sábado, 30 de março de 2013

O SÃO FRANCISCO NA OBRA DE ARTE - 27 DE OUTUBRO DE 1979


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 27 DE OUTUBRO DE 1979

                 O RIO SÃO FRANCISCO NA OBRA DE ARTE

O rio sempre exerceu uma influência marcante a todos aqueles que tiveram ou têm a felicidade de residir numa cidade banhada por um deles. Aliás, acho que as cidades que possuem rios são mais simpáticas, mais bonitas e agradáveis, principalmente quando o rio está cheio com suas águas barrentas quase tocando nas pontes de onde os garotos mais espertos pulam desafiando a sua correnteza. Foi assim que uma pintora radicada no Sul do país a Ediria Peralva influenciada pela força do Velho Chico escolheu como temática sua gente a sua história. Ediria está expondo na Galeria Panorama, na Barra, 23 telas a óleo, de grande força plástica e de um colorido perfeitamente identificado com as cores do rio. As carrancas com sua força e magia, que eram antigamente utilizadas pelos pescadores, que as colocavam na proa de suas embarcações para espantar os maus espíritos foram transpostas para as telas desta baiana com grande força plástica.
Suas lendas, suas crendice, suas cantigas de remeiro, a luta pela interiorização dos pioneiros para implantar seus currais através do vale, forma suficientes para provocar em Ediria uma imensa vontade em retratá-los. Vamos, principalmente, em sua obra, a preocupação com a icnografia. A figura humana é retratada num clima de impessoalidade e as telas onde aparecem na composição, as carrancas, tem uma força expressiva maior. Ediria não retrata simplesmente; ela consegue envolver esses elementos num clima de magia e encantamento. Uma perfeita identidade entre a arte e aquilo que inspirou a artista, que soube acima de tudo captar todo o clima, embora esteja residindo há vários anos fora do nosso estado, especialmente da região do São Francisco.

A propósito quero transcrever o ABC da Carreira Grande que vem inserindo em seu catálogo onde está escrito: Juazeiro da lordeza,/Petrolina da vaidade/Santana do cascalho/Riacho da carestia/Sento Sé da nobreza/Remanso de valentão,/Pilão Arcado da miséria/Xique-Xique dos bundão/, Icatu cachaça ruim,/Barra só da Barrão/Morporá casa de palha,/ Bom Jardim de rica flor,/Urubu da Santa Cruz,/Triste do povo da Lapa,/se não fosse o Bom Jesus,/Carinhanha é bonitinha,/Malhada também o é,/Passa Manga e Morrinhos/Pagam impostos em Jacaré,/Januária, carreira inteira,/ Corrente, meia carreira,/ Santa Rita bate o prego,/Suja mole na Marreira,/São Francisco da arrelia,/São Romão da bruxaria,/Extrema dos cabeludos/Pirapora da alegria.
Sabemos que Bom Jardim é hoje a cidade de Indianópolis; Urubu é Rio Branco; jacaré é Itacarambi e Riacho, Casa Nova. Todas essas cidades e figuras integrantes do ABC foram retratadas por Edíria Peralva em suas telas que merecem ser vistas pela beleza plástica, pela técnica apurada e suas cores bem escolhidas.
Estamos diante de uma artista cheia de vitalidade e sua força é tamanha ao ponto daquelas pessoas que não a conhecem que é obra de um jovem artista. Tsto porque suas telas são fortes e vibrantes.

JOVENS E ANTIGOS GRAVADORES REPRESENTAM OS EUA

Os Estados Unidos participam da 15ª Bienal Internacional de São Paulo com dois grupos de artistas: um deles representando a nova geração de gravadores americanos, e o outro, formado pelos premiados em bienais anteriores.
Os cinco jovens gravadores cujos trabalhos podem ser apreciados no Ibirapuera foram selecionados por Gene Baro, Curador- Consultor do Departamento de Gravuras e Desenhos do Museu de Arte de Brooklyn (Nova Iorque), São eles Susan Hamilton, Herb Jackson, Martin Levine, Minna Resnick e Jack Torlakson. Cada um está representado no pavilhão dos EUA, no primeiro andar do prédio da Bienal com seus gravuras.
Os cinco gravadores americanos são, embora de maneira diversa, característicos da qualidade técnica e visão artística gráfica contemporânea dos Estados Unidos.
Martin Levine e Jack Torlakson tiram suas imagens do panorama urbano e rural norte-americano e trabalham com métodos tradicionais de água-forte, aquatinta e litografia. Eles mesmo imprimem seus trabalhos, com sensibilidade e técnica dificilmente encontradas. Minna Resnik lida nas litografias sempre com uma imensa figura, invocando interação da forma com o espaço. Susan Hamilton e Herb Jackson trabalham em abstração colorida, respectivamente em serigrafia  e água-forte e aquatinta. Suas obras oferecem grandes experiências visuais em espaços pequenos. Ambos fazem alusões a formas geométricas e temas que se referem ao mundo natural, no caso de Susan Hamilton, a objetos feitos a mão, e no de Jackson a energia do panorama e da atmosfera. Suas obras têm um colorido sutil e requintado.
Os cinco artistas trabalham em diferentes partes dos EUA: Levine, em Illinois; Torlakson, na Califórnia; Resnick, no Colorado; Hamilton, no Texas, e Jackson, na Carolina do Norte. Eles simbolizam e concretizam a rica diversidade e substância da fase atual da gravura norte-americana.
O outro grupo que representa os Estados Unidos nesta 15ª Bienal é formado por seis artistas premiados em montagens anteriores da mostra paulista. São artistas consagrados, representados no segundo andar do prédio da Bienal, com trabalhos recentes.
São eles: T. Roszak, premiado na 1ª Bienal em 1951; Bem Shahh, na 2ª Bienal, em 1953; L. Baskin, 6ª Bienal, 1961; Adolph Gottlieb, Grande Prêmio da 7ª Bienal, 1963; e Jasper Johns e H. C. Westermann, premiados na 9ª Bienal, em 1967.

