domingo, 3 de março de 2013

OS PERIGOS DA INOVAÇÃO - 16 DE MARÇO DE 1981


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 16 DE MARÇO DE 1981

            OS PERIGOS DA INOVAÇÃO 
Sou uma das vítimas da inovação arquitetônica que está assolando o setor. Adquiri um apartamento num edifício onde o arquiteto resolveu inovar colocando uns canteiros laterais. As plantas dos tais canteiros invadiram a tubulação plástica de águas pluviais e inundaram os apartamentos do oitavo até o décimo andares. Uma inundação sui generis. O pior é que ninguém consegue plantar coisa alguma da metade em diante dos tais canteiros, sob pena de arriscar sua própria vida. Isto porque os canteiros ficam do lado direito da sacada do prédio, e quanto mais alto o perigo vai aumentando.
Pior ainda aconteceu com uma família que reside num edifício na Rua Tenente Pires Ferreira, uma transversal da Ladeira da Barra. Um pai brincava com seu filho quando a criança foi de encontro ao vidro do numa chamada área livre e caiu, morrendo instantaneamente.
Imaginem que colocaram um vidro no lugar de uma parede. Noutro edifício construído na Rua Aloísio de Carvalho, o arquiteto substituiu as paredes que antecedem os janelões, por vidros. Um eterno perigo para as famílias que tem crianças. Algumas mais prevenidas já instalaram grades no redor de seus apartamentos. Estes são alguns casos, mas existem às dezenas em Salvador.
Também não posso deixar de lembrar os tristes incêndios que estão ocorrendo ultimamente em São Paulo. As tragédias dos edifícios  Andraus, Joelma e agora do Edifício Avenida, que não apresentava qualquer preocupação com a segurança.
Dizem que o arquiteto depende de terceiros ou sejam do calculista de concreto, das disponibilidade de mercado, das leis, do clima, da paisagem, das condições do terreno e de tantas outras coisas. Concordo, mas isto não implica que ele deve ceder aos destemperos dos terceiros que defendem outros interesses.
A obra do arquiteto tem que ser respeitada e quando não acontecer, o profissional dispõe do Instituto dos Arquitetos e do sindicato, para fazer denúncia e tomar providências. Portanto, dispõe de meios de denunciar as injunções. O medo de ser despedido também não deve intimidá-lo. Na verdade, o que existe é a preocupação de produzir e ganhar mais.
Os poleiros envidraçados demonstram a despreocupação com os futuros adquirentes e são esses que vão pagar pela omissão do profissional de vários setores serviram a Mussolini da Itália, inclusive um famoso arquiteto, que tanto serviços tem prestado às artes no Brasil. Portanto há várias formas de servir. Não podemos é aceitar a arquitetura da beleza falsa e das aparências. O que precisamos é de uma arquitetura ligada ao nosso clima, após materiais disponíveis em nosso país e acima de tudo que respeite o conforto e a segurança dos usuários.
Tudo depende de uma visão político–ideológica do profissional, o que deve ter consciência de sua responsabilidade. Ao projetar, deve pensar nas vidas que vai abrigar aquele imóvel. A visão fria de uma prancheta iluminada a luz de mercúrio deve acender também a visão global do que representa uma moradia, lembrando a presença de senhoras, velhos e crianças, da labuta do homem da classe média que sai de casa o dia inteiro para batalhar a sobrevivência, deixando em casa  seus filhos. A necessidade do playground e áreas destinadas às suas brincadeiras. Nunca projetar um prédio onde o playground fique entre um apartamento e outro, porque o morador de baixo não suportará o barulho da criançada e assim por diante.
Tudo é apenas uma questão de senso. A própria palavra funcional diz que é o que tende ao pratico e à função.Só que muitos desses profissionais estão atendendo a disfunção e atentando contra a própria vida dos que devem abrigar.

