domingo, 24 de março de 2013

GENARO DE CARVALHO TERÁ UMA EXPOSIÇÃO - 21 DE JULHO DE 1979


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 21 DE JULHO DE 1979

           GENARO DE CARVALHO TERÁ UMA EXPOSIÇÃO

Genaro ultimando uma de suas  obras
onde aparecem a mulata e a flora tropical
Uma homenagem justa até um certo ponto tardia.Aliás, nunca entendo por que as pessoas ligadas à figura e á obra de Genaro ainda não tinham promovido uma exposição post mortem deste que foi e continua sendo o maior tapeceiro de todos os tempos do país. Agora o Museu de Arte da Bahia vai realizar uma mostra de 27 do corrente a 31 de agosto, reabrindo também a Galeria Pousada do Carmo, que andou algum tempo sem qualquer atividade. A princípio entendo que o local não é adequado para uma exposição à altura de Genaro de Carvalho. Acho inclusive que deveria ter sido programada para o Solar do Unhão e inclusive que muitas obras, hoje em mãos de colecionadores, poderiam se tomadas por empréstimo e mostradas aos baianos, especialmente aos jovens que pouco conhecem a obra de Genaro. Até os tapetes belíssimos que existiam no saguão do Hotel da Bahia estão guardados se é que estão pois o hotel está em reformas há vários anos.

Outras peças estão espalhadas pelo Sul do país e até no exterior. Além disso muitos de seus tapetes são grandes em tamanho e precisam de espaços para uma arrumação mais adequada. De qualquer forma só tenho que bater palmas a esta iniciativa do decorador Pedreira, que hoje está á frente do Museu de Arte da Bahia.
Genaro Antônio Dantas de Carvalho nasceu na Gamboa de Cima, portanto, debruçado sobre a nossa Baía de onde se avista a beleza e nobreza do Forte do Mar ou de São Marcelo. Desde cedo que começou a pintar tendo como primeiro mestre o seu pai, Carlos Alberto de Carvalho, que era um pintor amador. EM 1944 estudou desenho na Sociedade Brasileira de Belas Artes, no Rio de Janeiro.
No 10º aniversário da Petrobras alguns tapetes
foram expostos no Campo Grande 
Na Bahia, ao lado de Carlos Bastos e Mário Cravo, iniciou o movimento de Arte Moderna, entrando em luta com os acadêmicos que estavam entrincheirados na velha Escola de Belas Artes.
EM 1945 o seu médico e amigo, Dr. Peregrino Júnior, o incentivou a realizar sua primeira exposição na Associação Baiana de Imprensa, no Rio de Janeiro.
No ao seguinte expõe ainda no Rio, no Museu de Belas Artes.
E sua exposição individual na Bahia só vai acontecer em 1947, sendo que neste mesmo ano realizou uma individual no Ceará.
Em 1949, com uma bolsa de estudos do governo da França, estudou na École Nationale de Beaux Arts de Paris, onde foi discípulo de Fernand Leger e André Lhote.
Mas a descoberta do tapete só aconteceu em 1950, com seus tapetes murais, e depois vieram as exposições na França e em outros países da Europa. A última vez que encontrei-me com o Genaro ele estava cortando cuidadosamente uma batata doce para estudar as suas estrias e em seguida jogá-las como elementos de seus belos tapetes. Era um artista dedicado ao trabalho, sério, envolvido com aquilo que fazia e evitava as interferências estranhas.
Foi em 1971 que aconteceram suas últimas exposições, quando esteve ocupando os salões do Museu de Arte Moderna da Bahia, e A Galeria, em São Paulo, e a Petite Galerie, no Rio de Janeiro, com suas belas mulatas.
O Wilson Rocha, que era seu amigo pessoal, escreveu certa vez que viver um pouco a pintura, os desenhos e as tapeçarias de Genaro evoca-nos sempre o vigor e extraordinária sensibilidade deste artista baiano prematuramente desaparecido e para quem a lei dos atos humanos achava-se implícita em seu metier. A arte, considerada como uma virtude intelectual, para ele era antes uma necessidade vital, uma cotidiana e permanente quantidade adicional de vida que ia recebendo no dia-a-dia de sua existência. Inumeráveis são os mundos de seu universo psicológico, o faire et l’agir, a ordem especulativa e a ordem prática em sua atividade criativa, o tempo e o modo, a forma, o espaço e a luz nas regras e nos habitus de sua personalíssima elaboração em qualquer das modalidades técnicas de sua obra, como podemos ver e sentir particularmente neste breve catálogo de seus retratos femininos de um único obsessor modelo e que representa uma pequena história psicológica de sua pintura.

