quinta-feira, 4 de julho de 2013

GUERNICA PARA OS ESTADOS UNIDOS

JORNAL A TARDE SÁBADO, 06 DE DEZEMBRO DE 1975


Uma das mais famosas telas de Pablo Picasso a Guernica poderá ficar definitivamente nos Estados Unidos, de acordo com o desejo da viúva do pintor.
A tela foi pintada depois de um bombardeiro da aviação franquista que arrasou a cidade basca do mesmo nome, permanecerá no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque até que o regime republicano volte a ser instaurado na Espanha.
A decisão foi tomada esta semana pela viúva do artista, Jacqueline Picasso, devido a algumas afirmações surgidas em todo o mundo segundo as quais, com a morte de Franco, a tela deveria ser enviada à Espanha.
Para ela nada mudou na Espanha adiantando que Picasso lhe recomendara que o quadro pertencia à República Espanhola um regime que, obviamente nada tem a ver com o governo instalado em Madri.
A TELA
Guernica foi pintada no dia 26 de abril de 1937, logo depois que Picasso soube da destruição da pequena cidade medieval basca pela aviação das forças franquistas.
O autor dava tanta importância a obra que pouco antes de morrer ditou ao advogado da família as disposições referentes à posse do trabalho, acentuando, segundo sua esposa Jacqueline, que em hipótese alguma poderia ser levada para a Espanha enquanto persistissem neste país resquícios do regime instaurado por Franco.

                      NA GALERIA CAÑIZARES

Vários estudantes de Belas Artes selecionaram alguns trabalhos numa mostra intitulada Exposição Didática em homenagem ao Eng. Américo Furtado Simas, no centenário do seu nascimento.

                    ARTE AGORA 1/BRASIL 70-75

Numa promoção do Jornal do Brasil está sendo programada a exposição Arte Agora 1/ Brasil 70-75 que terá lugar no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Esta mostra ia substituir o Salão de Verão, que vinha sendo realizado desde 1969.
A nova exposição é de âmbito nacional, admitindo com o objetivo de divulgação e desenvolvimento das artes plásticas. As inscrições estão abertas até o próximo dia 15 do corrente.
Além dos concorrentes inscritos serão convidados vários artistas pela Comissão Coordenadora, e este convite ocorrerá na primeira quinzena de janeiro de 1976 para isto os membros da comissão se deslocarão para várias capitais brasileiras.
Os interessados devem enviar toda a documentação curricular ou seja: roteiro biográfico, críticas, catálogos, fotografias para o crítico Roberto Pontual Jornal do Brasil, Avenida Brasil, 500, redação do Caderno B. Rio de Janeiro.
Serão conferidos prêmios aos primeiros colocados.
Prêmio Conde Pereira Carneiro oferecido pelo Jornal do Brasil e constituído de uma passagem aérea Rio-Paris-Rio e Cr$ 10 mil cruzeiros de ajuda de custo.
Serão conferidos Prêmios de Aquisição Light, no total de CR$ 50 mil. Os artistas que desejarem participar da mostra e não concorrer a qualquer um dos prêmios poderão fazê-lo.
Esta mostra é a mais flexível que o conhecido Salão de Verão, dedicada em cada ano a um aspecto distinto da criação no âmbito das artes visuais, de acordo com a análise prévia das circunstâncias e constantes do momento. Para esta primeira mostra, que será realizada em março de 1976, o tema já fixado será uma tentativa de levantamento dos artistas que surgiram e/ou se afirmaram no Brasil entre os anos de 1970 e 1975, nas diversas modalidades da criação visual.

             ANA PINTO NO SHOPPING CENTER

Ana Pinto com obra de sua autoria
Visando dar um toque artístico as coisas e objetos que normalmente deixamos passar despercebido, a pintora Ana Pinto está desenvolvimento uma pesquisa cujos resultados já começam a despontar. Ela, que trabalha há vários anos com  colagens e óleo resolveu partir para a confecção de objetos utilitários dando-lhe um toque artístico. Assim gamelas, cadeiras e móveis em geral e mesmo pequenos objetos sendo trabalhados. Ela denominou os de Artrecos. Um nome realmente original como tudo que Ana Pinto faz.
Espero que a agressividade de Ana Pinto seja encaminhada, ou melhor seja canalizada para a criação.
Confesso que gosto muito do trabalho dela embora não concorde com suas afirmações ás vezes até despropositadas contra seus colegas. Minha opinião é que se um trabalho é bom que seja imitado. Se é imitado é porque tem algo de positivo. Então vamos tocar o barco para  a frente e tentar criar, inventar coisas novas. Não adianta esbravejar no deserto. É preciso ter serenidade porque inclusive o ato de criar exige de certa forma uma calma espiritual que não se consegue esbravejando.

                     UMA RARIDADE EM EXPOSIÇÃO

Dentro de sua programação cultural, a Galeria Sereia, localizada no Largo do Pelourinho apresentará aos baianos uma raridade bibliográfica : o livro O Paraíso, O Purgatório e o Inferno, escrito por Dante Alighieri, com ilustrações do surrealista Salvador Dali. A tradução é do professor Alexandre O’Neill, de naturalidade portuguesa. Este livro tem apenas 100 exemplares e um desses será apresentado pelo marchand Dimitri Ganzelevitch, antes do Natal.

                        ANTUNES DE VOLTA
Rosa Verde, trabalho do pintor e arquiteto Antunes
 O arquiteto Antônio Augusto Antunes Netto ou simplesmente Antunes está expondo   Há dois anos atrás escrevi sobre o trabalho que este arquiteto-pintor vinha realizando. Daquela época da exposição da Galeria  Circulo, para cá suas vindas a Salvador tem  esboços e volta a São Paulo onde realiza o seu trabalho pictórico.
Um grande detalhe nos seus trabalhos é o jogo do quadro intitulado Trapiche Branco, que está reproduzido no catálogo de sua exposição.
Antunes nasceu na cidade de Bebedouro, estado de São Paulo. Formou-se em Arquitetura em 1961, pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, assumindo o cargo de professor assistente da cadeira de Paisagismo, até 1973.
Freqüentou vários cursos de arte, gravura e desenho, além de realizar um vasto trabalho no campo de paisagismo. Pouco a pouco Antunes vem se desligando da Arquitetura e dedicando-se de corpo e alma a pintura, um a grande realização individual.
Este artista, embora paulista de nascimento, e residindo por lá, está intimamente ligado à Bahia, porque sua primeira exposição do ponto de vista profissional  foi na Galeria  Círculo. É certo que já tinha participado de alguns salões, mas não com uma preocupação profissional porque seu trabalho mais efetivo era a arquitetura.
Daí em diante realizou outras exposições: setembro de 1974, mostra individual na Galeria Itaú, São Paulo, setembro de 1975, participa do 7º salão de Ecologia, São Paulo; outubro de 1975,  mostra individual Galeria Itaú.
Ele trabalha num espaço quase irreal! Onde o casario surge ao fundo tendo à frente árvores com suas copas volumosas e o piso destacado. O trabalho de um arquiteto capaz de recriar e mesmo de jogar para a tela uma cidade mágica como Salvador. Muitos já pintaram a Bahia, especialmente Salvador, mas afirmo que Antunes é um dos poucos que soube pintá-la, com sua sensualidade , tranqüilidade.