sábado, 16 de março de 2013

CERÂMICA É MAIS DO QUE ARTE: JÁ É UTILITÁRIA - 17 DE FEVEREIRO DE 1979


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 17 DE FEVEREIRO DE 1979

CERÂMICA É MAIS DO QUE ARTE: JÁ É UTILITÁRIA


Moldar argila, criar peças em cerâmica era apenas um hobby de May Street. Só que esse hobby começou a ocupar as vinte e quatro horas de seus dias. Virou paixão, o caminho procurado, a solução certa: criar e fazer da sua arte um ofício. Hoje, sete anos depois, May Street responde pela Art-Gila, com cinqüenta assistentes, que não consegue fazer estoque, tanta é a procura e está iniciando uma viagem pelo Norte e Nordeste brasileiro, durante o mês de fevereiro, para conhecer as pessoas que prestigiaram seu trabalho nos últimos anos.
May começará por Salvador, seguindo depois para Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Campina Grande, Natal, Fortaleza, Teresina, São Luís, Belém e, finalmente, Manaus. Em todas as cidades, manterá contatos com compradores e mostrará as novidades de Art-Gila que hoje se dedica exclusivamente á cerâmica com linhas criadas pela própria May e por designers italianos. E as tendências são as mais variadas, incluindo toda uma série de animais (cachorros, elefantes, camelos, cisnes, tartarugas, etc.) até peças de cerâmica craquelê ou os clássicos vasos chineses com dragões dourados.

JEANS TAMBÉM É CERÂMICA

Pesquisar, criar, inovar é o que May mais gosta de fazer. É gratificante, emocionante mesmo a gente ver pronta, realizada uma peça saída de nossa imaginação. E nesses muitos momentos de criatividade, ela inventou toda uma linha de jeans, em cerâmica. São isqueiros de mesa, molduras para espelhos, porta-retratos, cinzeiros, caixas, potes, tudo o que se quiser fazer, inclusive maçanetas de porta.
Essa nova linha vai atingir um público novo, gente jovem ou pessoas mais descontraídas. Isso não quer dizer que a Art-Gila não se dedique a peças tradicionais como abajours, vasos e cachepots.
Não existe uma peça chave na coleção mas são os animais, os cachorros, principalmente, que até agora fizeram o maior sucesso, especialmente os dálmatas e os bassets.
Ainda nessa linha, continuam em grande moda os elefantes que servem como base de mesinhas, feitos em cerâmica craquelê, Bem como os cisnes, de diversos tamanhos, usados como centro de mesa, floreiras fruteiras.

PEÇAS PITORESCAS

Além da linha normal, May Street ainda cria peças originais, exclusivas e sofisticadas como pequenas plaquetas para identificação dos convidados à mesa, tratadas quimicamente de forma a permitir que se escreveram e apaguem os nomes quantas vezes for necessário. Formando conjunto, uma plaqueta maior que pode servir para se anotar o cardápio, num jantar de cerimônia ou para bloco de recados.
Entre as peças originais existe ainda um abacate cortado ao meio, que serve como suporte para que o caroço da própria fruta floresça, um conjunto de mini-cinzeiro e mini-porta, cigarros individuais, cabeças de cachorro, porta-óculos e banquetas em cerâmica limitando pata de elefante.
May Street reproduziu ainda, com exclusividade, três esculturas de Ceschiatti, que ele mesmo numerou e assinou e acaba de lançar aparelhos de jantar com design exclusivo. Não existe uma moda de cores em cerâmica. Todas as peças podem ser feitas sob encomenda, nas cores que se harmonizem com a decoração. Mas, May  recomenda, para certas peças, tons clássicos, palha, branco, bege, por  valorizarem mais as peças e combinarem com facilidade em qualquer ambiente. E mais: todas as peças, no caso de quebra, podem ser repostas (em todo o Brasil) e a demora é de quinze a vinte dias.

        CENTRO DE ARTES SERÁ INAUGURADO

O Governador Roberto Santos inaugura hoje o Centro de Música e Arte Ciência, no conjunto arquitetônico do Século XIX, constituídos dos prédios 47, 49 e 51 da Rua Gregório de Mattos, no Pelourinho. Na obra foram investidos cerca de CR$ 9 milhões e foi realizada pela Fundação do Patrimônio Artístico e Cultural.
Na manhã de ontem, o Governador visitou o local, acompanhado do diretor da Fundação, arquiteto Mário Mendonça. A fachada do prédio recebeu pinturas rosa e azul, dando a idEia de dois imóveis. Na oportunidade o Chefe do Executivo visitou, também, as obras do Museu Arquidiocesano, na Catedral Brasílica, o Solar do Ferrão, na Rua Gregório de Mattos, e a Quinta do Tanque, na Baixa de Quintas onde a Bahiatursa estará funcionando até o dia 10 de março.

