domingo, 7 de julho de 2013

O CRIATIVO HARTWIG BURCHARD

JORNAL A TARDE SALVADOR SÁBADO, 12 DE JUNHO DE 1976

O artista Hartwig Burchard

O Museu de Arte de São Paulo - Masp  está apresentando uma exposição intitulada Séries de Monotipias de Gravura, de Hartwig Burchard. Este artista, nascido em Berlim está ligado a arte desde a sua juventude. 
Formado em Economia pela Universidade de Hamburgo, em 1952 conhece o Brasil e termina naturalizando-se.Ao mesmo tempo desligava-se das atividades industriais que vinha exercendo para dedicar-se exclusivamente às artes plásticas.
É um artista que vive entregue ao seu trabalho"sinto uma ferramenta a mais no processo criativo ", declara Burchard. Independente de sua vontade, seus sentimentos participam do processo de criação.
O desenho flui no papel ou na tela como fluem as palavras carregadas de um sotaque especial. É um trabalho autêntico, uma expressão ou mesmo expansão do homem Burchard. Tem uma grande vontade e principalmente um trabalho consciente e disciplinado. Basta dizer que um rabisco de ontem é sempre guardado porque amanhã poderá servir para início de um novo quadro.

BURCHARD MOSTRA SUA ARTE

Obra de Burchard ,forte gestual
Burchard desenvolve seu trabalho na prensa de metal e de litografia. Desenhando, e a partir do desenho, trabalhando diretamente na matriz chapa de metal ou de pedra antes de imprimir, e após, aprofundando na combinação de várias técnicas desenho, pintura, gravura, Burchard chega a um resultado e cria uma solução que identifica como monotipia.
Pode-se perguntar, por que não identificá-la como gravura? Há diferenciações.
O processo da gravura, faz parte da elaboração da monotopia, mas essa é enriquecida por outros recursos como o da pintura por exemplo. E enquanto que por gravura subentendem-se vários exemplares iguais, que formam a tiragem, a monotipia é um conglomerado, de experiências que se modificam e diversificam em cada obra. Um exemplo disto é o que fez Dubuffet, que dentro das várias condições de possibilidades oferecidas pela monotipia, levou a criatividade a níveis dos mias avançados.
A base do trabalho de Burchard está no desenho, vive desenhando, mas também aquarelas, guaches óleos, como ainda a gravura em metal e a litografia.
Trabalhou em xilografia e serigrafia explorando experiências de diversas técnicas, e reunindo-as na elaboração da monotipia; criando assim um tipo de monotipia a seu feitio. Esta é sua fase atual, na qual permanecerá por algum tempo, acredita.
A Espanhola, 1976, monotipia de  65x50


Como a palavra indica monotipia significa resposta única; entretanto, Burchard contraria esta limitação. Por dois motivos: Primeiro, pela própria elaboração. Feita uma impressão, apresentam-se possibilidades para uma seguinte, podendo-se aproveitar as cores existentes na superfície da chapa, depois da primeira impressão, além de utilizar recursos para modificar elementos antigos, acrescentar novos, criando-se assim uma composição em cores distintas. Segundo, por abrir a possibilidade de desenvolver uma espécie de estória em quadrinhos e modificando desenho, criaram uma seqüência na expressão da imagem que representa então uma mensagem, uma ideia, uma seqüência de acontecimentos, como por exemplos a série de bispos cusquenhos, que evolui para a metamorfose em animais.
Burchard, que é autodidata, familiarizou-se com as técnicas e os processos de impressão através dos livros, exposições, no encontro com artistas procurando sempre aprofundar-se no estudo das várias formas de expressão das artes plásticas. No campo da gravura, seus livros de consultas mais assíduo são os de Hayter, por quem o artista tem em particular admiração.
Acredita que o Atelier 17 ,em Paris, constitui-se na maior contribuição a pesquisa da gravura. Artistas contemporâneos de renome lá trabalham e seus resultados são publicados de maneira compreensível, fato estes que o beneficiou enormemente.
John Ross e Claire Romano, que trabalharam em grandes ateliers gráficos e universidade dos Estados Unidos, concorreram também para seu aprendizado, isto sem falar Tamarind Book of Lithography, produto do Tamarind Institute, assim como outras publicações de professores do Prett Graphic Center. Foram também de grande valor as informações iniciais que teve com Paulo Menten em São Paulo.
Diplomado em economia, achou que suas possibilidades de expressão e comunicação seriam maiores no campo das artes. Assim sendo, decidiu-se por sua grande paixão, as artes plásticas. Talvez seja este o motivo mais íntimo da mudança de sua vida profissional.
Hoje depois de três anos de exercícios diários e vivência artística sente que aprendeu algo, e acha que deve mostrar através de suas obras o que tem a dizer, para deixar que outros participem dessas experiências. Sua linguagem são seus trabalhos, cabendo ao interessado a última palavra.
NR. A monotipia é uma técnica de impressão muito simples.Com esta técnica consegue-se a reprodução de um desenho ou mancha de cor numa prova única, daí o nome monotipia.A prova obtida, monotipia, não é um duplicado fiel do desenho ou mancha original, na passagem para o papel (impressão), as tintas misturam-se fazendo surgir efeitos imprevisíveis. A monotipia pode ser feita de diversas técnicas.

ANA PINTO MOSTRA SEUS ÚLTIMOS TRABALHOS

A pintora Ana Pinto está mostrando alguns trabalhos frutos de uma pesquisa que ela vinha desenvolvendo através o estudo de simbologia indígena. Os símbolos que representa as divindades indígenas foram estilizados e ganharam a maior força de expressão com a utilização de cores adequadas, resultando uma bela composição plástica.
Assim, Ana Pinto partiu para confecção de tapetes e estandartes que agora está sendo apresentado no shopping Center Iguatemi. Uma boa oportunidade para aqueles que desejam decorar suas casas e apartamentos com trabalho artístico que atendem muito bem as necessidades de uma decoração.

CALASANS NETO E ITAPUÃ CÉU

Esta coruja é um pássaro misterioso que durante a noite acalanta os moradores de Itapuã e que agora toma forma através da criatividade de Calasans Neto. Abaixo dela aparece um peixinho que passa veloz nas águas verdes e azuis do mar de Itapuã. Surge em primeiro plano como a dona da noite. Não poderia ficar atrás. Seus olhos traduzem a dominação de todos os horizontes. É em suma a dona da noite. A mulher que acalenta sua imensa prole. È o envolvimento do trabalho de Calá, este artista de grande sensibilidade e acima de tudo humilde. Seu trabalho é assim calcado em sentimentos puros de onde emana todo um humanismo, que só alguns privilegiados possuem.
Vamos aguardar o lançamento deste álbum de Calasans Neto que será mais uma página da história da gravura brasileira. Já falei na semana passada sobre o lançamento do álbum e agora apresento, em primeira mão uma de suas gravuras.

PROCISSÃO VAI PEDIR CHUVAS PARA O SERTÃO

Uma procissão percorrerá hoje, as dependências e pátio do Solar do Unhão, conduzindo uma imagem de Santo Antônio, com os fieis cantando e rezando pelo Sertão. Esta procissão faz parte de um movimento Sertão e Luz, composto de três partes: procissão, exposição de pinturas de J. Cunha, e da apresentação do Circo Fubá, pelo Grupo Tato. Um espetáculo místico de som, luz e dança, onde todos participam. Tudo feito com seriedade, com o objetivo de levar ao Solar do Unhão, um pedaço do sertão com seu misticismo, sofrimento, luz e calor humano.