sábado, 16 de março de 2013

COLEÇÃO ABELARDO RODRIGUES SAIRÁ DO MUSEU DE ARTE SACRA - 10 DE FEVEREIRO DE 1979


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 10 DE FEVEREIRO DE 1979

COLEÇÃO ABELARDO RODRIGUES SAIRÁ DO MUSEU 
DE ARTE SACRA

A Coleção de Arte Sacra Abelardo Rodrigues terá destino adequado na próxima administração estadual, inclusive um museu com  estrutura para abrigar todas as peças que estão orçadas hoje em CR$150 milhões sendo adquirida na época por três milhões de cruzeiros, à família do extinto colecionador.
Apesar de não ter confirmado, sabe-se que o futuro Governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães já tem estudo pronto para localização e recuperação de todas as peças da coleção, que estão hoje, parte exposta no Museu de Arte Sacra.
O propósito do futuro governador é não só dar um melhor tratamento à coleção, a cláusula contratual de compra que determina que a Coleção de Arte Sacra Abelardo Rodrigues é uma, e deve ficar num só local.                                  
                                                          A MAIS VALIOSA


A coleção, adquirida por um ato de compra pelo então Governador Antônio Carlos Magalhães, conseguiu colocar um atrito entre os governos baiano e de Pernambuco, cuja decisão final foi concedida pelo Supremo Tribunal Federal. Ela é formada por 762 peças entre santos, nichos e pinturas, todas dos séculos XVI, XVII e XVIII, considerada como o mais importante acervo sacro existente no Brasil.
De acordo com o professor Valentin Calderon, a única dificuldade que está sendo encontrada diz respeito a falta de uma documentação original que venha identificar a verdadeira origem de suas peças. O colecionador, explica Calderon, teve como única preocupação a reunião de peças sem se interessar por outro lado em elaborar documentos que venham registrar suas procedências e suas origens.
A Coleção de Arte Sacra Abelardo Rodrigues chegou até mesmo a participar de várias exposições realizadas fora do país. Entre os prêmios recebidos no exterior está a Medalha de Ouro que foi concebida durante a Feira Internacional de Bruxelas, na Bélgica. De acordo com alguns colecionadores, em todos os países onde esta  coleção foi mostrada, ela foi admirada não somente pela sua beleza como também pela sua originalidade.

O COLECIONADOR

Falecido em dezembro de 1971, Abelardo Rodrigues sempre foi considerado como um homem inquieto, de cultura humanística profunda e variada.Desde a sua juventude, Abelardo Rodrigues começou a manter contatos com vários meios artísticos do país, especialmente durante o período em que morou no Rio de Janeiro. Naquele estado, o falecido colecionador entrou em contato com jovens pintores brasileiros, a exemplo de Djanira, Portinari, Pancetti, Di Cavalcanti e outros.
Mais tarde, sua atenção se volta para a arte popular e em seguida para a arte barroca.Com o contato mantido com os jovens artistas brasileiros, Abelardo conseguiu formar a mais importante coleção particular de arte moderna, atualmente em poder de sua família. Na década de 40, já de volta a Pernambuco, ele passa a se interessar pela arte barroca, cuja parte do rico acervo está em exposição em duas salas do tradicional Museu de Arte Sacra da Universidade Federal da Bahia.
Por outro lado, há ainda seus trabalhos paisagísticos cujo aspecto veio somar ainda mais seus dotes artísticos. Neste campo, Rodrigues chegou até mesmo a projetar jardins e recantos para as estradas nordestinas. Em decorrência do seu profundo conhecimento da Arte, vários artistas populares do Nordeste chegaram ao conhecimento nacional através de suas descobertas. Há ainda a sua contribuição para o enriquecimento de vários museus europeus e norte-americanos através de obras oferecidas pelo colecionador.

NA BAHIA

Após a decisão do Supremo Tribunal Federal, que deu parecer favorável ao Governo da Bahia, a Coleção de Arte Sacra Abelardo Rodrigues chega a Salvador em 23 de agosto de 1974, onde foi colocada nas instalações do Museu de Arte Sacra da UFBa. A coleção que foi adquirida por CR$3 milhões, veio enriquecer o acervo natural da Bahia bastante visitado e admirado pelos brasileiros que chegam a esta terra.
Suas peças são originais e de grande valor artístico, comentou recentemente o professor Valentin Calderon. Todo o acervo é composto por 53 crucifixos, 14 imagens do Menino Jesus, 123 imagens de Nossa Senhora, 265 santos em madeira e 87 santos de diversos materiais. Em decorrência do seu estado de conservação, algumas dessas obras passaram por um cuidadoso processo de restauração, enquanto que outras, em decorrência do tamanho, estão pra ser restauradas.
Feitas de madeira, barro e de pedra-sabão, há imagens de Nossa Senhora, de Santa Luzia, do Menino Jesus, além de altar, nichos e algumas pinturas. O próprio Valentin Calderon costuma mencionar toda a sua importância, além de fazer referências ao pesquisador incansável do barroco brasileiro, Abelardo Rodrigues.

          O BRASIL NA VISÃO DE ALAN KOBRIN


A Fundação Cultural do Estado da Bahia promoveu, ontem, no Solar do Unhão, uma projeção de slides do fotógrafo Alan Drew Kobrin.
Alan, americano radicado em Salvador há dois anos, mostrou tudo o que viu e fotografou nas suas viagens ao Rio, São Paulo, Mato Grosso e interior da Bahia.
O trabalho de Alan tem como tema central as pessoas destes lugares:gente do povo, festas de rua, trabalhadores e artesãos.
O trabalho foi mostrado em duas sessões, às 20 e 21 horas, com entrada franca.

              SÉRGIO RABINOVITZ 

De 16 a 2 de março o artista Sérgio Rabinovitz estará apresentando seus últimos desenhos, gravuras e fotografias. Sérgio retornou recentemente dos Estados Unidos, onde estudou Arte. É um dos jovens que começam a despontar com uma arte livre e totalmente fora do tradicional. É um artista que tem uma produção com contemporaneidade. Faz uma arte que despreza o cavalete e utiliza materiais modernos e atuais. Os riscos e traços livres mostram o seu despojamento em busca de novas sensações artísticas.