MUSEU ARQUIDIOCESANO TEM CONCEPÇÃO HISTÓRICA

Liberadas pelo Governo do Estado, através da Fundação do Patrimônio, as obras de recuperação dos assoalhos, pisos e paredes de sacristia, biblioteca dos jesuítas e galerias laterais já absorvem recursos na ordem de CR$ 1 milhão. A recuperação foi iniciada em 1977 e, ao inspecionar as obras, o governador Roberto Santos falou da concepção do Museu Arquidiocesano:
É um museu com sentido histórico em que informa o conjunto entre a história da Arquidiocese, ilustrada com peças pertencentes aos arcebispos ao longo dos 300 anos da Arquidiocese e a história civil da Bahia, com peças referentes aos governadores desde a província.
O Museu Arquidiocesano não se confunde com o de Arte Sacra, que é museu artístico, como sugere seu próprio nome, pois é histórico, mostrando as importantes influências da Arquidioceses na história político-social da Bahia.
Seu acervo é constituído de peças da Catedral, Arquidiocese e Governo do Estado. Entre os operários envolvidos com a recuperação da Catedral está Felipe Pereira da Fonseca, de 70 anos, que se especializou em douração e, entre 1930/39, dourou a Igreja de São Francisco.

MODIFICAÇÕES

O histórico prédio da Quinta do Tanque
Ao lado do diretor da Fundação e do presidente da Bahiatursa, Mário Calmon, o Governador inspecionou a Quinta do Tanque e determinou a transferência dos departamentos da empresa para o prédio central da Quinta até os primeiros dias de março. As obras estão em fase adiantada, com o prédio central apto para o funcionamento.
Governo e Secretaria de Planejamento da Presidência da República estão aplicando cerca de CR$14 milhões na obra.
O Sr. Roberto Santos inspecionou, também o Solar do Ferrão, futura sede da Fundação do Patrimônio, ora em recuperação em três dos seus sete andares, com investimento de cerca de CR$18 milhões. Mário Mendonça, diretor da Fundação, declarou que todos os recursos do governo do estado foram repassados, podendo assegurar que 70% da obra pode ser considerada concluída, uma vez que já foi adquirido o material.

        MERCADO DE ARTE ESTÁ DEFORMADO

Checar o mercado de arte da Bahia bastante deformado, porque atende aos interesses burgueses através das galerias de arte freqüentadas apenas por uma elite, foi uma das principais preocupações dos estudantes de Belas Artes Plásticas que terminou hoje. Promovido pelo o Movimento Universitário de Cultura, MUC, o seminário foi realizado na Escola de Belas-Artes da UFBa., com debates a partir das 15 horas.
De acordo com o estudante José Araripe Júnior artista plástico e poeta a nossa intenção não é só de conquistar o mercado para vender arte, mas imprimir uma ofensiva no sentido de que a obra-de-arte possa ser vista por maior número de pessoas, possível. E acrescenta que para atingir esta meta é preciso procurarmos novos circuitos de amostragem com o objetivo de quebrar a imposição burguesa, com suas galerias, onde só comparecem pessoas com ótimo poder aquisitivo e por isso são os únicos que têm acesso às obras.

TRABALHO EM SÉRIE

Na opinião de Araripe, uma saída para a democratização do ato de se apreciar um trabalho de arte seria a promoção de grupos e ou associações que criassem um esquema de trabalho capaz de organizar circuitos de amostragem. E nisso a gente usaria recursos que a própria sociedade moderna nos oferece e que a gente não costuma utilizar.
Como exemplo, ele citou o sistema off set, que permite ao artista reproduzir um trabalho seu em série.
Além de fazer com que maior número de pessoas tenha acesso às obras o sistema off-set oferece ainda vantagem de ter um custo de produção mais barato.
No entanto, Araripe acrescenta que para se atingir este objetivo, é necessário que os artistas percam uma herança burguesa de mil anos a fim de se unir e organizar com a proposta principal de divulgar a arte para todos, sem serem obrigados a se submeter ao mercado das galerias de arte. É importante a gente partir para um trabalho com os pés no chão, dentro da realidade sócio-econômica brasileira, disse ainda Araripe.

