quarta-feira, 20 de março de 2013

ARTE SOVIÉTICA - 12 DE MAIO DE 1979.


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 12 DE MAIO DE 1979.

ARTE SOVIÉTICA FAZ SUCESSO NOS ESTADOS UNIDOS

Museu de Arte A.S. Pushkin, em Moscou
Elena Kornetchuk , uma ex-estudante de arte de Pittsburgh de 30 anos, organizou um próspero negócio de importação de arte soviética contemporânea para os Estados Unidos. Ela afirma possuir a primeira galeria do mundo exclusivamente dedica à arte moderna da União Soviética. Esta ideia nasceu a um par de anos quando visitei a União Soviética para realizar uma pesquisa para minha tese de graduação em Filosofia, disse ela numa recente visita de negócio em Moscou. Voltei então para os Estados Unidos levando comigo algumas poucas obras de arte e meus amigos constantemente me pediam para arranjar alguns quadros para eles, era ridículo eu não poderia levar centenas de quadros para meus amigos. Por este motivo criei este negócio.
Kornetchuk reconhece envergonhada que ainda não terminou sua tese de doutorado iniciada em 1975 na Universidade de Georgetown , em Washington, com o ambicioso título de A Política na Arte Soviética. Mas , ela e seu marido Jonathan Showe, ex-assessor da Casa Branca para Assuntos de Economia Internacional, compraram, reformaram e transformaram um dos prédios pertencentes ao Banco Nacional de Pittsburg, instalando nele sua Galeria de Arte Moderna Soviética. A Galeria foi inaugurada em julho do ano passado e desde então já vendeu umas 200 obras de arte soviética no valor total de aproximadamente 100 mil dólares.( Dois milhões trezentos e setenta e nove mil cruzeiros) .
Cerca de 50% de nossos clientes são colecionadores particulares, 40% são companhias e o restante são galerias particulares, disse ela. Os preços vão de 200 a 400 dólares para pequenas obras impressas em edições de 25 exemplares, da autoria de artistas pouco conhecidos,como Yevgeni Sidorkin, até mil a dois mil dólares para um grande quadro a óleo de Yevgeni Kumankov, cenografista de teztro e cinema de Moscou. Na realidade, recebemos a maioria dos quadros em consignação, disse Elena Kornetchuk.Se os quadros não são vendidos nós s devolveremos aos artistas. Essas operação é garantida por uma letra de crédito entregue a agência soviética para importação e exportação de obras de arte.
Eugene afirma que seu trabalho agora é mais rápido e eficaz. No princípio costuma comprar o que me agradava; mas agora já tenho uma idéia melhor do que tem saída, disse ela. Segurando uma grande aquarela escura de Kumankov retratando as cúpulas da Catedral ortodoxa de São Basílio na Praça Vermelha, Kornertchuk afirmou: eu gostaria de ficar com isto mas Kumankov é muito caro e seus quadros não se vende muito rapidamente.
Mostrando outra aquarela onde aparecem camponeses russos caminhando sobre a neve, ela diz:Este quadro é muito bonito mas as companhias industriais não os comprarm. As companhias não compram quadros onde aparecem pessoas, os nus são também excluídos, naturalmente, as companhias gostam de paisagens e pinturas abstratas. Seja como for os quadros deverão ter cor e movimento e impressionar desde uns 50 metros de distância e de perto, porque provavelmente serão pendurados num saguão ou num grande salão.
Kornertchuk procura todos os artistas possíveis mas a maioria dos quadros por ela examinados e comprados estão na exposição oficial do Governo na Praça Smolensk, em Moscou, bem diante do Ministério das Relações Exteriores. Um funcionário responsável pelos preços dos quadros vem muitas vezes ao Salão de Exposições e fala sobre uma mostra na Áustria e sobre as últimas  tendências da arte contemporânea soviética.

Dificilmente Kornertchuk pode conseguir alguma coisa fora dos canais oficiais. Sua diretora assistente Laura Phares disse que ela conseguiu comprar alguns quadros diretamente dos artistas, sem intervenção oficial, mas Kornertchuk desmente esta afirmação. No campo da arte dissidente o máxima que ela conseguiu foi alguns quadros de Ilya Glazunovgn um pintor reconhecido oficialmente, mas que uma vez se queixou contra as autoridades porque suas telas mais audaciosas não tinham sido aceitas para uma exposição.

