domingo, 10 de março de 2013

TIME DA GALERIA DO ALUNO MOSTRA SUA TÉCNICA DIA 27- 24 DE NOVEMBRO DE 1986


JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SEGUNDA-FEIRA, 24 DE NOVEMBRO DE 1986

TIME DA GALERIA DO ALUNO MOSTRA SUA TÉCNICA DIA 27

As gaivotas de Guida serão menos figurativas
Evidente que este time vem para ganhar os espaços, vem com a disposição de trabalhar e trabalhar muito em busca de produzir uma arte mais apurada, uma arte integrada aos padrões da modernidade, e principalmente que conviva com a contemporaneidade do homem.
Não se pode exigir de quem está começando, a perfeição, mas, não se pode deixar de exigir a busca da qualidade como um objetivo a ser alcançado. Acredito no trabalho deste time e tenho certeza que dele surgirão alguns craques, que no futuro serão reconhecidos por todos aqueles que acompanham o mercado de arte.
Neste time o grotesco de Luiz Mota, com suas figuras deformadas, resultado do sofrimento mundano, contrastam com as gaivotas formosas de Guida Cappelo. Enquanto, no primeiro a gente pode sentir este lado feio da vida, em Guida, a gente sente a liberdade  expressada pelas gaivotas que rompem os mares e de quando em vez mergulham em busca do sustento.
Um encontro paradoxal entre aqueles momentos, onde as pessoas imaginam, que não há saída, e outros onde a liberdade de voar é vista como um dos atos mais significativos da vida. Basta lembrar que o homem levou séculos tentando voar e coube a Santos Dumont a idéia de criar um aparelho que o ajudasse a concretizar este sonho de Ícaro.
Também estão expostas as frutas de Jocelma, cada vez maiores ocupando todo o espaço disponível  da tela. Eu sinto tão vivas, reage Jocelma quando alguém fala em natureza-morta. Uma pintura gestual e ao lado  dela a  Hedi Lamar com seus painéis imensos, onde a sexualidade é questionada.Uma pintura sensual com figuras masculinas e femininas que se tocam e se contemplam.
Tem ainda Dílson Oliveira com sua pintura  geometrizante, que no á uma sensação de movimento.
A exposição chamada de 14 Bis será uma coletiva que reunirá todos os alunos que realizaram exposição individual na Galeria do Aluno durante o ano que finda. Um júri composto de pessoas da comunidade irá selecionar cinco deles para a exposição da segunda quinzena de maio da Cañizares. Nesta exposição já batizada com o nome de Os 5 de Maio, terá a presença de um estudante de arte da Tyller School of Art da Temple University de Filadélfia que virá à Bahia, e em seguida, um grupo, irá aos Estados Unidos.

           UM NOVO ESPAÇO PARA OS ARTISTAS

Os artistas baianos ganham um novo espaço cultural, que é o hall do prédio do IRDEB, na Federação, que será inaugurado no próximo dia 27, às 21 horas. O novo espaço cultural destina-se a colher eventos artísticos. O próximo a ser inaugurado contará com a participação de artistas já consagrados e novos talentos que estão surgindo na Bahia. Jamison Pedra, Guache, Antônio Saturnino, Nilza Barude, Reinaldo Gonzaga, Robério Cordeiro, Maurício Requião, Vanja Maia, Otto Terra, Bisa Gurgel, Conceição Andrade, Suzane Pinho, Lígia Aguiar, Mariny Guanais, Alfredo Salomão, Mônica Daniela, Antônio Lázaro, Eneida Cavalcanti e Eduardo Tudélia participarão da primeira exposição coletiva.

