro lado, Leonardo Alencar está preparando trabalhos para três exposições que fará no Brasil a saber: Hotel Beira Mar, Galeria Cavalete e na Galeria Alfaia em Porto Alegre.
Além disso, Leonardo trabalha em três séries de gravuras intituladas: Os Cavalos, Canto do Mar e Lago das Garças. A fauna e a flora brasileiras exercem uma grande influência no trabalho de Leonardo Alencar.
Um homem que vive intimamente ligado a seu trabalho, recolhido em seu atelier, pintando e criando sem parar.

              A GRANDE FESTA DO MAM-RIO

O Pintor e Seu Modelo Em Uma  Paisagem,
obra de Pablo  de PicasSo
Em comemoração ao cinqüentenário de O Globo, está sendo realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, uma exposição de trinta e uma obras dos mais famosos pintores. Ela apresenta oito quadros de Chagall, cinco de Utrillo, dois de Paul Klee, dois de Magrítte, dois de Miró, dois de Ernst, um de Tanguy, um de Dali e um de Vieira da Silva.
Quase todos ligados à Escola de Paris. A exposição foi organizada pelas Galerias Daniel Malingue, de Paris, e Davlyn, de Nova Iorque. São trabalhos recolhidos dos acervos destas galerias e de coleções particulares.
Esta mostra seguirá depois para São Paulo e não está afastada a hipótese de vir também para Salvador.São 31 trabalhos, sendo 26 óleos, dois guaches e três aquarelas de porte médio ou grande, de doze artistas que estão definitivamente entre os mais importantes deste século.
Todas as obras estão no Brasil pela primeira vez e são as seguintes: De Chagall: O Inverno, Natal, A Farândola de Verão, O Buquê de Flores dos Amantes, A Vida Na Aldeia, Os Girassóis, Buquê de Lírios, A Família e O Buquê do Palhaço.
As obras de Utrillo são: Sagrado Coração de Montmartre, Festa de Vaugirard, A Rua dos Peixeiros, Cenas de Rua e A Igreja e Os Correios de Ecouen.
Picasso está representado por três trabalhos: Copo, Jornal, Pacote de Fumo; O Pintor e Seu Modelo Em Uma Paisagem; e Nu Sentado. Os quadros de Léger são: Baralho de Cartas e A Bailarina.
Os demais são: A Cidade ,de Vieira da Silva; Obras Dispersas e Tema Livre, de Kandinsk; Nômade e Acima e Abaixo, de Klee; A Orquestra Vermelha, de Dali; O Percursor e Os Órgãos da Noite, de Magritte; Composição e O Despertar da Estrela Amor, de Miró; Dois Personagens e Flores-Conchas, de Max Ernst, e o O Alfabeto do Vento, de Tanguy.

                    QUARTO SALÃO NA PANORAMA

Foi inaugurado ontem, às 21 horas, o Quarto Salão Novos da Panorama, na Panorama Galeria de Arte, na Barra. A exposição permanecerá até o próximo dia 3 de dezembro e conta com a participação de: Aloysio Henrique Lima Petitinga, Ana Tereza Lessa Santos, Celina Fernandes das Neves, Cláudia Goldentein, Dóris Robatto, Edmmaria Alves de Souza, Edson Alves de Souza, Edson Batista Ramos, Elza Maria T. Maltez, Haydée Borges dos Reis Ferreira, Inalda Peixoto de Castro Santos, Janete Costa Fernandes, Magali Lúcia Athayde Souto, Maria José Rodrigues Moreira, Maria Marta Ferreira de Moura Bastos, Miriam Elisabeth Malagoni, Noêmia Lamberri Mainart Moura, Roselia Ferreira de Campos Barbosa, Waldeth Garcez Moura, Maldo Robatto Filho, Wanda Barros de Oliveira, Zyldete Silva Machado e Eider Barbosa de Pereira Cardoso.
Como podemos observar são novos e futuros artistas que começam a palmilhar os caminhos da arte. registro nesta coluna o nome de cada um, como um estímulo a seu trabalho, na esperança que se libertem das lições que lhes foram dadas por seus mestres e partam para uma criação acima de tudo espontânea. É certo que alguns dos trabalhos são meras cópias e outros não apresentam uma individualidade ou mesmo uma técnica que permita destacá-los pela qualidade. Mas, devemos compreender que estão iniciando e que não estão visando uma profissionalização imediata.

          RETRATOS DE VALTER VIEIRA DE ARAÚJO

A máquina fotográfica é a maior inimiga do artista que se dedica a fazer retratos. Ela é capaz de captar e levar ao papel brilhante os mínimos detalhes que às vezes são cruéis para as pessoas mais idosas. Isto porque a máquina fotográfica apresenta uma imagem do real. Mas ao retratista, os truques e a manipulação do pincel podem transformar pessoas feias em lindas criaturas, idosas em jovens madames. O artista trabalha com o objetivo de captar acima de tudo os traços que venham a agradar o retratado. Assim os retratos saem bonitos devido a capacidade criativa e mesmo transformadora. Podemos observar o que afirmo nos retratos expostos no saguão do Clube Baiano de Tênis onde 100 criaturas, homens, mulheres e crianças aparecem como que iluminados por um ar jovial e a irradiar beleza.
Conheço o Valter há algum tempo e sei de sua capacidade criativa. Sei que ele é capaz de fazer coisas que a máquina fotográfica não seria. Muitos Consideram o retrato uma arte menor. Eu não. Acho que o retrato também tem seu lugar no panorama das artes plásticas e uma prova é que não podemos deixar de lembrar que os grandes artistas pintaram retratos. Ainda outros continuam fazendo seus auto-retratos e retratos daquelas pessoas mais caras, daquelas pessoas inesquecíveis , sejam parentes, amigos ou amantes.

                    BAIANO NAS PORTAS DO CARMO

Liberdade, obra de Vivaldo Ramos
Há vários anos residindo na Guanabara, o baiano Vivaldo Ramos exporá pela primeira vez em Salvador, no próximo dia 5 de dezembro. Nascido nesta capital, Vivaldo transferiu-se para o Rio, onde, sozinho, vem desenvolvendo seu trabalho pictórico. Começou a expor em 1970, portanto já maduro, com 59 anos de idade.
Sua primeira mostra foi no Salão dos Anônimos, na Galeria Gead, onde obteve o quarto lugar. Daí em diante foram realizadas sucessivas exposições sempre conseguindo aplausos da crítica.
A tela Nossa Senhora do Rosário
Agora, Vivaldo retorna à Bahia com sua pintura primitiva, rica em elementos cromáticos e uma temática forte que é equilibrada pelos tons utilizados. Não é mais um primitivo que surge no cenário das artes plásticas, mas acima de tudo um artista consciente, que busca manter-se alheio ao que está acontecendo em sua volta, isto é alheio a tudo aquilo que venha desviar o caminho de sua pintura ingênua O que ele faz é como que instintivo, e o resultado é este que os baianos terão oportunidade de observar, a partir do dia 5 próximo.
Vivaldo ramos saiu de Salvador há alguns anos, mas levou consigo a magia da Bahia. Na tela Nossa Senhora do Rosário notamos um perfeito entrosamento do homem com uma temática ligada a terra. A conotação da religiosidade, que é constante nos trabalhos de Vivaldo mostra, que ele está ligado as suas raízes.
Outra tela que me chamou a atenção foi Liberdade. Em vez da pombinha frágil com um raminho de oliveira preso ao bico, Vivaldo aproveita uma pomba forte e de cor amarela. Ela está por cima das casas e da relva observando do alto tudo que está ocorrendo embaixo.