                         PAINEL

BAIANOS PREMIADOS - os constantes prêmios que estão sendo destinados a alguns artistas baianos vêm de certa forma confirmar o que tenho afirmado em várias colunas passadas.
Agora para minha alegria novos prêmios foram concedidos a esses que sempre tenho dedicado algumas palavras. Vejamos:
No IV Salão Nacional Universitário de Artes Plásticas realizado na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina, coube ao Bel Borba o prêmio Governo do Estado de Santa Catarina, recebendo 35 mil cruzeiros. Foi escolhido pelos visitantes da exposição. Já o Murilo recebeu o prêmio especial de pintura e o José Araripe o Prêmio Especial Super 8.
No VIII Salão de Artes Plásticas de São Cristóvão, em Sergipe, o primeiro lugar foi novamente de Bel Borba, sendo que o segundo e terceiro lugares foram conferidos a Joubert Moraes e Jorge Luís, sergipanos.

ARTE TURISMO- Fiquei surpreso com a quantidade de obras sem a necessária qualidade que integra o Movimento Cultural Brasil Arte Turismo. A mostra está armada nos salões do Othon Palace Hotel. Este movimento teria o apoio do Departamento de Assuntos Culturais do Ministério da Educação e Cultura do Rio de Janeiro. Já realizou exposições no Rio de Janeiro e São Paulo e agora chega à Bahia. Evidente que o movimento presta algum serviço da divulgação da obra de arte, mas pela total despreocupação com a qualidade do que vai expor.
Não podemos conceber que uma obra de Juarez Machado, de Augusto Rodrigues, e mesmo uma tela de Djanira sejam expostos juntamente com trabalhos de iniciantes e de pintores de casario de qualidade duvidosa. Isto serve para quebrar a unidade da amostra e duvidar do real objetivo do tal movimento.
Tive a preocupação de percorrer demoradamente a mostra e constatei uma coisa terrível. É que se assemelha a uma exposição Cadastro, a qual critiquei há duas semanas, por apresentar bons artistas misturados com outros que ainda tem muito a fazer para serem reconhecidos como profissionais.

EXPOSIÇÃO DE PROJETOS - Foi lançado o sexto volume de Cadernos Brasileiros de Arquitetura, que reúne a obra de Sérgio Pileggi e Euclides Oliveira. Na ocasião, os arquitetos abriram a exposição de painéis fotográficos que representam alguns de seus projetos já realizados. A mostra permanecerá no local, Showroom Papaiz, á Avenida 9 de julho,6017, até o dia 25 de outubro.
Cadernos Brasileiros de Arquitetura são editados pela Projeto Editores Associados e constituem-se uma série de publicações que se destina a contribuir para a formação e documentação da memória da arquitetura brasileira.
O sexto volume lançado faz um retrospecto dos últimos dez anos de atividades dos arquitetos Sérgio Pileggi e Euclides Oliveira. Sérgio é formado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie, foi diretor do IAB, vice-presidente da Comissão estadual de Artes Plásticas da Secretaria da Cultura e Tecnologia de São Paulo, Assessor técnico da COHAB/SP e hoje é professor da cadeira de Projeto II da Faculdade de Arquitetura e urbanismo da Universidade Mackenzie.
Euclides Góes Monteiro de Oliveira é carioca, diplomado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, trabalhou até 1971, nos escritórios dos arquitetos Homero Leite e Antônio Carlos Vasconcelos, no Rio de Janeiro, associando-se, a seguir, com o arquiteto Sérgio Pileggi.

ARTE DA ERA ESPACIAL _ O artista Howard Sochurek, da cidade de Nova Iorque ganhou notoriedade nos círculos das artes comerciais ao criar suas obras utilizando uma palheta eletrônica. Ele emprega um processo de ampliação da imagem originalmente desenvolvido para ajudar a selecionar locais seguros de pousos na Lua, durante a realização do Projeto Apolo, da NASA ( Administração de Aeronáutica e Espaço dos EUA. Desse modo , o artista consegue converter fotografias normais em espetaculares concepções de arte gráfica.