AGLUTINAR FORÇAS

Enquanto isto, Franklin Júnior, um dos organizadores do seminário, explicou que o MUC foi criado há dois anos e se propõe a dinamizar as atividades culturais desenvolvidas pelos estudantes.
Antes dele, as atividades andavam meio dispersas e descentralizadas, recordou Franklin, acrescentando que O MUC veio aglutinar as diversas tendências existentes entre os estudantes e funciona como um canal de divulgação de arte. Assim o MUC organiza seminários, palestras e faz até publicações de trabalho dos escultores.
Caracterizando como uma frente de cultura, o MUC tem como principais objetivos discutir a relação tradicional existente na sociedade burguesa, entre artista e espectador e pretende ainda tentar maior aproximação entre teóricos da cultura e os práticos, a fim de se aprofundar os conhecimentos a respeito dessa própria cultura.
O Seminário de Artes Plásticas cumpriu seguinte programa: dia 12: Discussão do tema Função e Formação do Artista Plástico, pelo professor e artista plástico Juarez Paraíso e o estudante Pitanga; dia 13: Mercado de Trabalho, por Zivé, Guido Lima e o professor Humberto Rocha; dia 14: Proposta para Abertura de Novos Espaços, por Guache, Antenor e Jamir; dia 15: Organizações de Classe, por Sônia Rangel e Juarez Paraíso. Nos dias 16 e 17 foram feitas avaliações do seminário e elaborado um documento contendo as conclusões do encontro, para ser lançado nacionalmente. (Maria das Graças Filadelfo).

COLETIVA

Buscando dinamizar a programação de cultura e arte no primeiro período de 1979 e, ao mesmo tempo, dar continuidade a valores, o Departamento de Assuntos Culturais da SMEC promoverá entre os dias 5 e 18 de fevereiro a 1ª Mostra Coletiva de Arte, no 2º subsolo do jardim da Praça Municipal.
Cada candidato terá direito a expor de 1 a 5 trabalhos que deverão se relacionar com esculturas, pinturas, fotografias, gravuras e artesanato. Nessa promoção da secretaria Municipal de Educação, serão expedidos certificados aos participantes que além disso terão oportunidade de vender seus trabalhos.

PROJETO ARCO-ÍRIS ABRE EXPOSIÇÃO DE ARTISTAS

Bonita obra de Antônio Poteiro
Apresentando pinturas, gravuras, desenhos e cerâmicas, foi inaugurada no dia 15 de fevereiro, às 18 horas, na Galeria Rodrigo Mello Franco de Andrade, (Rua Araújo Porto Alegre, 80-Rio de Janeiro) mais uma exposição do Projeto Arco-Íris, desta vez focalizando os artistas de Goiás numa promoção do Instituto Nacional de Artes Plásticas da Funarte.
Kleber Gouveia, Osmar Souto, Roos, Amaury Menezes, Antônio Poteiro, Wanda Pinheiro Dias, Gomes de Souza, da Cruz, Maria Guilhermina, D. J. Oliveira, Naura Timm, Cléa Costa Vieira e Fernando Costa Filho, foram os artistas escolhidos para a mostra, que permanecerá até o dia 9 de março, com horário de 10 ás 18 horas, de 2ª a 6ª feira.
Na exposição, segundo o crítico goiano Miguel Jorge, enquanto alguns pintores saltaram as fronteiras da linha internacional, outros se desenvolveram na própria cidade, não perdendo contudo, o fio da universidade, nem os reflexos da consciência social-nacional, identificados pelo mesmo propósito profissionalizante.

ARCO-ÍRIS PELO BRASIL

Inspirado no fenômeno que lhe dá o nome, o Projeto Arco-Íris se propõe a cruzar o Brasil promovendo ou apoiando iniciativas de intercâmbio da arte que se produz em várias regiões.
Dentro desta ótica, já foram focalizadas os estados do Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Pará, Minas Gerais, Maranhão e Piauí. Outra iniciativa do Projeto Arco-Iris é a de enviar exposições de arte aos estados, acompanhadas pelo artista ou dupla de artistas.
É propósito ainda do INAP promover grandes exposições itinerantes de levantamento da produção artística de várias décadas da arte brasileira, já existindo o projeto para as décadas os anos 60 e 70.

CONCURSO DE CARETAS DA TURMA DO LAMBE-LAMBE


O Concurso Caretas da Turma do Lambe-Lambe, obteve uma repercussão excelente pelo público infantil de todo o país. Agora a expectativa é grande para saber quem serão os vencedores .
Daniel Azulay estará anunciando na próxima semana os premiados pela Melhor Careta de Menina e Melhor Careta de Menino.
O Concurso de Caretas promovido pelo programa Daniel Azulay  e a Turma do lambe-Lambe, transmitido diariamente às 18,30 horas em rede para doze estados pelo Canal 2, TVE, teve a participação de milhares de crianças dos vários estados, proporcionando-lhes total liberdade e descontração de suas expressões fisionômicas. Como destaque observou-se a integração da família, que curtiu com entusiasmo a iniciativa do concurso, apresentando trabalhos fotográficos sensacionais. Como a família unida curte careta unida, foram inúmeras as fotos apresentando filhos e pais, integrados no mesmo objetivo.