PROJETO ARCO-ÍRIS TRAZ AO RIO A ARTE DE PERNAMBUCO

Doze artistas representam a arte pernambucana na mostra que estará até 31 deste mês na Galeria Rodrigo Mello Franco de Andrade da Funarte Rua Araújo Porto Alegre, 80 Rio, em prosseguimento ao Projeto Arco-Íris do Instituto Nacional de Artes Plásticas.
Compõem a mostra pinturas, cerâmicas, esculturas e entalhas, selecionadas pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco-Fundarpe procurando traduzir a vitalidade do movimento artístico daquele estado. Para tal foram reunidos destes artistas ligados à Sociedade de Arte Moderna do Recife até aqueles que vêm desenvolvendo, atividades mais recentes. Segundo José Luís mota Menezes, da Fundarpe, nas obras expostas não há qualquer pretensão de escolha dos melhores. Os critérios de valor que separam ou estabelecem diferenças em seleções de trabalhos artísticos são subjetivos nem sempre traduzem senão a verdade de um momento, de alguém ou de alguns. É na beleza deste símbolo, o arco-íris, que vemos a natureza do convívio útil com as obras dos dois extremos do nosso país.
Os artistas são Petrúcio Nazareno (pintura), Tiago Amorim (cerâmica), Mariza (pintura), João Batista (escultura), Wilson de Souza (pintura), Sylvio Hansen (pintura), Manoel Arruda (pintura), Maria Carmem (pintura), Fernando Guerra (pintura), Bernardo Dimenstein (pintura), José Barbosa (entalhe) e Plínio Palhano (pintura).

A ROTA DO ARCO-ÍRIS

Criado com o fim de promover ou apoiar iniciativas de intercâmbio de arte em todo o país, o Projeto Arco-Íris já apresentou, somente no Rio de Janeiro, exposições coletivas e individuais de artistas dos Estados do Maranhão; Piauí, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Pará, Sergipe, Ceará, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Alagoas, Espírito Santo e Goiás, através de convênios firmados com as secretarias de culturas dos estados.
Pelo Brasil, estão programadas as seguintes exposições para o segundo semestre de 79: em Brasília, individual de Tancredo Araújo (19 a 30/10); em Vitória; Eraldo Motta (24/7 a 5/8), José Silveira Dávila (2º quinzena de setembro, e uma coletiva com artistas de Goiás 10/4; em Belém do Pará, mostras de Carmem Bardy 19/9 a 3/10 e Antonio Grosso/Lótus Lobo 9 a 23/10; em Teresina, coletiva de desenho 6 a 27/7, Júlio Vieira 4 a 26/10; Tereza Brunnet 8 a 28/11 e uma mostra de trabalhos de gravura da Oficina do Ingá 6 a 26/12; em São Luiz, Clésio Penedo Julho, Octácilia 8 a 28/8, Tereza Brunnet 10 a 30/10 e mostra dos trabalhos da Oficina do Ingá 5 a25/11. Finalizando, no Rio Grande do Sul, a Universidade Federal de Santa Maria apresentará os trabalhos de Sérgio Campos 3 a 28/09.

