sábado, 2 de março de 2013

MINISTÉRIO DA CULTURA - 30 DE MARÇO DE 1981

JORNAL A TARDE, SALVADOR, 30 DE MARÇO DE 1981

                                         MINISTÉRIO DA CULTURA
- "No momento seria prematuro pensar na criação de um Ministério da Cultura, porque agora, ele seria forçosamente um Ministério fraco, não só do ponto de vista financeiro, mas do próprio ponto de vista conceitual ", afirmou em entrevista ao Jornal do Brasil o ministeriável Aloísio Magalhães, descartando com esta posição sua possível indicação para a tal pasta. Realmente vivemos num país onde a criação do Ministério da Cultura ainda soa como uma coisa inexequível ou incapaz de ser gerida por nossos intelectuais. Problemas de recursos e dotações orçamentárias todos os Ministérios enfrentaram no Brasil,inclusive o da Educação e Cultura  no decorrer dos anos tem sofrido diminuição da parcela determinada na Constituição. Examinando o orçamento deste ano está comprovada esta afirmação.
O que realmente existe no Brasil é uma confusão e multiplicidade de órgãos e falta de critérios na delimitação do que é bom e deve ser incentivado e do que é ruim e deve ser evitado.
O que existe é desperdício de recursos de recursos em vários níveis da administração pública. Uma coisa é incentivar um real valor e outra é incentivar iniciantes sem qualquer capacidade criativa. O que faltam são critérios e coragem para separar o joio do trigo.
Não é prematuro defender um Ministério da Cultura. É temeroso dizer que ainda é cedo e que o ministério surgiria fraco. Evidente que tudo que começa tateia nos primeiros anos. Acho que existem tantas manifestações culturais a serem aproveitadas, incentivadas e orientadas que já é tarde.
Acontece que não existe é uma disposição governamental de dar maior espaço às manifestações culturais, a não ser para quase tudo é realizado com parcos recursos dos governos estaduais e municipais. Não existe uma política cultural orientada e o Ministério da Educação e Cultura não cuida bem da Educação quanto mais da Cultura. Portanto, não concordo com o professor Aloísio Magalhães que seja cedo para falar em Ministério da Cultura. É preciso abrir esta discussão a nível nacional para que as manifestações culturais ganhem respaldo e força. O Ministério da Cultura seria um instrumento capaz de traçar uma política coerente, desde que fossem carreados para a nova instituição não apenas recursos como também pessoas decididas e comprometidas co a cultura nacional.

CINCINHO PINTA CENAS DO RECÔNCAVO COM 
LÁPIS DE CERA
A vegetação  sempre é pintada por ele
No dia 3 de abril, o Instituto do Patrimônio abrirá, às 19 horas, no térreo do Solar Ferrão (Rua Gregório de Mattos, 45, Pelourinho), a exposição individual do artista Inocêncio Alves dos Santos, Cincinho. N ocasião será lançado o livreto sobre o pintor com texto crítico do artista plástico e professor da Escola de Belas Artes da UFBa., Juarez Paraíso.
Inocêncio Alves dos Santos utiliza lápis de cera para pintar com delicadeza as cenas e paisagens rurais que imagina ou recorda de suas andanças pelo Recôncavo. Natural de Muritiba, nascido em 1907, o artista vive hoje em Cachoeira com a família: cinco filhos, o mais velho com 11 anos e o mais moço com 4 anos de idade.

LUGAR DE DESTAQUE

Juarez Paraíso informa no seu texto que Alves dos Santos é mais um eloquente testemunho da força de nossa arte popular, da permanência da sensibilidade artística, não obstante a pobreza em que se encontram os artistas criativos em geral, mais especialmente os artistas ingênuos, populares, ditos primitivos modernos ou primitivistas, principalmente quando vivem em cidades do interior, completamente entregues ao mais completo abandono.
Explica Juarez que nos trabalhos de Alves dos Santos a cor e a forma possuem valores expressionais equilibrados, o que lhes confere um caráter híbrido, embora classificá-los de pintura ou desenho nos pareça uma tarefa de menor importância, meramente acadêmica. Se por um lado há um certo monocromatismo, onde as gradações de luz e de sombra e os efeitos de luminosidade concentrada se juntam ao grafismo de sua técnica, justificando o conceito de desenho por outro, a cor, embora sutil, empresta um certo sabor pictórico, precioso e insubstituível para a linguagem poética resultante. Diz ainda que o certo é que Alves dos Santos pinta a forma desenhando, construindo o espaço com a luz mágica da ponta dos seus lápis de cera.
O texto é encerrado com a conclusão de que na História de uma arte popular, certamente que a exemplo de Louco e seus discípulos,Agnaldo dos Santos, Manoel do Bonfim, Zu Campos, Edmilson, Licídio Lopes, Cardoso e Silva, Willys, Calixto e tantos outros importantes artistas, haverá lugar de destaque para Alves dos Santos que aos seus 74 anos os dá uma eterna lição de juventude.