O MECENAS DO SURREALISMO TEM UMA VIDA DE FANTASIAS

O sofá de Dalí representando os lábios da atriz Mae West
A casa Christie’s leiloará em 30 de março uma coleção de 22 quadros surrealistas, que inclui 17 obras de Salvador Dali, de propriedade de Edward James, cuja história é tão fantástica como as obras de sua propriedade.
Segundo a Christie’s este é um dos lotes mais importantes de obras de arte surrealistas já postas a venda. James espera que o leilão lhe renda pelo menos 2,3 milhões de dólares (168.774.000 cruzeiros) para prosseguir com uma obra arquitetônica fantástica que sugou quase toda a sua fortuna.
James, cujo padrinho foi o Rei Eduardo VII da Inglaterra, tornou-se excepcionalmente rico com a morte de seu pai, aos cinco anos de idade, e há 30 anos vem tentando construir um paraíso numa floresta do México.
Com a morte do pai, James herdou cerca de 15 por cento de todo o sistema ferroviário norte-americano, além de um grande número de ações de empresas norte-americanas de madeira e cobre. Durante a maior parte de sua vida, James foi tão rico que não sabia o quanto tinha.
Atualmente, aos 73 anos, a sua obsessão pela construção dos palácios de Xilitla, deixou sua fortuna reduzida a cerca de meio milhão de dólares (cerca de 37 milhões de cruzeiros). E por isto que ele vem, aos poucos, vendendo suas obras de arte,que formam a coleção surrealista mais famosa do mundo.
Estas obras não foram meramente compradas por James. Ele se envolveu e aplicou dinheiro no movimento surrealista durante a década de 1930. Durante um ano, James pagou a Dali para pintar exclusivamente para ele. Deu apoio a pintores como Magritte e Chirico, cujas obras constam da coleção que está a venda. Um dos quadros mais famosos de Magritte, que apresenta um homem olhando em um espelho, que reflete a parte de trás de sua cabeça, é um retrato de James.
Usando um taco de bilhar de ouro, James certa vez apresentou Dali, vestido em traje de mergulho, para uma conferência. O capacete teve que ser retirado para que Dali não morresse sufocado e então verificou-se que não se conseguia entender a conferência, devido a seu sotaque.
James comprou obras de Picasso quando ainda não era conhecido e concentrou suas aquisições na Escola Surrealista, apesar da família ridicularizar este hábito.
Recentemente, James declarou que seus parentes diziam que suas compras eram bobagens, mas que foram um grande  investimento.A coleção está me mantendo nestes últimos anos, afirmou.
Sua coleção surrealista, que consta de qualquer o assunto, fica em West Dean, uma propriedade rural ao sul de Londres que tem uma área de mais de 22.800 hectares, um sofá e a famosa versão de Dali sobre os lábios de Mãe West. Uma passadeira de escada e tecida de forma a representar as pegadas da ex-mulher de James, Tilly Losch.
Losch era uma cantora austríaca que estava na moda. Em 1933, James pagou a um grupo de opereta para lhe dar um papel de destaque. Participavam do grupo George Balanchine, Bertold Brecht, Lottle Lenya e Kurt Weill.Depois do divórcio com Losch,um dos grandes escândalos da década de 1930, James se transferiu para Hollywood, fazendo uma escala em Nova Iorque, onde financiou 48 por cento de uma extravagância que Dali apresentou na Feira Mundial da Cidade.
Em Hollywood, ele rapidamente fez amizade com as pessoas famosas e morou na cidade quase 25 anos, sem mudar seu modo surrealista de vida.
Em certa ocasião, James saiu inesperadamente de sua casa em Los Angeles e voltou oito anos depois, encontrando sobre a mesa os pratos sujos que havia usado.
Em vez de mandar limpar a casa, James construiu uma outra no jardim.
Durante uma de suas misteriosas viagens ao México, com suas roupas embrulhadas uma a uma em papel de seda cor-de-rosa dentro das malas, Jaime encontrou o que considera a sua versão do Jardim do Éden.
Desde então, vem tentando construir um palácio no local, um vale escarpado, e perdeu o interesse pelos quadros surrealistas.
Em 1976, ele tentou dar todas as 300 obras para a Grã-Bretanha, mas o governo recusou, afirmando não ter fundos para manter um museu em West Dean, que atualmente abriga uma  fundação educacional para trabalhadores rurais.
É para financiar este projeto arquitetônico no México que James está vendendo mais este lote de obras surrealistas. Outros lotes já foram vendidos e com certeza outros o serão.
O projeto é um complexo fantasmagórico de palácios construídos segundo a concepção de James, poucos dos quais foram terminados. Alguns se desintegram antes de estarem terminados, outros deslizam pela encosta da montanha. A floresta toma conta dos palácios antes que James consiga terminar a construção.