                ENCONTRARAM UM REMBRANDT ROUBADO

Comunicaram ao governo francês o quadro de Rembrandt roubado há sete anos e recuperado por agentes  que o adquiriram de um ladrão por 20 mil dólares ( 475 mil cruzeiros.)
A obra prima, Le Rabbin um retrato de um rabino feito em 1655 foi roubado em 1971 juntamente com outros e foi recuperada pelo FBI há dois anos através de uma operação secreta.
O Rembrandt, o último dos quatro quadros a ser recuperado, e avaliado conservadoramente em 250 mil dólares (5 milhões e 950 mil cruzeiros), mas os franceses o consideram um tesouro da arte nacional.
O embaixador francês, ficou entusiasmado ao elogiar o notável trabalho do FBI.
Webster explicou que os agentes do FBI organizaram uma rede para comprar objetos roubados e conseguiram condenar 31 pessoas até o momento.
O agente do FBI Don Hartnett, que supervisionou a operação, disse que tudo foi filmado por uma câmara escondida na parede. O FBI exigiu aos jornalistas o filme que mostra o especialista em arte do FBI, Thomas Mchane e o agente comprando o quadro de John Gandolfo, a 11 de abril de 1977, por 20 mil dólares.
O dinheiro pago pelos contribuintes norte-americanos ainda não foi recuperado porque Gandolfo ainda está foragido. Um francês e um alemão foram acusados de assaltar o museu e Gandolfo aparentemente atuou como intermediário para vender o quadro.
Hartnett disse: o FBI preferiu não prendê-lo após comparar o Rembrandt porque revelaria a rede de compra que ainda tinha possibilidades de recuperar outros objetos roubados.

                      JUAN MIRÓ COMEMORA SEUS 86 ANOS


Palma de Majorca- O artista Juan Miró completou no mês passado, 86 anos de idade, comemorando a data com prosseguimento de cinco grandes projetos, apesar de sua avançada idade.
O jornal Última Hora indicou que Miró concluiu os esboços para um mural de 60 por 20 metros para o Palácio de Congressos e Exposições de Madri. Seus outros projetos incluem uma escultura de 409 metros, a ser instalada em New York, outro mural para uma universidade norte-americana, vitrais para uma igreja próxima a Paris e uma monumental escultura para um parque de Palma de Majorca.


SALVADOR DALI NA ACADEMIA FRANCESA DE BELAS ARTES

O excêntrico, pintor catalão Salvador Dali foi recebido em Paris como membro da Academia Francesa de Belas-Artes.Na oportunidade foi homenageado por Tony Aubin, presidente da academia, que proferiu um espetacular discurso elogiando seu antecessor Mariano Andreu: Tinha aparência de pássaro diferente de qualquer pássaro existente por isso era excepcional.
Com uma série de cartazes onde apareciam subtítulos para a mensagem sem precedentes no célebre recinto- Dali recordou seus primeiros compradores: o poeta Paul Eluard e Gala (hoje mulher de Dali), o visconde Noailles levou um quadro surrealista escabroso e Christian Dior.
O Velocino de Ouro carneiro mitológico com pele de couro, A Onipresença de Cristo e A deriva dos Continentes, foram os principais capítulos do discurso de Dali, que citou personagens como Freud, Malebranch, Montaigne, Platão, Jasão e Felipe, o Bom.
Não venho aqui como acreditam, para fazer escândalo, mas para fazer o elogio da arte acadêmica, da qual nascerá um novo classicismo, afirmou Dali, que citou o artista hiper realista norte-americano Richard Estes como exemplar renovador.

