quarta-feira, 3 de julho de 2013

UM ARTISTA SAI EM DEFESA DA FLORA E FAUNA NACIONAIS

JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SEGUNDA FEIRA 20 DE FEVEREIRO DE 1989

Namoro dos Tucanos, acrílico
sobre tela enaltece a natureza
O desmatamento desenfreado e a matança estúpida de animais em todo o País vem provocando reações por parte de todas as pessoas conscientes.Nos países desenvolvidos existem grupos que atuam de forma organizada a exemplo do Greenpeace, os quais tem impedido através de suas manifestações diminuir a sanha agressiva contra a natureza. No Brasil esses movimentos não tem ainda uma estrutura muito bem organizada e não dispõem de instrumentos capazes de arrefecer os crimes que cometem contra a natureza. São milhares de hectares de matas destruídas, milhões de animais silvestres que são mortos ou aprisionados.
Uma guerra total, e mesmo os organismos oficiais de repressão são insuficientes e fracos para vencer esta guerra.
Por estas razões acima alinhadas é que tenho visto com muito carinho qualquer manifestação em defesa da ecologia, quer seja na sala de aula, numa escolinha infantil, numa reunião de grupos ambientalistas. Hoje, quem sai em defesa da ecologia é um artista que inclusive tem nome de cacique.
É o Ubiraci Tiririca que fará uma exposição Imagens da Natureza onde explora o exotismo de nossas matas e florestas com toda a grandiosidade dos seus mistérios e cores. A exposição ficará aberta de 23 de fevereiro a 3 de março, no horário comercial na Galeria Aquarela, localizada na Avenida Oceânica, n.12 no Farol da Barra.
São vinte trabalhos em acrílico sobre tela e nada mas é do que uma reflexão do Ubiraci Tiririca sobre a nossa natureza tão maltratada. Diria é que quase o testemunho de um cacique que vive nas matas e sabe a importância da sua conservação. Sabe que são necessários anos a fio para que toda aquela beleza seja restabelecida. O artista demonstra interesse em registrar que esta sua preocupação com a ecologia, com a natureza, não é modismo, não surgiu no bojo desta onda ecológica que tenta barrar a sanha dos insensíveis. Sua preocupação é anterior. Esta sua sensibilidade está retratada com muito critério e diria até com uma paciência inusitada. Ele não faz uma tela apressada em busca de um turista espantado ou maravilhado com o exotismo ali estampado. São telas trabalhosas, muito detalhadas e demonstram exatamente a riqueza plástica que ele consegue transpor das nossas florestas para suas telas. As araras, os tucanos e as garças dão vôos rasantes despreocupadas porque estão em porto seguro. Aqui não há lugar para caçadores e matadores. O equilíbrio é perfeito e, o silêncio é interrompido quando alguém fica espantado com a beleza de suas telas.
Renato Viana, artista plástico, vê o trabalho de Ubiraci assim:... ' Com uma tela sobre a prancha ele retrata cenas de nossas matas tropicais dando um testemunho do seu conhecimento de nossa fauna e flora. A riqueza de detalhes que faz com seu pequeno pincel dê ao trabalho uma grande variedade e uma perfeita unidade de cor. Seu trabalho não se confunde com  de nenhum outro artista, com contornos tão suaves quase imperceptíveis consegue agradar a críticos e leigos pelo seu alto nível técnico e suavidade quase ingênua."

