domingo, 12 de agosto de 2012

VISUAIS - O RESGATE DE RÔMULO SERRANO - 26 DE MARÇO DE - 2002


JORNAL A TARDE, SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 26 DE MARÇO DE 2002

                                    RESGATE DE RÔMULO SERRANO


Às vésperas de receber uma justa homenagem com uma bela exposição composta de 44 de suas obras, na Galeria Prova do Artista, Rômulo Serrano não resistiu a uma cirurgia a que foi submetido e faleceu no último dia 18. Muitos bons artistas ficam durante anos esquecidos do público e fora da mídia. A culpa muitas vezes é da própria mídia, que se acomoda, e também do artista, que se recolhe ao atelier e não faz coisa alguma para que a obra seja vista e reconhecida. Um exemplo é este artista carioca que residia em Salvador. O saudoso professor Clarival do Prado Valadares o saudou como “um pintou cheio de vocação e talento”. Ele nasceu em 1923, no Rio de Janeiro, iniciou a carreira artística em 1950 e fixou residência em Salvador. Trabalhou durante muitos anos como bancário, a ponto de o escritor Vasconcellos Maia, já falecido, escrever que ele “perdia tempo atrás de uma prosaica e incolor e intelectualmente improdutiva carteira de banco”. Os que o conheceram de perto afirmam que ele sempre trabalhou com pintura, por uma necessidade visceral, e que pouco lhe interessava a busca do sucesso. Talvez aí esteja a explicação de ser um artista conhecido por poucos. Ao longo de sua trajetória como artista plástico, Rômulo participou de algumas coletivas, tanto no Brasil quanto no exterior. Porém, conforme salientou Jorge Amado em 1965, “num ambiente onde cada vez mais a promoção e mesmo a vigarice são os degraus do êxito ruidoso, quando alguns, mal tomado dos pincéis, já se anunciam gênios, Rômulo, com sua pintura séria e trabalhada, é uma exceção que chega a parecer estranha, tal o silêncio com que realiza sua obra, tal a medida de sua timidez ante a máquina do sucesso e do efeito fácil”.
Em 1958, expôs no Belvedere da Sé, ao lado do contemporâneo e sergipano José de Dome. Tenho aliás, uma lembrança muito carinhosa de José de Dome. Estava em Curitiba, participando de um congresso de jornalistas quando encontrei o Zé no lobby do Hotel. Aproximei-me e comecei a conversar com ele, quando expressei minha satisfação em conhecê-lo. À noite, ao chegar na portaria, para pegar a chave do apartamento, lá estava uma pequena aquarela, com uma dedicatória, que guardo até hoje.
Participou, em 1968, da I Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia, realizada em Salvador, com intensa percussão nacional. Nesse mesmo ano, levou as pinturas para Los Angeles, nos Estados Unidos. Em outubro de 1984, na Época Galeria de Arte, em Salvador, Rômulo apresentou ao público 25 telas pintadas na região do Jiquiriçá, na Bahia, nas quais se observam paisagens interpretadas com extrema personalidade.
Reprodução da foto do artista Rômulo Serrano ao lado de Miriam Cerqueira , na saudosa Galeria Época.

                                           ARTISTAS MULHERES

Os shoppings de bairro têm buscado uma integração cada vez maior com os moradores das áreas que cercam esses equipamentos de compras e lazer. Um centro de compras completo, num bairro de grande concentração de público, o Cabula Máster Shopping tem oferecido aos seus clientes momentos de lazer e cultura, fazendo promoções e incentivando a arte em geral. Todas às sextas, o shopping apresenta a dupla Giane Carlos, com música ao vivo de excelente qualidade. Aos sábados, novos talentos têm a oportunidade de mostrar que a Bahia é um celeiro de bons artistas. O espaço cultural do cabula Máster está apresentando a lª Mostra de Artistas Mulheres, uma exposição que vai mostrar a mulher que faz arte com muita criatividade, com trabalhos de Ada Brito, Neusa Colares, Anna Georgina, Carlota Cunha, Graça Pizani, Yrani Calheiros, Lygia Milton, Ângela Couto, Miriam Belo, Luciene Andrade, Olga Lopes, Angélica Monteiro, Rose Marie Bock, Vera Conceição e Rosa Rocha.

                                   PINTURAS RARAS

Cerca, de 12 pinturas de grande valor histórico e artístico, algumas delas do século XVII, compõem a Primeira Mostra de Obras Restauradas que estão expostas no edifício-sede da Santa Casa de Misericórdia, no Centro Histórico. A exposição é umas das primeiras realizações do Projeto Portal da Misericórdia, criada para recuperação e revitalização do patrimônio arquitetônico da tradicional Rua da Misericórdia, onde se destacam o prédio da Santa Casa e o casario localizado em frente, construído na primeira metade do século XIX. A mostra apresenta algumas preciosidades, como os painéis bíblicos do século XVII, só agora descobertos pelos restauradores, ao retirarem camadas de outras pinturas e intervenções impróprias feitas mais recentemente por desconhecidos. O trabalho de restauração foi conduzido por Domingo Telecchea, restaurador argentino.