domingo, 12 de agosto de 2012

VISUAIS - BIDA:PAINEL NA RODOVIÁRIA - 19 DE FEVEREIRO DE - 2002


JORNAL A TARDE, TERÇA-FEIRA , 19 DE FEVEREIRO DE 2002



                          PAINEL DE BIDA NA RODOVIÁRIA 


 Acervo de obras de arte da Estação Rodoviária é variado e de qualidade. Lá, você encontra escultura de Emanoel Araújo, em fibra de vidro, outra de Celso Cunha, em aço carbono, e uma de madeira de Ramiro Bernabó. Recentemente, foram instalados quatro grandes painéis de 10m X 3m, sendo dois localizados na plataforma de embarque A,de autoria de Gil Abelha, e dois na plataforma B, do artista Raimundo dos Santos Bida. Quem está por trás desse gosto pela arte é o empresário Alfeu Pedreira, um colecionador de arte conhecido no meio artístico baiano. O importante é que a arte está sendo levada a um imenso público que transita pela Estação Rodoviária. São milhares de pessoas que entram e saem e, assim, vão tendo contato com a arte. A presença das obras ajuda na educação e mexe com a sensibilidade de muitos deles, como, por exemplo, o painel de Raimundo Santos Bida, que representa uma cena rural de uma família colhendo mandioca para fazer farinha. Portanto, uma cena conhecida por muitos que transitam pelo local .
Reprodução de foto do painel de Raimundo Santos Bida ,a Estação Rodoviária de Salvador.

                                              SOCIEDADE BAIANA

O artista espanhol Chema Rodriguez está residindo em Salvador, acompanhando a esposa, que leciona numa dessas novas faculdades que surgiram em Salvador. Ele vem desenvolvendo um trabalho voltado, especialmente, para o retrato de pessoas da sociedade baiana. Mas, a sua formação acadêmica nos remete aos pintores flamencos e, examinando o portfólio dele, podemos sentir a sua evolução. Quando residia em seu país, a pintura era mais carregada de tons escuros, céu encoberto e as roupas pesadas de seus personagens. Freqüentou os grandes museus da Europa, especialmente o Museu do Prado, em Madri,teve acesso a bibliografias variadas de arte e, certamente, sofreu a influência, dos grandes mestres da pintura. Uma influência benéfica, e, de lá para cá, ele vem evoluindo, buscando a própria identidade artística. Chema gosta de pintar a figura humana. Retratar os tipos de rua, segundo ele , “foi a forma que encontrei para refletir sobre mim mesmo”. Nesta sua reflexão vai captando a luminosidade dos trópicos, as cores fortes que surgem nas ruas da cidade, os vendedores de todo tipo de mercadoria, a arquitetura dos casarões. Enfim, este espanhol vibra com a luminosidade da nossa cidade.

                                                     GUACHE NA ACBEU

A Galeria Acbeu abre temporada de 2002 com a exposição individual do baiano Guache Marques, no próximo dia 26. O feirense Guache é radicado há muitos anos em Salvador - aqui ele realizou seus estudos em artes plásticas, cursando a Escola de Belas Artes da Ufba, em 1974 a 1980, sendo contemporâneo de artistas como Bel Borba, Juraci Dórea, Almandrade, Sérgio Rabinovitz e Justino Marinho. O artista realizou vários painéis em Salvador, como na Escola de Arquitetura da Ufba, no Cine Glauber Rocha, na Biblioteca Central da Ufba,dentre outros. Participou de inúmeras exposições e salões, em outros estados e em vários países como Argentina, Portugal, Espanha e França. Atualmente, além das artes plásticas, tem-se dedicado às artes gráficas e à publicidade. Sempre buscando novas formas de expressão artística, Guache já incursionou por várias técnicas, iniciando a trajetória artística com desenhos a nanquim e pastel, gravuras e fotodesenhos, até chegar à pintura atual, realizada em técnica mista  sobre tela, que, pela representação de signos do universo afro-brasileiro, resgata a tradição e a memória da cultura que influenciou fortemente a nossa própria. Por meio de massas de tinta, trabalhadas com espátulas e pincéis, da predominância das cores quentes, como o amarelo, o vermelho e o ocre, e do uso das sombras, Guache Marques construiu uma obra intimista e, consequentemente , universal.