     PINTURAS E ESCULTURAS GÓTICAS NA ALEMANHA

O quadro Chegada a Basiléia, do ciclo inspirado
 em Santa Úrsula
Colônia - Acaba de ser aberta uma exposição no Museu Wallraf Richartz, que reúne obras do período áureo da pintura em Colônia de 1400 a 1550. além disso estão expostas esculturas do séculos XIII e XIV, cedidas pelo acervo do Museu Schnütgen. A mostra conjunta dessas obras ilustra as diferenças entre uma arte narrativa e representativa, popular e intelectualizada, oferecendo ao mesmo tempo uma sinopse de temáticas e estilos.
Nesse período, já quase no final da idade Média, trabalhavam em Colônia, lado a lado, uma série de oficinas de artistas. Suas obras denotam fortes influências, sobretudo na vida nas cortes de Borgonha, Paris, Brügge, Gent e Bruxelas, as quais contribuíram para o desenvolvimento de uma tipologia e composição escolástica. Os grandes mestres da época eram os irmãos Von Eyck, Robert Campins ou ainda Hugo van der Goes. O temário era bíblico, com motivos do Velho, mas principalmente do Novo Testamento, representando, representando imagens santos ou cenas da vida de Maria e de Cristo.
Na escultura verifica-se um processo semelhante. Os escultores reunidos em corporações trabalhavam principalmente na representação plástica, com forte influência francesa, de madonas, crucifixos e estátuas de santos. Mas sente-se tanto na pintura como na  escultura desse período uma progressiva transformação da arte religiosa praticamente estereotipada do século XIV rumo a uma representação mais diferenciada com mensagens mais individuais.
No século XV os artistas começam a se distanciar dos motivos religiosos, optando por uma temática mais próxima à realidade. Multiplicam-se as cenas narrativas, retiradas do dia-a-dia popular. O fundo dourado dos quadros é substituído, cada vez mais, pela representação realista de paisagens e ambientes inferiores. Surgem também os primeiros retratos.
Os pintores desse primeiro período são anônimos, razão pela qual a exposição em Colônia organizou os quadros em séries temáticas: Mestres da Via de Maria, Mestres da Lenda de S. Jorge ou ainda. Do Fundo Dourado à Paisagem e Fim de Idade Média e Advento da Renascença.
O único pintor do século XV, cujas obras são conhecidas, é Stefan Lochner. Por isso mereceu um espaço próprio na exposição. Dos seus quadros estão expostos, entre outros, Juízo Universal, Nossa Senhora do Pavilhão de Rosas e dois elementos de um altar. No século XVI está comprovada a autoria do pintor Bartolomeu Bruyn, o Velho, que viveu e trabalhou em Colônia. A mostra inclui suas representações da Lenda de Santa Helena, da Lenda de S. Vitor e um retrato do burgomestre de Brauweiler (Gudrun Steger).

   QUARENTA OBRAS SERÃO MOSTRADAS NO IGUATEMI

Eduardo Araújo, pintor que já participou de 39 exposições entre individuais e coletivas, está apresentando sua mais recente produção na Praça Jorge Amado, do Shopping Iguatemi, com abertura prevista para hoje, devendo permanecer por quase 15 dias.
Entre os 40 trabalhos expostos estão guaches, cera em pastel e óleo sobre tela, alguns com uso de espátula.
Tendo iniciado sua carreira em 1982, na Galeria Treze, Eduardo Araújo tem procurado aperfeiçoar a sua técnica.
Sobre Eduardo Araújo, escrevi: É um artista de talento e expressões. Mesmo quando aparecem as paisagens e o casario, ele conserva vibração das cores."
Já Aldo Tripodi escreveu que "a pintura de Eduardo denota claramente sua relação com a arte, é uma pintura nervosa, cheia de vida."
É um artista emergente, mas que traz no espírito a maturidade de quem sabe o que  quer, no seu ofício de fazer arte.

         JOSÉ BANDEIRA PREPARA MAIS UMA EXPOSIÇÃO

Bandeira ( com as mãos juntas) e seus convidados
Vinte quadros expostos pelo artista José Bandeira foram insuficientes para atender as solicitações, especialmente por colecionadores de outros países que enxergam nas suas telas imagens do nosso país tropical, com um toque de ingenuidade. O artista é um dos bons pintores primitivos que trabalham na Bahia.
Ele retrata com seu traço quase infantil as procissões, marinhas e o casario colonial, já tendo realizado exposições em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Na foto, Bandeira ao lado de algumas pessoas que visitaram sua exposição no Espaço Cultural, do hall da Biblioteca Central, nos Barris.