                          PAINEL

LICURGO -Quando expôs pela primeira vez, em 1973, na Galeria Le Dome, Licurgo era apenas um jovem artista iniciante, que sequer imaginava que mais tarde teria os seus trabalhos expostos em Munique e na Suíça.
Recentemente encerrou Cabana da Barra, mais uma exposição individual, cujos trabalhos ofereceu ao Instituto de Organização Neurológica da Bahia, como uma forma de colaborar com o Ano Internacional da Criança.
Licurgo reflete na sua arte o conceito que faz do papel que o artista deve desempenhar na sociedade, que é mostrar toda a realidade que nela existe,  pois ele é  como uma espécie de observador que registra em sua obra os acontecimentos da época em que se vive.
GENTE SOFRIDA- Em correspondência ao que afirma o seu pincel desliza na temática da gente simples, sofrida, as suas manifestações. Com dezenas de exposições feitas em várias galerias de Salvador e já tendo participado de mostras em outros estados, Licurgo da Silva Tadeu Neto comenta:
Acho que estou agradando, mas não posso deixar de reconhecer o apoio que a imprensa tem me dado.
Licurgo, que está vinculado à Telebahia, desde 1968, já conseguiu vender mais de 600 trabalhos, utilizando a técnica do óleo sobre tela. Agora, no final do mês em curso, alguns trabalhos seus estarão sendo expostos na Suíça por Hans lamm, colecionador e crítico e de arte alemão.
O artista Licurgo ofereceu alguns de seus trabalhos ao Instituto de Organização Neurológica da Bahia-ION para que sejam comercializados em benefício das muitas crianças excepcionais que são amparadas por um grupo de pessoas abnegadas que lá trabalham. Licurgo da Silva Tadeu Neto ou Licurgo é natural de Esplanada.

OITO MULHERES- continua aberta até o próximo dia 22 na Eucatexpo a exposição de Clara, Gabriela, Graça Lúcia, Lea Stork, Magali, Mara, Socorro e Sônia Regina. Espero que não fiquem na pintura de fim de semana ou nos intervalos da cozinha.

BIENAL- quarenta países já confirmaram sua participação na próxima Bienal de São Paulo são eles: África do Sul, Alemanha, Argentina, Bélgica, Bolívia, Bulgária, Chile, China, Colômbia, Coréia, Curaçao, Egito, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Grécia, Holanda, Honduras, Hungria, Ilhas Virgens Britânicas, Índia, Indonésia, Iraque, Israel, Itália, Iugoslávia, Japão. México, Paraguai, Peru, Polônia, Portugal, República Dominicana, Suíça, Tailândia, Tchecoslováqui, Uruguai, URSS e Venezuela.

ESCULTURA DE CARVALHO - Uma antiga escultura de Carvalho que representa uma frade é uma das peças mais visitadas e famosas da coleção de artes da Universidade Karl Marx, de Leipzig.
Muitos a chamam de Tomás de Aquino pela aparência que tem com o santo, porém, a sua denominação correta é Dominicano Sentado.
Embora velha podemos notar a perfeição das formas do nariz, lábios e olhos e a grande expressividade serena do frade. Uma escultura realmente que merece ser destacada entre muitas e muitas outras que povoam importantes coleções espalhadas por todo o mundo.


Seres Marítimos, bela tela de autoria de Chico da Silva
CHICO DA SILVA – Célebre pintor primitivista, acreano de nascimento e residente em Fortaleza desde a sua mocidade, atravessa nova fase de dificuldades, passa privações e certamente vai perder o carro que comprou recentemente.
Participante de exposições internacionais, com destaque na Bienal de Veneza, Chico da Silva reclama da concorrência da concorrência desleal de que muitos artistas lhe fazem imitando-o , confundindo a clientela e falsificando a autoria de quadros.
Sua própria filha Chica da Silva, é apontada por Chico como falsificadora de seus quadros, formando um grupo que se denomina Escola de Chico da Silva, de onde sai diariamente dezenas de quadros com o fantástico mundo animal do primitivista, sob a encomenda de marchands e galerias de quase todo o Brasil e do exterior.
De início, o próprio Chico aceitava as falsificações, pois impedido de trabalhar pelas conseqüências de alcoolismo crônico, cobrava uma pequena taxa por a cada quadro que lhe levavam para autografar: alertado por amigos decidiu agora agir contra os falsificadores.