                    BIENAL ÍTALO LATINO AMERICANA

Anna Letycia, Márcia Rothstein, Lyria Palombini, Greogório Luiz, paulo Laport e Isa Aderne são os artistas plásticos que representam o Brasil na I Bienal Ítalo-Latino-Americana de Técnicas Gráficas em Roma, até 15 de junho.
A mostra da representação brasileira- A mais numerosa da Bienal foi organizada pelo INAP/FUNARTE, a convite do Itamarati a outras capitais europeias.
A Bienal tem o patrocínio do Instituto Ítalo-Latino-Americano, sediado em Roma. A Argentina, Bolívia, Costa Rica, Cuba, Chile, equador, EL Salvador, Guatemala, Haití, Honduras, Itália, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai, Venezuela são os outros países que participam da Bienal.
Entre desenhos e gravuras, o INAP selecionou 49 obras de artistas brasileiros, dos quais foram escolhidos dezenove, por um júri italiano, para participar da Bienal: cinco obras de Anna Letycia, cinco de Márcia Rothstein, cinco de  Lyria Palombini, duas de Greogório Luiz, uma de Paulo Laport e uma de Isa Aderne.

PROJETO ARCO-ÍRIS MOSTRA 15 ARTISTAS SERGIPANOS

Em prosseguimento ao Projeto Arco-Íris, lançado em março do ano passado. A Funarte está promovendo uma exposição de artistas sergipanos, reunindo desenhos, pinturas e tapeçarias.
Patrocinada pelo Instituto Nacional de Artes Plásticas da Funarte e Conselho Estadual de Cultura de Sergipe, a exposição contou com obras de 15 artistas, a maioria deles radicada no Rio.
Segundo o professor Antônio Garcia Filho, da Universidade Federal de Sergipe e um dos responsáveis pela seleção os trabalhos o artista sergipano geralmente emigra para as localidades de maiot projeção nacional, onde, na luta competitiva, aprimora a sua arte em busca de um estilo próprio e da divulgação que os meios de comunicação lhe oferecem.
Mas, diz ainda o professor, em tudo Sergipe está presente no traço da paisagem, no claro-escuro dos ângulos, no contorno das linhas, num protesto simbólico das árvores retorcidas, na agressividade das cores que refletem o temperamento mestiço de sua gente, na interpretação subjetiva do  objeto de arte que é o símile da universidade da sua cultura miscigenada de folk e erudição.
Jenner Augusto, um dos participantes especiais da exposição, ao lado de Jordão de Oliveira, Antônio Maia e José Dome, ao ser interpelado sobre suas origens, acentuou que a linha Horizontal, quase sempre em suas telas, reflete a Barra dos Coqueiros, ilhazinha que se estira no horizonte de Aracaju.
Jordão de Oliveira, é o ameno mestre da cor das coisas como o define Garcia Filho  pintar a natureza morta com frutas de sua terra, focalizando o gomo da laranja em cima do velho jornalzinho provinciano.
Os demais expositores são Maria Anete Sobral de Farias, Ronaldo Gomes de Oliveira (Cãa), Alfredo, Inácio, Gervásio Teixeira, Luís Adelmo Soares de Souza, Eurico Luiz, Leonardo Alencar, Joubert Moraes, Jorge Luiz e José Fernandes.
O principal objetivo do Projeto Arco-Íris é promover o intercâmbio regional das artes plásticas, tornando conhecido nos grandes centros o trabalho dos artistas de outros estados.
No Rio, já foram expostas obras de artistas do Maranhão, Goiás, Piauí, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas, Pará, Espírito Santo, Ceará e Paraná.

CARIOCAS EM BRASÍLIA

Ainda dentro do Projeto Arco-Ìris, a Funarte apresenta em Brasília trabalhos de 14 gravadores cariocas. A exposição está na Galeria Funarte/Oswaldo Goeldi desde o dia 23 de abril.
Segundo o critico Geraldo Edson de Andrade, esta mostra pretende levar a Brasília uma nova geração de gravadores cariocas em plena ascensão.
Uma geração que, essencialmente gráfica, dá continuidade a um dos setores artísticos brasileiros mais criativos, o único, talvez, que tem merecido reconhecimento internacional graças á garra diversificada de um grupo de artistas ainda em pelo processo criativo.
Fazem parte da exposição Alex gama, Anna Carolina, Arydio Xavier, Heloísa Pires ferreira, José Paixão, Kazuo, Lena Bergenstein, Lyria Palombini, Maria Tomaselli Cirne, Marlene Hori, Paulo Laport, Pilar, Sandra Santos, Valério Rodrigues.