O artista Cincinho, foto de 1981.
                                                                                                     CRÉDITOS

Inocêncio Alves dos Santos foi durante muitos anos pintor da parede, mas de categoria quase extinta nos dias de hoje, pois se ocupava também da decoração, pintando nas paredes o que fosse pertinente com cada ambiente. Com o ofício de pintor-decorador, Cicinho marcou sua presença em várias cidades do Recôncavo, em especial Cruz das Almas e Santa Terezinha.
Somente em 1973 ele começou a pintar quadros, depositando em cada trabalho toda a sua experiência adquirida com o muitos anos de pintura e com o ensinamento do mestre Gregório, nazareno, que lhe ensinou a técnica de decoração de paredes.
Quando o Diretor Executivo do Instituto do Patrimônio, Vivaldo da Costa Lima, resolveu promover a exposição dos trabalhos da Cincinho, no térreo do Solar Ferrão ,abriu-se a perspectiva para os colecionadores conhecerem a singularidade dos trabalhos de Alves dos Santos, realizados exclusivamente com lápis de cera. O gesto do diretor do IPAC contribui para a preservação do bem cultural baiano de que é parte a obra do pintor Cicinho (em maior volume negociada no Sul do país) e antecipa as atividades que serão comuns quando do funcionamento do Centro de Cultura Popular da Bahia, que funcionará no Forte de Santo Antônio Além do Carmo, quando o monumento estiver restaurado e adptado.
Coube ao Setor de Divulgação Cultural (Sedic/IPAC) a organização da mostra de Cincinho, para o que contou com a colaboração do Setor de Treinamento e Produção Artesanal (Serpa/IPAC) na execução de parte das molduras. O livreto sobre o artista foi editado com a ajuda do Banco de Desenvolvimento do Estado da Bahia- Desenbanco e da Fundação Cultural do Estado da Bahia.

      ARTE SACRA POPULAR NO TCA

Os artesãos de todo o Brasil poderão participar da  II Mostra Nacional de Arte Sacra Popular, no foyer do Teatro Castro Alves, de 10 a 18 de abril. Para expor e vender suas obras os artistas precisam inscrever-se na Bahiatursa (Rua da Graça, 411), apresentando uma mostra do trabalho e qualquer documento de identidade.
Valorizar e incentivar o mestre santeiro é o objetivo da Bahiatursa para esta segunda promoção, que cresce com a participação de santeiros e artesãos, apresentando todo tipo de artesanato sacro. Cada mestre vai ganhar um espaço para mostrar e vender seu trabalho, sem intermediários e sem pagar qualquer taxa

SUCESSO TOTAL

A I Mostra de Arte Sacra Popular realizada no ano passado, no TCA, contou com a participação de santeiros da Bahia, Maranhão, Piauí, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Mato Grosso do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. O grande público que visitou a Mostra durante a Semana adquiri quase todos os trabalhos expostos, além de fazer encomendas de peças maiores.
Dos 94 santeiros que expuseram seus trabalhos no ano passado, 15 baianos e 22 outros estados nordestinos estiveram presentes criando novas obras e mostrando como se faz o trabalho. As imagens de santos e esculturas sacras são feitas de todo tipo de material desde o couro, madeira, fibras, coco, barro, sacos de linhagem. São trabalhos primitivos executados por gente simples, sem nenhum envolvimento com a industrialização.

OFICINAS DE ARTE- Realmente merece aplausos a iniciativa da Fundação Cultural do Estado em promover as oficinas de arte em série do Museu de Arte Moderna da Bahia. As inscrições são gratuitas e permanentes para os cursos de xilogravura, litogravura, gravura em metal e serigrafia. Os cursos serão iniciados no dia 7 de abril e as inscrições poderão ser efetuadas das 8 ás 12 horas e das 14 às 17 horas.. As matrículas são abertas para os artistas profissionais, treinamento de professores de educação artística. É hora de aprender um pouco mais. Vá ao MAMB e participe das oficinas de arte.
Na foto o cartaz das Oficinas.
MATSUKATA FALECEU- Faleceu no último dia 1º a escultora Miye Matsukata cujos trabalhos foram documentados pelos arquivos de arte norte-americana do Instituto Smithsonian. Ela morreu inesperadamente devido a meningite. Desaparece assim uma grande escultora aos 59 anos de idade.
Natural de Tóquio onde nasceu em 1922 Matsukata emigrou para os Estados Unidos em 1940, onde estudou na Faculdade de Principia, em lllinois, e na escola de Belas Artes do Museu de Boston.


CATÁLOGOS- Uma exposição de catálogos e apresentação de vídeo-tapes sobre máquinas para processamento de plásticos e fornecedores de matérias-primas será realizada nos dias 2 e 3 de abril, no terceiro andar do Edifício Ferreirinha, na Avenida Oceânica 1892, Ondina, sede do consulado americano.

OSCAR PALÁCIOS- O artista argentino e radicado no Brasil, Oscar Palácios, está participando com seis quadros da exposição do Leilão de Arte que está sendo promovido por Luís Caetano Queiroz. O Leilão ocorrerá no salão de convenções do Salvador Praia Hotel. A exposição foi realizada ontem, e o leilão começa a partir de hoje às 21 horas. São 270 obras dos mais destacados artistas contemporâneos entre os quais Milton Dacosta, Teruz, Volpi e os baianos Caribe, Calazans Neto e Rescála. Na foto  a obra Um Dia...Um Céu, de Palácios.