      BETTY E A RELAÇÃO HOMEM  COM A ÁGUA
A arte de Betty King valoriza o alumínio

Mais de quarenta trabalhos serão expostos por Betty King, a partir de amanhã, no Museu de Arte da Bahia.São trabalhos inspirados nos gestos que o homem faz quando em contato com a água. Esta relação,onde os corpos ficam difusos e os gestos aparecem com translucidez, é a fonte de sua inspiração. Nessa relação ela encontrou ainda o significado, enquanto relacionou os sete elementos que compõem a água com os mesmos que estão presentes no corpo humano. Tudo isto vem sendo observado por ela há alguns anos. Começou nos Estados Unidos, e daí em diante partiu em busca de um suporte que pudesse receber as suas emoções, que se aproximasse um pouco da realidade observada. Daí surgiu a ideia de trabalhar com placas de alumínio. Para isso teve que deixar o seu atelier e misturar-se com operários de fábricas, os quais vêem o seu trabalho com muita curiosidade. Tanto nos Estados Unidos como aqui na Alcan, em Camaçari,onde ela está trabalhando, os operários ficam surpresos, e são gentis, querendo saber detalhes da transformação que ela faz da matéria-prima que eles manipulam, e que é transformada em suporte de obra de arte.
Ela consegue translucidez captando gestos
Com seu sotaque carregado de americana de New Orleans a talentosa Betty King explica que busca com as placas de alumínio uma ilusão de translucidez. Eu passo uma tinta especial no alumínio cobrindo as partes que desejo preservar, depois de desenhar. Em seguida jogo ácido que corrói as demais partes e depois faço a anodização. Aí entram as cores.É exatamente neste instante que ela revê os gestos das pessoas nadando numa praia, num rio ou numa piscina.
Vibra com os corpos difusos e com as formas irregulares que surgem deste contato do homem com a água.
Betty King nasceu em New Orleans, Louisiana, U.S.A. Estudou na Lousiana State University e complementou sua formação com Hans Hoffman, curso na Ecole dês Beaux Arts Paris, Havard University e experiências profissionais no Mass Institute of Tecnology.
Adotando o Brasil como o seu lugar para morar, desenvolveu aqui a sua arte. Da Bahia saíram as suas obras para exposições e coleções em diversos estados do Brasil e para os quatro continentes. Há alguns anos Betty fixou residência outra vez no Estados Unidos Boston, mantendo contudo suas relações no Brasil em visitas anuais de lazer e trabalho.
A artista agora está de volta, por um período mais longo, dividindo entre a Bahia e São Paulo as suas atividades profissionais. Depois de cinco anos, inaugura, no dia 25 de novembro mais uma exposição individual, no Museu de Arte da Bahia, onde estará expondo até o dia 14 de dezembro suas peças em alumínio.
A ideia de trabalhar com alumínio surgiu, há cerca de 18 anos, teve a oportunidade de visitar algumas siderúrgicas, e a visão do ferro fundido lhe levou a experimentar alguns processos tecnológicos.  

            YEDAMARIA EM VITÓRIA CONQUISTA

Litografias, gravuras em metal e pinturas a óleo integram a mostra que Yedamaria vai realizar, a partir do dia 4 de dezembro, na Galeria Geraldo Rocha, em Vitória da Conquista. Nesta mostra, a artista apresenta uma evolução no domínio de técnica das cores e na própria temática que elegeu para se expressar.
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São anos de um trabalho cuidadoso, e, tanto nas gravuras em metal, em preto e branco, quanto nas coloridas, Yedamaria mostra ser um artista madura e criteriosa. Na pintura a óleo sobre tela apresenta belas mesas postas e as frutas tropicais em abundância. Numa alusão proposital que contrasta com a mesa vazia do brasileiro, que a cada hora é assaltado e violentado por medidas empurradas pela goela abaixo, através de decretos. Diria que Yedamaria consegue retirar do ambiente doméstico, tão esvaziado com o corre-corre da vida moderna pois tanto o homem e a mulher na grande maioria sai o dia inteiro para a labuta nos escritórios ou mesmo nas ruas, a plasticidade de uma mesa farta.
Ela valoriza este ambiente e como que faz uma elegia ao alimento, que proporciona a nossa própria sobrevivência.. Não só as frutas, o pão, mas também os vasilhames de vidro e aço inoxidável são valorizados com sua arte.