LOZANO- O Consulado da Espanha e a Fundação Cultural do Estado da Bahia farão a partir do dia 20 do corrente uma exposição dos trabalhos de Francisco Lozano. E ninguém melhor que o próprio Lozano para  agradecer o apoio do seu compatriota  Valentin Calderon. Vejamos:
" Nunca se podra dejar em el universo del olvido, la conciencia  de quein em vida entrego su tiempo a um pueblo. La dedicacion de mi humilde obra acompaña, a este andante mensajero que cumplio hasta el termino de su esistir um amplio trabajo de orientador.
Valentin Calderón, como hombre a ti me dirijo y te entrego la mas hermosa criatura que a este mundo traje -  la paloma. Es mi naturaleza que de mis manos, dejo posada en ti. Los pensamientos de todos aquellos que te conocieron estan acompanãndote em el difícil camino que tan cerca de ti esta."

COLETIVA- Caribé, Carl Brusell, Carlos Bastos, Emídio Magalhães, Floriano Teixeira, José Maria, Mirabeau Sampaio, Newton Silva, Rescála e Sauro De Col estão participando de uma coletiva que a Margot Galeria de Arte está promovendo até o dia três de abril. A galeria fica no Largo do Carmo.

ARTE INFANTO-JUVENIL- Crianças e jovens, de 6 a 16 anos, de qualquer parte do mundo poderão participar da IV Bienal Internacional de Arte infantil e Juvenil da Argentina, que ocorrerá nos meses de outubro e novembro. Os interessados devem procurar aqui no Brasil o Instituto Nacional de Artes Plásticas da Funarte, (Rua Araújo Porto Alegre, 80, Centro, Rio de Janeiro-RJ CEP. 20.030), onde obterão maiores esclarecimentos e o regulamento do evento.
O candidato poderá concorrer nos seguintes gêneros: desenho, pintura, recortes, colagem, gravura, cerâmica, escultura, marionetes e cenários para bonecos.
No verso de cada trabalho deverá constar o nome completo do autor, data do nascimento, nacionalidade, sexo, endereço, nome da sua escola e data da realização da obra, que sendo gráfica, deverá ser remetida sem moldura. Poderá haver inscrição de trabalho feito coletivamente suas dimensões não devem ultrapassar ás medidas 2mx1m. Três temas estão orientando os candidatos: Minha Cidade Vista do Céu, Rios e Lagos e Montanhas e Vales.
Até o dia 1º de agosto o trabalho deverá chegar ao Instituto Nacional de Artes Plásticas, e caso não haja tempo o candidato deverá remetê-lo para o Instituto Municipal de Educacion por El Arte; Casilla de correo 9, 1870-Avellanedo, Província de Buenos Aires, República Argentina, até o dia 30 de setembro. E é também para este último endereço que devem ser dirigidos os pedidos de informação dos professores que quiserem participar na mesma época da bienal, de um encontro quando serão discutidos os aspectos importantes da arte infanto-juvenil em âmbito internacional.

GERALDO DE BARROS- Este trabalho corresponde ao período de retorno do artista à figuração, quando a utilização de deformações a partir da fotografia em alto contraste constitui uma das inspirações para suas criações. Posteriormente, Geraldo de Barros trabalharia em pintura sobre cartazes publicitários, obtendo a transcedência das imagens, através de sua manipulação expressiva.
Um dos pioneiros da fotografia abstrata entre nós, Geraldo de Barros iniciou-se em pintura como aluno de Clóvis Graciano, Takaoka e Colette Pujol, tendo estagiado em 1951, por período breve em Paris, onde estudou gravura com S.W. Hayter. Apresentou-se em individuais, figurando as bienais de São Paulo (1951 e 1953) e a Bienal de Veneza de 1956. Fotógrafo, artista gráfico, obteve o 1º Prêmio de Cartaz do IV Centenário de S, Paulo.
Participou da fundação do Grupo Ruptura, iniciador do concretismo em S. Paulo, bem como da Unilabor, Form-inform e do Grupo Rex, em 1966. O MAM-SP organizou em 1977 uma exposição individual de seus trabalhos, cobrindo o período de 1964 a 1976.